VISÃO JORNALÍSTICA

O desfecho de dois conclaves da última semana sustenta ainda a candente actualidade. Com os respectivos comunicados a meio, distintos pela lisura e a controvérsia, para os jornalistas e não só!

Comecemos pelo polémico, embora diacronicamente o último. Isto é, aquele alusivo à sessão do Comité Central do partido no poder, o MPLA, sobre a nebulosamente apelidada questão de bicefalia. A reunião, precedida de um vendaval de boatos nas redes sociais, atiçou as expectativas ao píncaro. Houve desmentido das contradições vazadas do encontro de preparação ao escalão do Bureau Político. Debalde. O discurso de abertura do próprio presidente José Eduardo Dos Santos confirmou o enxofre, ao convidar deliberar sobre a seguinte proposta: “que a realização do congresso extraordinário do partido, que vai resolver a liderança do MPLA, seja ou em dezembro de 2018 ou abril de 2019”. O sucedâneo comunicado de imprensa malogrou a formulação consensual no ponto fulcral. A madura opinião pública enxergou o gato oculto nas rápidas versões desencontradas. O Jornal de Angola, justiça lhe seja rendida, não se importou de assumir desta feita o profissionalismo de carteira. Ao lado do comunicado de estilo “langue de bois”, relatou, baseado em credíveis fontes próprias, o enxame destes eloquentes dados: “Comité Central rejeita proposta do líder (…) Tal como na reunião do BP de segunda, o clima foi de divergências (…) Comentou-se, inclusive na apresentação de uma proposta de moção de censura ao líder, que, flexibilizando, acedeu ao pedido da realização de um congresso extraordinário, mesmo que em datas diferentes das que tinha inicialmente proposto.”

A postura do diário (rotulado outrora de “pravda” pela docilidade tipo “yes man”) gerou o repúdio dos afectos à linha anterior. De admirar? Nada, com a certeza do resgate, pelo bem do jornal estatal, da massa de leitores que andou a perder por outros chafarizes.

Coincidiu pelo bem, também, este episódio, com a conclusão da instalação da nova Entidade Reguladora da Comunicação Social (ERCA). Mesmo se, sobre a unanimidade em torno do topo (afamado a torto ou à razão de dinossauro), a alegação carece de apurada confirmação. Mas, o passo do diário sintonizou sintomaticamente com um inovado discurso editorial do ministro do pelouro. E, avivou, em boa hora, a reivindicação do Sindicato de Jornalistas em prol da Comissão da Carteira, Deontologia e Ética. É neste foro, deveras, que se dirime em primeira instância as queixas de difamação e contencioso afim. Não, como voltou (a 19 do corrente, dia santo do virtuoso São José, Pai do Redentor, vejam só!), a acontecer com o processo de duas figuras da mídia. Oxalá, o filme termine por este cenário, a bem dos tribunais do país, que têm campos mais solícitos e urgentes onde podem reabilitar a sua reputação. Quem lucra com a frequente exposição de jornalistas em mártires do flagelamento judicial? A sofrida pátria, carente de fiabilidade internacional? Rigorosamente, não.

À margem destes fogosos contornos volúveis, a diocese do Namibe espraiou a doçura aguardada da Iª Assembleia Anual da CEAST. O comunicado final (aberto ao sufrágio da mídia livre) elucidou as luzes e sombras da Igreja Católica, fruto da introspeção e penitência ensaiada. Salientamos este enfoque do magistério do Namibe, ao exortar, citamos, finalizando: “um envolvimento mais vivo de todos, renovando cada vez mais o zelo apostólico, ocupando os muitos espaços vazios no mundo da política, da economia, da cultura e da ciência, sem pormos de parte a ocupação dos espaços geográficos, a fim de sairmos da mera pastoral de manutenção para uma pastoral do anúncio e do testemunho”.

(Uma coprodução de Siona Casimiro e P. Maurício Camuto. Apresentação de Esmeralda Chiaca).

Luanda, quinta-feira 22 de Março de 2018.

