Fiéis católicos foram exortados domingo pelo arcebispo metropolitano de Malanje, Dom Benedito Roberto, no sentido de construírem a unidade e a paz social que o país precisa, de modo a contribuir para melhoria do bem-estar dos cidadãos.

Falando na missa de acção de graças em alusão aos 50 anos da fundação da missão do município de Mucari, Dom Benedito Roberto disse ser necessário que os crentes tenham uma fé forte para que possam contribuir na edificação de uma Angola de paz social.

Apontou a necessidade da igreja ensinar a verdadeira sabedoria da vida e mostrar o caminho que conduz o cidadão à felicidade que o homem procura, tendo acrescentado que os fiéis católicos devem ter Jesus Cristo em todas as circunstâncias e situações da vida, para alcançar todos os desideratos.

A missa decorreu sob o lema “Caminhemos com a Santa Teresinha, rumo ao Jubileu de ouro” e contou com a participação de crentes católicos das províncias de Luanda, Cuanza Norte, Lunda Sul, Lunda Norte e Malanje, para além de membros do governo e autoridades tradicionais.

No final da missa foram crismados 80 crentes.

A missão católica do município de Mucari foi fundada a 08 de Dezembro de 1968  pelos Padres Marcos Ribeiro da Costa e José da Silva.

O arcebispo do Lubango, Dom Gabriel Mbilingi, apelou neste Domingo, aos sacerdotes a continuarem a pregar palavras construtivas que ajudem a reestruturar as famílias.

O Arcebispo falava durante homilia que marcou os 18 anos da vida sacerdotal do vigário geral da Sé Catedral do Lubango, padre Pacheco Simão, o prelado elogiou o seu empenho na transmissão de valores espirituais, sobretudo da importância da igreja católica na comunidade.

Admitiu que o “pecado estava afundar o país por muitos anos e ninguém se interessou por isso”, pelo que ainda há muita coisa negativa que merece ser tratada e resolvida como os casos de corrupção, branqueamento de capitais, nepotismo, bajulação, racismo, tribalismo e outros.

Muitos destes factores só se resolvem com fé, esperança e amor ao próximo que deve ser estimulada por um líder da igreja católica e não só.

Na ocasião, o vigário Pacheco Simão reafirmou o compromisso de continuar a pregar em prol dos dez mandamentos de Deus.

Para ele, actualmente com eclodir das tecnologias de informação e comunicação, as vezes são colocados de parte como verdadeiros mensageiros da palavra de Deus, mas garantiu que vai continuar a insistir e mostrar a sociedade de que nada se faz na terra sem a palavra sagrada, pois ela, é o único refúgio da salvação.

A igreja Católica reafirmou terça-feira, no Lubango, o compromisso de trabalhar  com o governo da Huíla no combate as vários problemas que afectam a sociedade.

O compromisso foi assumido pelo arcebispo do Lubango, Dom Gabriel Mbilingi, aos jornalistas após ter mantido um encontro com o novo governador, Luís da Fonseca Nunes, nas futuras instalações da Rádio Ecclésia local.

O bispo afirmou que aquela agremiação religiosa pretende reforçar o programa de evangelização para o resgate dos valores cívicos, morais, éticos, culturais e espirituais junto das comunidades menos informadas.

Para ele, não se pode falar da dignidade da pessoa quando esta está de braços estendidos à espera da caridade dos outros.

“Constitui ainda o desafio da igreja na qual dirijo, trabalhar na reconstrução de uma mente nova e diferente para que o país saia de vários males, tais como o fenómeno da corrupção, branqueamento de capitais, dentre outros factores que não dignificam a sociedade angolana”, disse.

Referiu que todos estes pontos já foram manifestados pelo governador, que reforçou a existência de uma parceria permanente entre a igreja e o governo, para que se ganhe um novo rumo em prol da melhoria da qualidade de vida das populações sem dor e nem mágoas.

Segundo o religioso, a igreja está a ver com bons olhos todo este processo, porque já há muito se estava à espera de uma mudança como esta, porque o rumo que as coisas foram tomando nos últimos anos fazia-se pensar que o desenvolvimento e bem-estar estaria adiado.

