Kabila. “Visita Ad Limina” 2019.

O pós-Kabila está aberto na vizinha RDC. O presidente Joseph Kabila encerrou o impasse da prolongação arbitrária do seu mandato, concluído a 31/12/2016. Teoricamente, pelo menos, pois a 8 de Agosto corrente, revelou o candidato do seu campo às eleições previstas para Dezembro próximo. O passo serenou o clima de uma crise de vulto já internacional. O alerta das forças vivas da própria RDC, onde pontificou a Igreja, ecoou intensamente na vizinhança, em África e no mundo. A posição geoestratégica do país e a correspondente carga desestabilizadora justificaram-no bastante. Será que o vendaval passou mesmo? Parece acertada esta resposta de figura do país: «A retirada de Kabila é uma vitória de etapa, mas importante. Tudo não está resolvido, mas o principal perigo, o maior, passou. Sobra, agora, controlar o resto”, opinou Isidore Ndaywel, membro do Comité de Leigos, ligado à Conferência Episcopal da RDC, CENCO.

Alegrou os Angolanos observar quanto, no suave desfecho, contribuiu a diplomacia do seu país. Uma diplomacia multilateral, que incorporou a estatal (amadurecida) e a eclesial (na penumbra). Convirá manter-se, esta envoltura preventiva, até ao termo dos cem primeiros dias do sucessor de Kabila.

Na atualidade nacional, sobressaiu a sessão do Conselho Permanente Alargado CEAST, realizada no meio da semana passada. A crise salarial da Rádio Eclesia foi a sua ementa de maior expectativa. Conforme a deliberação anunciada, a chata situação foi superada, com as recomendações operacionais, julgadas oportunas. A reunião preparou, ainda, a plenária de Novembro próximo. A 18 de Novembro, com efeito, acontecerá a apoteose da celebração dos cinquenta anos da CEAST. A acção de graça da efeméride terá a especial presença do Prefeito da Congregação para Evangelização dos Povos, Cardeal Fernando Filoni.

Mas de todas estas novidades, a mais luminosa foi o anúncio da nova cimeira Papa-CEAST ou “visita ad limina”. Adiantou-o, o porta-voz e vice-presidente da CEAST, Dom José Manuel Imbamba, Arcebispo de Saurimo. Esta tradicional peregrinação significa uma semana intensa de trabalho no Vaticano de todo o episcopado e está prevista para Junho de 2019. Oito anos, em suma, depois da última, que pôs frente-à-frente os nossos prelados com o Santo Padre, Papa Bento XVI, ora emérito. Quer dizer, será o primeiro encontro colectivo do género com o atual Papa Francisco. O que esperar da mesma? Para tal, uma breve retrospetiva sobre a última, de 2011. Naquela, a mensagem pontifical focalizou-se nos desafios das seitas, feitiçaria e tribalismo. A próxima fará com certeza o ponto da situação sobre os citados itens, além de outros que o tempo acarreta sempre. Nesta dinâmica, pode-se vaticinar a singularidade afirmada do apostolado do novo Papa, eivado de um acentuado assumir da profecia de “sal e luz”. E há o contexto do jubileu de ouro das conferências episcopais em África (SCEAM), que arrancou há pouco em Kampala, para durar um ano. A ida dos nossos Bispos à Santa Sé desta vez coincidirá com o culminar deste jubileu, assente no lema, saliente-se: ”Igreja-Família de Deus em África, Celebra o teu Jubileu! Proclama Jesus Cristo, teu Salvador”. O seu “Instrumentum Laboris” exortou à meditação do arrependimento e conversão, de que citamos, pela indicativa valia sintética, o seguinte tópico:

Tomar consciência de nossas faltas e negligências (de mentalidade e de acção) no reconhecimento e na valorização dos imensos recursos humanos e naturais de África em favor de nossos povos”.

VISÃO JORNALÍSTICA.

(Uma coprodução de Siona Casimiro e P. Maurício Camuto. Apresentação de Tomás de Melo).

Luanda, quinta-feira 16 de Agosto de 2018.

 

 

 

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