 

 

VISÃO JORNALÍSTICA 

Um processo judicial roubou a ribalta, abrindo a Semana da Paixão, numa mística espiritual. Na segunda-feira, a Procuradoria-Geral da República sacudiu, enfim, o véu da sua discreta atuação sobre badalados escândalos de dinheiro. Deu o ponto da situação referente a dois deles: a transferência, a jeito de cambalacho, de USD 500 milhões do BNA para Londres e a nebulosa burla à volta de USD 50 mil milhões, pressentida de negociantes tailandeses. A PGR discriminou os sonantes arguidos, topados nos casos destas alucinantes somas.
Arguidos … não culpados, ainda, pois beneficiam da presunção da inocência, a respeitar à risca até ao desfecho cabal das queixas nos tribunais. A mídia pública reproduziu esta evolução com cordata circunspeção. Quer dizer, privilegiando os factos, sem a fanfarronice das precipitadas campanhas de condenação antecipada de outrora! Vai-se ver, portanto, a sequência do filme. Alvitra tais cautelas, a visível conexão da trama com os rocambolescos rumos de outro affair paralelo, senão, o pano de fundo. Isto é, as palpitações da polémica bicefalia sobre a liderança do MPLA, o partido no poder.
O que não impede, claro, sobre aqueles dinheiros, a livre expressão do enxame de sentimentos difusos na sociedade.
A delicadeza polariza-se entre a ânsia legítima de reaver o erário público (de um país abeirado da bancarrota) e o direito dos indiciados à justiça. Direito à justiça transparente, ainda que se presuma das responsabilidades da carência deste valor antes. A subjacente ramificação tentacular preconiza muita serenidade, deveras. Oh! Quanto a humanidade, reduzida ao material e ao imediato, solavanca depressa entre a glória efémera da carne e as agruras da cruz profana!
Qual saída desta espiral, senão a fé na Redenção, a celebrar neste Domingo da Ressureição? De facto, o coletivo pode elevar-se ao diapasão temporal da porfia, sintonizando com a sublime mensagem da Semana Santa. E o seu emblema, a Cruz de Jesus Cristo, que elucidou o presbítero Jerónimo Kahinga, catedrático comentador teológico da Rádio Ecclesia.
Aos microfones da emissora de confiança, o douto sacerdote fustigou os comportamentos pecaminosos tais como o orgulho, a vaidade, a sobrançaria, a prepotência, etc. Enaltecendo, em contrapartida, a humildade, o dócil acatamento da vontade do Pai que redundou na Redenção, pregou quanto, citamos, finalizando: “ (A Cruz de Jesus Cristo) resume toda a atividade da salvação que Deus programou ao longo de muitos anos, séculos, milénios. Ali se enterra o nosso pecado, ali ressurge o homem novo. Vamos viver toda a Semana Santa sob esta insígnia. Vamos tentar de uma maneira mais profunda, contemplando, rezando e meditando sobre este mistério do amor de Deus que se faz escravo por causa de nós”.
(Uma coprodução de Siona Casimiro e P. Maurício Camuto. Apresentação de Esmeralda Chiaca).
Luanda, quinta-feira 29 de Março de 2018.

VISÃO JORNALÍSTICA

O desfecho de dois conclaves da última semana sustenta ainda a candente actualidade. Com os respectivos comunicados a meio, distintos pela lisura e a controvérsia, para os jornalistas e não só!

Comecemos pelo polémico, embora diacronicamente o último. Isto é, aquele alusivo à sessão do Comité Central do partido no poder, o MPLA, sobre a nebulosamente apelidada questão de bicefalia. A reunião, precedida de um vendaval de boatos nas redes sociais, atiçou as expectativas ao píncaro. Houve desmentido das contradições vazadas do encontro de preparação ao escalão do Bureau Político. Debalde. O discurso de abertura do próprio presidente José Eduardo Dos Santos confirmou o enxofre, ao convidar deliberar sobre a seguinte proposta: “que a realização do congresso extraordinário do partido, que vai resolver a liderança do MPLA, seja ou em dezembro de 2018 ou abril de 2019”. O sucedâneo comunicado de imprensa malogrou a formulação consensual no ponto fulcral. A madura opinião pública enxergou o gato oculto nas rápidas versões desencontradas. O Jornal de Angola, justiça lhe seja rendida, não se importou de assumir desta feita o profissionalismo de carteira. Ao lado do comunicado de estilo “langue de bois”, relatou, baseado em credíveis fontes próprias, o enxame destes eloquentes dados: “Comité Central rejeita proposta do líder (…) Tal como na reunião do BP de segunda, o clima foi de divergências (…) Comentou-se, inclusive na apresentação de uma proposta de moção de censura ao líder, que, flexibilizando, acedeu ao pedido da realização de um congresso extraordinário, mesmo que em datas diferentes das que tinha inicialmente proposto.”