“Saúdo efusivamente o Presidente da República, João Lourenço, pela luta no resgate da economia nacional e jurídico para que tal mudança aconteça. Ele está a tomar medidas muito corajosas, até porque a corrupção tornou-se capilar”, disse.

Em seu entender, a recuperação da economia nacional deve ser com justiça, transparência e tranquilidade e com a colaboração de todos cidadãos.

“Não vamos olhar para isso apenas como medidas punitivas, mas sim correctivas para que o nosso país, de facto, alcance aquele patamar que se espera dadas as riquezas quer ainda ostenta”, aconselhou.

Trinta padres e freis da Arquidiocese de Malanje participam desde quarta-feira, no primeiro mini congresso sacerdotal, visando o reforço dos conhecimentos teológicos e sociais, com vista a elevação do ministério católico e a resolução dos problemas que afectam a sociedade.

Ao proceder a abertura do encontro, com duração de dois dias, o Arcebispo de Malanje, Dom Benedito Roberto, disse ser uma dádiva de Deus a província de Malanje ser a primeira a realizar tal evento.

Em declarações, o coordenador nacional do primeiro congresso sacerdotal de Angola, Cónego Apolónio Graciano, explicou que o encontro vem reforçar a capacidade espiritual e psicológica dos líderes religiosos, com vista a corresponderem as exigências actuais, uma vez que são instrumentos confiados por Deus para a promoção do amor e o perdão no seio da comunidade.

Considerou fundamental que a sociedade prime pelo amor, perdão e a solidariedade, para a construção de uma sociedade estável e a harmoniosa.

“As pessoas não devem viver apenas de emoções, mas sim de uma forma em que possamos credibilizar a paz e a reconciliação efectiva” frisou.

Durante o encontro, os participantes vão abordar temas relacionados com a espiritualidade sacerdotal, o sacerdote ministro da misericórdia de Deus, o lugar de nossa senhora na vida do sacerdote, o sacerdote e as novas tecnologias de informação, redes sociais, o cuidado do sacerdote, doença e idade avançada”, entre outros.

Participam ainda do evento, delegados dos presbíteros das províncias do Cuanza Norte e de Benguela

LUSOFONIAS

A Guiné Bissau faz 44 anos de independência. Foi a primeira ‘colónia’ lusófona a gritar alto a liberdade. Mas o país continua muito pobre, com muitas dificuldades na governação, com a diversidade étnica a ser mais problema que riqueza. Há, contudo, que confiar no futuro, abrindo novos caminhos de paz, justiça e mais progresso solidário.

Estou, em Roma, no Encontro dos Novos Superiores Provinciais da Congregação do Espírito Santo. São doze, os eleitos em 2017, vindos de três continentes. Mas, a nota mais saliente é que apenas um não tem sangue africano a correr-lhe nas veias: o da Polónia. De resto, mesmo os Provinciais do Canadá, da Amazónia, da Holanda e da Espanha são de origem africana! Assim se cumpre o grande projecto do segundo fundador Espiritano, o P. Francisco Libermann (francês de origem judaica) que disse um dia: ‘o meu coração é dos africanos!’.

África tornou-se o continente de maior expansão da Igreja católica. Mas quem acompanha bem as notícias sabe que neste continente se vão cometendo grandes atrocidades contra as comunidades cristãs: todos os dias vemos, ouvimos e lemos narrativas de arrepiar os cabelos de atentados contra cristãos na Nigéria, no Sudão do Sul, na República Centro-Africana, na República Democrática do Congo, etc. Os grupos a que chamamos de ‘fundamentalistas islâmicos’ atacam noite e dia, muitas vezes perante a passividade (e, nalguns casos, a cumplicidade) das autoridades locais. Apesar de tudo isto, a Igreja cresce em número e em serviço à comunidade, sobretudo nas áreas da educação, da saúde e do desenvolvimento integral.

Este Encontro de novos líderes Espiritanos permite uma visão do mundo com os olhos de África, vendo futuro onde muitos analistas não vêem. Assim, basta olhar as estatísticas desta Congregação Missionária: há presença em mais de 60 países, mas dos 1045 jovens em formação, 957 são africanos. Ou seja, o futuro está neste continente.

