Dor. Graça

Dor e graça alternam na vida, amiúde e de chofre. O co-autor da presente crónica navega neste temporal. Sábado passado, perdeu, no veterano jornalista da ANGOP, Pedro Fidel Dielunkunsia, um confrade de estimação. Partilharam a carteira do exílio, retratada no seu livro “Maquis e Arredores – Memória do Jornalismo que acompanhou a Luta de Libertação ”. Compartiram o tecto e a mesa a dado momento em Luanda. DIEL, nome abreviado e de fama no seio da classe, foi um dos autores dos artigos retomados naquela galeria. Aos alicerces da ANGOP, contribuiu na chefia da Redação Exterior. O apreço geral valeu-lhe a eleição como dirigente da União dos Jornalistas Angolanos (UJA), no único Congresso desta agremiação. Foi correspondente da ANGOP em Brazzaville, com raio abrangendo Kinshasa, nos anos ’80. Mais tarde, passou para a diplomacia, colocado no mesmo país, o Congo-Brazzaville. Sofria de crónica deficiência da coluna vertebral, que lhe tirou a vida, num hospital de Kinshasa. Diligências estão em curso para o repatriamento e o funeral no seu país, de acordo com a sua família.

Entrementes, a diplomacia angolana ostentou mais um condigno feito substantivo: a visita presidencial à Alemanha. Fértil de animadoras perpectivas económicas, a expectativa vai agora para a prova dos nove,a saber, a prática das mesmas. A missão, na conjuntura, assemlhou-se à apoteose simbólica do primeiro aniversário da eleição de João Lourenço a Presidente da República. Observadores aproveitaram a coincidência, aliás, para o balanço do mesmo no período. A rigor, deve-se aguardar para 27 de Setembro próximo, prazo exacto da tomada de posse de JLo. De se ponderar, a meio, outro importante marco, também: 8 de Setembro, em que se prevê consumar a subida do mesmo à presidência do MPLA, no Congresso convocado para este fim. Neste horizonte temporal, perfilam as convulsões tradicionais, cuja delicadeza aconselha cautela. Piscam intermitentes amarelos (indicadores de tensões) e vermelhos (choque ou divórcio). O mais badalado tem sido a troca de galhardetes acentuada entre JLo e Isabel dos Santos, a primogénita filha do ex-chefe de estado. Até onde irá? A ver vamos.

Na esteira da sua missão, a Igreja Católica consolou o cenário internacional. Nomeadamente, com a alta visibilidade da visita pontifical na Irlanda, palco de medonho fratricídio religioso outrora. No tempo recente, outras chagas morais antigas e ora reveladas na mídia, manchando um país reputado religioso. Mormente: abusos sexuais de menores por sacerdotes, descuidos de membros da hierarquia e demais escândalos. Dias 25 e 26 passados, a sua capital, Dublin, albergou o IX Encontro Mundial das Famílias, ocasionando a 24ª viagem Apostólica Internacional de Francisco. As fontes oficiais contabilizaram cinco discursos proferidos pelo Sumo Pontifice durante a estadia em várias circunstâncias. Ao seu estilo conhecido de enfrentar os temas quentes frontalmente! E deixou este seu traço profético, na santa missa que celebrou domingo, no ‘Phoenix Park’. Antecedendo a homilia nesta linha, mexeu a alma colectiva por um acto penitencial, de que citamos os seguintes extractos pedagógicos:

Ontem estive reunido com oito sobreviventes de abuso de poder, de consciência e sexual. Tomando o que eles me disseram, gostaria de colocar diante da misericórdia do Senhor estes crimes e pedir perdão por eles (…) Que o Senhor mantenha e aumente este estado de vergonha e compunção, e nos dê a força para comprometer-nos a trabalhar para que nunca mais isso aconteça e para que se faça justiça. Amém”.

VISÃO JORNALÍSTICA.

(Uma coprodução de Siona Casimiro e P. Maurício Camuto. Apresentação de Tomás de Melo).

Luanda, quinta-feira 30 de Agosto de 2018

 

 

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