A postura do diário (rotulado outrora de “pravda” pela docilidade tipo “yes man”) gerou o repúdio dos afectos à linha anterior. De admirar? Nada, com a certeza do resgate, pelo bem do jornal estatal, da massa de leitores que andou a perder por outros chafarizes.

Coincidiu pelo bem, também, este episódio, com a conclusão da instalação da nova Entidade Reguladora da Comunicação Social (ERCA). Mesmo se, sobre a unanimidade em torno do topo (afamado a torto ou à razão de dinossauro), a alegação carece de apurada confirmação. Mas, o passo do diário sintonizou sintomaticamente com um inovado discurso editorial do ministro do pelouro. E, avivou, em boa hora, a reivindicação do Sindicato de Jornalistas em prol da Comissão da Carteira, Deontologia e Ética. É neste foro, deveras, que se dirime em primeira instância as queixas de difamação e contencioso afim. Não, como voltou (a 19 do corrente, dia santo do virtuoso São José, Pai do Redentor, vejam só!), a acontecer com o processo de duas figuras da mídia. Oxalá, o filme termine por este cenário, a bem dos tribunais do país, que têm campos mais solícitos e urgentes onde podem reabilitar a sua reputação. Quem lucra com a frequente exposição de jornalistas em mártires do flagelamento judicial? A sofrida pátria, carente de fiabilidade internacional? Rigorosamente, não.

À margem destes fogosos contornos volúveis, a diocese do Namibe espraiou a doçura aguardada da Iª Assembleia Anual da CEAST. O comunicado final (aberto ao sufrágio da mídia livre) elucidou as luzes e sombras da Igreja Católica, fruto da introspeção e penitência ensaiada. Salientamos este enfoque do magistério do Namibe, ao exortar, citamos, finalizando: “um envolvimento mais vivo de todos, renovando cada vez mais o zelo apostólico, ocupando os muitos espaços vazios no mundo da política, da economia, da cultura e da ciência, sem pormos de parte a ocupação dos espaços geográficos, a fim de sairmos da mera pastoral de manutenção para uma pastoral do anúncio e do testemunho”.

(Uma coprodução de Siona Casimiro e P. Maurício Camuto. Apresentação de Esmeralda Chiaca).

Luanda, quinta-feira 22 de Março de 2018.

 

 

Os Bispos da CEAST (Conferência Episcopal de Angola e São Tomé) mostram-se preocupados com o surgimento em vários cantos do país de seitas cujas mensagens doutrinais constituem-se em graves ameaças à unidade, harmonia e integridade das famílias.

Esta preocupação foi manifestada pelos bispos da CEAST no final da sua primeira assembleia plenária anual, tendo afirmado que muitas delas acomodadas nas plataformas criadas e cujas mensagens doutrinais constituem-se problemas da cultura nacional e da sociedade no seu todo.

Nesta vertente, os bispos solicitam e apelam aos órgãos competentes para que assumam as suas responsabilidades legais, a fim de pôr cobro a tais anomalias.

O surgimento destas igrejas tem de certo modo causado uma desestabilização no seio das famílias, pois muitas delas praticam certos rituais que não compactuam com a cultura africana, segundo os bispos.

Aconselham a população a frequentar igrejas reconhecidas pelo Estado e que nela são transmitidas mensagens de fé, esperança, solidariedade e de unidade nacional.

Estando reunidos numa província em que as minorias étnicas são expressivas, os bispos pedem para que todos dediquem uma atenção especial a elas, garantindo-lhes uma formação integral e inclusiva, para que não se sintam “irmãos pobres esquecidos” nem a margem do desenvolvimento que o país vai conhecendo.

