Os missionários levam o orgulho da nossa bandeira: Sebastião Martins

capuchinhosTodos os dias deparamos com um sem-número de empresas nacionais e internacionais a recrutar para as mais diversas áreas. Os nossos jovens estudam, qualificam-se, bem sabemos a que custo, trabalham e, honrosamente, não poucas vezes vão lá para fora mostrar o quão bons são, erguendo assim com orgulho a bandeira angolana além-fronteiras.

O Papa Francisco fez no mês passado um anúncio público aos jovens, um «recrutamento» para a «área do Senhor»: pediu mais jovens Missionários para anunciar a alegria do Evangelho. E agora eu interpelo – como o Santo Padre –, quantos de nós vemos este anúncio público? Quem está disposto a trabalhar nesta área? Quantos de nós sentimos o chamamento do Senhor para o seguir?

Façamos uma analepse – recuemos no tempo – para perceber como a alegria cristã tantas vezes anunciada, mas quase sempre esquecida, foi cultivada na nossa Pátria. Para tal, invoco os Missionários que não pouparam esforços para que a semente do Evangelho crescesse e deixasse um legado tão rico entre nós e tantas «vagas» para quem as quiser preencher.

Foi a partir dos anos 40 do século XX que em Angola se instalaram muitos institutos de vida consagrada para que o amor e a fé em Cristo invadissem os corações dos crentes. Falo-vos da presença activa e efectiva dos Missionários do Espírito Santo – desses bem-aventurados fiéis atentos à palavra ou «anúncio» do nosso Pai – que mostraram a sua disponibilidade e entrega, por meio de três sementes: a evangelização, com o contributo das catequeses; a promoção do desenvolvimento humano, com a construção de escolas e de centros de formação profissional; e a edificação de igrejas locais, que permitiram o desenvolvimento de uma comunidade de fiéis cristãos.

Tornámo-nos maioritariamente cristãos com um século e meio da presença dos Espiritanos em Angola e, no período anterior à independência, foram eles quem trouxeram para a nossa Pátria padres e irmãs franceses, holandeses, belgas, alemães, suíços e espanhóis e juntos numa verdadeira missão abriram o Evangelho da alegria que cimentou e qualificou o nosso povo rumo à liberdade.

Não podemos esquecer-nos de todos os clérigos que, outrora, morreram na sua missão cristã e que por nós foram presos e exilados, para defender o que nos identifica: a nossa cultura e as nossas tradições.

Apesar da distância temporal, não faz mal nenhum chamar para aqui Confúcio – o filósofo e pensador que, apesar da sua cultura oriental, nos aproxima da doutrina da humanidade, em que há uma crença ideológica que se assemelha ao físico do ser humano: do mesmo modo que todos os Homens têm quatro membros, independentemente da cor da pele, da crença, do século e do continente em que vivam, têm também quatro princípios inatos: «um coração misericordioso e compassivo – o princípio da humanidade; o sentimento da vergonha e da aversão – o princípio da equidade e da justiça; o sentimento da abnegação e da cortesia – o princípio do convívio social; o sentimento do verdadeiro e do falso ou do justo e injusto – o princípio da sabedoria».

O que pretendo dizer é que nesta distopia em que vivemos – neste Admirável Mundo Novo –, de anúncios e de aplicações, aqueles princípios de Confúcio, que faziam sentido no seu tempo e na sua cultura, são ainda hoje transversais a todos nós.

É o seguinte, se me faço entender: o sentimento de humanidade, a justiça, o convívio social e a sabedoria nascem connosco, são como que uma herança ingénita, não há necessidade de os formar de raiz, mas sim de os desenvolver. Não tenho medo de dizer que acredito que estes valores ou princípios nascem connosco, só temos de os cultivar numa missão de entrega aos outros, numa mensagem de salvação; e isto não compete só aos Missionários que vão para longe, compete-nos a nós, Homens, que estudamos, trabalhamos, sustentamos famílias e vemos todos os dias uma caterva de anúncios que não correspondem às nossas expectativas.

Diante das necessidades de África e do nosso território, reconheço o trabalho dos Missionários e da Igreja Católica no nosso continente. Olhemos para este «anúncio público de emprego», este sim que é para toda a vida. Somos, sim, capazes de continuar o trabalho dos Missionários, educar, formar cristãos por todo o mundo, cristãos conscientes da importância da liberdade entre os Homens, da beleza da negritude e do chão sagrado das nossas tradições.

E eu? E tu? E vocês? Estamos dispostos a contribuir para um trabalho voluntário, ouvir o chamamento do Senhor, regar a semente do Evangelho e anunciar a sua alegria?

Sebastião Martins (Leigo Católico)

O Apostolado Nas Redes Sociais

Twitter O ApostoladoFacebook Jornal O Apostolado

Apostolado Divisoria


Apostolado Divisoria


Apostolado Divisoria


Apostolado Divisoria