O dia-a-dia nas paragens de Luanda

O dia-a-dia nas paragens de Luanda

São tantos os jovens e adolescentes presentes em quase todas as paragens de táxi, se não mesmo em todas, que trabalharam como auxiliares de cobrador de táxi, mesmo não sendo, estes auxiliares dos taxistas gritam, correm em troca de cem kwanzas.

Nalgumas vezes cofundidos com os verdadeiros cobradores de táxis, pois, eles são chamados por “Lotador”,  estes jovens que correm de um lado para o outro, têm como missão auxiliar o cobrador a carregar o carro e recebe como pagamento cem kwanzas, por cada, quinze lugar preenchido por passageiro, males vestidos ou não, correndo se empurrrando uns aos outros só para conseguir pelo menos um carro para carregar.

A equipa de reportagem foi as principais paragens de Luanda para ver de perto o dia-a-dia dos lotadores, a trajectória começou na paragem do Kikolo, onde em poucos minutos a nossa equipa de reportagem conseguiu roubar algumas palavras de um lotador. Dario Polvo Matias de 21 anos de idade, que faz a sua vida a ajudar os taxistas a carregar passageiro,

 “Hoji-ya-Henda, Cuca, São Paulo de cem, São Paulo”, numa voz já quase acabada, gritava Dário Polvo Matias ou simplesmente ‘Nove, dois três’ como é chamado pelos colegas e amigos lá nas bandas do Kikolo, embora com ar de ressaca Dario faz parte do grupo de jovem que luta por cem kwanzas por cada carro “a lotar”, que carrega. Num português desorganizado, Dário garante que faz a sua vida enchendo os carros com passageiro em troca de cem kwanzas, “mô” (num português bem fora do habitual) cota aqui eu faço a minha vida, não estou se meter com ninguém, vale  apenas eu que loto carro e a cada lotação consigo os meus cem do que aqueles que esperam os “passi” (passageiros)”. Quebrando o assunto deu lugar a trabalho “ Hoji-ya-Henda, Cuca, São Paulo de cem, São Paulo, meu cota espera “iyáh”, primeiro é a bumba e depois é conversa,”, esclarece, que deve antes trabalhar, só assim é que voltará a falar, “Ché Dingonó cheguei primeiro”. Alerta

 “ Não quero dois a lotar” alerta o cobrador do quadradinho que Dário prestava serviço, “ vocês se porém só duas pessoas e quando vos dão cinquenta, negam” lembra o cobrador. 

Para Dário a experiência vivida na cadeia e filha de dois anos de vida lhe influenciaram a pautar em ser lotador, tendo em conta por não saber mais qual quer outra profissão na sua vida, “roubar eu já não”, apoiando-se na porta de um quadradinho estacionado, para conseguir se colocar em pé em perfeitas condições.

“Eu não nego, eu já roubei muito na minha vida, e também já fui para na cadeia muita vezes, agora desde que a minha irmã que me tirava quando me prendiam, disse que já não podia mais me tirar caso um dia eu entrasse mais, aí meu velho, parei e pensei que não adiantava mais andar nesta vida”. Lacrimejando e soluçando “ché vou-te aleijar, estas embora a confundir”. Revoltando-se com um dos elementos da caravana de trabalho que lhe queria fazer foto.

“Meu Cota volto já” com esta palavras demonstrando a simpatia pela conversa ‘Nove, dois três” sai correndo em grande velocidade, pois acabara de chegar um outro carro para fazer o carregamento.

Ao tentar deixa-lo trabalhar e seguir com o serviço que é a recolha depoimentos, “cota jornalista deixa ainda um ‘Nguesso’ (cinquenta kwanzas) para o teu caçula comprar uma água, valeu meu velho”. Agradece

Para Róger Manuel, taxista defende que os lotadores desempenham um papel muito importante no seu serviço diário, “por acaso eles tem um papel importante na vida dos taxistas, porque a momento que a pessoa trabalha sem o cobrador, então é só pegar um lotador e te ajuda a carregar, não o pagamento é cem kwanzas”. Reconhece

Da Bolacha, alcunha de Pedro Rocha Gamas, de 24 anos de idade, também faz das paragens de táxi seu ganha pão, pois segundo já não sabe fazer mais nada se não ajudar a carregar carro, um pouco com vergonha, com um sorriso improvisado solta as primeiras palavras “um!”, assim então vou vos contar o que”, questiona, mas “ epáh, eu trabalho aqui não é porque eu gosto de estar aqui, não aonde e bater porta para trabalhar, já tentei procurar emprego em várias empresas não consegui, foi assim quando o meu amigo Chuki, me convidou para passar a lavar carro com ele, e depois do tempo, começamos e cobrar o terreno nas mamã que traziam as cargas, nós cobramos cada carga duzentos kwanzas”. Revela, “eu também pensava que ele trabalhava uma grande empresa, mas quando eu cheguei aqui no Kikolo dei conta que ele era lavador de carro, já roubei, mas desde que vim aqui com o meu amigo não me lembro de ele ter se envolvido em roubo”. Confirma.

Procuramos falar com “Chuki”, não foi possível, pois este se mostrou indisponível a falar aos nossos microfones.

As dificuldades

São tantas as dificuldades que os mesmos têm encontrado no seu dia-a-dia, nem todos os dias são de bênção, como nos confirma Pedro Rocha Gamas, depois de se embalar na conversa que começou monótona, “tem motorista que não nos dão aquele respeito que uma pessoa merece, só porque a pessoa é lotador qualquer pessoa que te encontra aqui pensa és gatuno, porque quando a pessoa lota o carro o dever do motorista ou cobrador é de dar o dinheiro que ele já sabe que tem que dar, mas não a momento que primeiro liga o carro e depois você é que tem vir atrás dele, tens que correr mesmo”. Condena o comportamento, que acrescenta ainda “às vezes somos confundidos com os ladrões que existe aqui, mas nós fizemos tudo para dar uma tranquilidade aqui”. Garante.

Numa meia volta dada aos arredores da paragem um episódio que impressionou a equipa de reportagem e Pedro Gamas, um roubo de colar, feito por dos jovens que presenciava a nossa conversa, “são estes que nos fazem envergonhar”.  Exclamou Da Bolacha, “é aquilo que disse aqui estamos misturados jovens que querem apenas trabalhar e outros que fazem deste local sítio para mostrar seu lado mau”. E tu, que fazes deste lugar? “faço deste lugar o meu emprego, a minha família sabe que eu trabalho aqui, e tem coisas que resolvo com dinheiro daqui, a minha namorada sabe que trabalho aqui, eu mostro a ele que estou mudado”. Garantiu.

Que te passa na cabeça quando acontece situação semelhante a esta, alguém que conheces roubar diante dos teus olhos?

“Sinto-me mal, mas fazer o que, quando você se mete com esses miúdos podem te fazer mal, eles não importam se te conhecem, quando te metes nos seus problemas eles armam qualquer coisa”. Revela.

Por seu turno Ngola Pedro Álvaro, “ agora estamos melhor, depois do governo pediu para se organizarmos bem, já temos coletes com números e prestamos serviços de forma mais organizada, apontamos os carros, matriculas, para que no fim do dia, depois de apresentar o relatório no nosso chefe, ele por sua vez tira a presença e esse trabalho, agora esta bom” garantiu.

Por: Tiago Figueira

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