Os bispos da Conferência Episcopal de Angola e São Tomé(CEAST), condenam  a despenalização do aborto, por encobrir uma lei de legalização dessa prática.

Esta manifestação está inscrita numa nota pastoral apresentada na conferência de imprensa, por ocasião da realização da primeira assembleia plenária anual da CEAST, que decorreu de seis a 14 do mês corrente (Março)em curso, na qual foram abordados assuntos sobre a aprovação da lei do aborto, o manual de educação ambiental, o esboço do ideário das escolas católicas entre outros.

Numa nota lida pelo bispo, D. Emílio Sumbelelo (da província do Uige), a CEAST “afirma, com clareza, a sua opcção a favor da vida, em todas as suas etapas e valor sagrado da vida e sua dignidade”.

“ Diante de tantas ameaças, que actualmente a vida humana vem sofrendo, é nossa missão como bispos, reafirmar a sua inviolabilidade e uma defesa intransigente da vida. Ela é o fundamento sobre o qual se apoiam todos os demais valores e todos os verdadeiros direitos humanos”, sustenta D. Emílio Sumbelelo.

Os bispos afirmam ainda que “o direito à vida não depende da circunstância de se atingir determinada fase de crescimento humano, sejam 10  ou 16 semanas de vida ultra-uterina, seja o nascimento,  infância, juventude ou idade adulta”, sublinhando que ” negar o direito à vida a seres humanos por não terem atingido determinada fase do seu crescimento intra-uterina, será tão arbitrário como negá-lo a qualquer pessoa em função da sua raça, etnia, suas convicções políticas ou religiosas, ou de qualquer outra circunstância”.

O que está em causa, explica a CEAST: “é o princípio da igualdade e não da discriminação, também consagrado no artigo 23º da Constituição angolana. E não se diga que o embrião e o feto humanos não têm o estatuto de pessoa, pelo que não beneficiariam da tutela que o artigo 30º da constituição reconhece à vida da pessoa humana”.

“ Todo o ser humano tem o estatuto de pessoa, o que impõe o princípio da igualdade, considerando que o conceito de pessoa humana não pode ser manipulado de modo a negar na prática a tutela de direitos fundamentais a uma categoria de seres humanos que dela arbitrariamente são excluídos”, esclarece o texto da CEAST.

Os bispos lembram aos cristãos católicos, homens e mulheres de boa vontade e amantes da vida, a declaração de São Paulo II sobre a autoridade que Cristo conferiu a Pedro e aos seus sucessores: “declaro que o aborto directo, isto é, pretendido  como fim ou meio, constitui sempre uma desordem moral grave, enquanto morte deliberada de um ser humano inocente”.

Nenhuma circunstância, fim ou lei no mundo poderá jamais tornar lícito um acto que é intrisicamente ilícito, porque contraria a lei de Deus, inscrita no coração de cada homem, reconhecível pela própria razão e proclamada pela igreja (São João Paulo II, Evagelium Vitae, 62), reforça a nota.

“Para os homens de Deus, é importante que os cristãos percebam a limitação que a própria lei da despenalização apresenta, uma vez que os casos aí despenalizados, indicam que os que neles incorrem não serão punidos judicialmente, porém não se fala da bondade ou da maldade do acto em si, pois este depende da própria lei natural e da sua origem divina”, advertem os bispos.

“ Estes actos perante Deus e aos homens continuam a ser moralmente bons ou maus, conforme são realizados de acordo com a Lei de Deus e o respeito pela dignidade da pessoa humana. pois quem provoca o aborto, incorre em excomunhão latae sententiae. Isso quer dizer que estára automaticamente fora da igreja e excluído dos sacramentos”.

O bispos apelam, a propósito, aos médicos e enfermeiros e outro pessoal da saúde, sobretudo católicos, a invocarem o direito à “ objecção de consciência” para não praticarem o aborto.

“ Nenhuma lei humana pode obrigar alguém a agir contra a lei de Deus e a lei natural”, nota a CEAST.

