Estreias Coxas

                            VISÃO JORNALÍSTICA 

O Mundial de Futebol 2018 derrama sempre algum encanto no ar. A meio caminho, a classificação africana falhou. Somente, o Senegal e a Tunísia sobraram da estreia coxa, com a possibilidade remota de passar para os oitavos de final.

Longe dos verdejantes relvados russos, no entanto, a má sina recorreu nas águas afro-europeias, com mais naufragados migrantes clandestinos. E a amarga impressão de só comover, doravante, os estadistas europeus, que ensaiaram outra cimeira estéril! Da procedência dos coitadinhos, os governos parecem conformar-se na displicência. E os respectivos políticos se divertem até em procurar definir esta ou aquela data de glória simbólica no rol das batalhas do fratricídio. Neste passo e coincidência, registamos o duplo atentado de pendor terrorista na Etiópia e no Zimbabwe. De quem seria a autoria do atentado, neste segundo país, nosso parceiro na SADC? Paciência, até aos resultados das investigações prometidas!

Sem aquele cunho de drama, a esfera mediática em Angola pariu, também, curiosidades. A começar por um quiproquó à volta de exonerações de certas altas patentes. O episódio suscitou um comunicado do Ministro da Comunicação Social, executando, especificou, uma incumbência presidencial. Fonte da bronca, a ANGOP publicou um esclarecimento, redimindo-se. Mas, o comunicado ministerial avisou que a última palavra caberia ao Presidente da República. Prenúncio de quê, se o rotineiro poder disciplinar é competência dos directores dos órgãos de informação? A ver, vamos.

Entretanto, a Entidade Reguladora da Comunicação em Angola (ERCA), produziu a sua primeira recomendação. Sulfurosa, consoante a vigorosa declaração de votos, denunciando o carácter não consensual da mesma e um clima interior de cortar à faca! Confirmou o alicerce manco de uma ERCA condenada à estreia coxa deste quilate. Escrutinado à lupa, o teor da recomendação inquinou a três títulos, pelo menos, a saber: o apressado servilismo ao partido da situação; o ubuesco bastão de Big Brother contra uma feição editorial do semanário Folha  8; o mutismo sobre o prémio de herói internacional da liberdade de imprensa, ganho pelo angolano Rafael Marques. A declaração de voto pecou na ilusão de uma saída no híper partidarizado parlamento angolano. Acaba por ter razão, o Sindicato dos Jornalistas Angolanos reclamando uma ERCA apartidária. É matéria que interpela as forças vivas da Nação. Em democracia, a entidade reguladora é coisa sua e não de aguerridos agentes da rolha, de ontem, hoje ou amanhã. A mente retrógrada cede à pressão constante e resiliente do bem sobre o ruim, no dia-a-dia.

Em boa hora, o Santo Padre acaba de ilustrar o salutar anticonformismo. Sábado passado, dialogou com uma delegação das Igrejas Independentes Africanas, em renovada pedagogia ecuménica. “Apesar das nossas diferenças, sobre questões teológicas e eclesiológicas, há tantos campos em que os líderes e os fiéis das várias comunidades cristãs, podem estabelecer objectivos comuns e trabalhar pelo bem de todos, sobretudo pelos mais fracos e excluídos”, focou o Papa aos seus interlocutores. Na sua catequese da semana anterior, dissertou o tema “Dez Palavras para viver a Aliança”. Eis trechos salientes deste magistério, que citamos: “Mil vezes devemos escolher entre uma mentalidade de escravos e uma mentalidade de filhos. O mandamento é do patrão, a palavra é do Pai (…) Todo o cristianismo é a passagem da letra da Lei ao Espírito, que dá a vida. (…) O mundo não tem necessidade de legalismos, mas de cuidado. Tem necessidade de cristãos com o coração de filhos ”.

VISÃO JORNALÍSTICA.

(Uma coprodução de Siona Casimiro e P. Maurício Camuto. Apresentação de Tomás de Melo).

Luanda, quinta-feira 28 de Junho de 2018.

 

 

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