APO: Sr. Padre acompanha a atualidade política de Angola a partir do Huambo. Acompanhou o processo eleitoral e o que achou?

PAL – Pouco. De facto não acompanho muito, porque de dia estou muito empenhado, à noite quando tento ver um bocado não deixa de vir também um pouco de sono. E também gosto mais da notícia internacional. Como vai o mundo? Talvez por causa da globalização. Quanto ao processo, eleitoral, sim, segui um bocadinho. Achei positivo que já pode começar a crescer a democracia em Angola. Vendo os programas, os debates, começa a nascer a mentalidade democrática, já é bom, mas ainda tem isto e aquilo que terá que melhorar. Mais anos, menos anos poderá crescer e deixar as limitações que ainda existem.

APO: Leitura teológica do momento actual dentro deste “já se pode”?

PAL – A leitura teológica é grave. Eu vou à história de Israel. A história de Israel exige a fidelidade a Deus. Mesmo a paz que veio eu fui claro em dizer, devemos a Deus esta paz- mais do que passos novos disso e aquilo. É Deus que deu a paz. E, sobretudo, veio em 2002 ainda no contexto do Jubileu e, uma das coisas que o Jubileu dá é exatamente a paz, a estabilidade. Agora, na história de Israel quando você tem um dom de Deus, tem que se conformar. Nós temos que melhorar, temos que pôr as coisas no lugar justo se não vai vir uma desgraça pior, se não se esforça, se não se cumpre.

APO: O Sr. Padre nota alguma incoerência no nosso convívio social?

PAL – Sim. Há uma outra coisa que não interessa muito comentar porque preciso de melhorar, mas eu digo depois do tempo até que se dizia que Deus não existe – olha que isto no nosso contexto africano é muito grave , agora, o tempo era de melhorar tipo pedir perdão por causa disto, fazer as coisas de outra maneira, haver mais pena, mais caridade. Mas, estão a aparecer também outras coisas que não satisfazem. Então para dizer que sim passou aquilo, veio a paz, mas se não tivermos cuidado nunca se sabe o que vem. Se agora ouvimos dizer que o nosso país está a ser muito caro, de facto se o país se torna caro, fica um castigo na mesma. Quer dizer, as pessoas podem ter dinheiro, mas não chega para nada. Quer dizer, nós devemos fazer um esforço grande para melhorar como pessoas, no relacionamento, no trabalho, nisto, naquilo. Quer dizer, o pecado colectivo do ateísmo devia passar por um processo de purgação colectiva, bondade, isto e aquilo.

APO: Tem uma sugestão pastoral porque o Sr. também é profeta e é pastor?

PAL- Apenas é esta. Estamos a ver uma dificuldade, os padres deveriam estar mais livres para acompanhar o povo na assistência espiritual. A homilia o Sr. padre pode começar a preparar já na terça. Só que tem que ter tempo de ler um bocado, meditar… Então, na sexta e sábado ele começa a vibrar com que vai dizer no domingo, isto transforma. Mas hoje temos um problema. Acho que a fome também está lá, os padres têm que ir atrás de alguma coisa para comer. Sim, já temos ajuda, mas será preciso ver melhor.

APO: Ainda das eleições, me parece imperativa a questão de sermos agentes da paz.

PAL –  Sim, quer dizer, é preciso que a Igreja tenha o seu estatuto. Quando num ponto roça um pouco, não é para ofender ninguém, nem

para dizer o que não é, é para dizer aquilo que é, que deve ser. Esta coisa é forte, a Igreja tem que ser sempre aquilo que deve ser, que é exactamente estender o bem.

 

APO: Sente que a Igreja não está a ser o que deve ser?

PAL – Qualquer coisa não está. Não sei, mas é como aquele caso que eu dizia, neste mesmo livro na primeira versão, se os Bispos tivessem sido verdadeiros guias comunitários, a paz tinha vindo mais depressa.

APO: O que é que significa isto?

PAL –  Quer dizer, havia uma certa timidez, aquela coragem de dizer a verdade disto e aquilo, tipo se evitava. Não. Ora, os guias comunitários amam até doer, como dizia Madre Teresa de Calcuta. Quando têm que dizer uma verdade, que até pode ser um pouquinho inoportuna, é a verdade tem que se dizer. Por exemplo este caso de quem se apresentou como Bispo eu não vi nada, se alguém recomendou, se alguém fez alguma coisa, não se pode deixar essas coisas andar assim, não.

APO: Está a falar de novas igrejas, já que estamos num país plural na sua expressão religiosa?

PAL- Não quero comentar isto como o meu comentário seria muito forte, mas só posso dizer que convinha estar muito atento. Num artigo que eu fiz em ´97, dei o exemplo do Zaire, Mobutu ainda estava e  teve que fechar 450 e poucas seitas, que se tinham tornado tipo uma ameaça.

APO: Angola tem este risco?