                      COMUNICADO DE IMPRENSA

Decorreu de 8 a 14 de Março do ano em curso, na cidade de Moçâmides – Namibe, a I Assembleia Plenária anual, que contou com a presença dos Bispos e, na sessão de abertura, com o corpo directivo da CSMIRA, da Comissão Episcopal do Apostolado dos Leigos e com alguns sacerdotes, religiosos/as e leigos da Diocese do Namibe.

  1. Filomeno do Nascimento Vieira Dias, Arcebispo de Luanda e Presidente da CEAST, deu as boas vindas aos presentes e apresentou o quadro temático a ser tratado durante a Plenária, bem como os aspectos marcantes da vida política, económica e religiosa do País.

 

DELIBERAÇÕES

 

Os Bispos depois de profundos e frutuosos debates aprovaram:

 

  1. A Nota Pastoral Sobre a Aprovação da Despenalização do Aborto
  2. O esboço da Mensagem Pastoral do segundo ano do triénio: “A Juventude e a Fé Celebrada”.
  3. O Manual de Educação Ambiental.
  4. O esboço do Ideário das Escolas Católicas.
  5. O Relatório económico da CEAST e o orçamento para 2018.
  6. A data de encerramento das festividades alusivas aos 50 anos de criação da CEAST.

 

 

CONCLUSÕES E RECOMENDAÇÕES

 

  1. Os Bispos rendem graças e louvores a Deus pelo jubileu dos 50 anos de existência da CEAST. Para o efeito, convidam todas as comunidades cristãs presentes em Angola e em S. Tomé e Príncipe, para participarem activamente em todos os actos celebrativos, que decorrerão ao longo do ano em curso, e renovam o firme propósito de disponibilidade e solicitude pastoral.
  2. A vida humana é um dom de amor de Deus; é um valor absoluto que nunca deve ser sacrificada por causa do relativismo ético, do egoísmo, do hedonismo e do calculismo selectivo e discriminatório. Por isso, os Bispos reafirmam o seu compromisso a favor da vida e o seu não à prática do aborto. A Igreja estará sempre de braços abertos para acolher os filhos não desejados e garantir apoio moral e psicológico às mães ofendidas. Outrossim, apelam a todos os cristãos para que promovam sem cessar a cultura da vida e do amor, sem pôr de parte, em situações concretas, o recurso à objeção de consciência.
  3. Reflectindo sobre as luzes e sombras da Igreja Católica nos nossos países, os Bispos reconhecem o esforço que os missionários e leigos fazem para a propagação da fé e do Reino de Deus. Entretanto, apelam para um envolvimento mais vivo de todos, renovando cada vez mais o zelo apostólico, ocupando os muitos espaços vazios no mundo da política, da economia, da cultura e da ciência, sem pormos de parte a ocupação dos espaços geográficos, a fim de sairmos da mera pastoral de manutenção para uma pastoral do anúncio e do testemunho.
  4. O aumento das vocações à vida sacerdotal é um frutuoso sinal dos tempos nas nossas Igrejas. Por isso, os Bispos pedem para que as Paróquias se assumam como autênticas escolas de discernimento, acompanhamento e orientação vocacional e aos formadores dos Seminários maior presença e empenho para que dessas casas de formação saiam bons, humildes e dedicados futuros pastores.
  5. Os Movimentos Apostólicos e carismáticos são um bem incontornável para o dinamismo, crescimento e renovação da vida eclesial. Contudo, constatam-se alguns excessos e desvios nos procedimentos que fomentam a ganância, o apego aos bens materiais, a falta de transparência, o individualismo e outros vícios que lesam gravemente a comunhão, a alegria, o sentido de pertença, a solidariedade e a unidade eclesial. Por isso, os Bispos recomendam maior acompanhamento, disciplina e rigor no cumprimento das regras canónicas para salvaguardar o espírito e a finalidade de tais movimentos.
  6. Virando o olhar para a realidade do País, os Prelados agradecem a Sua Excelência Senhor Presidente da República, General João Manuel Gonçalves Lourenço, pelo levantamento da proibição da extensão do sinal da Rádio Ecclesia a todo o País e pelos novos anúncios referentes à retoma do projecto de construção da Basílica da Muxima e das negociações para o Acordo Quadro entre a República de Angola e a Santa Sé. Encorajam-no a prosseguir no caminho da reforma do Estado para que todos primemos pela dignidade, honra e nobreza de espírito, fazendo com que as assimetrias regionais desapareçam, a cultura da justiça se afirme e os bens de todos, a todos beneficiem.
  7. Por outro lado, embora saúdem a abertura do concurso para a inserção de novo pessoal médico e paramédico, os Bispos lamentam, contudo, constar o quadro deplorável de degradação da saúde no País, com a gritante e escandalosa falta de medicamentos e a desumanidade endémica em muitos hospitais, abrindo espaço para muitos charlatães extorquir e explorar os pobres. Também lamentam a facilidade com que muitos produtos impróprios para o consumo humano entram no País. Recomendam, para o efeito, maior rapidez na correção desses males, assim como renovam o compromisso de manter viva a cooperação, através da CARITAS, para aliviar a dor dos cidadãos.
  8. O Lançamento da Floresta Laudato Si na cidade de Moçâmides pretende ser, ao mesmo tempo, um convite, um apelo e um compromisso de juntos trabalharmos para uma educação à cultura ecológica, para que a busca desenfreada e egoísta do dinheiro e do lucro fácil não mate a natureza e a sua biodiversidade. Por conseguinte, os Bispos recomendam maior vigilância e determinação na luta contra os malfeitores humanos da natureza e do meio ambiente e apoiam todas as iniciativas que visam o estancamento da desflorestação e desertificação.
  9. Nos últimos tempos, têm surgido, em vários cantos do País seitas anticristãs e anticatólicas, muitas das quais, por razões estranhas, acomodadas nas plataformas criadas e cujas mensagens doutrinais constituem-se em autênticas e graves ameaças à unidade, harmonia e integridade das famílias, da cultura nacional e da sociedade no seu todo. Pelo que os Bispos solicitam e apelam aos órgãos competentes para que assumam as suas responsabilidades legais, a fim de pôr cobro a tais anomalias.
  10. Estando reunidos numa Província em que as minorias étnicas são expressivas, os Bispos pedem para que todos dediquemos uma atenção especial a elas, garantindo-lhes uma formação integral e inclusiva, para que não se sintam “irmãos pobres esquecidos” nem à margem do desenvolvimento que o País vai conhecendo.

