Devoção Mariana

 VISÃO JORNALÍSTICA

Há coisa de duas semanas, a Mamã Muxima peregrinou a Nova Iorque. Na seguinte, a réplica da imagem de Fátima rumou para cá. No meio, reluziu a memória do venerável Frei José Benjamim Maiato, de feliz memória. O saudoso soube articular todas estas manifestações de fé, elevando ao pináculo a devoção mariana, a humilde disponibilidade total ao Senhor. Ao arrepio das piadas profanas sobre um culto de elite ou a elite do culto, conjugado à antipática candonga da crença popular. Não nos cabe censurar polémicas desta índole, havendo espaços próprios, onde consagrados teólogos podem pôr os pontos nos (is), à luz da Doutrina da Igreja.

Neste humilde recanto editorial, registamos somente a abundância de bênçãos que aparenta ter a presente estação em Angola. Tudo coincidente com a II Assembleia Anual da CEAST, aberta a 11 de Outubro em curso e que terminou ontem. Em virtude do deadline da nossa crónica, não foi possível conhecer os seus resultados finais. Logo, só os analisaremos na próxima edição.

Entrementes, as bênçãos prolongam-se visivelmente no palco político, onde a serenidade vai dissipando as nuvens do confronto eleitoral. De olhar seco para frente, a Oposição adequa maduramente a sua estratégia à movediça realidade. Os vencedores vão remodelando as peças no tabuleiro, tendo alegrado desde já a comunidade católica, entre outras, pela seleção de algumas figuras. Exemplificamos com o novo Secretário de Estado da Comunicação Social, Celso Malavoloneke, um devoto assumido. Augúrio de melhor sorte na expansão do sinal da Rádio Ecclesia a todo o país? A ver vamos, na onda de corrigir o mal e aperfeiçoar o bem, tão melindroso se afigura o repto da democratização clássica do sector. Representa um trunfo, o novo titular, João Melo, um cabelo branco no jornalismo, gestor comprovado, escritor e de temperamento não-conformista.

Todavia, a cautela impõe-se pela permanente adversidade até do demónio, ora consubstanciado nos vícios acumulados. Ainda ontem, noticiou-se o assassinato de um quadro sertanejo da UNITA. Eduardo Monteiro Catchindimbi, de seu nome, era secretário municipal em Kambundi-Katembo, província de Malanje. Por enquanto, o drama carece de clarificação, entre as sequelas da guerra civil e a hedionda criminalidade. E cúmulo do paradoxo: isto sucede quando o país conseguiu assento no Comité da ONU para os Direitos Humanos. E numa altura em que outra cristã católica, mediática, Ana Celeste, pulou para a Secretaria de Estado para os Direitos Humanos e Cidadania.

Concomitantemente, na nossa África, mais outra barbárie feriu o sacrificado povoléu da Somália. Um duplo atentado matou cerca de 300 pacatos transeuntes no centro de Mogadíscio, no sábado passado. Foi o mais cruel de todos os tempos, comentou o Bispo de Djibouti e Administrador Apostólico de Mogadíscio, Dom Giorgio Bertini. Este prelado testemunha a crise da Somália há 26 anos.

Graças a Deus, hoje em dia, os mais esclarecidos Angolanos esforçam-se em exorcizar tal espectro da sua terra e não só. O acolhimento do novo eleito Presidente da República tem remado neste pendor, frisado na primeira mensagem do episcopado angolano. Retomamos o enxerto do discurso de abertura da II Assembleia Anual da CEAST, na voz do seu presidente, Dom Filomeno. “Saudamos o seu propósito de ser o Presidente de todos os Angolanos e trabalhar para o bem de todos os Angolanos, em especial para as populações mais vulneráveis. E fazemos votos que o seu mandato seja, de facto, um mandato que procura diminuir as assimetrias de diferentes naturezas, e manifestamos desde já o testemunho da nossa leal colaboração na promoção do bem comum ”. Fim de citação das palavras de Dom Filomeno, acenando o consulado de João Lourenço.

(Uma coprodução de Siona Casimiro e P. Maurício Camuto. Apresentação de Esmeralda Chiaca)

Luanda, quinta-feira 19 de Outubro de 2017.

 

 

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