Cinzas e Fénix

VISÃO JORNALISTICA

Dois históricos combatentes da independência destacaram-se na semana passada. Em simultâneo, mas com que distinta pedagogia entre cinzas e fénix! Analogia das cinzas: o ex-Presidente do Zimbabwe, Robert Mugabe, e o rocambolesco da sua queda. O palpitante desfecho acarretou uma esquisita mediação militar e eclesial, que suavizou o drama. Ridículas, ficaram as organizações continentais (União Africana e SADC) pela vacilação perante a crise. Avultou, no ponto, o reenvio de uma comitiva a Harare, decidido pela cimeira urgentemente agendada em Luanda. Mas a dinâmica dos acontecimentos no terreno anulou este folclore. Que lição, senão corrigir uma frequente diplomacia de “show off” contemplativa de ditadores, mais do que a eficiência sintonia com as aspirações dos povos?

Imagem da Fénix: espalhou, concomitantemente, em Luanda, outro idoso combatente da independência. Ambrósio Lukoki, de seu nome e brio brinda a midia com intermitentes ‘scoops’. Desta vez, realizou um concorrido ponto de imprensa na sua bucólica quinta domiciliar, sito num bairro populoso. Focos da sua mensagem, que citamos: “Pela credibilidade republicana, ética e moral, convém o JES demitir-se de imediato do posto de Presidente do Partido MPLA (…) é muito imperioso ao nível do Partido MPLA legitimar e legalizar o Presidente JLO na plenitude do voto citadino que mereceu da parte do eleitorado do povo Angolano soberano ”. Fim de citação do essencial do ponto de imprensa de Lukoki. Sem eco por enquanto da sede do Eme, vulgo ‘Kremlin’ e do Palácio.

Em termos mediáticos, surpreendeu o tratamento profissional, dado tanto ao fim do nonagenário Mugabe, como ao discurso do septuagenário Lukoki. Por um lado, a TPA proporcionou comentários ‘a quente’ de avisados políticos como Alcides Sakala (da UNITA) e Vicente Pinto de Andrade (MPLA). Portanto, não os enfadonhos e famigerados ‘bajus’. Por outro, admirou-nos a enchente da mídia estatal na quinta de Lukoki e a difusão isenta da sua iconoclasta posição. Antes, teria sido ocultada ou explorada somente em periféricos poupando as pulsações sentimentais da divindade e arraial. É tão grande passo, mesmo se, a rigor, as matizes diferenciarem bastante pela tarimba individual dos jornalistas. Ora, esta faceta prende-se muito com a formação, vertente a alforriar das receitas da escola propagandística e do e agit-pop politiqueiro. Carece de interesse constante, o profissionalismo diremos radical, quer dizer, apaixonado da deontologia de informar com isenção. Aliás, no ponto de imprensa, só brotou de um colega reputado independente a seguinte pergunta a Lukoki: Não é uma subtil jogada a favor de João Lourenço? O experiente político geriu a curiosidade a seu jeito. Se convenceu … o campo está solto às exegeses.

Na conjuntura, a juventude dissemina as suas virtudes evangelizadoras da humanidade peregrina. A V Cimeira União Africana/União Europeia abriu ontem em Abidjan, subordinada ao tema “Investir na Juventude para um Futuro Sustentável”. Encerra hoje e analisaremos os resultados proximamente. Entretanto, o calendário litúrgico exaltou, no último domingo, a solenidade de Nosso Senhor Jesus Cristo Rei do Universo. O Bispo Auxiliar de Luanda celebrou a missa do Dia Nacional da Juventude Católica de Angola, que tem Cristo- Rei como Patrono. A missa decorreu na capela do Sagrado Coração de Jesus, Seminário Maior de Luanda. A homilia de Dom Zeferino Zeca Martins demonstrou a vaidade do mero culto do dinheiro, do poder, da fama, etc. E, pregou, citamos: “O critério fundamental usado por Jesus para definir quem é uma pessoa de sucesso não é outro, é simplesmente a capacidade de amar o irmão, sobretudo o mais pobre e desprotegido.” Foram as palavras do também Presidente da Comissão Episcopal da CEAST para a Juventude.

(Uma coprodução de Siona Casimiro e P. Maurício Camuto. Apresentação de Esmeralda Chiaca)

Luanda, quinta-feira 30 de Novembro de 2017.

 

 

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