 

 

 

AUDIÊNCIAS E CELEBRAÇÕES

 

Ao longo dos trabalhos os Bispos:

  1. Fizeram uma visita de cortesia ao Governador Provincial e seu corpo governativo.
  2. Renderam homenagem ao primeiro bispo do Namibe que jaz no cemitério municipal, D. Mateus Feliciano Mateus.
  3. Congratularam-se com Sua Excelência Senhor D. Pio Hipunyati, Bispo de Ondjiva, pela sua nomeação como Administrador Apostólico de Menongue e unem-se aos sentimentos de alegria do povo de Deus daquela Igreja irmã, encorajando-o a manter-se firme na fé, fervoroso na esperança e zeloso na caridade.
  4. Receberam o Director da Rádio Ecclesia e os delegados das Comissões Episcopais das Escolas Católicas e da Justiça e Paz.
  5. Visitaram a Pescaria Sicopal e a Academia de Pesca e Ciências do Mar.
  6. No Bairro 04 de Março plantaram 400 árvores, dando corpo à chamada Floresta Laudato Si.
  7. No domingo, dia 11, em Missa Pontifical, na Sé Catedral, os Bispos abriram oficialmente as festividades alusivas aos 50 anos de existência da CEAST, cujo término terá lugar em Luanda, por ocasião da segunda Plenária anual.
  8. Por fim, os Bispos agradecem ao Prelado, ao Governo Provincial, aos sacerdotes, religiosos e religiosas e ao povo de Deus do Namibe por tudo quanto fizeram para o êxito dos trabalhos. A todos estendem a sua bênção apostólica.

 

Moçâmedes, 14 de Março de 2018

 

OS BISPOS DA CEAST

 

A necessidade da união e coesão no seio dos membros do grupo juvenil e de adultas da Associação da Ajuda Mútua na diocese do Uíge foi exortada, sábado, pelo Reitor do Santuário de Santa Rita de Cássia, padre Nkenge Dominique, como pressuposto para o desenvolvimento da acção feminina na igreja.

