CONFERÊNCIA EPISCOPAL DE ANGOLA E S. TOMÉ

                      COMUNICADO DE IMPRENSA

Decorreu de 8 a 14 de Março do ano em curso, na cidade de Moçâmides – Namibe, a I Assembleia Plenária anual, que contou com a presença dos Bispos e, na sessão de abertura, com o corpo directivo da CSMIRA, da Comissão Episcopal do Apostolado dos Leigos e com alguns sacerdotes, religiosos/as e leigos da Diocese do Namibe.

  1. Filomeno do Nascimento Vieira Dias, Arcebispo de Luanda e Presidente da CEAST, deu as boas vindas aos presentes e apresentou o quadro temático a ser tratado durante a Plenária, bem como os aspectos marcantes da vida política, económica e religiosa do País.

 

DELIBERAÇÕES

 

Os Bispos depois de profundos e frutuosos debates aprovaram:

 

  1. A Nota Pastoral Sobre a Aprovação da Despenalização do Aborto
  2. O esboço da Mensagem Pastoral do segundo ano do triénio: “A Juventude e a Fé Celebrada”.
  3. O Manual de Educação Ambiental.
  4. O esboço do Ideário das Escolas Católicas.
  5. O Relatório económico da CEAST e o orçamento para 2018.
  6. A data de encerramento das festividades alusivas aos 50 anos de criação da CEAST.

 

 

CONCLUSÕES E RECOMENDAÇÕES

 

  1. Os Bispos rendem graças e louvores a Deus pelo jubileu dos 50 anos de existência da CEAST. Para o efeito, convidam todas as comunidades cristãs presentes em Angola e em S. Tomé e Príncipe, para participarem activamente em todos os actos celebrativos, que decorrerão ao longo do ano em curso, e renovam o firme propósito de disponibilidade e solicitude pastoral.
  2. A vida humana é um dom de amor de Deus; é um valor absoluto que nunca deve ser sacrificada por causa do relativismo ético, do egoísmo, do hedonismo e do calculismo selectivo e discriminatório. Por isso, os Bispos reafirmam o seu compromisso a favor da vida e o seu não à prática do aborto. A Igreja estará sempre de braços abertos para acolher os filhos não desejados e garantir apoio moral e psicológico às mães ofendidas. Outrossim, apelam a todos os cristãos para que promovam sem cessar a cultura da vida e do amor, sem pôr de parte, em situações concretas, o recurso à objeção de consciência.
  3. Reflectindo sobre as luzes e sombras da Igreja Católica nos nossos países, os Bispos reconhecem o esforço que os missionários e leigos fazem para a propagação da fé e do Reino de Deus. Entretanto, apelam para um envolvimento mais vivo de todos, renovando cada vez mais o zelo apostólico, ocupando os muitos espaços vazios no mundo da política, da economia, da cultura e da ciência, sem pormos de parte a ocupação dos espaços geográficos, a fim de sairmos da mera pastoral de manutenção para uma pastoral do anúncio e do testemunho.
  4. O aumento das vocações à vida sacerdotal é um frutuoso sinal dos tempos nas nossas Igrejas. Por isso, os Bispos pedem para que as Paróquias se assumam como autênticas escolas de discernimento, acompanhamento e orientação vocacional e aos formadores dos Seminários maior presença e empenho para que dessas casas de formação saiam bons, humildes e dedicados futuros pastores.
  5. Os Movimentos Apostólicos e carismáticos são um bem incontornável para o dinamismo, crescimento e renovação da vida eclesial. Contudo, constatam-se alguns excessos e desvios nos procedimentos que fomentam a ganância, o apego aos bens materiais, a falta de transparência, o individualismo e outros vícios que lesam gravemente a comunhão, a alegria, o sentido de pertença, a solidariedade e a unidade eclesial. Por isso, os Bispos recomendam maior acompanhamento, disciplina e rigor no cumprimento das regras canónicas para salvaguardar o espírito e a finalidade de tais movimentos.
  6. Virando o olhar para a realidade do País, os Prelados agradecem a Sua Excelência Senhor Presidente da República, General João Manuel Gonçalves Lourenço, pelo levantamento da proibição da extensão do sinal da Rádio Ecclesia a todo o País e pelos novos anúncios referentes à retoma do projecto de construção da Basílica da Muxima e das negociações para o Acordo Quadro entre a República de Angola e a Santa Sé. Encorajam-no a prosseguir no caminho da reforma do Estado para que todos primemos pela dignidade, honra e nobreza de espírito, fazendo com que as assimetrias regionais desapareçam, a cultura da justiça se afirme e os bens de todos, a todos beneficiem.
  7. Por outro lado, embora saúdem a abertura do concurso para a inserção de novo pessoal médico e paramédico, os Bispos lamentam, contudo, constar o quadro deplorável de degradação da saúde no País, com a gritante e escandalosa falta de medicamentos e a desumanidade endémica em muitos hospitais, abrindo espaço para muitos charlatães extorquir e explorar os pobres. Também lamentam a facilidade com que muitos produtos impróprios para o consumo humano entram no País. Recomendam, para o efeito, maior rapidez na correção desses males, assim como renovam o compromisso de manter viva a cooperação, através da CARITAS, para aliviar a dor dos cidadãos.
  8. O Lançamento da Floresta Laudato Si na cidade de Moçâmides pretende ser, ao mesmo tempo, um convite, um apelo e um compromisso de juntos trabalharmos para uma educação à cultura ecológica, para que a busca desenfreada e egoísta do dinheiro e do lucro fácil não mate a natureza e a sua biodiversidade. Por conseguinte, os Bispos recomendam maior vigilância e determinação na luta contra os malfeitores humanos da natureza e do meio ambiente e apoiam todas as iniciativas que visam o estancamento da desflorestação e desertificação.
  9. Nos últimos tempos, têm surgido, em vários cantos do País seitas anticristãs e anticatólicas, muitas das quais, por razões estranhas, acomodadas nas plataformas criadas e cujas mensagens doutrinais constituem-se em autênticas e graves ameaças à unidade, harmonia e integridade das famílias, da cultura nacional e da sociedade no seu todo. Pelo que os Bispos solicitam e apelam aos órgãos competentes para que assumam as suas responsabilidades legais, a fim de pôr cobro a tais anomalias.
  10. Estando reunidos numa Província em que as minorias étnicas são expressivas, os Bispos pedem para que todos dediquemos uma atenção especial a elas, garantindo-lhes uma formação integral e inclusiva, para que não se sintam “irmãos pobres esquecidos” nem à margem do desenvolvimento que o País vai conhecendo.

