Aspecto actual da missão

Aspecto actual da missão

Governo e Arquidiocese do Lubango reabilitam Missão Católica do Jau, no município da Chibia, província da Huíla.

A primeira fase das obras já decorre. O Vigário geral da Arquidiocese do Lubango, padre Domingos Maurício, espera que o empreiteiro cumpra o prazo estabelecido para a conclusão da empreitada.

As obras estão orçadas em mais de 83 milhões de Kuanzas e têm duração estimada de 100 dias.

A Missão do Jau destaca‐se na região Chibia/Gambos. Fundada em 1889, é uma referência na formação das populações locais.

A participação do Governo na sua reabilitação foi recentemente anunciada pelo governador provincial da Huíla, João Marcelino Tyipinge, que considerou urgente a modernização da infraestrutura afecta à Igreja Católica.

CAPÍTULO II (Princípios de actuação)

Art. 4º Em toda a sua programação, a Rádio Ecclesia terá presente a sua especificidade de Emissora Católica. Como tal, em nenhum caso se admite a veiculação de mensagens que ponham em causa a dignidade da pessoa humana, o valor sagrado da vida, o respeito pela liberdade fundamentais dos cidadãos, a dimensão espiritual da pessoa humana.

Art. 5º

Os serviços informativos devem restringir-se á narração precisa e desapaixonada dos factos. Em toda a informação veiculada, ter-se-á presente a necessidade de criar um espírito de tolerância e reconciliação entre os angolanos. As notícias devem ser escolhidas com critério e bom senso, evitando-se os detalhes mórbidos, sensacionalistas ou alarmantes que não sejam essenciais à sua descrição. Os comentários e análises a factos devem ter uma apresentação distinta das respectivas notícias.

Art. 6º

Os programas que relatem, comentem ou analisem aspectos da vida pública ou privada, devem fazê-lo de modo a induzir os ouvintes a um sadio e responsável sentido crítico, pautado por uma consciência moral formada pelos princípios cristãos.

Art. 7º

Na apresentação de notícias ou comentários relacionados com a criminalidade e a ilegalidade, deve ter-se o cuidado de apresentar dados devidamente confirmados, e facilitar aos ouvintes a compreensão dos factos, a análise do papel dos intervenientes e as responsabilidades imputáveis.

Art. 8º

Os relatos e comentários de acontecimentos desportivos devem revestir-se da maior isenção e imparcialidade, tendo em conta que em competições desportivas, igual consideração merecem vencedores e vencidos.

Art. 9º

A Emissora Católica é apartidária. Como tal, as notícias que refiram as actividades político-partidárias terão como critério de emissão a sua relevância para a vida do povo angolano, seja a nível regional ou internacional. Em nenhum caso a Rádio Ecclesia aceitará patrocínio de organizações político – partidárias, ou aceitará programas que provenham de produtoras pertença ou conotadas com essas organizações.

Art. 10º

Os programas que se ocupem especialmente de questões religiosas, políticas, morais ou sociais serão elaboradas exclusivamente pelos serviços da Rádio Ecclesia, ou por ela, supervisionados.

Art. 11º

A produção e locução de programas emitidos em – directo, serão confiados a pessoa da exclusiva escolha da Rádio Ecclesia.

Art. 12º

A Rádio Ecclesia preocupar-se-á em promover e incentivar a cultura angolana. No caso musical, garantirá que no total da emissão a Musica Angola ocupe um espaço significativo, de modo a divulgar, apoiar e incentivar a produção dos artistas nacionais.

Art.13º

Não será permitida a difusão, pela Rádio Ecclesia, de mensagens que contradigam a moral cristã, seja sob a formação musical ou outras.

Tensão na Guiné-Bissau

 

As forças armadas da Guiné-Bissau frustraram na segunda-feira a tentativa de golpe de estado lançada por um grupo de soldados, apontou o exército da nação da África Ocidental.

Os amotinados tentaram a derrocada do governo do presidente Malam Bacai Sanha, mas fracassaram, apontou o exército, acrescentando que já tem o total controle da situação.

