LUSOFONIAS

Férias cheiinhas de Missão

Dá gosto encontrar jovens de malas aviadas. Claro que muitos estão prontinhos a tomar algum avião lowcost e seguir para praias paradisíacas, montanhas de sonho, ou cidades com muita história para contar. Rasgar novos horizontes é sempre bom. Mas enche mais o coração ver jovens e menos jovens também de malas feitas, com o coração já numa terra mais distante, pois arrancam rumo a uma Missão que vai tomar conta daquele mês que o trabalho ou as aulas libertaram para férias. E são muitas e muitos os que fazem esta opção.

Habituei-me, ao longo dos 25 anos que trabalhei em Portugal, a dedicar as férias (ou parte delas) à Missão com Jovens sem Fronteiras. É sempre uma experiência rica que marca os jovens e os faz crescer por dentro. O projecto ‘Ponte’ levou-me a Angola, Moçambique, Guiné, Cabo Verde, S. Tomé e Brasil. E recordo os testemunhos que os jovens escreviam no fim ou contavam em celebrações e reuniões, quase sempre com umas lágrimas a correr pelo rosto e a demonstrar o quanto de coração ficou naquelas terras e naquelas gentes que abriram portas e vidas à nossa chegada.

Este verão, já fui vendo, só em Portugal estão previstas muitas missões, de norte a sul, a envolver movimentos juvenis, dioceses, institutos e paróquias. Também são muitas as saídas para linhas da frente, seja em África, seja na América Latina. E há grandes eventos que mobilizam escuteiros.

Realço ainda um outro aspecto marcante: o do voluntariado missionário de médio e longo prazo. Cada ano que passo aumenta o número de jovens e menos jovens que se prepara e parte para uma missão de um, dois ou mais anos. Se num primeiro tempo, os Institutos Missionários eram os grandes impulsionadores, hoje o panorama está ligeiramente alterado e até temos dioceses que enviam equipas missionárias com padres e leigos, que ficam algum tempo em Missão. Sobretudo, garante-se a continuidade destes projectos missionários ‘ad gentes’.

Nos últimos tempos, ouvi repetir este provérbio que diz: ‘quando alguém tem frio na aldeia ou põe um agasalho ou acende uma fogueira’. Ora, a escolha da solução não é inocente nas consequências, pois quem põe um agasalho está a ser egoísta, querendo apenas acabar com o seu frio; quem acende uma fogueira na aldeia está a querer acabar com frio de todos. A Missão que hoje se vai fazendo por esse mundo além é um acender de fogueiras. Queremos um mundo feliz para todos e não só para quem tem sido bafejado pela sorte.

Desejo a quantos fazem Missão muita inspiração do Espírito Santo. Vai ser um tempo de graça feliz. Parabéns pela decisão. Tudo de bom.

E, depois, na hora do regresso, é bom contar como foi. Aguardamos pela força do vosso testemunho partilhado.

Tony Neves

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