O mundo salve as crianças famintas e violentadas na RDC

“O mundo não deve fechar os olhos perante a trágica situação em que se encontram as crianças e as famílias na região do Grande Kassai, na República Democrática do Congo; situação ligada às  terríveis violências perpetradas pelo Governo e os grupos filo-governamentais de um lado, e pelas milícias antigovernamentais, de outro.

O UNICEF, Fundo das Nações Unidas para a Infância, lança um premente apelo, chamando também a atenção para as crescentes necessidades humanitárias daquele país africano, onde as contendas políticas se agudizaram depois que o Presidente Joseph Kabila, no poder desde 2001, manifestou a intenção de não abandonar o poder no final do seu mandato fixado para 19 de Dezembro de 2016 e de querer modificar a Constituição por forma a poder concorrer para um terceiro mandato.

De nada serviu a tentativa de trazer a paz social ao país mediante um acordo alcançado entre as partes no passado dia 31 de Dezembro, com a mediação dos bispos católicos. O acordo previa a manutenção de Joseph Kabila no poder até à realização das eleições até finais deste ano de 2017 e a nomeação de um governo de transição. Mas, até hoje, não se conseguiu criar esse tal governo.

Um dos sinais inquietantes é o homicídio de dois peritos das Nações Unidas e do seu interprete, cujos corpos foram encontrados no passado dia 29 de Março numa fossa. Eles tinham ido à RDC para verificar as sanções impostas ao Governo de Kinshasa pelo Conselho de Segurança da ONU.

Um preço alto, no clima de insegurança geral, está  também a pagar a Igreja católica, que lançou um apelo às autoridades congolesas pedindo-lhes para libertarem dois sacerdotes raptados na noite de 16 para 17 de Julho, na Diocese de Beni-Butembo no Norte do Kivu. E não se têm notícias do paradeiro de outros sacerdotes sequestrados em Outubro de 2012.

A população da RDC, mais de 80 milhões de pessoas , é quem mais sofre. Terça-feira, 8 de agosto, foram pelo menos 12 as pessoas mortas em Kinshasa com armas de fogo em diversas zonas da cidade, entre as quais nas proximidades da prisão no centro da capital assaltada no passado mês de maio e donde fugiram 4 mil prisioneiros.

Entre as zonas mais atingidas pelos sangrentos confrontos, está a do Kassai, região mineira, base dos apoiantes e terra natal de Etienne Tshiekedi, histórico opositor do Presidente Kabila, falecido no passado em Fevereiro deste ano. Ali, um milhão de pessoas foi obrigada, nos últimos 12 meses, a abandonar as suas casas. De entre elas, 850 mil crianças. O Alto Comissariado da ONU para os Refugiados (ACNUR ) denunciou na semana passada “crimes contra a humanidade” e “práticas de limpeza étnica” perpetradas contra a população, tanto por soldados governamentais como pela milícia rebelde. Nos últimos três meses – documentou a agencia da ONU – mais de 250 civis foram assassinados, e entre eles 62 crianças em grande parte com menos de 8 anos. Na região foram encontradas 80 fossas comuns e entre os sobreviventes em fuga, cerca de 40 mil foram para a vizinha República de Angola. Entre elas se encontram pessoas mutiladas de maneira atroz. Elas contaram episódios inimagináveis de familiares queimados vivos nas suas casas incendiadas, de violação sexual de crianças e adolescentes, inclusive obrigados a beber o sangue dos seus pais mortos.

Daí “um apelo muito sério dirigido pela ACNUR ao Governo da RDC e ao Presidente Kabila a fim de que “intervenham imediatamente para impedir o expandir-se da violência” e “para respeitar a obrigação de proteger toda a população qualquer que seja a sua etnia de pertença, na região de Kassai”

A infância violada de todos os modos, “nada pode justificar estas acções”: é o grito de ajuda que lançou Marie-Pierre Poirier, Directora regional do UNICEF para a África setentrional e central.

Quando acolhemos os imigrantes na nossa costa devemos pensar também em tornar possível a vida nos seus países – frisa por sua vez Giacomo Guerrera, Presidente do UNICEF- Itália, relançando o convite à comunidade internacional a intervir rapidamente a fim de salvar pelo menos 400 mil crianças congolesas da má-nutrição aguda e grave que, associada às consequentes patologias, torna impossível a sua recuperação.

 

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