Os primeiros dias do Encontro foram de apresentação dos projectos missionários em curso nos países dos líderes aqui presentes. Impressiona ver tanta criança e jovem em escolas e universidades dirigidas pelos Espiritanos. Marca o coração perceber os milhares de pessoas que são apoiados, na sua busca de cura, pelos hospitais e centros de saúde. São muitos os projectos de desenvolvimento e solidariedade que dão água potável às populações, ajudam a fazer uma agricultura mais rentável, capacitam as pessoas em muitas matérias ligadas à cidadania responsável e aos direitos humanos. São imensos os investimentos feitos na reconciliação das pessoas e na busca e cimentação de caminhos de paz, em contextos de muita violência e pobreza.

O futuro está na saúde, na educação, no trabalho, na habitação… em vidas dignas assentes na justiça, paz e respeito pelos direitos humanos. E, nestes âmbitos, a Igreja católica em África tem e terá uma palavra a dizer porque se compromete com os mais pobres.

Tony Neves

 LUSOFONIAS

Está calor em Roma, com a humidade a dar a sensação de que a temperatura está ainda mais alta. Mas, mesmo assim, ninguém pára peregrinos e turistas, estes dois grupos de gente habituados a enfrentar frios e calores, bons tempos e tempestades.

Roma está, assim, a borbulhar de vida. O Papa Francisco está sempre na crista da onda ou, se quisermos, na cratera do vulcão. Fala-se muito por aqui dos ‘calores’ que subiram à cabeça de alguns purpurados da Igreja, pouco interessados na reforma e no rasgo de Francisco que quer uma Igreja mais santa e uma Missão mais próxima dos pobres, assente num estilo de vida simples e fraterna. Mas Francisco continua a olhar para o futuro. A sua ida à Ilha da Sicília, muito marcada pelo agir da máfia, é um sinal de coragem no combate a todos os tipos de intervenção humana que assentam na morte e no desrespeito da dignidade e dos direitos humanos. Francisco foi lá dizer que não se pode ser cristão e mafioso, pois o Evangelho de Cristo tem que marcar as atitudes dos seus seguidores 24 h por dia. Francisco teve a ousada coragem de prestar homenagem a um padre e a um juiz que foram  assassinados a mando desta associação mafiosa.

Regressou a Roma e, na praça de S. Pedro, pôs pobres e sem abrigo a distribuir crucifixos por todo o povo ali presente. E, da sua janela, a olhar e a falar para o mundo, Francisco pegou numa dessas cruzes e explicou que não é um adorno que se põe ao pescoço ou prega na lapela do casaco. A cruz é sinal de salvação, pois foi nela que Cristo deu ao mundo a maior lição que um Deus pode dar: entregou a sua Vida por todos.

Começou esta terça o encontro do Conselho Geral dos Espiritanos com os 15 Superiores Maiores que foram eleitos para o cargo em 2017. Vieram dos cinco continentes até Roma para reflectirem, partilharem experiências e aprenderem a melhor desempenhar o cargo de animar e ‘governar’ as circunscrições Espiritanas onde foram eleitos. É uma Missão difícil essa de coordenar projetos e acompanhar pessoas. São enormes os desafios e muitos os problemas que têm de enfrentar com discernimento, coragem e sentido profético de serviço.

Estes dias de adaptação a Roma, após 5 anos de Angola e 24 de Portugal, estão a ser de enorme beleza, pela diversidade rica com que me confronto a cada minuto que passa. Olhar para os compromissos que, por esse mundo fora, a grande Família Espiritana, vive, nos âmbitos alargados da Justiça, Paz e Integridade da Criação, obriga-me a conhecer mais e melhor a doutrina social da Igreja e o muito que já se faz, para que a Missão Espiritana cumpra a sua Regra de Vida que diz que os mais pobres e abandonados têm de ser os primeiros alvos da nossa Missão. Assim – como dizem os Jovens Sem Fronteiras – o importante é ‘estar perto dos que estão longe sem estar longe dos que estão perto’.

