Cambutas Gigantes

                                                                 VISÃO JORNALÍSTICA

Anda a vida salgada desses paradoxos: cambutas de chofre gigantes, vilões nobres, pecadores santificados… A fresca actualidade projectou à ribalta deslumbrantes exemplos. E, por ventura, soprou na Igreja Católica com o adeus ao capuchinho Frei José Benjamim Maiato, em Camabatela, e ao padre Francisco Manuel. Este, decano dos sacerdotes da diocese de Benguela, foi chamado para o Pai a 27 de Abril último, com 89 cacimbos contados. Em ambas as situações, a morte revelou a descomunal dimensão humana daqueles devotos servidores, tão recatados quanto acarinhados dos fiéis e não só.

Em relação ao primeiro, o Arcebispo de Malange garantiu o empenho pessoal em diligenciar pelo processo da sua canonização. “Como pastor desta diocese, pesa a obrigação a apresentar ao mundo que temos santos e porque eles já se manifestaram; estou a falar de dois santos presentemente e concretamente, uma por defender a sua honra, a sua pureza e o frei Maiato, que as pessoas no seu tempo já o chamavam de Santo”, declarou este prelado reputado reservado.

Pelo seu lado, Dom Emílio Sumbelelo, Bispo de Uije com assinalável passado nas Acácias Rubras, testemunhou assim sobre o benquisto ‘Pai Chico’: “Cremos que junto de Deus-Pai, o Padre Francisco será o nosso amigo, o nosso intercessor, sobretudo neste momento difícil e conturbado que vive a diocese (de Benguela) ”.

No registro necrológio, ainda, a Universidade Católica de Angola chorou um dos seus eméritos cabouqueiros: Cónego José Domingos Alves Cachadinha, sucumbido no domingo 14/5 por doença, a 87 primaveras. Monsenhor Cachadinha, como era tratado, foi membro da Comissão Instaladora da UCAN de 1995-1999 e devoto fundador da sua Biblioteca. A UCAN homenageou-o com uma eucaristia especial e a atribuição do seu nome à Biblioteca, de sua santa lavra. O seu amor por Angola e sua gente levou-o, desde muito cedo, a adoptar o planalto central do Huambo como sua terra. Nessa arquidiocese estudou e incardinou-se, sendo ordenado sacerdote afecto a esse território eclesial.

O véu de tristeza incita a atualidade caritativa a olhar de novo para a fronteira da Lunda-Norte com a RDC. A afluência de refugiados prossegue e a Agência da ONU (ACNUR) alertou Angola a preparar-se para acolher 30 mil fugitivos da guerra do outro lado, a breve prazo.

Outro foco humanitário demanda deslocar quejanda atenção para o Sul. Por aqui, o Padre Pio Wacussanga voltou a clamar contra a miséria dos desalojados pelos obscuros projetos de capital privado. A “voz dos pobres no Sul de Angola”, sobrenome deste sacerdote, salientou, ainda, o seguinte: “14 das 18 províncias já foram afetadas pelas alterações climáticas. Huíla, Namibe e Cunene são as mais atingidas (…) De 2017 até 2030, teremos uma segunda grande vaga de estiagens, de acordo com a previsão de satélites. E viemos ver o que podemos preparar para que o povo, até lá, tenha algum stock alimentar“.

O Padre Pio falou a partir da Alemanha, onde fora convidado por tradicionais instituições caritativas.

Amainou a sombra desta conjuntura, a fulgente peregrinação do Santo Padre à Fátima, no jubileu do centenário das aparições. No seu estilo, o Papa Francisco mexeu as mentes e corações do público com este magistério sobre o carisma mariano: “Sempre que olhamos para Maria, voltamos a acreditar na força revolucionária da ternura e do carinho. Esta dinâmica de justiça e de ternura, de contemplação e de caminho ao encontro dos outros é aquilo que faz d’Ela um modelo eclesial. Possamos, com Maria, ser sinal e sacramento da misericórdia de Deus que perdoa sempre, perdoa tudo.”

(Uma coprodução de Siona Casimiro e P. Maurício Camuto. Apresentação de Tomás de Melo)

Luanda, quinta-feira 18 de Maio de 2017)

 

 

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