PAL – Não digo que sim, mas são exemplos, para dizer é preciso ter cuidado com as autorizações, já temos muitas autorizações.

APO: Sente-se como padre, professor, escritor sente-se muito feliz hoje?

PAL –  Sim, eu sinto-me feliz, a pena é que tenho pouca saúde, então tenho que ler muito devagar. Tive uma trombose em 2009 que ainda me acompanha de certa maneira. Como sacerdote estou bem, dou aulas, celebro, faço confissões quando devo, o trabalho está a andar. Sobretudo, neste momento, comecei com as edições do ‘CRETC’, Centro de Recolha e Redação de Estudos Teológicos, Culturas. Já tenho 5 livros saídos nesta perspetivas e vou continuar, espero poder ter uma ajuda para ir publicando outro livro, sempre para contribuir para o crescimento. A fé é importante e, depois, o trabalho honesto. São essas coisas, como sacerdote, não contentam.

APO: Dá aulas de que no Seminário?

PAL – Este ano dei aula de teologia africana ao 4º ano de teologia e estou agora a dar ecumenismo ao curso geral, isto é, desde o 2º até ao 4º ano.

APO: Na sua preleção do ecumenismo não combina novos movimentos com a perspetiva mais aberta da globalização no espaço religioso?

PAL- Eu deixei já o ecumenismo em ´90-´91. Dei a Padre Venâncio que agora também está doente e, é por estar doente que eu estou a substituí-lo. Para os jovens não ficarem sem este curso, preciso de dar o essencial da matéria, apesar das recomendações e das abertura que é preciso fazer a eles.

APO: No passado, o Cristo-Rei teve uma tradição ecuménica com o Seminário Emanuel. Esta experiência parou, continua ou vai começar?

PAL –   Não estou a ver, não quero dizer que não haja.

APO: Lê alguns títulos sobre o tema do ecumenismo? Não acha que o ecumenismo poderia ser um caminho novo parta este compromisso mais eficaz da intervenção da igreja no social?

PAL – Sim, leio. Hoje há muita matéria. Quanto à segunda questão, é uma pergunta um pouco difícil, mas boa, quer dizer, furou-se já o saco. Tem muita gente que fala em nome da religião, então para você dizer que junta um grupinho válido, para fazer coisas que podem ser aceites, fica difícil. Que se juntem, aquelas por exemplo Igrejas já antigas. Só que o que fica fora a falar de religião é uma imensidade. Para mim o saco está furado, não sei, não sei.

APO: Como teólogo, podemos falar em crise ecuménica em Angola?

PAL – Até foi há pouco tempo que passaram aqui dois pastores a procurarem qualquer coisa sobre as seitas. Eram da Igreja Reformada, estão preocupados também. É muita coisa que está ali e por causa destas coisas que estou a dizer que muitos não deveriam ter sido autorizados a fazer isto.

APO: Vai muito à sua terrinha, Lépi, onde nasceu e tem que recordações?

PAL – Vou, até porque é caminho para ir mais adiante, para ir a Benguela. A recordação é boa com a minha terra. Mas era preciso crescer, que lá houvesse também um sacerdote permanente para ajudar. Há muitas coisas que não vão porque as pessoas não sabem. Tinha tido um patrício lá quase que me prometia uma residência para eu ficar e cuidar religiosamente daquela comunidade. Ainda hoje está a ajudar para refazer a igreja. Vão restaurar a igreja e quereriam que houvesse um padre permanente lá. Seria bom, só que os problemas não deixam de haver por causa disto e daquilo.

APO: Não há presbíteros, não há vocações?

PAL – Tudo isto, também- Hoje, um jovem você põe no Lépi fica tipo abandonado, porque ele não fica lá com aquele coração vibrante para o serviço que ele deve fazer. Então o que lhe sucede? Fica tipo frustrado, quando não. Quer dizer, quando lá ele está, sai para as aldeias, para visitar, para fazer isto, aquilo. O povo tem que ficar dinamizado com aquilo que é a vida cristã.

APO: Neste caso o ardor missionário está um pouco em crise no nosso contexto?

PAL – Está. Está porque, mesmo quando se fala também não se toca os pontos melhor, então fica muitas coisas assim.

APO: Que receita para reverter o quadro?

PAL – Não estou preparado para esta resposta, mas já disse que coisas a fazer: o catecumenado, a catequese, aquele exemplo sucedido no Huambo, durante a guerra, com um padre rogando aos fiéis: “aumenta um pouco de fuba para eu não passar o dia convosco na praça. O meu problema não é grande, mas se eu pudesse ter a possibilidade de comer minimamente, a minha dedicação aquilo que se me pede teria mais resultado”.

APO: Estamos a falar da autossustentabilidade da Igreja?