Tony Neves

VISÃO JORNALÍSTICA 

Enfim, o malogrado general Ben-Ben, repousa no torrão ancestral. Sobressaiu pela positiva, na actualidade, a transladação dos restos mortais de Pretória, o óbito em Luanda e a inumação na aldeia dos ancestrais. Sertaneja povoação do município de Andulo, província do Bié, Lupitanga polarizou o interesse nacional no sábado passado, 16/9. Enterneceu a consciência patriótica, o envolvimento singular do Presidente da República, João Lourenço, no desfecho de tão lancinante capítulo. A pátria ressentiu-o como a determinação em remover de modo sério as sequelas do fratricídio de amarga recordação. Logo, um passo na linha de similar garantia dada por Lourenço a favor do malogrado líder da UNITA, Jonas Savimbi! Ben-Ben foi o chefe do Estado-maior general adjunto das Forças Armadas Angolanas (FAA), oriundo do então braço militar da UNITA. Sobrinho também de Savimbi, morreu com 43 anos de idade, a 18/10/1998, em Pretória, para onde fora evacuado. Acabou por ser enterrado provisoriamente lá, com polémica à volta da causa da doença fatal.

Na segunda-feira última, comemorou-se o dia anual dedicado a Agostinho Neto, o primeiro Presidente da República. O escopo da reconciliação nacional predominou nas mensagens da viúva e da órfã de maior veia política, Irene Neto. Esta acedeu a uma entrevista do “Jornal de Angola”, onde largou bombas tais como: – Dentro em breve, a oculta biografia e vida de Neto; – Ele ia alcançar a paz entre 1979/1980, pois já negociava com americanos e sul-africanos, além do início de contactos com Savimbi via Mobutu; – Por uma liderança, hoje em dia, para a reviravolta de um país quase à deriva e adiado por mais velhos egoístas e maléficos …

Outra entrevista tirou das cinzas o extinto BESA (Banco Espírito Santo-Angola). Trata-se da grande entrevista dada à TPA no dia 11/9/2018, pelo antigo gerente do banco, Álvaro Sobrinho. O protagonista debitou a versão do seu afastamento e exílio à mudança de BESA para BEA (Banco Económico de Angola). Os seus pronunciamentos agastaram alguns accionistas que, em comunicado, desejaram a implicação da Procuradoria-Geral da República. Pela promiscuidade das individualidades da anterior presidência da república, muito melindre flui a público. A onda de choque repercutiu-se na própria TPA, durante o concorrido programa “Política no Feminino”. Um influente telespectador protestou contra a ofensa ao seu bom nome, devido à linguagem de uma das participantes da emissão. A direcção da TPA teve que lavar as mãos “a Pôncio Pilatos”. Agiu bem ou não? Não acabou por chamar mais atenção a uma fugaz derrapagem, de resto refutada por co-participantes da plateia, na hora? O distinto conjunto convergiu, no entanto, em ver a elucidação judicial de uma podridão, suspeita de impacto no carácter abismal da presente crise.

Apaziguadora neste ambiente, aconteceu a visita do primeiro-ministro português, António Costa, de 17 a 18 do corrente. Efeito? Em substância, a melhor avaliação sairá no balanço da efetivação da vontade angolana de diversificar a economia, relançando a agricultura.

No terreno da fé, entrementes, o noticiário acarretou, a brandura evangelizadora pela inculturação. Os fiéis da Igreja Católica (e não só) têm doravante a bíblia em Umbundu, a língua autóctone angolana mais falada. A cerimónia ocorreu sábado passado, na Sé Catedral de Benguela, presidida pelo bispo, Dom António Jaca. 30 Mil exemplares foram editados do precioso livro. Na mensagem de circunstância, o prelado exaltou, citamos, “a oportunidade a todos de ler de forma conveniente, com as ferramentas que necessitam, a Palavra de Deus, para uma interpretação adequada da Palavra de Deus”.

VISÃO JORNALÍSTICA

(Uma coprodução de Siona Casimiro e Padre Maurício Camuto. Apresentação de Tomás de Melo).