Na manhã da segunda-feira, as tropas do chefe do Exército, António Injai, enfrentaram as tropas leais ao chefe da Marinha, José Americo Bubo Na Tchuto.

Bubo foi detido logo depois dos seus próprios homens terem conseguido manter sob captura o chefe do Exército às 5h, horário local. Injai foi liberado pelos soldados que agiram em seu resgate desde Mansoa, 50 quilômetros ao norte da capital do país, Bissau.

O confronto ocorreu quando o presidente de 64 anos está hospitalizado na França. O presidente viajou ao país vizinho Senegal, no final do mês passado para receber tratamento médico, o que causou instabilidade na ex-colônia portuguesa.

Sanha foi eleito em 2009 depois do assassinato do ex-presidente, Nino Vieira e do ex-chefe do Exército, Batista Tagm na Wai em Março do mesmo ano.

O país de 1,7 milhão de habitantes testemunhou uma série de golpes no país desde sua independência de Portugal em setembro de 1973.

O primeiro ministro é referenciado como estando na condição de refugiado na Embaixada de Angola.

A violência acontece numa altura em que ocorrem no país reformas no sector das forças armadas guineenses, dirigidas por especialistas militares angolanos.

Uma parte da classe política guineense e da região opõem-se à presença de Angola no país.

Jornal “Relâmpago” visita “O Apostolado”

 

Uma equipa de três jornalistas do jornal “Relâmpago”, visitou, esta quarta feira, 28/3, o colectivo da redacção do jornal “O Apostolado”, com a finalidade de conhecer a história do mesmo e ganhar experiência de trabalho jornalístico.

A comitiva, chefiada pelo coordenador do “Relâmpago”, Delmiro Rodrigues “Imbi”, foi recebida pelo Editor-Chefe do “O Apostolado”, Siona Casimiro, de quem recebeu informações detalhadas sobre as estruturas e organização dos jornais impresso e online, adstritos ao mesmo projecto, desde da criação do mesmo pela então diocese de Angola e Congo, em 26 de Outubro de 1935 até aos nossos dias.

Em entrevista ao nosso mensário, o grupo gostou do que viu e afirma ter aprendido em pouco tempo com a sua presença entre nós. Neste contexto,     Delmiro Rodrigues acrescentou: “vamos levar a vossa experiência aos demais colegas para refrescá-los com os vossos conhecimentos e experiência, o que nos tornará mais fortes na edição do nosso jornal”.

Todavia, os colegas do “Relâmpago” interessaram-se sobremaneira com o desenho gráfico do  “O Apostolado” impresso, cujos programas que concorrem desde a sua concepção, configuração até chegar à gráfica, impressionou-os.

O jornal “Relâmpago”, criado em 2010, é um projecto dirigido à comunidade académica juvenil do  Instituto Médio Normal de Educação – Maristas “Cristo Rei”, da Congregação dos Irmãos Maristas de Angola.

Cabinda Oyé – Congresso Apostólico

A diocese mais nortenha do país acaba de realizar o seu 1º Congresso Eucarístico. Os trabalhos decorreram de 16 a 24 de Junho em curso, animados por participantes locais e convidados de outras dioceses nacionais.

Respeitando uma tradição, os promotores convidaram as vizinhas dioceses de Boma (RDC) e de Ponta Negra (República do Congo).

Na missa campal de encerramento do evento, realizada no frontispício da Sé Catedral, todo engalanado, a assistência vibrou, entoando, o jovial compasso “Cabinda oyé…”.

O refrão resumia metaforicamente o cenário, onde se entrelaçaram, o gospel ritmado a batuque, moderna tecnologia e o júbilo contagiante.

No fundo, completava o quadro e a introspeção de cada fiél face a Cristo, que o culto ocasionou.

A homilia, pronunciada pelo Núncio Apostólico, Dom Novatus Rogâmbua, balanceou, em breves palavras, o Congresso. Ou, seja, «dias de profunda meditação da Palavra de Deus, de oração intensa, com orar silencioso, de contemplação sincera e adoração do mistério de Deus, de reflexão e estudos de experiência diversificadas, de comunhão na fé e de solidariedade humana, e também de trabalho árduo (…) de renovação cristã e de crescimento nas virtudes de Deus».

