Ecos de 8 de Janeiro

                        VISÃO JORNALÍSTICA

Os ecos da conferência de imprensa presidencial de 8 último ainda dominam a actualidade. Isto, devido ao impacto da medida que o presidente João Lourenço (JLO) insinuara em relação ao Fundo Soberano. Exonerou o Conselho de Administração, encabeçado por um filho do seu predecessor. Acto contínuo, nomeou os substitutos e, ao empossá-los, explicitou a decisão sem o habitual chavão da “conveniência de serviço”. Também, explicou a sua esperança nos novos gestores, evocando as provas dadas em postos anteriores. Aposta certa? O período dos vindouros balanços dirá. Em paralelo, o novo presidente resgatou duas figuras marginalizadas: Lopo do Nascimento e Marcolino Moco, ambos antigos secretários gerais do MPLA. Colocou-os no corpo diretivo da SONANGOL, a galinha dos ovos de ouro do parque empresarial nacional. Não teria sido melhor usar a mais-valia destas eminências políticas em colocações consentâneas? Vozes da oposição elevaram-se neste sentido. Difícil de alinhar agora, sendo mais cordata a paciência até à época da colheita. Pelo menos, este tipo de questionamento tem o condão de chamada de atenção sobre o fim do estado de graça, de que gozou o novo chefe de Estado. Daqui em diante, despontam outros quinhentos, mormente, a transparência criteriosa na escolha dos piões. Ademais, o mandato, em verdade, é de quatro anos, tornando-se prematuro o juízo inapelável.

Outro proeminente rescaldo de 8/1: a agudizada crise das relações com Portugal, relacionada com o antigo vice-presidente da república, Manuel Vicente. JLO reacendeu a fogueira, ao martelar sobre a transferência para Angola do processo da presumida corrupção praticada por Vicente. Nada disso – replica a parte lusa, num finca-pé da posição inicial. Pelas redes sociais, mister é reconhecer o divórcio, neste particular, da opinião pública angolana com a tese do seu Governo. Não obstante, o esgrimir dos argumentos técnico-jurídicos flui com um vendaval de informações de difícil distinção entre a verdade e a intoxicação maléfica. A prova dos nove aproxima-se, porém, com aquilo que acontecerá a 22 próximo, data mantida para o julgamento em Lisboa.

Na conjuntura, o motejo de “radical” sobressaiu na rebuliça cena política. A TPA atirou-o ao vice-presidente da UNITA, Raúl Danda, por ter renunciado continuar a participar num programa de debate semanal. A emissão surgiu recentemente na onda de melhorar a credibilidade democrática da TV estatal. Daí, a deceção dos editores, que prometeram uma substituição do dirigente opositor por um correligionário menos radical. Não significa esta represália abonar o Danda de razão em ter recusado a censura contra si? A argumentação da TPA trouxe laivos da filosofia totalitária sobre a democracia, quadro que acomoda até os alegados anarquistas. Se neste ponto de vista, Danda colheu simpatia, não se pode dizer o mesmo quanto à eficiência do gesto unilateral e espetacular. Usando de maior discrição, não teria salvaguardado a presença numa trincheira recém-conquistada? E acautelar a própria alternativa, disposta a lidar com a adversidade, firme na identidade do seu partido? Democracia também requer humildade e coabitação!

A nível da Igreja Católica, entretanto, a repercussão da conferência de imprensa de 8/1 fez-se sentir com o nítido regozijo do episcopado. De Saurimo, registamos e citamos: «Temos muitos projetos, (…) não vamos poupar esforços, vamos partilhar a nossa pobreza, vamos partilhar a nossa pequenez, vamos fazer tudo isso pouco a pouco, mas o da Rádio Ecclesia é urgentíssimo.» Foi o Arcebispo, Dom José Manuel Imbamba, que institui uma coleta especial consagrado ao projeto na sua jurisdição. Do seu par de Malange, Dom Benedito Roberto, ouvimos: «É uma notícia muito feliz, vai fazer muito estimado o Senhor Presidente da República João Lourenço».

(Uma coprodução de Siona Casimiro e P. Maurício Camuto. Apresentação de Tomás de Melo)

Luanda, quinta-feira 18 de Janeiro de 2017.

 

 

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