Na sua homilia durante a missa solene de abertura do ano, o sacerdote apontou a união entre os membros como mola impulsionadora para atingir resultados satisfatórios no trabalho da igreja e da sociedade.

O sacerdote recordou que a actividade de solidariedade e ajuda aos necessitados só terá expressão quando os próprios membros estão unidos entre si.

Reconheceu o trabalho positivo que têm levado a cabo no apoio à comunidades, missões e pessoas com necessidades materiais e espirituais.

Pediu, no entanto, a necessidade de continuarem a trabalhar com o mesmo dinamismo para que mais mulheres se integrem na associação com vista a alargar a actividade da Ajuda Mútua na diocese.

O assistente diocesano da Ajuda Mútua, padre Frederico André reforçou a necessidade da conversão e mudança de atitude entre os membros da associação feminina na igreja, como indispensável para alcançar objectivos preconizados.

Para o presbítero, ser do grupo ajuda mútua significa estar disponível para ajudar material e espiritualmente os necessitados.

Já a vice-presidente diocesana da Ajuda Mútua, Suzana António, exortou empenho, dedicação e trabalho durante o ano 2018 com vista a alcançar os objectivos preconizados em prol da transmissão da mensagem de Deus a todas criaturas.

Participaram à eucaristia de abertura centenas de mulheres enquadradas na referida associação, provenientes das paróquias de Nossa Senhora das Mercês, Nossa Senhora de Fátima, Santa Cruz, São Francisco de Assis, Sé Catedral e dos centros pastorais do Divino Pastor, Santa Bakita e Kilala.

Presidente da CEPAMI lança repto a sociedade angolana no sentido de sofrer com os refugiados.

É no espírito dos 4 verbos” acolher, proteger, promover e integrar” citados pelo Papa Francisco na vivência da jornada mundial dos Migrantes e refugiados.

 

Neste Domingo a diocese de Viana acolheu mais de 500 migrantes e refugiados que participaram na Eucaristia que o Presidente do CEPAMI Dom Anastácio Kahango presidiu e foi concelebrada pelos directores Arquidiocesanos de Luanda e Viana.

 

 

 Vinte mil delegados participarão na Segunda Jornada Nacional da Juventude denominada ?JNJ Lucavi 2018″ que se realizará de 15 a 20 de Maio sob a égide da Comissão Episcopal da Juventude da CEAST (Conferência Episcopal de Angola e S.Tomé).

O anúncio foi feito, nesta semana, em conferência de imprensa, pelo coordenador da organização juvenil católica, Fernando Kawendimba, e afirmou que o evento tem como objectivo principal a troca de experiência  entre a juventude quer religiosa ou não, nas suas mais diversas manifestações culturais.

Luanda, Caxito e Viana são as dioceses que vão albergar a jornada.

Segundo o responsável, os delegados serão oriundos de vinte dioceses e de mais de cinco movimentos apostólicos juvenis, sendo que está previsto num número geral de participantes com 160 delegados para cada diocese.

Avançou que no primeiro dia do evento, está prevista uma missa de abertura celebrada pelo arcebispo da arquidiocese de Luanda, Dom Filomeno Vieira Dias, show de música sacra, via-sacra, uma vigília no santuário da Nossa Senhora da Muxima e uma missa de encerramento.

A jornada Lucavi 2018 terá como lema “Eis a serva do Senhor, faça-se em mim segundo a tua palavra” e as despesas logísticas estão orçadas em 50 milhões de kwanzas.

Por seu turno, o presidente da Comissão Episcopal da Juventude da Ceast, Dom Zeferino Zeca Martins, apelou aos jovens a participar em massa nas segundas jornadas e que a crise económica financeira que o país atravessa não seja um obstáculo que impeça a sua participação.

A primeira Jornada Nacional da Juventude foi realizada na província do Huambo em Agosto de 2015 com cerca de 7 mil jovens.