Na sequência, o embaixador do Santo Padre ministrou uma copiosa aula teológica, aprofundando o lema “Eucaristia, dom de Deus para a vida da humanidade”. Fixamos, da preleção, esta luz: «Eucaristia é vida, é a vida dos baptizados, é a vida daqueles que acreditam em Cristo e, d’Ele e com Ele, fazem um só corpo. É a vida daqueles que encontram o Salvador, Jesus Cristo».

O Núncio foi o celebrante principal desta eucaristia de acção de graça, embelezada, também pelo Coro diocesano, predominantemente feminino. Teve como concelebrantes os prelados de Benguela, de Cabinda, do Kuito, de Mbanza-Congo, de Malanje, do Menongue e o de Saurimo.

De acordo com o Bispo anfitrião, Dom Filomeno do Nascimento Vieira Dias, as conclusões convencionais dos trabalhos virão a público dentro de dias.

Outra voz sacerdotal, perita observadora dos congressos eucarísticos, alertou-nos sobre o fim habitual deste tipo de jornada, isto é, a sensibilização que proporciona.

A sensibilização do colectivo cristão sobre os seus prementes desafios.

Sem rodeio, estes persistem em manter-se na ordem da unidade e da paz no seio da família católica deste ramo particular da frondosa árvore angolana. «Iluminai mais ainda a minha mente, inflamai o meu coração do vosso amor e fortalecei-me no testemunho e no serviço da vossa Igreja», suplicou, acertadamente, um trecho da oração dedicada ao congresso.

Pelas observações feitas na cerimónia de encerramento, a vivacidade e a intensidade da fé continuam marcantes naquela diocese. Na citada missa, um recheado e infindável ofertório realçou esta impressão.

O toque reforçou-se no festival musical organizado no pavilhão gimno-desportivo, onde se destacou o grupo ‘Coro das 2 mil vozes”.

A juventude, futuro da Nação, dominou a entusiasta plateia.

«Pelo canto vibrante, a elegância das senhoras envoltas em panos de cintilantes matizes tropicais, a mística do calor africano da gente… tudo parecia que estávamos noutra terra». Admiração registada, no voo de regresso para Luanda, de uma religiosa angolana. Ela e pares, que secundaram instantaneamente a mesma impressão, fizeram pela primeira vez a viagem àquela região do país, onde conflituam, ainda, o anseio do sossego e a irracionalidade isolacionista.

 

 

Por sorte, a inculturação litúrgica, outra forte feição de Cabinda, influi em suavizar os espíritos no amor infinito, irradiado pelo exemplo de Cristo.

 

(Uma coprodução de Siona Casimiro e P. Maurício Camuto. Apresentação de Tomás de Melo no programa ‘Visão Jornalística’ da Rádio Ecclesia, na quinta-feira 28 de Junho de 2012)

Portugal acusado de apoiar  Golpe na Guiné-Bissau

Portugal Acusado de apoiar golpe ba Guiné-Bissau

As autoridades de transição da Guiné Bissau acusam Portugal e a CPLP de apoiarem a tentativa de golpe de Estado este domingo, 21/10. O ataque ao quartel de elite de Bissau resultou na morte de sete pessoas e dois assaltantes detidos. “O governo considera Portugal, a CPLP e Carlos Gomes Júnior como os promotores desta tentativa de desestabilização, cujo objectivo e estratégia” era “derrubar o governo”, segundo o comunicado lido pelo ministro da Comunicação, Fernando Vaz, citado pela AFP.

O texto acrescenta que o objectivo era “questionar todo o processo político actual com apenas um objectivo: promover a volta de Carlos Gomes Júnior ao poder e justificar a presença de uma força internacional” de estabilização no país.

Pelo menos sete pessoas, entre elas seis agressores, foram mortas na manhã deste domingo, segundo o balanço da AFP, no ataque ao quartel de uma unidade de elite do exército em Bissau.

