Moradores do bairro KM9B em Viana privados da água potável a mais de três anos

O bairro KM9B, afecto ao distrito da Estalagem, município de Viana, está privado do fornecimento da água potável desde 2016, altura em que terão sido fechadas as válvulas. Os moradores entendem que o problema não é resolvido por falta de vontade das autoridades locais.

Em 2016, depois de três anos de fornecimento regular, a água deixou de jorrar. Os moradores recorreram à delegação municipal de Energia e Águas de Viana, e à Administração municipal, das quais nada lhes foi dito, no que a resolução imediata diz respeito. “Pediram-nos os números de telefones, mas nunca nos contactam para, pelo menos, explicar o que se passa”, disse o Senhor Miguel António, morador do Bairro há mais de 20 anos.

O mesmo acrescenta que só depois de recorrem à Radio Ecclésia, a apresentar as várias reclamações que fizeram, através de cartas, é que obtiveram alguma resposta, por via da qual, o então Administrador Adjunto para área técnica e infraestruturas da Administração municipal de Viana, Fernandes Binge, havia explicado à Emissora Católica de Angola, que o problema estava relacionado com actos de vandalismo na conduta de água, naquela zona.

Os moradores do bairro refutam desta tese, “visto que 72 horas depois de o assunto ter sido difundido na Comunicação Social, a água voltou a jorrar, mas durou apenas um mês”, lembrou o senhor António Miguel.

Algum tempo depois voltaram a reclamar junto das autoridades municipais, em cartas, às quais tivemos acesso, explicando o problema, mas a água só voltou a jorrar das suas torneiras, nas véspera das eleições gerais de 2017.

Os mesmos adiantam ainda que em Novembro daquele ano, a água deixou de jorrar novamente, situação que perdura até a presente data.

António Ngombo, outro morador do Bairro refere que estão ilhados, pois dizem que oito dos 11 sectores do bairro continuam a beneficiar-se da água potável das suas torneiras.

Apesar desta problemática, os mesmos afirmam que a EPAL continua a notificá-los para o pagamento regular das facturas mensais.

António Ngombo, diz que sempre que recorrem aos órgãos de Comunicação Social para ver resolvida a situação, em função do silêncio das autoridades, têm sofrido represálias por parte de elementos da comissão de moradores do Bairro, por estes entenderem que “queremos lhes tirar o pão”.

Aquele morador diz ainda que um responsável da EPAL, a nível daquela comunidade, garantiu-lhes que a Empresa Pública de Águas de Luanda suspeitava-se que o problema está relacionado com o fecho da válvula da manilha que distribui água ao bairro, mas que a resolução está a depender de uma máquina retro-escavadora, que se encontra no município de Cacuaco.

Dona Esperança Kadeth, de 56 anos, diz que a falta da água naquele bairro tornou-se insustentável. “estamos a consumir água das cisternas e está muito cara, uma cisterna está 30 mil kwanzas, e um bindon de 20 litros custa 100 kwanzas. Estamos com dificuldade de mandar os nossos filhos à escola, por falta de água”, rematou.

Entretanto, o porta-voz da Epal, Amândio Zumba, disse, há uma semana, que os técnicos da empresa pública de águas, já estavam no local a verificar a situação, pelo que só depois faria um pronunciamento oficial à comunicação social. Até ao momento, nem a reacção nem a reposição da água aconteceu.

Por: Manuel Camalata

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