PAL –  A dificuldade é esta. Houvesse poucas igrejas, vamos supor, até ajudar estes pastores não seria difícil, são poucos, são só aqueles, mas com as autorizações que tivemos, todos eles vão reclamar, e vamos tirar quem? Já não dá, nós estamos perdidos. O Governo está a fazer muita coisa eu acompanho, sim. Só que o caso foi esse, os que podem ser ajudados tornaram-se demais.

APO: Para terminar, Sr. Padre, que expetativas é que tem para o Ano da Fé?

PAL – Eu tenho muitas expectativas porque a fé é a base, vamos ver se até para nós vai haver algumas indicações mais precisas sobre a fé- Às vezes há coisinhas assim dispersas, não são nada, no Ano da Fé vamos ter que solidificar estes dados, porque muitas pessoas estão como estão porque ninguém lhes falou. Enfim, que todos se esforcem por buscar o bem e evitar o mal e as estruturas educativas, por exemplo, não deixarem este tipo de moda como o trabalho gratuito. Não! Fazer o bem e evitar o mal é a recomendação que eu deixo, Portanto, obrigado e tudo de bom, até sempre.

Remissão do país todo contra o pecado do ateísmo! A tese é do Padre André Lucamba, Doutor em Teologia Dogmática e uma das estrelas no histórico Simpósio dos 500 anos de evangelização de Angola. Numa entrevista à Rádio Ecclesia, dia 11/10/2012, abordou vários temas da actualidade, com a frontalidade da sua singularidade. Conduziu a entrevista, gravada no Huambo, Padre Kandandji, Director da emissora de confiança e do jornal ‘O Apostolado’.

O APOSTOLADO (APO): Quem é o Padre André?

Padre André Lukamba (PAL) – Um sacerdote diocesano da Arquidiocese do Huambo, ordenado desde Julho de 1976. Fiz os estudos superiores em Roma por 4 anos, voltei só depois do doutoramento  e deliberadamente quis publicar a tese, estando já na Diocese, quando ainda era o Reitor do Seminário. Entendi-me com Dom Manuel Franklin da Costa, que era o Arcebispo, para, quando eu saísse do Seminário, dedicar-me só ao estudo. Assim, ele aceitou e fundei o Centro de Estudo Teológico, que tinha uma revista chamada de Didasco. Por motivo de financiamento e outras coisas depois parei em 1996, mas consegui fazer ainda 22 números desta revista. Hoje continuo a dar aulas no seminário e colaboro na missão.

APO: Qual era o título da tese e que ideias continha?

PAL – A Evangelização como Encontro Vivo na Cultura Umbundo de Angola. Eu editei o capitulo metodológico, onde explorei muito os sinais, os símbolos que tem o conteúdo particular, daquilo que é exactamente a vida das pessoas. Falo em encontro vivo, que vem da inculturação. O termo inculturação me invocava uma paralisação, quando isso não pode parar, é um processo, o evangelho vai crescendo à medida que se encontra com novas realidades e estas realidades, também, ficam enriquecidas.

APO: E depois fez publicar outro livro?

PAL – Sim, depois desta tese veio “A Nova Etapa Missionária em África”, onde digo que é preciso redescobrir para repropor.

APO: Sr. Padre vai fazer publicar o V Centenário da Evangelização de Angola –  o Simpósio, 21 anos depois?

PAL – Sim, o livro já está pronto, já está a chegar e pensamos seremos entendidos por este gesto. 21 anos depois não saiu nada fora, não sabemos também que motivo terão tido para não fazer isto, mas nós quatros editamos os nossos textos com uma introdução geral e umas perspetivas. Acho que saiu bem. Os quatro, isto é, Pe. Jerrónimo Cahinga, Pe. Melo Tuebe, Pe. Alberto Ilídio e o Pe. André Lukamba

APO: Esta quadra de teólogos brilhou no Simpósio. A Igreja de Angola antes do Simpósio e depois do Simpósio é a mesma?

PAL – Qualquer coisa entrou no terreno, só que tivemos, diria, uma pouca-sorte. Em ´91 quando se passa o simpósio já havia a paz. Então o Santo Padre João Paulo II nos visita em ´92, com uma frase muito conhecida: “ Ouvimos gritos de todas as partes de Angola, nunca mais a guerra! Paz em Angola para sempre!”. Isto foi muito forte, só que infelizmente depois das eleições recomeçou a guerra. Dura outros 10 anos, talvez isto retardou um pouquinho ou meteu por terra o que podia ser o empenho do Simpósio. Agora uma coisa muito linda: Bento XVI quando veio em 2009, ele torna a dizer que vinha também reviver o V Centenário. Por isso é que nas perspetivas entra o impacto das visitas papais. Terminamos exactamente com as últimas palavras de Bento XVI aqui.

APO: Então podemos achar já uma etapa depois do Simpósio?

PAL- Penso que sim. Só que não entrou muito o que a gente queria como, por exemplo, a ideia do Centro de Estudos Teológicos que era uma proposta boa. Há muitas coisas um pouco atrás.

