Seg. Set 23rd, 2019

Grupo Parlamentar da UNITA não recebe subsídios da Assembleia Nacional a sete meses

O Grupo Parlamentar da UNITA não recebe o subsídio de 11 milhões de Kwanzas, que deveria ser pago mensalmente pela Assembleia Nacional, desde Fevereiro, disse hoje aos jornalistas o líder grupo, Adalberto da Costa Júnior.

“Somos obrigados a pedir empréstimos para realizar jornadas parlamentares e deslocações dos deputados para realizar qualquer actividade”, referiu Adalberto da Costa Júnior durante uma conferência de imprensa que serviu para lançar as VIII Jornadas Parlamentares da UNITA, a decorrer de 09 a 14 de Setembro de 2019 nas províncias da Huíla e Cunene, sob o lema “Grupo Parlamentar da UNITA por uma cidadania participativa e governação transparente para desenvolver as comunidades”.

Segundo o político, na Assembleia Nacional não há atrasos de pagamento, alegando que este embaraço “é apenas para dificultar a fiscalização das acções do Executivo por parte da bancada parlamentar da UNITA”.

Durante a conferência de imprensa, Adalberto da Costa Júnior manifestou ainda a preocupação do partido sobre a tragédia que assola o sul do País, defendendo que “o Presidente da República deve declarar estado de emergência na região, onde milhares de pessoas enfrentam uma crise alimentar sem precedentes”.

A deputada da UNITA, Navita Ngolo, que esteve no Cunene para preparar as VIII jornadas, disse aos jornalistas que das 35 mil toneladas de produtos diversos que a província precisa mensalmente, apenas recebe mil.

Durante as jornadas, temas como o poder local como factor de inclusão e desenvolvimento das comunidades, a experiência do desenvolvimento das comunidades locais de Cabo Verde e pequenas iniciativas locais para mitigar a crise e fome no sul de Angola, deverão ser abordados.

Recorde-se que uma delegação liderada pelo deputado Paulo Lukamba Gato, que esteve na província do Cunene para preparar as jornadas, alertou o Governo angolano para a urgência de tomar medidas para socorrer as populações daquela província vítimas da fome e da seca.

Para o deputado Paulo Lukamba Gato, a situação que afecta as populações do Cunene exige medidas “urgentes”, defendendo que o esforço empreendido pelo Governo angolano para acudir à situação em Moçambique, vítimas do ciclone Idai, seja feito agora no Cunene, para colmatar a falta do básico para a sobrevivência.

“Nós efectuámos uma visita, em profundidade, e constatámos que a situação é extremamente grave, dramática. São precisas medidas de emergência já”, afirmou o dirigente do partido do “Galo Negro”.

De acordo com o político, são necessárias medidas estruturantes e permanentes, que passam por um investimento sério na construção das represas na região, para retenção das águas quando há chuvas, e pela vontade política.

“É preciso que o Cunene deixe de estar entregue às arbitrariedades do clima, chuva ou seca. É preciso que o Governo assuma a sua responsabilidade, encontre formas de fazer face à situação caso haja chuva e caso haja seca, como agora”, apontou o deputado.

“Eu penso que devia ter havido um investimento direccionado para a multiplicação das Chimbakas (represas), para que, quando chove, se possa fazer retenção das águas para os tempos difíceis em que não chove”, disse ainda o parlamentar.

Fonte: Novo Jornal