Debate Exemplar

                             Visão Jornalística

Magia das novas tecnologias de comunicação. É um filho do coprodutor da presente crónica que alertou o
pai, na véspera, de Nova Iorque, onde se está a formar, do debate programado na rádio MFM. Consagrada ao aliciante tema dos 100 primeiros dias do mandato do Presidente João Lourenço (JLO), a emissão passou no sábado passado. Pelo WhatsApp, o cartaz veio com estes atraentes nomes: Carlos Rosado, Ismael Mateus, Luísa Abranches, Reginaldo Silva, Tito Cambanje. Uma plêiada, em suma, de celebridades em jornalismo independente
(conceituado na Declaração de Windhoek), ciência económica e Direito. O conteúdo embalou a audiência em alto, mesmo se predominado pelas medidas que alvejaram a prole do ex-Presidente da República. Vazou um enxame de elementos interpretativos da serena responsabilidade judicial.
Serena e não apaixonada como foi a emissão (do
cariz das arruaceiras justiças de outrora) que precedeu o debate com a truculência de Jojó. O
debate, em si, foi intelectual, racional, profundo, rico, sóbrio, livre, frontal, intenso, cordato até nos seus ziguezagues emocionais. O moderador, João de Almeida, agigantou-se à altura da rebuliça plateia. Em adição objetiva, a emissão confirmou a febrilidade política do arranque do ano. E o impacto evidenciou-se na primeira conferência de imprensa do presidente JLO, aberta à massa de profissionais da comunicação, no Palácio. Os homens da mídia afluíram, sob o rescaldo psicológico daquela cena.

JLO saiu-se bem no cômputo geral, além dos deslizes que a sua criativa assessoria saberá seguramente equacionar para futura superação. Convirá, nesta perspectiva, absorver as críticas formuladas sobre o formato, a metodologia e a acomodação. Em complemento, especificamos, na atitude do conferencista: o silêncio sobre a sua apresentação da declaração de bens; o nervosismo face ao colega da Despertar; a tendência de reenviar a pergunta ao jornalista; a finta pela estereotipada “conveniência de serviço”…Junto da opinião pública, a popularidade de JLO continua em alta; os percalços são desagravados pela estreia.

Do lado dos confrades, deve-se assumir e remediar as fragilidades mostradas. Exemplo: ‘papaguear’, a jeito de pergunta, um genérico slogan político como “despartidarização do Estado” em vez de apresentar um caso concreto. E a nossa pior falha colectiva foi a falta das grandes questões sociais. Igualmente, houve falha sobre questões  da região geoestratégica onde se encontra integrada Angola. Que pena, não surgissem interrogações do género:

– Que lição tirou JLO da sua visita ao sanatório?
– Os 100 dias do centro histórico de Mbanza-Kongo
como património cultural da humanidade?
– A acentuação da crise na vizinha RDC?

Mínima concertação prévia dos jornalistas presentes  poderá superar esta deficiência. Com agrado, notou-se desta vez, a presença de William Tonet, faltando só Rafael Marques entre os vultos da mídia livre!

Claro, alegraram-se os Católicos em Angola com as palavras do Presidente sobre a Rádio Ecclesia e a negociação da Concordata. E por cima, com a esperança depositada na contribuição da sua Igreja abençoada, para inverter a proliferação de seitas.
Valeu esta abertura, em convergir, em substância, com uma recomendação do Santo Padre na última ‘Visita ad limina’ do nosso episcopado. Papa Francisco alvitrou na ocasião a cooperação transfronteiriça sobre o referido mal.

A prefigurar a febrilidade do início do ano, vem aí o grande teste: o exame do projeto de Orçamento Geral do Estado para 2018 no parlamento. Saberá, tal exercício romper com as frustrações das edições anteriores? Vaticínios inclinam para o optimismo, no rescaldo do citado debate exemplar, do crescimento eleitoral da Oposição e do sopro dos ventos de JLO. Haja, acima de tudo, a graça do Senhor para que flua para o bem comum todo este inovado rumo de gestão. Votos em harmonia com a ressaca redentora do prolongado clima de Natal!

(Uma coprodução de Siona Casimiro e P. Maurício
Camuto. Apresentação de Tomás de Melo)
Luanda, quinta-feira 11 de Janeiro de 2018.

 

 

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