APO: Que alternativa em reativar o sonho da publicação da Didasco?

PAL – Temos a ideia de que os 22 números já saídos, sairiam em três volumes, cada volume 7, 8 números. E depois ou antes, a Faculdade de Teologia tinha que ter revista. Pode reassumir a Didasco ou um outro nome.

APO: O Padre reeditou agora “A globalização dos conflitos no Sul – o caso angolano”, um livro cuja primeira edição já esgotou. Que aspectos novos a reedição traz?

PAL – Sim, completamente, esgotada. O aspecto novo que eu tive muito em conta, é que a primeira edição fosse mesmo considerada histórica em relação aos 40 anos de guerra em Angola. Eu quando falava do tema era no sentido de contribuir para que a guerra acabasse. Então eu não quis tocar este texto, para manter o seu valor histórico. Mas como também o livro tem uma força de viragem no tempo, meti uma pequena novidade, que é em relação às eleições. Então o ponto que eu aumentei poderá ajudar a refletir as pessoas, sobretudo os cristãos, no compromisso em relação às eleições de cada vez que haja.

APO: Globalização e conflito no Sul. Estamos no Sul do Equador, cruzado com vários interesses geopolíticos internacionais, mas o caso angolano agora é um caso de paz…

PAL – Sim, o livro teve este nome no contexto de guerra, a argumentação que esta lá é vastíssima e útil também hoje porque o Norte são os ricos, o Sul são os pobres. Então eu: o Sul, não fiquem em guerra porque há um gigante que está a vir para devorá-los todos, procurem entender-se, quem sabe se pelo menos se podem poupar de uma maneira ou de outra! O caso é este. Uma base original do livro foi aquele congresso ‘Pró Pacem’ que houve em 2000. A guerra ainda estava forte, eu fui um dos que foi ao debate. Eu dizia, olha! Basta com a guerra, o povo não pode mais suportar a guerra. Temos que fazer tudo que estiver ao nosso alcance, para se fazer a paz. O livro também está nesta linha. Quer dizer, apesar das contradições, disto e daquilo que pode existir, não devemos deixar de terminar porque ainda temos um inimigo pior que é a globalização. Este vai e pode comer todos.

APO: Qual é o seu próximo livro?

PAL – O próximo livro exatamente é o primeiro volume da Didasco, mas há um já ai no meio como ainda não está apronto, escuso de anunciar. Há muito em certeira, só que já não tenho tempo, nem saúde.

APO: Qual as perspetivas das eleições neste contexto de publicação?

PAL – No livro reeditado, o ponto novo tem aliás este título ”O processo das eleições, implicações e desafios para os Cristãos”. Eu falo assim: os cristãos em princípio não pertencem a um partido concreto, visível. Têm, mas ninguém pode saber. São pessoas que têm que fazer as coisas de consciência. Então, quando há eleições, há a chamada propaganda, cada partido diz o que pensa, isto e aquilo, os cristãos acompanham. E aquele que der maior sucesso daquilo que promete, este fica assegurado, este é que nos vai fazer a melhor coisa na época que se segue. Só que há uma coisa, tem que seguir o que promete, porque se ele não segue o que promete e que é visto como melhor, a vez seguinte pode não ter a mesma sorte. Na vida dos cristãos isto é normal não é partidarismo, não é anti partidarismo, é vida cristã.

Continua

 

Aspecto actual da missão

Aspecto actual da missão

Governo e Arquidiocese do Lubango reabilitam Missão Católica do Jau, no município da Chibia, província da Huíla.

A primeira fase das obras já decorre. O Vigário geral da Arquidiocese do Lubango, padre Domingos Maurício, espera que o empreiteiro cumpra o prazo estabelecido para a conclusão da empreitada.

As obras estão orçadas em mais de 83 milhões de Kuanzas e têm duração estimada de 100 dias.

A Missão do Jau destaca‐se na região Chibia/Gambos. Fundada em 1889, é uma referência na formação das populações locais.

A participação do Governo na sua reabilitação foi recentemente anunciada pelo governador provincial da Huíla, João Marcelino Tyipinge, que considerou urgente a modernização da infraestrutura afecta à Igreja Católica.

CAPÍTULO II (Princípios de actuação)

Art. 4º Em toda a sua programação, a Rádio Ecclesia terá presente a sua especificidade de Emissora Católica. Como tal, em nenhum caso se admite a veiculação de mensagens que ponham em causa a dignidade da pessoa humana, o valor sagrado da vida, o respeito pela liberdade fundamentais dos cidadãos, a dimensão espiritual da pessoa humana.

