O que faz, concretamente, um Bispo Emérito?

AE – Com o doutoramento feito nesta área, a nomeação para a Diocese de Lichinga (Moçambique) foi algo natural. Ainda se recorda da conversa com o núncio?

EDN – Sim. Chamou-me e disse-me: “O Papa quer que vá para bispo de Lichinga”. Nunca tinha ouvido falar naquele nome. Disse-lhe que «devia ser alguém de lá que conhecesse a realidade». Perante a minha relutância, disse-me que teria a mesma reação que eu, mas devia aceitar. E acrescentou: «O senhor estava marcado para ser bispo em Portugal, mas de Roma disseram que tinha de ir para Moçambique»

 AE – E sabe a diocese para onde estava marcado em Portugal?

EDN – Não me chegou a dizer, mas creio que era para auxiliar de Lisboa. No entanto, não tenho a certeza.

 AE – Eram dioceses que começavam com a mesma letra do alfabeto (L) mas com realidades distintas?

EDN – A Diocese de Lichinga estava criada há um ano, mas não se tinha encontrado bispo para lá. Por outro lado, disse-me o núncio: “Insistem que vá um bispo que saiba Direito porque nenhum dos bispos que está em Moçambique sabe Direito”. Acabei por ir… Sem grande vontade, mas fui.

 AE – Não ficou em Portugal por alguma razão? Suponho que, na altura, estava a realizar um bom trabalho no Centro Académico de Democracia Cristã (CADC), em Coimbra?

EDN – Acho que em Portugal ninguém se opôs. Foi mais de Moçambique a puxarem para ir para lá. O núncio disse-me: “Compreendo a sua relutância, mas vá e faça o melhor que puder durante dois anos. Se ao fim de dois anos não se adaptou, comunique-me que nós chamamo-lo para cá”. Ao fim de dois anos perguntou-me e disse-lhe: “Vim contrariado, mas vejo que estou a ser útil aqui”.

 AE – Caiu nas «boas graças» e até o nome ‘Eurico’ passou a ser frequente em Moçambique?

EDN – É verdade. Passou a haver muitos ‘Euricos’.

 AE – Olha-se para si e nota-se nostalgia desse tempo?

EDN – (Com os olhos humedecidos). Um bocado…

 AE – Na Conferência Episcopal Portuguesa esteve em várias comissões. São necessários estes grupos na dinâmica pastoral do país?

EDN – São grupos especializados. Estive na Comissão Episcopal das Migrações e Turismo e foi muito interessante porque visitei inúmeros países. Já visitei cerca de sete dezenas de países, mas muitos deles devido ao estar na referida comissão.

 AE – A reorganização das dioceses em Portugal tem merecido alguma reflexão? Sei que defende uma nova divisão territorial…

EDN – Para já, criava uma, ou melhor, restaurava: Castelo Branco. Entendo que Castelo Branco devia ser diocese porque é a única sede de distrito que não é diocese. Depois ligava-se a Coimbra porque Coimbra quer ser arcebispado. Não tenho nada a opor, até porque Coimbra representa uma região diferente do Minho. Com as dioceses à volta (Viseu, Aveiro, Leiria, Guarda e Castelo Branco) fazia-se a metrópole de Coimbra.

Mas tem a oposição de Portalegre porque entende que ficaria muito pobre e com dificuldades económicas. Abrantes, Sardoal e Mação ficariam em Portalegre e iam buscar a Évora três ou quatro vigararias que estão próximas de Portalegre. A arquidiocese de Évora é enorme e estas vigararias não lhe faziam falta.

 AE – O Patriarcado de Lisboa também é extenso?

EDN – Isso é outro caso. Nas capitais da Europa, a diocese é apenas a capital. Os arredores são outras dioceses. Via, no Oeste, outra diocese perfeitamente.

Depois temos também a questão do Porto, cidade importante, mas a diocese não é arcebispado porque depende de Braga. Havia duas hipóteses: Uma era fazer do Porto um arcebispado sem sufragâneas, onde o bispo seria arcebispo, mas não metropolita, ficando dependente, diretamente, da Santa Sé; outra era passar para arcebispado metropolita com a criação de uma diocese em Penafiel e outra para os lados de Gaia ou Santa Maria da Feira. Com as duas dioceses novas e Lamego poderia constituir-se arcebispado metropolita.

Quando extinguiram as dioceses de Pinhel, Miranda e Castelo Branco também queriam fazer o mesmo a Lamego, mas estes revoltaram-se porque era bem organizada e grande. Como «barafustaram», a Santa Sé deixou ficar e bem porque Lamego é uma diocese boa e com muitas vocações.

 AE – Estas alterações que defende implicam a existência mais bispos. Todavia, as comunidades ficariam mais próximas e com outra identidade.

AE – Estas alterações que defende implicam a existência mais bispos. Todavia, as comunidades ficariam mais próximas e com outra identidade.

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