100 Mil Desempregados

VISÃO JORNALÍSTICA

A onda da kianda furiosa atirou para as costas arenosas 100 mil desgraçados nadadores. A alegoria aplica-se aos compulsivos desempregados pela crise, fiel e indesejada sina dos Mwangolé desde 2015. O emprego, também, estremece ao seu ritmo e o último 1º de Maio refletiu a condensada expressão multifacetada da tara. O testemunho veio até de uma fonte quase inesperada, a União Nacional dos Trabalhadores Angolanos-Central Sindical, próxima ao poder. Exteriorizou o agastamento, largando os seguintes indicadores:

– Queda do salário mínimo nacional, em poder de compra da cesta básica a 24% ou seja, 76% de recuo. E isto, por erosão progressiva da inflação anual de dois dígitos.

– Débil funcionamento da Inspeção-Geral e da Sala do Tribunal do Trabalho.

– Grande instabilidade causada pela Lei Geral do Trabalho de 2015, devido à sua maior proteção exclusiva do patronato.

– Já perdidos cerca de 100.000 empregos nos vários setores da economia, com maior incidência para a construção.

– A contagem legal do tempo de serviço em alto risco.

– Ausência de sinais credíveis emanando do Estado a breve trecho.

– Consequente horizonte mais visível, no entanto, em agravamento e contestação laboral.

– A alegada irregularidade notada no processo de recadastramento em 64 mil funcionários públicos, cujos salários de Abril foram suspensos.

Por tudo isso, a UNTA entendeu comemorar o 1.º de Maio de 2018 como “um dia de protesto”. No Huambo, os seus filiados desfilaram de espetacular luto intencional. Todos vestidos de negro, em substituição do tradicional rubro retinto. O aviso geral à navegação foi partilhado pela outra central, a Confederação Geral dos Sindicatos Livres e Independentes de Angola (CGSILA).

Embora tenha baixado a capacidade mobilizadora das massas populares, o movimento sindical tem vindo a ganhar em vigor reivindicativo. Começa a reclamar inclusive a instituição do subsídio para o desempregado. O feedback do principal empregador, que é o Estado, é deveras frouxo, sem menosprezo de um gesto giro no último desfile do 1º Maio. O novo ministro de tutela participou humildemente no desfile de circunstância.

O calendário litúrgico, igualmente, enalteceu a abertura do mês em curso, com a evocação de São José Operário, padroeiro dos trabalhadores. O Santo Padre valorizou mais uma vez, na ocasião, a dignidade que a actividade laboral dá ao ser humano. Com a precariedade ora agudizada, ecoou, na mente cristã, sobremaneira, a predicação do Papa Francisco de 2013, que sustentava, citamos: “São muitos aqueles que querem trabalhar e não podem. Este é um peso para a nossa consciência, porque quando a sociedade está organizada de tal forma que nem todos têm a oportunidade de trabalhar, de ser ungidos da dignidade do trabalho, aquela sociedade não vai bem: não é justa! Vai contra o próprio Deus, que quis que a nossa dignidade comece a partir daqui”.

VISÃO JORNALÍSTICA.

(Uma coprodução de Siona Casimiro e P. Maurício Camuto. Apresentação de Esmeralda Chiaca).

Luanda, quinta-feira 10 de Maio de 2018.

 

 

 

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