Art. 5º

Os serviços informativos devem restringir-se á narração precisa e desapaixonada dos factos. Em toda a informação veiculada, ter-se-á presente a necessidade de criar um espírito de tolerância e reconciliação entre os angolanos. As notícias devem ser escolhidas com critério e bom senso, evitando-se os detalhes mórbidos, sensacionalistas ou alarmantes que não sejam essenciais à sua descrição. Os comentários e análises a factos devem ter uma apresentação distinta das respectivas notícias.

Art. 6º

Os programas que relatem, comentem ou analisem aspectos da vida pública ou privada, devem fazê-lo de modo a induzir os ouvintes a um sadio e responsável sentido crítico, pautado por uma consciência moral formada pelos princípios cristãos.

Art. 7º

Na apresentação de notícias ou comentários relacionados com a criminalidade e a ilegalidade, deve ter-se o cuidado de apresentar dados devidamente confirmados, e facilitar aos ouvintes a compreensão dos factos, a análise do papel dos intervenientes e as responsabilidades imputáveis.

Art. 8º

Os relatos e comentários de acontecimentos desportivos devem revestir-se da maior isenção e imparcialidade, tendo em conta que em competições desportivas, igual consideração merecem vencedores e vencidos.

Art. 9º

A Emissora Católica é apartidária. Como tal, as notícias que refiram as actividades político-partidárias terão como critério de emissão a sua relevância para a vida do povo angolano, seja a nível regional ou internacional. Em nenhum caso a Rádio Ecclesia aceitará patrocínio de organizações político – partidárias, ou aceitará programas que provenham de produtoras pertença ou conotadas com essas organizações.

Art. 10º

Os programas que se ocupem especialmente de questões religiosas, políticas, morais ou sociais serão elaboradas exclusivamente pelos serviços da Rádio Ecclesia, ou por ela, supervisionados.

Art. 11º

A produção e locução de programas emitidos em – directo, serão confiados a pessoa da exclusiva escolha da Rádio Ecclesia.

Art. 12º

A Rádio Ecclesia preocupar-se-á em promover e incentivar a cultura angolana. No caso musical, garantirá que no total da emissão a Musica Angola ocupe um espaço significativo, de modo a divulgar, apoiar e incentivar a produção dos artistas nacionais.

Art.13º

Não será permitida a difusão, pela Rádio Ecclesia, de mensagens que contradigam a moral cristã, seja sob a formação musical ou outras.

Tensão na Guiné-Bissau

 

As forças armadas da Guiné-Bissau frustraram na segunda-feira a tentativa de golpe de estado lançada por um grupo de soldados, apontou o exército da nação da África Ocidental.

Os amotinados tentaram a derrocada do governo do presidente Malam Bacai Sanha, mas fracassaram, apontou o exército, acrescentando que já tem o total controle da situação.

Na manhã da segunda-feira, as tropas do chefe do Exército, António Injai, enfrentaram as tropas leais ao chefe da Marinha, José Americo Bubo Na Tchuto.

Bubo foi detido logo depois dos seus próprios homens terem conseguido manter sob captura o chefe do Exército às 5h, horário local. Injai foi liberado pelos soldados que agiram em seu resgate desde Mansoa, 50 quilômetros ao norte da capital do país, Bissau.

O confronto ocorreu quando o presidente de 64 anos está hospitalizado na França. O presidente viajou ao país vizinho Senegal, no final do mês passado para receber tratamento médico, o que causou instabilidade na ex-colônia portuguesa.

Sanha foi eleito em 2009 depois do assassinato do ex-presidente, Nino Vieira e do ex-chefe do Exército, Batista Tagm na Wai em Março do mesmo ano.

O país de 1,7 milhão de habitantes testemunhou uma série de golpes no país desde sua independência de Portugal em setembro de 1973.

O primeiro ministro é referenciado como estando na condição de refugiado na Embaixada de Angola.

A violência acontece numa altura em que ocorrem no país reformas no sector das forças armadas guineenses, dirigidas por especialistas militares angolanos.

Uma parte da classe política guineense e da região opõem-se à presença de Angola no país.

Jornal “Relâmpago” visita “O Apostolado”

 

Uma equipa de três jornalistas do jornal “Relâmpago”, visitou, esta quarta feira, 28/3, o colectivo da redacção do jornal “O Apostolado”, com a finalidade de conhecer a história do mesmo e ganhar experiência de trabalho jornalístico.

A comitiva, chefiada pelo coordenador do “Relâmpago”, Delmiro Rodrigues “Imbi”, foi recebida pelo Editor-Chefe do “O Apostolado”, Siona Casimiro, de quem recebeu informações detalhadas sobre as estruturas e organização dos jornais impresso e online, adstritos ao mesmo projecto, desde da criação do mesmo pela então diocese de Angola e Congo, em 26 de Outubro de 1935 até aos nossos dias.

Em entrevista ao nosso mensário, o grupo gostou do que viu e afirma ter aprendido em pouco tempo com a sua presença entre nós. Neste contexto,     Delmiro Rodrigues acrescentou: “vamos levar a vossa experiência aos demais colegas para refrescá-los com os vossos conhecimentos e experiência, o que nos tornará mais fortes na edição do nosso jornal”.

