Catarse Pascalina

A chama da actualidade brilha de espiritualidade ôntica na quadra pascal, via de regra. Sobressaiu, o traço, por cá, na Semana Santa, na homilia da missa inicial do Tríduo Pascoal. O Arcebispo de Luanda e Presidente da CEAST, Dom Filomeno, valorizou o sacerdócio, com tónica na renovadora pastoral de testemunha. Copiosamente, descriminou a árdua vida diária do rebanho a atentar assim, exortando, citamos: ”Mergulhemos nesta vida, partilhemos esta esperança e possamos transmitir aí esta ternura do pão que se mistura com o culto pela vida”.

Em certa medida, a acalmia soprou até no caso de um anunciado processo judicial, que visava os colegas do jornal “Liberdade”, gerado pela entrevista a um ilustre soba. As partes entenderam-se extrajudicialmente, segundo o Sindicato dos Jornalistas, regozijado. Porém, outro surgiu: a ameaça de processar o jornal Expansão, um órgão especializado em matéria económica, sóbrio e cuidadoso. Em causa, está a veiculação de uma informação colhida no ‘Diário da República’, fonte oficial por excelência. A queixosa achou-se difamada e advertiu. Vamos ver, serenos e crentes na dose de catarse pascalina, que a Ressurreição espraia no ambiente.

Neste prisma, interpretamos inclusive o calor do debate contraditório da temática do foro civil. Continua quente em escândalos de suspeita corrupção em instrução, na bicefalia, nas autarquias e na legislação do repatriamento de capitais. Conforta, a tendencial advocacia da virtude cívica e humana, em detrimento dos contravalores.

Privilegiamos esta serenidade mesmo na história do Bispo não católico, que estourou em Cabinda. Permitiu voltar a esclarecer a distinção desta dignidade no seio da Igreja Católica Romana, guiando acertadamente os ordeiros fiéis. A desgosto dos pescadores em águas turvas, pois, claro! Não obstante, a peripécia (ainda que malevolamente), sacudiu a chaga da morosa vaga a preencher naquela diocese e não só. Somam três, já, as dioceses com Bispo por normalizar, contando Caxito e Menongue. O pioneiro de Caxito foi para Benguela e Menongue sob um transitório Administrador Apostólico. Não queira o diabo contagiar a Santa Igreja, “Sal da Terra e Luz do Mundo”, com as convulsões de sucessão que acontecem pela África da vergonha. Vergonha, que outros filhos mais dignos, lavam pelo exemplo. E aconteceu no vizinho Botswana, no Sábado Santo. Nesta vizinhança austral, Ian Khama, honrou a cultura do mandato, passando o ceptro ao seu antigo vice-presidente tranquilamente.

E mesmo, cá, superado o fratricídio não há muito tempo, assiste-se à fenomenal conversão de uma necrologia em festa de reconciliação nacional. Em encontro dos corações na dor (tal como na Cruz seguida da Ressurreição) mais do que daquele do dia formal anual, o 4 de Abril! Está a ocorrer desde domingo passado, com a morte do deputado Almerindo Jaka Jamba, dirigente ímpar da UNITA. Tem sido comovente a unanimidade dos encómios ao vulto patriótico do mesmo na política, cultura e academia. Não podemos não juntar a nossa vénia, inclusive pela frequente partilha mútua “of record” de ideias sobre a casa comum e idiossincrasia.

Flui, assim, serpenteando, o curso da vida, em meio a curvas e contracurvas. Consolam, sempre, palavras como aquelas contidas na mensagem do Santo Padre, expressas no ritual do lava-pés na Missa da Ceia do Senhor, na Quinta-feira Santa. O Papa Francisco enalteceu, na circunstância, a humilde e persistente dedicação à paz colectiva, no trecho que citamos, finalizando: “Em nosso coração vivemos sentimentos contrastantes. É fácil estar em paz com quem queremos bem, mas é mais difícil com quem nos ofendeu e a quem ofendemos. Peçamos ao Senhor, em silêncio, a graça de dar a todos, bons e maus, o dom da paz”.

(Uma coprodução de Siona Casimiro e P. Maurício Camuto. Apresentação de Esmeralda Chiaca).

Luanda, quinta-feira 05 de Abril de 2018.

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