Kandandus Polivalentes

                             Visão Jornalistica

Um ambiente algo pachorrento reinou na transição dos anos 2017/2018 em Angola. A Polícia prometeu apresentar amanhã, sexta-feira, o balanço consolidado da sua habitual actuação. Tais estatísticas, pelo visto, apenas confirmarão a percepção sentida nos kandadus trocados. Trocados, entretanto, num meio polivalente de insídias da euforia tradicional, austeridade imposta pela crise e sinuoso xadrez político! A começar por aqueles trocados na cúpula. E, na mira principal dos cidadãos: a Mensagem do Presidente da República à Nação. Mensagem que coube, assim, a João Lourenço, pronunciá-lo nestas vestes em herança dos 38 anos de poder de José Eduardo dos Santos. No essencial, Lourenço convidou à interiorização colectiva dos valores da irmandade, da solidariedade e novos rumos pretendidos para o país.

O discurso da Oposição inscreveu-se na mesma senda, acenando, no fundo, os passos iniciais de Lourenço. Claro, com leituras distintas, desdobradas entre o cepticismo sobre a continuidade e o estigma de um mero exercício de “marketing político”. Na circunstância, o primeiro partido da oposição, a UNITA, adiantou um subsídio valioso de consolidação da reconciliação nacional. Que maior crédito não mereceria emanando de figura imune, na actualidade, da imoralidade do dito por não dito!

No tabuleiro de conjunto, não faltou, naturalmente, pingos de elementos assinalando uma profundidade menos suave da amena superfície. Um renomado observador independente descortinou-o na ausência do Presidente do MPLA e antigo da República, à confraternização do fim de ano. O suficiente, para avivar a curiosidade geral sobre as desinteligências no topo do partido no poder, furando as malhas do segredo de polichinelo. Filtrou, sobremaneira, este furo, na alocução do próprio Vice-Presidente da República, Bornito de Souza. Este, na cerimónia de cumprimentos de fim de ano, driblou, a seu modo, a “langue de bois”, aludindo as seguintes reações sobre o novo Presidente. E citámo-lo: “para uns, acelerado demais, para outros, distante demais das directivas, outros há que o colocam na fronteira da quebra da unidade, motivo de mal-entendidos e naturais desconfortos”. Bornito concluiu a sua referência, pela imagem da corrida de estafetas, em que quem recebe o testemunho não pode ficar parado.

Face aos subtis contornos de tal conjuntura, a autoridade eclesial demonstrou, também, a sua vigilância. Em entrevista à ANGOP no passado 28 de Dezembro, o Arcebispo do Saurimo, Dom José Manuel Imbamba, comprovou esta postura. Na citada entrevista, o também Vice-Presidente da CEAST encorajou a inverter um passado, onde, frisou, “os culpados fomos nós que não conseguimos viver condignamente a nossa cidadania e responsabilidade social”. E, rematou mais liminarmente o prelado, que também citamos: “é preciso que os vícios da corrupção, do nepotismo, da impunidade sejam de uma vez por todas combatidos para permitir que o desenvolvimento sustentável seja um facto no nosso país, permitindo que os angolanos sintam-se orgulhosos da sua própria nação”.

Kandandus nossos, com a bênção cristalina e cristã do Senhor!

(Uma coprodução de Siona Casimiro e P. Maurício Camuto. Apresentação de Tomás de Melo)

Luanda, quinta-feira 04 de Janeiro de 2017.

 

 

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