Muxima. Kassinda.

 

                                                                                                                                                      VISÃO JORNALISTICA 

Dois nomes disputaram o topo da actualidade com a campanha eleitoral na semana passada. Muxima e Kassinda. Um sacro e outro profano. A peregrinação a Muxima equivale à nossa Fátima em Angola. Antecipou-se no calendário normal neste ano, realizado nos dias 5 e 6 de Agosto corrente e não em Setembro como de costume. Nem este ajuste, motivado pelas eleições de 23 próximo, afectou o carisma da mais massiva manifestação de fé dos Angolanos. E o inebriante espetáculo a que nos habituou, com a ebriedade multicolor das bessanganas e toda a variedade de panos africanos; a vigília com fachos de velas iluminando a escuridão à beira das águas do rio Kuanza esfriadas pelo cacimbo; a romaria de ofertórios em meio a vibrantes coros… Tudo isto, sem sufocar a magia criativa das inovações de cada edição, a partir do lema, que foi desta feita, salientamos: “Jovens, com Maria Caminhemos hoje ao encontro de Jesus”. Domingo passado, dia do encerramento, celebrou-se ainda a festa da ‘Transfiguração do Senhor’. A diocese de Viana, cuja jurisdição canônica integra o Santuário, comemorou, na mesma data, o Xº aniversário da sua fundação. O Bispo, Dom Joaquim Ferreira Lopes, aproveitou a feliz coincidência para uma breve retrospetiva do percurso da sua jurisdição. Sem um sacerdote autóctone em 2007, conseguiu já ordenar 23 até à data. Em paralelo, o espaço territorial conhece outra vitalidade, com destaque para as obras públicas, que lhe mudam o panorama e encurtam distâncias. A este título, o prelado exemplificou, citamos, igualmente: “Da sede da diocese, em Viana, eu fazia meio-dia para aqui chegar. Agora faço duas horas”. Dom Joaquim referia-se ao impacto que tiveram a melhoria da estrada e a construção da ponte de acesso à área do Santuário da Muxima.

Mais particularidades observadas nesta edição: a sobriedade piedosa no geral (longe dos sintomas de sincretismos de outrora); o apelo ao não uso de bebidas alcóolicas; e o rigor da neutralidade partidária no local. Até na tribuna das individualidades civis, ninguém envergou um traje evocativo da sua freguesia de competição. Nesta linha, a própria homilia episcopal circunscreveu-se na temática confessional, descurando a envolvente de frenesim eleitoral.

Longe do mesmo frenesim, uma boa parte da elite luandina optou por acorrer ao lançamento de um livro bastante mediatizado ao longo da semana. O seu título: ”ANDRÉ KASSINDA – Um Angolano. Um Ideal. Uma Vida”. Autor: Sebastião Martins, nada mais, nada menos que o ministro angolano do Interior há alguns anitos atrás. Desde três anos para cá, entendeu honrar o progenitor que não conhecera. Tinha 5 anos quando o papá mergulhou de corpo e alma na luta anticolonial, que o levou ao exílio na RDC. Por ali, ascendeu ao círculo mais chegado de Holden Roberto, o líder independentista de maior visibilidade nos anos ’60. Um conflito, a dado passo, com o chefe, acabou por lhe ser cruelmente fatal. O órfão pesquisou intensamente sobre a nebulosa trajetória paterna e acabou por lhe produzir uma biografia dignificante. Valeu, para si, o consolador resgate póstumo da memória do ente querido.

Para o país, vale esta advocacia adicional para uma Comissão da Verdade sobre a história da pátria, inclusive as suas facetas dolorosas. Vale exorcizar os dramas do género, sensibilizando as novas gerações para o imperativo de se virar a página do fratricídio. Este, nunca mais!

Esforçando-se por conter as lágrimas, Sebastião Martins galvanizou a assistência aglomerada no salão do memorial de Agostinho Neto. A plateia secundou-lhe em coro, quando emocionado, entoou o seguinte trecho do popular cancioneiro católico, moderno, citamos: “Como hei-de agradecer a tamanha graça que o Senhor me concedeu? Ô, meu Deus, como hei-de agradecer!”. (Fim de citação.

Uma coprodução de Siona Casimiro e P. Maurício Camuto. Apresentação de Esmeralda Chiaca.)

Luanda, quinta-feira 10 de Agosto de 2017.

 

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