Direcções preocupadas com falta de recursos para gestão das escolas

A manutenção da casa do saber, abastecimento do líquido precioso, assim como a segurança dos utentes e trabalhadores, começa a ser difícil em algumas escolas públicas do Iº e IIº ciclo da capital do país. Em causa a circular nº 013/2019 do Gabinete Provincial de Educação, que proíbe a cobrança de qualquer valor monetário aos estudantes e contribuições feitas pelos encarregados dos mesmos.

Ao jornal  O Apostolado vários directores queixam-se das dificuldades que enfrentam na gestão das suas escolas. “Está mal” e “são péssimas as condições das casas de banho”, foram algumas das palavras através das quais demonstraram o descontentamento em relação à circular nº 013, publicada pela Delegação Provincial da Educação de Luanda.

Um dos entrevistados, que prefere o anonimato, fez saber que “a limpeza, o abastecimento de água potável, a segurança da instituição e a manutenção da própria estrutura, eram garantidas com dinheiro que as direcções das escolas arrecadavam com venda de folhas de provas, justificativos de faltas, emissões de certificados e declarações de ensino, e, em alguns casos, com contribuições feitas por alguns encarregados de educação” – disse o responsável de uma escola no Hoje-ya-Henda.

E com a circular nº 013, assinado pelo Director Provincial da Educação de Luanda, Narciso Benedito, que proíbe a cobrança de cartões de estudantes, boletins de notas, transferências, matrículas e as confirmações, está a deixar alguns directores de escolas do ensino público “de mãos atadas e sem saída”, para manter a conservação e a segurança das escolas, referiu outro director no município de Cacuaco.

Já no distrito urbano do Ngola Kiluanje, o cenário não é diferente, porque segundo director de uma escola do IIº ciclo, é que alguns directores e adjuntos das escolas estão a tirar do próprio salário, para o pagamento dos agentes de segurança e das auxiliadoras de limpeza, que não fazem parte da folha de salário do Ministério. Estes responsáveis também compram as cisternas de água para acudir as necessidades dos estudantes. E, em outras, diminuíram-se o número de agentes de auto-protecção e pessoal de limpeza.

Já o Presidente do Movimento dos Estudantes Angolanos, Francisco Teixeira, aplaudiu a iniciativa do responsável da Educação de Luanda, e pede que se regulamente o preço das folhas de prova e demais documentos.

Entretanto, aquele líder Estudantil denuncia que tem havido  cobrança de valores altos a rondar entre os “2000 a 4000 kwanzas para documentos e 50 kzs a 100 kzs para folhas de provas”. Igualmente denuncia o facto de se observar crianças a varrerem e a levarem água de casa para o uso nas casas de banho da escola.

Por outro lado, Francisco Teixeira, relembra que é da responsabilidade do Estado garantir uma educação de qualidade, que passa pela segurança, material didáctico, manutenção e outros itens, e sugere aos ministérios da Educação e das Finanças a regulamentação dos preços dos documentos em 200 kzs a 250 kwanzas.

Recordar que no dia 28 de Agosto do ano 2019, o Director Provincial da Educação de Luanda, Narciso Damásio dos Santos Benedito, fez sair uma circular que proíbe a fixação de qualquer preço e cobrança de contribuições nas instituições públicas de ensino da província de Luanda, para certificados e declarações, transferências, folhas de provas, cartões de estudantes, boletins de nota, justificativos de falta, assim como as matriculas e confirmações de matrículas, lê-se na circular nº 013/GPEL/2019. 

Uma fonte ligada ao Ministério da Educação garantiu ao Apostolado, que o assunto foi encaminhado para o gabinete da Ministra da Educação para uma análise mais real e profunda do assunto.

Carlinho Zassala alerta sobre o declínio do ensino em Angola

O Docente universitário Carlinho Zassala entende que a má qualidade do ensino em Angola passa por vários factores, como a falta de formação dos directores e professores e as estruturas das escolas existentes.

Ao falar sobre o sistema de educação em Angola o académico referiu que, a pobreza cultural combate-se com um bom sistema de educação e ensino. Porque “nenhum País pode-se desenvolver sem um ensino de qualidade, desde a iniciação ao universitário” – lembrou o Académico.

Para Carlinho Zassala, o fenómeno da corrupção em Angola é também influenciado pela má qualidade do nosso sistema de ensino.

Zassala aconselha ao Executivo a implementar um exame nacional em Angola, à semelhança de outros países africanos da região, onde se fazem exames de acesso a nível nacional, evitando assim a falsificação de certificados ou declarações, frisou.

O docente universitário afirmou que a má formação dos directores, professores e as estruturas escolares estão na base do fraco rendimento escolar, no Ensino Primário em Angola,

O também psicólogo lembra que chegou a recomendar ao Ministério da Educação a implementar a reforma educativa no Ensino Primário, “mas o Ministério da Educação colocou-me de fora e implementou tudo ao contrário do planeado. E como resultado todo mundo crítica”. 

Quanto ao ensino superior, Angola conta com um total de oito (8) Regiões Académicas, quarenta e cinco (45) Institutos Superiores e dez (10) Universidades privadas, reconhecidos pelo governo. Carlinho Zassala diz que “isto é uma proliferação”, tendo por outro lado defendido a sua redução para pelo menos quatro (4) ou três (3) Regiões Académicas. A construção de Campos Universitários, assim como a harmonização dos cursos e dos planos curriculares em nível dos países africanos, para facilitar o intercâmbio entre professores e alunos, foram outras ideias defendida pelo académico.

Albino Pakisi, o Estado deve investir mais na qualidade das estrtuturas escolares

Já o académico Albino Pakisi é de opinião que o Estado deve investir mais na qualidade das estruturas  escolares, para que posteriormente o país possa ter um sistema de maior qualidade e quantidade desejada. Por outro lado, Pakissi explicou que “os nossos estudantes têm apresentado muitas valências e muita força de vontade para fazerem cada vez melhor”, mas alerta que falta em Angola um instrumento que regula os alunos na preparação dos “trabalhos de fim de curso”.

Por esta razão o docente Universitário, Albino Pakisi, pretende lançar neste mês de Novembro a sua terceira obra cientifica intitulada ‘Metodologia de Investigação Cientifica’, para ajudar os estudantes Universitários “a compreenderem o que é a pesquisa e o que é a metodologia”.

O autor fez saber que o livro contempla métodos internacionais que os estudantes devem saber usar na investigação cientifica Destacando “as Normas Portuguesa, Brasileira, Inglesa e Americana”.

Por: Adão dos Santos

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