Luanda, 20 de Setembro de 2018

VISÃO JORNALÍSTICA 

O rol de detenções cautelares redobrou o interesse da cruzada contra a corrupção e impunidade. A cena aqueceu desde o meio da última semana, com o mandato à reclusão domiciliar da primeira figura. Coube a desgraça ao então presidente da Unidade Técnica de Investimentos Privados, Norberto Garcia. A escalada continuou com a inesperada cadeia do antigo ministro dos transportes, Augusto Tomás. A desgraça foi esticada até Filomeno Dos Santos, antigo presidente do Fundo Soberano e filho do ex-presidente da República. E o “suspense” continua … Não largou ainda o adro. Quem será o próximo? Interroga-se a sociedade.

Alguma euforia juvenil acolheu estas medidas de justiça, sublinhe-se, preventiva. Quer dizer, acerca da qual a urbanidade dita realçar a presunção da inocência que assiste os visados. Entende-se o pasmo, porém, pela demorada displicência perante uma tara apontada agora como “o inimigo público nº1” pelo chefe do Estado. Sobressai, a meio, a advocacia do paradigma de procedimento dentro das regras do Estado de direito e não as expeditivas paixões de outrora. Assim seja até ao desenlace do filme em julgado! E que, acima de tudo, ganhe a moral pública e o Tesouro recupere o quinhão almejado, pondo-o ao serviço do bem comum.

Na conjuntura, a esfera mediática vivenciou dois desafios. O primeiro, na orla do cartaz principal, protagonizado pela empresária Isabel dos Santos contra o diário “Expresso”, num dito por não dito. No fundo, o maduro jornalista angolano, Gustavo Costa, esvaziou o jogo de palavras da queixosa. O segundo evento foi o Conselho Consultivo do Ministério da Comunicação Social, convocado pelo novo titular, João Melo. O governante brilhou pelo frontal retrato incomum do triste legado. Soluções? Ou, seja, em concreto: Para quando a transmissão em directo dos debates parlamentares? Idem sobre a efectivação dos subsídios legais à mídia privada? E a emissão da Rádio Ecclesia a todo o país, sem mais melindres e restrições? A ver vamos, com a desejada restauração da autoridade metodológica do pelouro.

Entretanto, a perícia internacional voltou a exortar à sensatez angolana na espiral do endividamento. Eis os medonhos indicadores focados: Dívida situada a 71,4% do PIB, dos quais 40% à China; na mana chinesa, se incluem o novo Aeroporto de Luanda (6,4 mil milhões de dólares na megalomania), a central hidroelétrica de Caculo Cabaça (4,5 mil milhões), a reconstrução dos Caminhos-de-ferro de Benguela (1,8 mil milhões). Fontes destes dados: a unidade de análise económica da revista “The Economist” e a consultora “Fitch Solutions”.

A mensagem precedeu de pouco o programado encontro do presidente Lourenço com os potenciais investidores americanos, em Nova Iorque. Realizou-se à margem da sua participação na 73ª sessão da Assembleia Geral das Nações Unidas, em apoteose diplomática do seu 1º ano de mandato.

Em retrospetiva eclesial, reteve a nossa atenção a primeira audiência do Governador da Província do Cunene com o Bispo local. O fresquinho governante, Virgílio da Ressurreição Tyova, é um dos quadros jovens que substituíram idosos, na recente onda de nomeações. Foi ele próprio à Sé de Ondjiva, onde dialogou com o prelado, Dom Pio Hipuniaty, um antigo militar convertido a ministro da fé. O diálogo incidiu sobre as questões crónicas da província, que são: a água, a saúde e a educação. D. Hipuniaty desejou êxitos ao seu hóspede, rezando com o axioma da caridade e humildade da Igreja para com os governantes. Citamos: “Queremos que tenha sucesso, porque o sucesso de um Governador são sucessos da Comunidade, o fracasso de um Governador são fracassos da Comunidade.”

VISÃO JORNALÍSTICA

(Uma coprodução de Siona Casimiro e Padre Maurício Camuto. Apresentação de Tomás de Melo).