O ataque foi liderado pelo capitão Pansau N’Tchama, líder do comando que assassinou em 2009 o Presidente João Bernardo Vieira. AFP

Xenofobia à parte, o uso da língua nacional não equivale a tribalismo. Até é virtude a cultivar da parte dos quadros nacionais, chamados a emancipar os seus concidadãos da alienação cultural colonial e neocolonial.

Um analista desqualificou um político do país por falar umbundo num comício, arremessando-lhe o anátema de “tribalista”. Deu-se durante a recente campanha eleitoral na nossa TPA, onde o analista integrou um painel que se tornou famoso na altura.

 Nenhum outro membro do grupo, vejam só, reagiu com um mínimo de contraditório. O grupo esteve formatado, claro, para outras prioridades, marimbando-se da idiossincrasia da gente. É de promover isto, sem, necessariamente, partilhar o discurso do político estigmatizado? A passividade perante tal deslize não agravaria o drama da nossa juventude, já de si vítima dos vícios da globalização e recorrente mentalidade de calcinhas?

 O umbundo, como é consabido, é a genuína língua nacional de maior expressão, pela proporção dos autóctones que a têm como língua materna. No Centro e Sul de Angola, região predominante de tais populações, inclusive não autóctones mas naturalizados nela, passaram a ter o mesmo idioma como veicular a partir do berço. O traço é tão forte que até, antropologicamente, chega a fazer-se distinção entre o angolano branco do Norte e do Sul. Este último, falando muitas vez só o umbundo, exprime-se mal em português, aprendido não poucas vezes, apenas na idade escolar.

 Cenas desta índole enchem a densa obra literária do Óscar Ribas e exemplificamos com o seu livro ‘Tudo isto aconteceu’’, onde se pode ler esta passagem:

 “E os meninos, como outros tantos mestiços espalhados pelo sertão, nada compreendiam das conversas que o pai (um colono português), de vez em vez, mantinha em casa com algum patrício em trânsito. Por vezes, riam-se mesmo daquela linguagem esquisita”. Fim de citação.

 Sinceramente, um angolano pode merecer o qualificativo de intelectual, ignorando, na cultura geral, um autor como Óscar Ribas e o fundo essencial dos seus escritos? Ponderamos, no entanto, o imenso trabalho ainda por fazer para cultivar a unidade do híbrido tecido nacional, com muita malta formada no exterior.

 De resto, esta tarefa (a formação no exterior), devia começar pelas nossas chancelarias, ora a distinguir-se mais na tesoura consular do que na integração cultural dos nossos emigrados nas realidades do torrão longínquo. É outra assimetria a inverter, no campo da nossa incipiente diplomacia, cujas insuficiências contribuem para a repetida exclusão de patriotas das eleições que decorrem no país. Digno de realce merece, neste ponto, a iniciativa tocoista de implantar um estabelecimento de ensino do kikongo, kimbundu e português na cidade suíça de Lausanne.

 Xenofobia à parte, o uso da língua nacional não equivale a tribalismo. Até é virtude a cultivar da parte dos quadros nacionais, chamados a emancipar os seus concidadãos da alienação cultural colonial e neocolonial.

 Sem dúvidas, parte da deformação tem a ver com o modo, algo desprezível, como a lei magna da república tratou o tema.

 Virtualmente, este texto fundamental ergueu o português como exclusiva língua nacional, ao reduzir as autóctones à noção de «demais línguas de Angola». (Artigo 19º, ponto2). Seria bom que, na primeira oportunidade, se depure esta aberração.

 A inculturação, preconizada pela Igreja Católica ao mais alto nível, valoriza o uso das línguas autóctones de cada povo, no anúncio da Palavra de Deus e nos actos litúrgicos. Basta destacarmos: «São conhecidas as iniciativas da Igreja em prol da avaliação positiva e salvaguarda das culturas africanas. É muito importante continuar este serviço».Trecho do ponto 38 da Carta Apostólica ‘Africae Munus’, que ressalvou, tão-somente, o imperativo de“discernir os elementos culturais e as tradições que são contrários ao Evangelho”.

 Portanto, não se emparceire o uso da língua nacional, uma mais-valia, com o tribalismo, que é um crime! Voltaremos ao assunto.

