Intervenção de Dom Tirso Blanco durante a formação dos directores do gabinete de imprensa da CEAST

Sua Ex.cia,

Dr. Aníbal João da Silva Melo

Ministro da Comunicação Social

Pe. Maurício Camuto, Director da Rádio Ecclesia

Distintos directores diocesanos da comunicação social:

Votos de saúde e paz!

DUAS EXPECTATIVAS:

Tempos atrás estive numa aldeia chamada Sakuliva (escutar-se). Perguntei ao soba o porquê do nome do bairro. Ele disse que o seu nome é Sakuliva porque governar é escutar-se. Sabedoria dos nossos mais velhos.

Queremos ser uma Igreja com capacidade de escuta, de ir ao encontro, de ouvir e assumir o clamor dos pobres, dos aflitos, de estar junto a todas as situações humanas que requerem solidariedade.

Por outra parte, a Igreja conta com um grande capital cultural, espiritual e humano que a torna apta para dar o seu contributo nos diversos domínios do saber e do agir social. Nada do que é humano é alheio ao coração de Cristo; a Igreja, fundada por Ele, prossegue na história a obra que o seu Senhor começou e continua a realizar por meio dos seus discípulos. Carrega em si uma mensagem, uma Boa Nova que não pode ser calada.

Estamos na era das comunicações: se antigamente a melhor estratégia para sobreviver era o segredo, hoje só existe quem se comunica e na medida em que se comunica. Quantos gestos de amor, de solidariedade, de caridade activa são realizados em nome de Cristo e merecem ser comunicados, não para exaltar uma vaidade humana, mas para suscitar a emulação e assim ter um impacto multiplicador.

Uma ferramenta valiosa para este desiderato é o Gabinete de Imprensa. A expressão “Gabinete de Imprensa” pode considerar-se anacrónica há mais de 50 anos, pois hoje um GI desenvolve a sua actividade num âmbito muito mais amplo: rádio, TV, a Nete as Redes sociais. Seria talvez mais conveniente chamá-lo de “Serviço para Comunicação Pública” ou Gabinete de Comunicação …Mas Gabinete de Imprensa é um termo consagrado e de uso corrente.

De um modo geral, O gabinete de imprensa é um instrumento que, sob a direção do orgão superior de uma entidade, trata das relações públicas e tem como objectivo fazer conhecer este ente de modo que seja mais amplamente circundado de simpatia e prestígio, por aquilo que é e por aquilo que faz. É uma ferramenta indispensável para uma empresa ou instituição que queira viver e progredir.

Guardo a imagem de uma paróquia onde diariamente decorrem celebrações matinais, demasiado cedo para meu gosto, e que tem apenas aberta a meta da porta lateral do templo. Entrada que só os “iniciados” conseguem ver.

No campo específico da Igreja, o GI tem como duas funções:

  1. A função de estabelecer um contacto directo com a comunicação social.
  2. A função de comunicar no interior da Igreja e com a sociedade civil, onde, em primeiro lugar, se inclui a opinião pública.

Para uma Diocese o GI é um luxo ou uma necessidade?

No mês de Novembro, decorreu a Assembleia de Pastoral da Diocese de Lwena. Convidamos jornalistas para cobrir o evento. Alguns dentre eles ficaram entre desencantados e desapontados porque para eles a notícia carecia de interesse, pois tratava-se de uma actividade da Igreja. Chama a minha atenção porque até desde o ponto de vista social, uma instituição que traçará as suas estratégias e planos de acção para os próximos dois anos, que inclui 14 escolas e programas de alfabetização com um universo de aproximadamente 30.000 alunos, pioneira a nível mundial de alguns projectos que integram a inclusão digital com plataformas educativas de alta qualidade, que implementou com sucesso o resgate e melhoramento das técnicas tradicionais de construção voltada a estruturas com 100 anos de existência, que leva para frente projectos de recuperação das víctimas do alcoolismo de eficácia reconhecida, cujo raio de acção abrange todo o país, que leva para frente programas de inserção social de reclusos, casas para recolher crianças que vivem na rua, que conta com comunidades que se estendem capilarmente por todo o canto da maior província de Angola, essa instituição carece de interesse para a comunicação social porque é uma Igreja. A Igreja Católica não soube apresentar o seu capital religioso, social e cultural na esfera pública.

A igreja deve ter a capacidade de explicar-se a si mesma, em primeiro lugar aos jornalistas, que são membros de uma classe profissional e que têm uma cultura própria. Se o jornalista não conhece a dimensão religiosa que é constitutiva do ser humano, pode ser culpa sua, mas também é culpa da Igreja.

Inclusive, a Igreja Católica pode ser considerada a “rede social mais antiga”, que até há poucos anos, não contava com o suporte electrónico. É preciso então, com mais este meio, agarrá-las com todas as forças, estando bem posicionados nelas.

Qual é a primeira expectativa deste Ciclo de Formação sobre os GI/?

  • Que possais assessorar o vosso bispo diocesano, do qual directamente dependeis, para estruturar um gabinete de imprensa, com suas actividades típicas, como é, por exemplo, uma conferência de imprensa, uma nota de imprensa, dar a conhecer as nossas atividades de modo que sejam notícias que interessem.
  • Compreender e dar a conhecer a função do assessor de imprensa, tentando corresponder ao perfil requerido para esta figura.
  • Saber também assessorar a Diocese sufi-cientemente nos diversos aspectos técnicos e até financeiros: o GI não vai precisar um prédio, nem de grandes financiamentos. Por outra, o responsável de qualquer área de pastoral deve saber mostrar com clareza quanto custa e quem paga e os mecanismos para obter os financiamentos (não é que se faz um projecto porque há financiamentos; há financiamentos porque há um projecto).

Só assim o GI poderá tomar conta do relacionamento com os jornalistas e outros operadores de informação, de jornais, semanários, TV, rádio, e com os MCS, poderá redigir notas de imprensa e organizar conferências de imprensa, organizar entrevistas com membros que representam a Igreja local oficialmente por ocasião de eventos e atividades de comissões diocesanas e paroquiais, coordenar os serviços que transmitem ou retransmitem eventos eclesiais, como uma celebração eucarística radio-difundida por ocasião de Natal ou da Páscoa, etc.

 

SEGUNDA EXPECTATIVA

Não posso deixar de dirigir o olhar a uma segunda vertente ligada aos órgãos de Comunicação Social públicos da Igreja.

Sonho com rádios locais e nacionais, canais de TV, em plural. O recentemente criado Comité Directivo da Rádio Maria é um exemplo.

Não descartamos o uso das novas tecnologias de comunicação e informação que acabam sendo também criadores de notícia, de informação e de produtos comunicativos em geral.

Mas o caso emblemático para nós é a expansão da Rádio Ecclesia: na história da evangelização de Angola representa um capítulo incontornável. A expansão do sinal a todo o país permitirá que a voz dos bispos, a voz dos pastores, a voz das comunidades cristãs seja ouvida, que o Evangelho seja ouvido. Penso que devemos avançar, pois as condições estão criadas. Só pergunto: qual é a diocese que está em condições de arrancar?Portanto, longe de cessar a nossa oração pela expansão da RE, devemos torná-la agora insistente e perseverante:

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Senhor,

que enviastes os vossos Apóstolos

a anunciar a Boa Nova a todas as Nações,

abri os corações,

removei os obstáculos

e desbloqueai os caminhos

para que as ondas da Rádio Ecclesia

possam chegar a todo o país,

levando a todos a vossa Palavra

de justiça, paz, amor e reconciliação.

AMEN.

 

 

Tenho dito.

 

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