Luanda, 27 de Setembro de 2018

 

 

Dor e graça alternam na vida, amiúde e de chofre. O co-autor da presente crónica navega neste temporal. Sábado passado, perdeu, no veterano jornalista da ANGOP, Pedro Fidel Dielunkunsia, um confrade de estimação. Partilharam a carteira do exílio, retratada no seu livro “Maquis e Arredores – Memória do Jornalismo que acompanhou a Luta de Libertação ”. Compartiram o tecto e a mesa a dado momento em Luanda. DIEL, nome abreviado e de fama no seio da classe, foi um dos autores dos artigos retomados naquela galeria. Aos alicerces da ANGOP, contribuiu na chefia da Redação Exterior. O apreço geral valeu-lhe a eleição como dirigente da União dos Jornalistas Angolanos (UJA), no único Congresso desta agremiação. Foi correspondente da ANGOP em Brazzaville, com raio abrangendo Kinshasa, nos anos ’80. Mais tarde, passou para a diplomacia, colocado no mesmo país, o Congo-Brazzaville. Sofria de crónica deficiência da coluna vertebral, que lhe tirou a vida, num hospital de Kinshasa. Diligências estão em curso para o repatriamento e o funeral no seu país, de acordo com a sua família.

Entrementes, a diplomacia angolana ostentou mais um condigno feito substantivo: a visita presidencial à Alemanha. Fértil de animadoras perpectivas económicas, a expectativa vai agora para a prova dos nove,a saber, a prática das mesmas. A missão, na conjuntura, assemlhou-se à apoteose simbólica do primeiro aniversário da eleição de João Lourenço a Presidente da República. Observadores aproveitaram a coincidência, aliás, para o balanço do mesmo no período. A rigor, deve-se aguardar para 27 de Setembro próximo, prazo exacto da tomada de posse de JLo. De se ponderar, a meio, outro importante marco, também: 8 de Setembro, em que se prevê consumar a subida do mesmo à presidência do MPLA, no Congresso convocado para este fim. Neste horizonte temporal, perfilam as convulsões tradicionais, cuja delicadeza aconselha cautela. Piscam intermitentes amarelos (indicadores de tensões) e vermelhos (choque ou divórcio). O mais badalado tem sido a troca de galhardetes acentuada entre JLo e Isabel dos Santos, a primogénita filha do ex-chefe de estado. Até onde irá? A ver vamos.

Na esteira da sua missão, a Igreja Católica consolou o cenário internacional. Nomeadamente, com a alta visibilidade da visita pontifical na Irlanda, palco de medonho fratricídio religioso outrora. No tempo recente, outras chagas morais antigas e ora reveladas na mídia, manchando um país reputado religioso. Mormente: abusos sexuais de menores por sacerdotes, descuidos de membros da hierarquia e demais escândalos. Dias 25 e 26 passados, a sua capital, Dublin, albergou o IX Encontro Mundial das Famílias, ocasionando a 24ª viagem Apostólica Internacional de Francisco. As fontes oficiais contabilizaram cinco discursos proferidos pelo Sumo Pontifice durante a estadia em várias circunstâncias. Ao seu estilo conhecido de enfrentar os temas quentes frontalmente! E deixou este seu traço profético, na santa missa que celebrou domingo, no ‘Phoenix Park’. Antecedendo a homilia nesta linha, mexeu a alma colectiva por um acto penitencial, de que citamos os seguintes extractos pedagógicos:

Ontem estive reunido com oito sobreviventes de abuso de poder, de consciência e sexual. Tomando o que eles me disseram, gostaria de colocar diante da misericórdia do Senhor estes crimes e pedir perdão por eles (…) Que o Senhor mantenha e aumente este estado de vergonha e compunção, e nos dê a força para comprometer-nos a trabalhar para que nunca mais isso aconteça e para que se faça justiça. Amém”.

VISÃO JORNALÍSTICA.

(Uma coprodução de Siona Casimiro e P. Maurício Camuto. Apresentação de Tomás de Melo).