 (Uma coprodução de Siona Casimiro e P. Maurício Camuto. Apresentação de Tomás de Melo na rubrica ´Visão Jornalística’ na quinta-feira 11 de Outubro de 2012)

Há duas semanas, ANGOP enterrou um dos seus melhores quadros. O jornalista Diniz Carlos Mayele, 60 anos de idade, metade vivida na nossa agência de notícias, da qual era representante desde uma década na PANA, em Dakar.

Há duas semanas, ANGOP enterrou um dos seus melhores quadros. O jornalista Diniz Carlos Mayele, 60 anos de idade, metade vivida na nossa agência de notícias, da qual era representante desde uma década na PANA, em Dakar. Morreu de uma repentina crise cardiovascular, que a clínica da ENDIAMA, na ilha de Luanda, não conseguiu superar.

Mayele não foi uma vedeta da mídia, mas não menos meritório da profissão, servida na discrição do colectivo, aliás, do pessoal da agência. Longe dos holofotes e seus prémios (até quando?), esta classe de jornalistas, no entanto, desempenha um papel estratégico de fonte da matéria-prima para a parte visível do icebergue. Jornais, rádios, TV e estrelas de cartaz socorrem-se da sua fresca produção atempada, para delinear a sua agenda e planos operacionais. Na agência, via de regra, se concentra, apurados na escrita célere, uma boa quantia de jornalistas, na definição genérica do caçador de notícias e apressado redactor ao serviço do público.

Mayele tipificava este género, ao qual acedeu assim que transitou do posto de traductor para a Redacção exterior da ANGOP. Pulou até a chefe de Redacção Exterior, subdividida, nos tempos do coprodutor da presente crónica, em serviços português, francês, inglês e espanhol. Na altura, integrou um trio de ouro que apoiava o Director de Informação (DI), cargo do autor desta homenagem póstuma. Com este trio, o DI se reunia em abertura de cada dia útil e lhe submetia até o seu próprio artigo, intitulado “Os ‘Scoops’ da Semana”. E o então DI faz questão de testemunhar ter recebido de Mayele, amiúde, o melhor subsídio de fundo do ponto de vista profissional.

No seu funeral, partilhámos a dor da família em Sant’Ana e na casa do óbito, acolhido pelo seu tutor genealógico, o árbitro Mavunza, no bairro Palanca. A família enlutada confessou-nos sentimentos sofridos e de consolo. Consolo, perante a gratidão da ANGOP, expressa no imenso apoio prestado durante esta provação. Sofrido, pois além da perda do ente querido, teve que enterrá-lo sem a primeira órfã, embora a caminho. Proveniente de Dakar, onde vivia com o pai, a filha parou em Ponta Negra porque o nosso consulado atrasou em conceder-lhe o visto de entrada em Angola. Viajava com um passaporte da RDC, onde nascera, sem ter tido ainda o ensejo de se naturalizar.

Segundo o pessoal da ANGOP, não era possível tratar para a menina, o visto cá, no aeroporto 4 de Fevereiro. Será verdade? Seja como for, esta triste cena leva à bicuda questão da gestão da nossa emigração, nesta era de certa maturidade do país. É grande o sentimento de marginalização que sempre captamos ao falar com cidadãos da comunidade angolana no exterior, ignorada inclusive pelas três eleições já realizadas na Angola independente. Tal sentimento é maior, de modo particular, naquela localizada na actual RDC, outrora Zaire. Qual capim após duelo de elefantes, essa comunidade suporta, hoje em dia, os rescaldos descabidos de medidas trocadas entre os seus governantes. A saber, as expulsões desumanas de um lado e de outro, seguidas da suspensão dos voos directos entre Luanda e Kinshasa, desde quase três anos. Sim, três anos de perca de dinheiro tão útil aos cofres dos Estados de dois países do mundo pobre! Um mundo, infelizmente, também podre de assimetrias e marginalizações.

