Destaque Eleitoral

 

                                                                                  VISÃO JORNALÍSTICA

 

A actualidade eleitoral destacou Angola e a França no início da semana em curso. O país europeu apontou os vencedores da primeira volta das suas eleições presidenciais; o nosso, a data do próximo sufrágio. Pelo impacto, a ocorrência da terra gaulesa brilha na originalidade dos laureados e alcance histórico. Alterou a hegemonia das forças vedetas no cenário político desde o fim da segunda guerra mundial. Encerrou o ciclo da clivagem drástica Direita-Esquerda, cujos representantes sucumbiram clamorosamente. Mais curiosidade de monta: a idade e a pluralidade de sexo dos legitimados para a segunda volta. Somente 39 anos, para Emmanuel Macon, à cabeça da formação ‘En Marche”, fundada apenas em Abril de 2016. A sua concorrente, Marine Le Pen, tem 48 anos de idade, carismática, no topo do partido ‘Frente Nacional’, desde 16 de Janeiro de 2011. No essencial, os seus programas variam pelo lugar e papel pretendido, por cada um, para a sua amada França, na era da globalização. Macon acusa uma sintonia pragmática com a avassaladora mundialização; Marine vinca a secular França autóctone e autónoma. A 7 de Maio próximo, os eleitores darão a sua sentença. Para já, fica a lição da idade, para a África, endémica de liderança velha, agarrada ao poder vitalício, além de sanguessugas históricos. A juventude, maior vítima da situação, tem que investir com mais arrojo para sacudi-la.

Angola, dizíamos, não ficou a ver navios no clímax desta actualidade do início da semana. Pela positiva, aclarou um elemento crucial da sua agenda eleitoral: 23 de Agosto próximo é a data da ida às urnas. O Conselho da República sustentou o dia junto do Chefe de Estado, a quem cabe convocar o pleito no prazo de 90 dias antes do fim do seu mandato. Logo, se pode predizer tal convocatória mais ou menos em finais de Junho, considerando a data de investidura do actual Presidente, que tomou posse, recorde-se, no dia 26/9/2012, para um mandato de cinco anos, renovável uma única vez. Com honradez, o Presidente José Eduardo Dos Santos optou não se candidatar mais, a 75 anos de idade, 37 dos quais no pesado cargo.

Pelo habitual pirilampo de luz e escuridão, voltou a ensombrar-se o ambiente social, com a crise de electricidade a rastejar na vaidade das promessas. Não anda a sina a esvaziar o milagreiro projeto hidráulico ‘Lauka’, salvo a maior cercania com as eleições, para ser capitalizado politicamente? Urge a credível resposta de quem de direito. Entretanto, os professores retomaram a greve desde anteontem com previsão de término a 5 de Maio. No novo surto da ira do SINPROF, cogitou-se a ameaça de saída à rua, contrabalançada pela vontade de solução paulatina desta crise da parte da entidade titular. A ver, vamos.

Registaram-se, ainda, os ecos do debate parlamentar sobre o salário mínimo nacional, com a sensação de um amargo desfecho. A riqueza das discussões esfumou-se na platónica constatação da necessidade de actualização. O índice da cesta básica, composta de 9 produtos, continua a ditar o vencimento mínimo. Mereceria contemplação especial, ainda que gradual, mas a curto prazo, na sede do Executivo, a cesta alternativa defendida por uma voz da oposição. Esta, de 15 artigos, que inclui o leite (tão vital às crianças) assim como a gratuitidade efectiva da educação e da saúde. Ainda que gradual, dissemos, ponderando os corolários colaterais da frieza económica, que não se coaduna com o voluntarismo, nem o laxismo.

Finalizando com uma palavra de alento à cinzenta conjuntura, salientamos o seguinte extracto da recente Mensagem dos Bispos sobre as Eleições:

Aceitemos os desafios da hora presente e futura sem pessimismo nem fatalismo, mas com esperança e grande sentido cívico. Aceitemos o desafio de construir uma sociedade nova fundada no direito e justiça e que seja respeitada a vontade soberana do povo”.

(Uma coprodução de Siona Casimiro e P. Maurício Camuto. Apresentação de Tomás de Melo)

Luanda, quinta-feira 27 de Abril de 2017)

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