Luanda, quinta-feira 30 de Agosto de 2018

 

 

Reuniram bwé. Um dos kotas até abandonou a conversa em protesto. No fim, os restantes pariram uma diatribe de denúncias contra um deles. Este foi condenado por “destratar instituições do Estado e desqualificar colegas de ofício, numa perspectiva que contraria as regras de boa conduta, sentido de responsabilidade e decoro no desempenho de cargos públicos.” Foi só o enxerto da notícia da ANGOP sobre a deliberação da Entidade de Regulação da Comunicação Social Angolana (ERCA). A augusta instância labutou no passado 29 de Agosto do corrente ano. Identidade do crucificado: Carlos Alberto, um recorrente. A ANGOP nem se deu a pena de referir a opinião do réu. O próprio expô-la aos microfones da Rádio de Confiança. Essencial da mesma: levar o caso ao tribunal pela carga de difamação por parte dos pares. Partilhou certa dose da indignação de Carlos, outro venerável da ERCA, Reginaldo Silva, por sinal, a cara do Sindicato dos Jornalistas Angolanos. Figura impoluta das promiscuidades partidárias, Reginaldo focou uma cena da famigerada “ditadura democrática”, que o enjoou. Em suma, o novo episódio confirmou o clima de cortar à faca, na instância de garantia retórica da democracia na comunicação social.

Na actualidade mundial, entrementes, a China retomou o cartaz. A sua capital, Pequim, acolheu, nos dias 3 e 4 da semana em curso, o III Fórum de Cooperação China-África (FOCAC). Como em ocasiões anteriores, estontearam cifrões. USD 60 mil milhões para o próximo triénio, anunciou o presidente anfitrião, Xi Jinping, aos 53 hóspedes, abrindo o baile. O envolvimento financeiro da China pula assim para o alucinante pico de USD 180 mil milhões. Ultrapassa, doravante, o Plano Marshall, cujo equivalente no presente seria de mais ou menos USD 145 mil milhões. Tendo vigorado de 1947 a 1951 em 18 países europeus, aquele plano logrou a milagrosa recuperação económica da II guerra mundial. Ambicionar a similitude no nosso recanto planetário? Porquê não? Nós, Angolanos, em particular, pela envergadura da parte deste maná que cai cá. Andaria doravante nos USD 31 mil milhões, segundo empíricas estimativas credíveis. E o novo presidente, João Lourenço, foi a Pequim, motivado, entre outros, para perfazer a citada cifra vertiginosa.

Mas, voltando destas alturas siderais, a nossa santa Igreja agraciou com dois relevantes acontecimentos: um coloquial e outro do calendário das efemérides. Sob o lema “Embora muitos, somos um só corpo em Cristo”, ocorreu o primeiro Simpósio Bíblico Internacional. Obra da Pastoral Bíblica da CEAST, o programa das reflexões decorreu no Centro de Conferências das Irmãs Paulinas em Luanda, de 31 de Agosto a 1 de Setembro de 2018.

No último fim-de-semana, aconteceu também a Peregrinação anual ao Santuário da Mama Muxima. Desta vez, teve por divisa sacra: “Jovens, com Maria, caminhemos hoje ao encontro de Cristo”. As contas eclesiais de frequência registaram mais de 820 mil fiéis, desdobrados em 705.954 mulheres, 113.414 homens. Destes 398 eram estrangeiros. Coube a honra de presidir a eucaristia no Santuário, o convidado Bispo de São Tome, Dom Manuel António Mendes dos Santos. Comoveu a alma dos peregrinos o remate final da sua fervorosa homilia de circunstância. Finalizando, citámo-lo: “Vós, jovens, não tenhais medo de dizer sim a Jesus Cristo. Não tenhais medo de ter Maria que nos leva até ao seu Filho, Jesus. Não tenhais medo de dizer sim à vida, de dizer sim ao amor, de dizer sim à justiça, de dizer sim à verdade. Com este vosso sim, encontrareis razão para a vossa existência”.

VISÃO JORNALÍSTICA

(Uma coprodução de Siona Casimiro e Padre Maurício Camuto. Apresentação de Tomás de Melo).

Luanda, 05 de Setembro de 2018

 

 

 

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