Na Crista da Onda

 

A Comissão Nacional Eleitoral (CNE) proclamou os tão esperados resultados definitivos. Aconteceu ontem, com a onda de choque cuja previsibilidade amorteceu o drama. Dissemos drama; não a seriedade, esta, de alta visibilidade no pingue-pongue da azeda polémica desde domingo passado. Que coisa matreira, a política, que se atreve até a profanar o dia do Senhor! Tudo porque na véspera, a CNE anunciara o fim do ciclo provincial de apuramento das suas contas. Sem significativa alteração daquelas consabidas, que lembramos: 1) MPLA (61,04%); 2) UNITA (26,72 %); 3) CASA-CE (9,49 %); 4) PRS (1,33 %); 5) FNLA (0,91%); 6) APN (0,50 %).

A áspera contestação levou meio mundo a ensaiar-se de bombeiros. Debalde, por enquanto, na espiral das posições registadas de parte a parte! Na crista desta onda e deontologia de objectividade, invade a consciência (alérgica à castração) uma série de questões de e para todos azimutes. Detalhamos.

  • Será que os resultados anunciados não vieram das urnas conforme conferidas nas actas-sínteses, co-assinadas nas mesas de voto pelos delegados dos partidos?
  • Porquê os contestatários não exibem as suas contagens paralelas à CNE, para posterior recurso eventual ao Tribunal Constitucional?
  • Não mostrou razão de sobra, neste tribunal, a declaração de voto da juíza Imaculada de Melo, ignorada pela midia pública para não variar?
  • Ou o crescido grau de vigilância jurídica na cidadania, a perita evocação do instrumento de ‘Habeas acta’ pelo confrade William Tonet?
  • Quem lucra, ao fim e a cabo, com a estratégia e linguagem de confronto, quando se espera uma regulação conciliadora?
  • Em infindável litígio, que beleza terá o fruto que brota de um jardim ruim, à imagem de uma CNE sem lisura consensual?
  • E de um areópago de magistrados com mandatos expirados, contando a partir do acto de nomeação e acesso às inerentes mordomias?
  • Que maturidade há em tentar inverter o aparente avanço adverso na subterrânea jogada geopolítica?
  • No legado deserto de flexibilidade, que garantia têm, as forças morais, de curvarem, aos seus isentos juízos finais, os contendores?

Quiçá, a breve prazo surjam respostas inequívocas a este enxame de dúvidas. Por enquanto, a roda do tempo impõe a marcha na delicada conjuntura que se abeira da zona de risco máximo, nos três próximos dias. Hoje, em princípio, a CNE notifica a todos com a sua acta final, contendo o quadro definitivo (para o prazer de uns e desgosto de outros). Nestas 72 horas, saberemos o modo exacto de acolhimento da fatídica comunicação, entre a acomodação e a rejeição. Quinze dias depois, acontecerá a investidura do novo Presidente da República eleito e seu Vice. Nomeadamente, João Manuel Gonçalves Lourenço, e Bornito de Souza. Em sucessão comovente de José Eduardo Dos Santos (após 38 anos no singular cargo) e Manuel Vicente.

Na navegação até lá, nada melhor do que se socorrer da receita prescrita pelos nossos Bispos. Citamos:

«… Nesta hora singular do nosso País, devemos incorporar “tudo o que é verdadeiro e nobre, tudo o que é justo e puro, tudo o que é amável e de boa reputação, tudo o que é virtude e digno de louvor”, para que o Deus da paz esteja sempre connosco (CF.FIL. 4,8.9B). Viva Angola e todos os seus filhos e filhas.». Foi o remate final da Nota Pastoral da CEAST, publicada a 29 de Agosto último após retiro espiritual e consentânea à presente pulsação da vida nacional.

(Uma coprodução de Siona Casimiro e P. Maurício Camuto. Apresentação de Esmeralda Chiaca)

Luanda, quinta-feira 07 de Setembro de 2017.

 

 

 

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