                          VISÃO JORNALISTICA 

Porquê o presidente norte-americano, Donald Trump, comprou mais uma briga supérflua? Isto por ter comparado, na sua fama de xenófobo, os migrantes haitianos e africanos a “Shitole”. Quer dizer, lixeira, retrete, sarjeta, ruim na semântica do vernacular inglês yankee. Morfologicamente, a pejorativa terminologia junta dois vocábulos: ’Shit’ (excremento) e ‘Hole’ (buraco, lugar desagradável). O lapso gerou um repúdio geral, expresso cá pelo emblemático presidente da Comissão da União Africana, o Chadiano Moussa Faki Mahamat. Segundo a mídia internacional, Trump desculpou-se em discreta carta enviada aos Chefes de Estado do continente recém-reunidos em Adis-Abeba. Nesta correspondência, ele teria atribuído a bronca toda à má interpretação do seu pensamento. Verdade?! Sim e não. Não, pois tal explicação não desmente a estigmatização confirmada por testemunhas oculares do encontro onde a usou. Sim, por consciência de um faro diplomático, que não falta integralmente ao mais alto mandatário da primeira potência mundial.

Mas, para além das legítimas reacções emotivas, sensato é a África meditar cada vez mais a sério sobre as causas e vias de superar deveras tal estigma. Ou, parafraseando o novo presidente angolano, João Lourenço: «O paradoxo (…) de ser um continente rico em recursos naturais, mas assolado pela pobreza». Ou, ainda, “um corpo inerte onde cada abutre vem debicar o seu pedaço”, uma alegoria de Agostinho Neto com mais de 40 anos. E foi no mesmo fórum pan-africano, daquela vez em Cartum (no Sudão hoje em balcanização radicada no islamismo e no racismo). Mero palavreado de circunstância, parece! Pois, a incúria dos caminhos da viragem, ela, se repete de uma cimeira a outra dos responsáveis do continente.

Ressalta de novo esta impressão da 30ª cimeira, realizada na Etiópia de 28-29 de Janeiro do ano em curso. A União Africana gorou em definir a fonte autónoma do seu orçamento, ora suportado a 80% pela Comunidade Internacional. A este ritmo, como conquistar o atestado mínimo de maturidade? Que os novos estadistas pressionem mais na sagacidade e resiliência em inverter o quadro! Tal como, em sinergia, a virulência popular da cidadania contra as mordaças das suas elites dirigentes. Pertinente, foi a mensagem do Secretário-geral da ONU, António Guterres, na tribuna de Adis-Abeba. Ao contrário de Trump, brindou-nos o apreço de considerar África como “uma das forças do bem no mundo”. Porém, nem tão enlevo de carinho eclipsa as vergonhosas realidades tais como: contínuas guerras civis; evasão dos capitais para as antigas metrópoles causada pelas próprias elites governativas [por cá, surgiu um arauto a justificar o vício por uma guerra vencida há 15 anos]; o défice democrático culminando no abuso dos mandatos; 1.500 médicos desempregados numa Angola que precisa de 6 mil; etc.

Enquanto isto, o calendário civil proporcionou à Igreja Católica em Angola um olhar mais sensível e humano para os humildes da terra. Ocorreu por ocasião do 442º aniversário da fundação desta cidade de São Paulo de Luanda e o Dia mundial dos Migrantes. O Arcebispo de Luanda, Dom Filomeno do Nascimento V. D, ressaltou na missa dedicada à efeméride da capital. Na sua homilia, advogou um ordenamento básico do território à altura de satisfazer a necessidade de casa condigna ao assalariado de baixa renda. Aquele que vence mensalmente, exemplificou, uns parcos 50 mil Kwanzas. Na vertente migratória, registou-se a pregação do responsável da CEAST pela pasta, Dom Anastácio Kahango, Bispo Emérito Auxiliar de Luanda. Martelou aos seus compatriotas o profético repto bíblico, que citamos: «Recorda-te tu, também foste peregrino no Egipto. Por isso, procura acolher o peregrino. Então, Angolano, tanto quanto possível, acolhe!»

(Uma coprodução de Siona Casimiro e P. Maurício Camuto. Apresentação de Tomás de Melo)

Luanda, quinta-feira 01 de Fevereiro de 2017.

 

 

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