Bênção Pascal

            VISÃO JORNALÍSTICA

O frenesim da campanha pré-eleitoral do cabeça-de-lista do MPLA prossegue de vento-em-popa. O partido maioritário lidera a acção ecoada pela mídia pública, a via de maior difusão. Por enquanto, a réplica opositora, tímida em volume, tem-se confinado nas redes sociais e canais privados de audiência reduzida. Entre as duas vias, porém, tem sido nítida a velada disputa: a ostentação de recursos, por um lado; e episódios de presumida origem duvidosa de tal riqueza, por outro. Vai-se, a este ritmo, para favas contadas e de proporções inigualadas do MPLA? Parece prematura qualquer dedução categórica porquanto, a rigor, a procissão vai ainda no adro, de um pleito, nem sequer convocado.

A data exacta da convocação necessita de cabal iluminação prévia nas tarefas incumbidas à Comissão Nacional Eleitoral (CNE). Daí, a acentuada deslocação da vigilância do Ministério da Administração do Território (MAT) para a CNE. É o relatório final desta última instituição que permitirá ao Presidente da República convocar o sufrágio no prazo de 90 dias antes do fim do seu mandato. E somente, à cadência deste percurso, irão soltar-se os avisados actores, a plenitude das respetivas armas e o ritmo do seu disparo. Na hora presente, de paz pascal, a objectividade manda constatar a fluidez do xadrez favorável ao partido da situação.

A sensação de paz pascal repercutiu-se também no plano social, volvido o rebuliço da primeira greve dos professores. A acalmia reforçou-se com o anúncio, no Sábado Santo, do adiamento da greve dos agentes da Procuradoria-Geral da República. Teria início na segunda-feira passada. O Procurador-Geral da República (PGR) conseguiu a delonga condicional de dez dias, por flexibilidade mútua. Flexibilidade, quer dizer, longe das iniciais posições radicais, ouvidas de parte a parte. A entidade patronal abandonou aquela exibida anteriormente por um alegado porta-voz, o qual havia considerado o aviso de greve como ilegítimo. Pois, acrescentava o mesmo porta-voz, era ilegal o sindicato, que ele acusava de ser o causador da tensa situação. O Sindicato Nacional dos Técnicos de Justiça e Administrativos da PGR refutou este parecer. Elucidou a sua condição jurídica, lembrando a sua existência de facto e de jure, tácito desde 2012. Quanto à greve, explicitou o Sindicato, a decisão foi deliberada em Assembleia, que rechaçou inclusive a moratória de 30 dias antes pedida pelo PGR. Na assembleia, os participantes mostraram-se agastados com as negociações de um caderno reivindicativo a arrastar-se desde 2014. Com o aproximar da data fatídica, felizmente, o espírito conciliador amenizou a tensão; o prazo da moratória baixou para 10 dias e os sindicalistas adiaram a paralisação. O que acontecerá no dia 27? ‘Veritatem dies aperit’ ou, “o tempo revela a verdade”, dizia o filósofo Séneca da Antiguidade Romana. Logo, dentro de dias se saberá.

Nos dias que se aproximam, espera-se ainda um desanuviamento substancial na fronteira da província da Lunda-Norte com a RDC. A região acusou a primeira enchente de refugiados por causa da guerra civil a despontar na sua pátria de origem. A sua assistência humanitária adicionou-se aos desafios da segurança de um recanto diamantífero e alvo permanente de uma imigração selvagem.

Saiba Angola dignificar-se, amparando aqueles irmãos indigentes, no espírito da Mensagem pontifical “Urbi et Orbi’ de domingo passado! Citamos:

(…) O Pastor ressuscitou faz-Se companheiro de viagem das pessoas que são forçadas a deixar a sua terra por causa de conflitos armados, ataques terroristas, carestias, regimes opressores. A estes migrantes forçados, Ele faz encontrar, sob cada ângulo do céu, irmãos que compartilham o pão e a esperança no caminho comum”.

(Uma coprodução de Siona Casimiro e P. Maurício Camuto. Apresentação de Tomás de Melo)

Luanda, quinta-feira 20 de Abril de 2017

O Apostolado Nas Redes Sociais

Twitter O ApostoladoFacebook Jornal O Apostolado

Apostolado Divisoria


Apostolado Divisoria


Apostolado Divisoria


Apostolado Divisoria