Todavia, os colegas do “Relâmpago” interessaram-se sobremaneira com o desenho gráfico do  “O Apostolado” impresso, cujos programas que concorrem desde a sua concepção, configuração até chegar à gráfica, impressionou-os.

O jornal “Relâmpago”, criado em 2010, é um projecto dirigido à comunidade académica juvenil do  Instituto Médio Normal de Educação – Maristas “Cristo Rei”, da Congregação dos Irmãos Maristas de Angola.

Cabinda Oyé – Congresso Apostólico

A diocese mais nortenha do país acaba de realizar o seu 1º Congresso Eucarístico. Os trabalhos decorreram de 16 a 24 de Junho em curso, animados por participantes locais e convidados de outras dioceses nacionais.

Respeitando uma tradição, os promotores convidaram as vizinhas dioceses de Boma (RDC) e de Ponta Negra (República do Congo).

Na missa campal de encerramento do evento, realizada no frontispício da Sé Catedral, todo engalanado, a assistência vibrou, entoando, o jovial compasso “Cabinda oyé…”.

O refrão resumia metaforicamente o cenário, onde se entrelaçaram, o gospel ritmado a batuque, moderna tecnologia e o júbilo contagiante.

No fundo, completava o quadro e a introspeção de cada fiél face a Cristo, que o culto ocasionou.

A homilia, pronunciada pelo Núncio Apostólico, Dom Novatus Rogâmbua, balanceou, em breves palavras, o Congresso. Ou, seja, «dias de profunda meditação da Palavra de Deus, de oração intensa, com orar silencioso, de contemplação sincera e adoração do mistério de Deus, de reflexão e estudos de experiência diversificadas, de comunhão na fé e de solidariedade humana, e também de trabalho árduo (…) de renovação cristã e de crescimento nas virtudes de Deus».

Na sequência, o embaixador do Santo Padre ministrou uma copiosa aula teológica, aprofundando o lema “Eucaristia, dom de Deus para a vida da humanidade”. Fixamos, da preleção, esta luz: «Eucaristia é vida, é a vida dos baptizados, é a vida daqueles que acreditam em Cristo e, d’Ele e com Ele, fazem um só corpo. É a vida daqueles que encontram o Salvador, Jesus Cristo».

O Núncio foi o celebrante principal desta eucaristia de acção de graça, embelezada, também pelo Coro diocesano, predominantemente feminino. Teve como concelebrantes os prelados de Benguela, de Cabinda, do Kuito, de Mbanza-Congo, de Malanje, do Menongue e o de Saurimo.

De acordo com o Bispo anfitrião, Dom Filomeno do Nascimento Vieira Dias, as conclusões convencionais dos trabalhos virão a público dentro de dias.

Outra voz sacerdotal, perita observadora dos congressos eucarísticos, alertou-nos sobre o fim habitual deste tipo de jornada, isto é, a sensibilização que proporciona.

A sensibilização do colectivo cristão sobre os seus prementes desafios.

Sem rodeio, estes persistem em manter-se na ordem da unidade e da paz no seio da família católica deste ramo particular da frondosa árvore angolana. «Iluminai mais ainda a minha mente, inflamai o meu coração do vosso amor e fortalecei-me no testemunho e no serviço da vossa Igreja», suplicou, acertadamente, um trecho da oração dedicada ao congresso.

Pelas observações feitas na cerimónia de encerramento, a vivacidade e a intensidade da fé continuam marcantes naquela diocese. Na citada missa, um recheado e infindável ofertório realçou esta impressão.

O toque reforçou-se no festival musical organizado no pavilhão gimno-desportivo, onde se destacou o grupo ‘Coro das 2 mil vozes”.

A juventude, futuro da Nação, dominou a entusiasta plateia.

«Pelo canto vibrante, a elegância das senhoras envoltas em panos de cintilantes matizes tropicais, a mística do calor africano da gente… tudo parecia que estávamos noutra terra». Admiração registada, no voo de regresso para Luanda, de uma religiosa angolana. Ela e pares, que secundaram instantaneamente a mesma impressão, fizeram pela primeira vez a viagem àquela região do país, onde conflituam, ainda, o anseio do sossego e a irracionalidade isolacionista.

 

 

Por sorte, a inculturação litúrgica, outra forte feição de Cabinda, influi em suavizar os espíritos no amor infinito, irradiado pelo exemplo de Cristo.

