Magistério do Namibe – II e Fim.

VISÃO JORNALÍSTICA

O desfecho de dois conclaves da última semana sustenta ainda a candente actualidade. Com os respectivos comunicados a meio, distintos pela lisura e a controvérsia, para os jornalistas e não só!

Comecemos pelo polémico, embora diacronicamente o último. Isto é, aquele alusivo à sessão do Comité Central do partido no poder, o MPLA, sobre a nebulosamente apelidada questão de bicefalia. A reunião, precedida de um vendaval de boatos nas redes sociais, atiçou as expectativas ao píncaro. Houve desmentido das contradições vazadas do encontro de preparação ao escalão do Bureau Político. Debalde. O discurso de abertura do próprio presidente José Eduardo Dos Santos confirmou o enxofre, ao convidar deliberar sobre a seguinte proposta: “que a realização do congresso extraordinário do partido, que vai resolver a liderança do MPLA, seja ou em dezembro de 2018 ou abril de 2019”. O sucedâneo comunicado de imprensa malogrou a formulação consensual no ponto fulcral. A madura opinião pública enxergou o gato oculto nas rápidas versões desencontradas. O Jornal de Angola, justiça lhe seja rendida, não se importou de assumir desta feita o profissionalismo de carteira. Ao lado do comunicado de estilo “langue de bois”, relatou, baseado em credíveis fontes próprias, o enxame destes eloquentes dados: “Comité Central rejeita proposta do líder (…) Tal como na reunião do BP de segunda, o clima foi de divergências (…) Comentou-se, inclusive na apresentação de uma proposta de moção de censura ao líder, que, flexibilizando, acedeu ao pedido da realização de um congresso extraordinário, mesmo que em datas diferentes das que tinha inicialmente proposto.”

A postura do diário (rotulado outrora de “pravda” pela docilidade tipo “yes man”) gerou o repúdio dos afectos à linha anterior. De admirar? Nada, com a certeza do resgate, pelo bem do jornal estatal, da massa de leitores que andou a perder por outros chafarizes.

Coincidiu pelo bem, também, este episódio, com a conclusão da instalação da nova Entidade Reguladora da Comunicação Social (ERCA). Mesmo se, sobre a unanimidade em torno do topo (afamado a torto ou à razão de dinossauro), a alegação carece de apurada confirmação. Mas, o passo do diário sintonizou sintomaticamente com um inovado discurso editorial do ministro do pelouro. E, avivou, em boa hora, a reivindicação do Sindicato de Jornalistas em prol da Comissão da Carteira, Deontologia e Ética. É neste foro, deveras, que se dirime em primeira instância as queixas de difamação e contencioso afim. Não, como voltou (a 19 do corrente, dia santo do virtuoso São José, Pai do Redentor, vejam só!), a acontecer com o processo de duas figuras da mídia. Oxalá, o filme termine por este cenário, a bem dos tribunais do país, que têm campos mais solícitos e urgentes onde podem reabilitar a sua reputação. Quem lucra com a frequente exposição de jornalistas em mártires do flagelamento judicial? A sofrida pátria, carente de fiabilidade internacional? Rigorosamente, não.

À margem destes fogosos contornos volúveis, a diocese do Namibe espraiou a doçura aguardada da Iª Assembleia Anual da CEAST. O comunicado final (aberto ao sufrágio da mídia livre) elucidou as luzes e sombras da Igreja Católica, fruto da introspeção e penitência ensaiada. Salientamos este enfoque do magistério do Namibe, ao exortar, citamos, finalizando: “um envolvimento mais vivo de todos, renovando cada vez mais o zelo apostólico, ocupando os muitos espaços vazios no mundo da política, da economia, da cultura e da ciência, sem pormos de parte a ocupação dos espaços geográficos, a fim de sairmos da mera pastoral de manutenção para uma pastoral do anúncio e do testemunho”.

(Uma coprodução de Siona Casimiro e P. Maurício Camuto. Apresentação de Esmeralda Chiaca).

Luanda, quinta-feira 22 de Março de 2018.

 

 

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