Mudança Transversal

VISÃO JORNALÍSTICA

Em verdade e lição do recente processo eleitoral, a necessidade de mudança impõe-se transversalmente. Pois, o cunho interpela os actores de todos os quadrantes, onde se usou e abusou o vocábulo “mudança”: o poder, a oposição e outras forças sociais.

O poder, em primeiro lugar, deve agora confirmar a substância do ‘slogan’ de campanha do seu centro nevrálgico, o MPLA: “Corrigir o que está mal e melhorar o que está bem”. Este foi o mote da cruzada para angariar o voto preferencial. Chegou a hora da prova dos nove desta retórica, na prática, a avaliar pelo público no termo dos 100 primeiros dias do novo executivo a instituir. A instituir quando? Provavelmente, na semana a seguir ao 26 de Setembro em curso, data de investidura do novo Presidente da Republica e do Vice-Presidente. A equação da mudança abarca o encargo dos órgãos relevantes do Estado de sustentação das eleições. Destacamos aqueles de papel mais badalado: MAT, CNE, Tribunal Constitucional. Abarca-os sensatamente, pelo prejuízo do seu défice operacional “à fé pública eleitoral”, parafraseando a perita Juíza Conselheira Imaculada de Melo. O traço público dos citados órgãos apela para a contribuição cívica da sociedade, não podendo ficar uma reserva das instituições do Estado.

De resto, “mudança” é o que clamou, igualmente, todos os componentes da oposição, na perspectiva de granjear a preferência do eleitorado. Porque volvida essa perspetiva, abandona-se igualmente o lema? Não persistirá, o mesmo, antes, no balanço profundo dos resultados e na ânsia de progredir no futuro? Pela presença de factores endógenos que explicarão parte do insucesso momentâneo, temos a impressão que o lema manterá a sua actualidade. E os próprios interessados amadurecerão as subsequentes respostas exactas.

Já salientamos o belo impacto inovador da vivacidade ascendente da cidadania. Valorizamos: as redes sociais; o jornalismo que preza a deontologia; a observação jurídica especializada; o isento olhar internacional; a palavra profética da Igreja; o exímio envolvimento de demais individualidades e colectividades.

Toda a melhoria adicional terá impacto sobremaneira na apurada organização, eficiência e credibilidade dos processos vindouros. E a onda pode mesmo apressar o rápido agendamento das autarquias, doravante o melhor barómetro chegado da verdade eleitoral.

Por ventura, a necessidade de mudança chicoteou a consciência universal em nova tragédia humanitária. Digamos por ventura, pois simultânea à abertura da 72ª Assembleia Geral das Nações Unidas, ocorrida no princípio desta semana. Refluiu na manchete da mídia internacional, a crise dos Rohingyas, uma minoria muçulmana perseguida em Myanmar, a antiga Birmânia. Milhares de membros desta minoria religiosa têm vindo a refugiar-se em recantos mais seguros, da vizinhança. Comoveram o Santo Padre, que voltou a solidarizar-se a seu favor, numa viva pedagogia de saber congregar a diferença. Fê-lo seguindo a firme linha ecuménica da sua oração no começo do ano em curso, ao eclodir do drama. Lembramos propositadamente: “ (…) Rezar (…) de modo especial pelos nossos irmãos e irmãs Rohingyas: expulsos de Myanmar, vão de um lugar a outro porque não os querem, ninguém os quer. É gente boa, gente pacífica. Não são cristãos, são bons, são irmãos e irmãs nossos! Há anos sofrem. Foram torturados, mortos, simplesmente porque levam em frente as suas tradições, a sua fé muçulmana”.

(Uma coprodução de Siona Casimiro e P. Maurício Camuto. Apresentação de Esmeralda Chiaca)

Luanda, quinta-feira 21 de Setembro de 2017.

 

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