Não é tempo de superar tais chagas, prestando melhor atenção ao recente clamor do nosso Arcebispo do Saurimo? Citámos: “Queremos um Governo que minimize todas as assimetrias, todas as marginalizações, que as nossas comunidades estão a viver”. Fim de citação da expectativa sustentada frontalmente por Dom Manuel Imbamba, em relação ao novo executivo saído do sufrágio popular. (Uma coprodução de Siona Casimiro e P. Maurício Camuto. Apresentação de Tomas de Melo, no programa ‘Visão Jornalística’ nda Rádio Ecclesia, na quinta-feira 1º de Novembro de 2012)

Cenas algo caricatas da actualidade colocam na ribalta comportamentos indignos que se tornaram normais em Angola.

Isto mesmo mereceu a censura e denúncia do mais alto mandatário da Nação. Pois transpareceram nitidamente entre as causas da larga desocupação da Centralidade do Kilamba.

«O Presidente da República lamentou que a cidade do Kilamba esteja com uma taxa de ocupação “demasiado baixa”, quase um ano depois de estarem prontos a habitar cerca de 20 mil apartamentos», escreveu o ‘Jornal de Angola na sua edição de sábado 10/11/2012 sobre o assunto. Estranhamente, a reportagem não citou ipso verbis as agastadas declarações do presidente José Eduardo dos Santos. Quiçá, devido ao contra-ataque de alguma corrente, favorável a não se mexer nos custos extravagantes do capitalismo selvagem!

Segundo o PCA da SONANGOL, empresa pública e autora do investimento: «foram concluídas 20.002 unidades habitacionais, 246 unidades comerciais, oito escolas e 24 jardins-de-infância. Do total de unidades habitacionais, foram vendidas 4.111, sendo 96 a crédito, 465 à vista e 3.550 pelo modelo de renda resolúvel». Fim de citação.

De muitos interessados, soubemos do enredo complicado de procedimentos que, a nosso ver estão na origem real do despovoamento do Kilamba.

Deles, soubemos, por exemplo, que a administração da área estava empenhada na tarefa de aprontar 3 mil contratos de clientes de renda resolúvel, com um excesso de burocracia.

A tara burocrática, que caracteriza a função pública, no país, sobressai, também numa peripécia ainda escaldante – o novo caso William Tonet. A bronca rebentou ao acaso, na sessão de 5/11/2012, do julgamento do ex-comandante provincial da Polícia de Luanda.

O fundo da questão é a idoneidade do título académico ostentado por Tonet, um título por enquanto sem reconhecimento da instituição de tutela, embora requerido há anos.

Os seus acusadores insinuam logo uma falsificação de diploma, negada redondamente.

O curioso é que nenhum lado se dignou até aqui transferir o caso para o foro judicial, para sentenciar. Sentenciar seja contra a falsificação, seja contra a difamação, deixando a equidistante consciência da opinião pública em paz. Em suma, o mal radica na mesma matriz: a burocracia. E, no caso concreto, na homologação dos diplomas obtidos no estrangeiro.

Em princípio, deveria ser uma rotineira operação célere, na era da Internet, onde grande parte das universidades possui websites e base de dados sobre os seus finalistas. Ora, isso não acontece na nossa terra. No início, eram os nossos quadros retornados da vizinha RDC as frequentes vítimas do sistema.

Hoje, a infecção ampliou-se a quase todo o planeta. Custa tanto instaurar um deadline à entidade de homologação, para responder a cada demanda?

Os nossos corações continuam a dilacerar-se, cada dia, ao ver como a burocracia alveja os pobres pensionistas, nas agências do Banco de Poupança e Crédito. Em demoradas bichas, esperam o momento de receber as suas migalhas, quando se impunha um procedimento mais célere e humano para a terceira idade.

Sim, deve haver controlo e boa gestão. Mas, serão tais valores realizáveis fora da pessoa humana, o seu justificativo? Sem advogar um Estado teocrático, pensamos que os autores de tais vícios poderiam evitá-los, valorizando o homem, enquanto criatura divina por excelência. Sem chegar à mesquinhez daquele polícia de trânsito, que, anedoticamente, pede o cartão de baptismo ao motorista. Exigia tal cartão, somente em busca de alguns tostões, numa típica actuação longe do serviço público ao cidadão, mas içada à norma no império da burocracia.