 

 

 

AUDIÊNCIAS E CELEBRAÇÕES

 

Ao longo dos trabalhos os Bispos:

  1. Fizeram uma visita de cortesia ao Governador Provincial e seu corpo governativo.
  2. Renderam homenagem ao primeiro bispo do Namibe que jaz no cemitério municipal, D. Mateus Feliciano Mateus.
  3. Congratularam-se com Sua Excelência Senhor D. Pio Hipunyati, Bispo de Ondjiva, pela sua nomeação como Administrador Apostólico de Menongue e unem-se aos sentimentos de alegria do povo de Deus daquela Igreja irmã, encorajando-o a manter-se firme na fé, fervoroso na esperança e zeloso na caridade.
  4. Receberam o Director da Rádio Ecclesia e os delegados das Comissões Episcopais das Escolas Católicas e da Justiça e Paz.
  5. Visitaram a Pescaria Sicopal e a Academia de Pesca e Ciências do Mar.
  6. No Bairro 04 de Março plantaram 400 árvores, dando corpo à chamada Floresta Laudato Si.
  7. No domingo, dia 11, em Missa Pontifical, na Sé Catedral, os Bispos abriram oficialmente as festividades alusivas aos 50 anos de existência da CEAST, cujo término terá lugar em Luanda, por ocasião da segunda Plenária anual.
  8. Por fim, os Bispos agradecem ao Prelado, ao Governo Provincial, aos sacerdotes, religiosos e religiosas e ao povo de Deus do Namibe por tudo quanto fizeram para o êxito dos trabalhos. A todos estendem a sua bênção apostólica.

 

Moçâmedes, 14 de Março de 2018

 

OS BISPOS DA CEAST

 

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