 

(Uma coprodução de Siona Casimiro e P. Maurício Camuto. Apresentação de Tomás de Melo no programa ‘Visão Jornalística’ da Rádio Ecclesia, na quinta-feira 28 de Junho de 2012)

Portugal acusado de apoiar  Golpe na Guiné-Bissau

Portugal Acusado de apoiar golpe ba Guiné-Bissau

As autoridades de transição da Guiné Bissau acusam Portugal e a CPLP de apoiarem a tentativa de golpe de Estado este domingo, 21/10. O ataque ao quartel de elite de Bissau resultou na morte de sete pessoas e dois assaltantes detidos. “O governo considera Portugal, a CPLP e Carlos Gomes Júnior como os promotores desta tentativa de desestabilização, cujo objectivo e estratégia” era “derrubar o governo”, segundo o comunicado lido pelo ministro da Comunicação, Fernando Vaz, citado pela AFP.

O texto acrescenta que o objectivo era “questionar todo o processo político actual com apenas um objectivo: promover a volta de Carlos Gomes Júnior ao poder e justificar a presença de uma força internacional” de estabilização no país.

Pelo menos sete pessoas, entre elas seis agressores, foram mortas na manhã deste domingo, segundo o balanço da AFP, no ataque ao quartel de uma unidade de elite do exército em Bissau.

O ataque foi liderado pelo capitão Pansau N’Tchama, líder do comando que assassinou em 2009 o Presidente João Bernardo Vieira. AFP

Xenofobia à parte, o uso da língua nacional não equivale a tribalismo. Até é virtude a cultivar da parte dos quadros nacionais, chamados a emancipar os seus concidadãos da alienação cultural colonial e neocolonial.

Um analista desqualificou um político do país por falar umbundo num comício, arremessando-lhe o anátema de “tribalista”. Deu-se durante a recente campanha eleitoral na nossa TPA, onde o analista integrou um painel que se tornou famoso na altura.

 Nenhum outro membro do grupo, vejam só, reagiu com um mínimo de contraditório. O grupo esteve formatado, claro, para outras prioridades, marimbando-se da idiossincrasia da gente. É de promover isto, sem, necessariamente, partilhar o discurso do político estigmatizado? A passividade perante tal deslize não agravaria o drama da nossa juventude, já de si vítima dos vícios da globalização e recorrente mentalidade de calcinhas?

 O umbundo, como é consabido, é a genuína língua nacional de maior expressão, pela proporção dos autóctones que a têm como língua materna. No Centro e Sul de Angola, região predominante de tais populações, inclusive não autóctones mas naturalizados nela, passaram a ter o mesmo idioma como veicular a partir do berço. O traço é tão forte que até, antropologicamente, chega a fazer-se distinção entre o angolano branco do Norte e do Sul. Este último, falando muitas vez só o umbundo, exprime-se mal em português, aprendido não poucas vezes, apenas na idade escolar.

 Cenas desta índole enchem a densa obra literária do Óscar Ribas e exemplificamos com o seu livro ‘Tudo isto aconteceu’’, onde se pode ler esta passagem:

 “E os meninos, como outros tantos mestiços espalhados pelo sertão, nada compreendiam das conversas que o pai (um colono português), de vez em vez, mantinha em casa com algum patrício em trânsito. Por vezes, riam-se mesmo daquela linguagem esquisita”. Fim de citação.

 Sinceramente, um angolano pode merecer o qualificativo de intelectual, ignorando, na cultura geral, um autor como Óscar Ribas e o fundo essencial dos seus escritos? Ponderamos, no entanto, o imenso trabalho ainda por fazer para cultivar a unidade do híbrido tecido nacional, com muita malta formada no exterior.

 De resto, esta tarefa (a formação no exterior), devia começar pelas nossas chancelarias, ora a distinguir-se mais na tesoura consular do que na integração cultural dos nossos emigrados nas realidades do torrão longínquo. É outra assimetria a inverter, no campo da nossa incipiente diplomacia, cujas insuficiências contribuem para a repetida exclusão de patriotas das eleições que decorrem no país. Digno de realce merece, neste ponto, a iniciativa tocoista de implantar um estabelecimento de ensino do kikongo, kimbundu e português na cidade suíça de Lausanne.

 Xenofobia à parte, o uso da língua nacional não equivale a tribalismo. Até é virtude a cultivar da parte dos quadros nacionais, chamados a emancipar os seus concidadãos da alienação cultural colonial e neocolonial.

 Sem dúvidas, parte da deformação tem a ver com o modo, algo desprezível, como a lei magna da república tratou o tema.

 Virtualmente, este texto fundamental ergueu o português como exclusiva língua nacional, ao reduzir as autóctones à noção de «demais línguas de Angola». (Artigo 19º, ponto2). Seria bom que, na primeira oportunidade, se depure esta aberração.

 A inculturação, preconizada pela Igreja Católica ao mais alto nível, valoriza o uso das línguas autóctones de cada povo, no anúncio da Palavra de Deus e nos actos litúrgicos. Basta destacarmos: «São conhecidas as iniciativas da Igreja em prol da avaliação positiva e salvaguarda das culturas africanas. É muito importante continuar este serviço».Trecho do ponto 38 da Carta Apostólica ‘Africae Munus’, que ressalvou, tão-somente, o imperativo de“discernir os elementos culturais e as tradições que são contrários ao Evangelho”.