(Uma coprodução de Siona Casimiro e P. Maurício Camuto. Apresentação de Tomás de Melo no programa ´Visão Jornalística’ da Rádio Ecclesia, na quinta-feira 15 de Novembro de 2012)

igreja missão do Pinda1Sintomaticamente, a questão da Concordata volta à carga.

A noção é um tanto erudita como a colateral laicidade do Estado. Daí a necessidade de uma prévia e simplificada explicação.

A laicidade do Estado significa a neutralidade do poder público perante as crenças religiosas ou de fé. Desde a independência até hoje, e, em muita boa-gente, a terminologia sofreu bastante deformação.

Confundiu-se e acomodou adulterações tais como o ateísmo, a nacionalização das escolas cristãs, o confisco dos bens da Igreja, a aversão ao clero e pessoal religioso e demais vícios do paganismo estéril. Com a maturidade que o país vai adquirindo, obviamente, essas confusões têm diminuído, mesmo em ritmo controverso.

Assim, por exemplo, a Assembleia Diocesana de Menongue exigiu abertamente, em Setembro passado, a restauração da religião no ensino. Uma voz evangelista advogou semelhante ideia para a Bíblia, durante o debate realizado na Rádio Ecclesia, o mês passado. A sua tese valorizou o livro sagrado, do ponto de vista científico, para os nossos jovens. A história das religiões num país altamente desenvolvido como a França, salientou outro interlocutor do mesmo debate, faz parte da cultura geral.

De facto, a realidade mundial ilustra a larga compatibilidade da laicidade com símbolos, ritos e motivos culturais de índole religiosa. Basta evocar: a investidura do chefe de Estado com as mãos pousadas sobre a Bíblia nos USA; a avançada liberdade de culto no Reino Unido, onde a Coroa implica a chefia da Igreja Anglicana; o preâmbulo da Constituição do Brasil proclama que é divulgada “sob a protecção de Deus”; a compensação financeira que o Estado francês concede ao jornal católico ‘La Croix’ por renúncia às receitas da publicidade indecorosa, etc. etc…

Sobre a Concordata, foi oportuna a explicação simples dada pelo veterano Bispo emérito do Uije, Dom Francisco da Mata Mourisca, na Rádio Ecclesia, na semana passada. Concordata, explicou o Prelado, “é um assumir de compromissos de parte à parte, sem interferir na questão política. A Igreja mantém-se Igreja e o Estado mantém-se Estado”. E exemplificando com o aperfeiçoamento da colaboração entre o poder temporal e o espiritual no país, advogou: “Já numa realidade de uma Angola independente, seria conveniente e útil que o Estado angolano e a Igreja Católica tivessem uma Concordata, porque poderia normalizar relações que, na prática, já existem”.

Apostamos no eco positivo destas palavras junto de quem de direito, no país, onde a sapiência parece prevalecer cada vez mais.

É nesta mesma óptica da maturação da própria Igreja, que acolhemos, no domingo passado, a investidura da direcção do Apostolado dos Leigos.

A nova instituição terá que provar a sua missão à medida dos complexos desafios materiais e espirituais do país. Que o faça serenamente a exemplo da primogénita Associação Cristã de Gestores e Dirigentes (ACGD), que tem promovido e acentuado a sua actuação dentro dos padrões éticos. Por graça divina, aliás, a tomada de posse marcou também a abertura geral em Angola do Ano da Fé, presidida pelo Núncio Apostólico, na Paróquia de Nossa Senhora de Fátima.

A presente crónica é também a despedida dos subscritores, por indisponibilidade que se prende com outros compromissos. Despedimo-nos confiantes na graça divina para uma rápida alternativa ao vazio transitório que venha a sentir o público amante deste espaço. Deus vos abençoe a todos.

(Uma coprodução de Siona Casimiro e P. Maurício Camuto. Apresentação de Margaret Nanga no programa ‘Visão Jornalística’ da Rádio Ecclesia, na quinta-feira 22 de Novembro de 2012, sob o título “Concordata e Despedida”)

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