 Portanto, não se emparceire o uso da língua nacional, uma mais-valia, com o tribalismo, que é um crime! Voltaremos ao assunto.

 (Uma coprodução de Siona Casimiro e P. Maurício Camuto. Apresentação de Tomás de Melo na rubrica ´Visão Jornalística’ na quinta-feira 11 de Outubro de 2012)

Há duas semanas, ANGOP enterrou um dos seus melhores quadros. O jornalista Diniz Carlos Mayele, 60 anos de idade, metade vivida na nossa agência de notícias, da qual era representante desde uma década na PANA, em Dakar.

Há duas semanas, ANGOP enterrou um dos seus melhores quadros. O jornalista Diniz Carlos Mayele, 60 anos de idade, metade vivida na nossa agência de notícias, da qual era representante desde uma década na PANA, em Dakar. Morreu de uma repentina crise cardiovascular, que a clínica da ENDIAMA, na ilha de Luanda, não conseguiu superar.

Mayele não foi uma vedeta da mídia, mas não menos meritório da profissão, servida na discrição do colectivo, aliás, do pessoal da agência. Longe dos holofotes e seus prémios (até quando?), esta classe de jornalistas, no entanto, desempenha um papel estratégico de fonte da matéria-prima para a parte visível do icebergue. Jornais, rádios, TV e estrelas de cartaz socorrem-se da sua fresca produção atempada, para delinear a sua agenda e planos operacionais. Na agência, via de regra, se concentra, apurados na escrita célere, uma boa quantia de jornalistas, na definição genérica do caçador de notícias e apressado redactor ao serviço do público.

Mayele tipificava este género, ao qual acedeu assim que transitou do posto de traductor para a Redacção exterior da ANGOP. Pulou até a chefe de Redacção Exterior, subdividida, nos tempos do coprodutor da presente crónica, em serviços português, francês, inglês e espanhol. Na altura, integrou um trio de ouro que apoiava o Director de Informação (DI), cargo do autor desta homenagem póstuma. Com este trio, o DI se reunia em abertura de cada dia útil e lhe submetia até o seu próprio artigo, intitulado “Os ‘Scoops’ da Semana”. E o então DI faz questão de testemunhar ter recebido de Mayele, amiúde, o melhor subsídio de fundo do ponto de vista profissional.

No seu funeral, partilhámos a dor da família em Sant’Ana e na casa do óbito, acolhido pelo seu tutor genealógico, o árbitro Mavunza, no bairro Palanca. A família enlutada confessou-nos sentimentos sofridos e de consolo. Consolo, perante a gratidão da ANGOP, expressa no imenso apoio prestado durante esta provação. Sofrido, pois além da perda do ente querido, teve que enterrá-lo sem a primeira órfã, embora a caminho. Proveniente de Dakar, onde vivia com o pai, a filha parou em Ponta Negra porque o nosso consulado atrasou em conceder-lhe o visto de entrada em Angola. Viajava com um passaporte da RDC, onde nascera, sem ter tido ainda o ensejo de se naturalizar.

Segundo o pessoal da ANGOP, não era possível tratar para a menina, o visto cá, no aeroporto 4 de Fevereiro. Será verdade? Seja como for, esta triste cena leva à bicuda questão da gestão da nossa emigração, nesta era de certa maturidade do país. É grande o sentimento de marginalização que sempre captamos ao falar com cidadãos da comunidade angolana no exterior, ignorada inclusive pelas três eleições já realizadas na Angola independente. Tal sentimento é maior, de modo particular, naquela localizada na actual RDC, outrora Zaire. Qual capim após duelo de elefantes, essa comunidade suporta, hoje em dia, os rescaldos descabidos de medidas trocadas entre os seus governantes. A saber, as expulsões desumanas de um lado e de outro, seguidas da suspensão dos voos directos entre Luanda e Kinshasa, desde quase três anos. Sim, três anos de perca de dinheiro tão útil aos cofres dos Estados de dois países do mundo pobre! Um mundo, infelizmente, também podre de assimetrias e marginalizações.

Não é tempo de superar tais chagas, prestando melhor atenção ao recente clamor do nosso Arcebispo do Saurimo? Citámos: “Queremos um Governo que minimize todas as assimetrias, todas as marginalizações, que as nossas comunidades estão a viver”. Fim de citação da expectativa sustentada frontalmente por Dom Manuel Imbamba, em relação ao novo executivo saído do sufrágio popular. (Uma coprodução de Siona Casimiro e P. Maurício Camuto. Apresentação de Tomas de Melo, no programa ‘Visão Jornalística’ nda Rádio Ecclesia, na quinta-feira 1º de Novembro de 2012)

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