Na Ressaca do I CENA

VISÃO JORNALÍSTICA

Findou o aparente sono da ‘Associação Justiça Paz e Democracia (AJPD)’ na semana passada. A sensação alegrou boa gente pelo crédito granjeado por esta associação em seriedade e regularidade funcional. A pertinência, o juízo e o equilíbrio dos seus pronunciamentos e posições aureolaram-na como uma joia da genuína sociedade civil no país. Pareceu hibernar desde algum tempo, em meio de boatos sobre desarmonia interna e austeridade forçada pela míngua da generosidade internacional. Felizmente, inverteu a impressão a seu jeito, saindo o seu terceiro relatório sobre o estado da justiça. A obra versou no período entre Março de 2013 a Dezembro de 2015, com atualizações em 2016 e início deste ano. E eis um cheirinho do seu teor tal como aferiu o título sintético do despacho da agência LUSA: “Justiça angolana avançou na produção de leis mas continua atingida pelo fenómeno da corrupção”. A pesquisa admitiu mutação nos domínios da legislação, das infraestruturas e dos recursos humanos. Porém, completou o docente e jurista António Ventura, apresentador do documento, “a maior parte dessa legislação estruturante (…) não está a ser aplicada”. Completa, neste sentido, com recomendações para os diferentes atores.

Ainda pelo positivo, o Centro de Estudos e Investigação Científica da Universidade Católica de Angola (CEIC) reafirmou a sua crescente autoridade. Apresentou nesta linha o seu 14° relatório anual, o qual destacou quanto “as dificuldades do país têm-se vindo a acentuar desde 2014“. A amarga constatação parte do frio escrutínio dos indicadores tais como: o Produto Interno Bruto (PIB), o desemprego, o preço do barril de petróleo, as carências das alternativas a breve trecho. Para a reviravolta, o Diretor do CEIC e economista, Alves da Rocha, reiterou vivamente a sua advocacia de “reformas estruturais”.

A montante da positividade da AJPD e do CEIC, o sector da mídia reforçou a deceção. Entristeceu-nos, sábado último, a Assembleia Extraordinária do MISA-Angola, manchado pelo mandato expirado. A esperança está adiada para o dia 29 de Julho próximo, definido como data para a eleição dos novos corpos sociais. Mas, a minúscula presença verificada sábado passado na sede da UEA desabona o otimismo beato na mudança. Do lado da mídia pública, o ‘Jornal de Angola’ estreou mais um novo ‘design’, de matiz gráfico mais lépido e ágil. A edição inaugural, de segunda-feira 26 do corrente, explicou o figurino no editorial intitulado “Um jornal sempre do povo”. Em verdade e caridade, basta este enxerto do majestoso artigo: “(…) No fundo o que está em causa é defender do caos e da anarquia a democracia, a liberdade de informação e a defesa dos direitos humanos e dos povos, para afirmarmos o tão caro conceito da Angolanidade”. A mesma edição, na realidade e em termos de fundo, olvidou a rubrica do processo eleitoral, no qual, recentemente, tentou uma ténue equidistância. E o espectro social da equipe de cronistas alistados, nesta estreia e numa coluna de primeira página, encabeçada por um emblema esotérico? Povo, com que paradigma, entre a unidade nacional e um gregarismo epidérmico? Confiamos, nas edições seguintes, na maior abrangência quer pela epiderme, quer na bitola editorial da democracia. Passo e obra de outro mundo? Não é.

Na ressaca do I Congresso Eucarístico Nacional (CENA), celebramos, por ventura, domingo passado, o Sagrado Coração de Jesus. Os fiéis e não só tiveram a oportunidade espiritual de revitalizar aquela presença que “nos impele ao mais, ao melhor, ao nobre, ao belo e ao digno, para sabermos ser bons cidadãos da terra e bons cidadãos do Reino dos Céus”. Parafraseámos apenas uma metáfora extraída de uma Homilia de Dom Manuel Imbamba, Arcebispo de Saurimo e Vice-presidente da CEAST, no I CENA, no Huambo.

(Uma coprodução de Siona Casimiro e P. Maurício Camuto. Apresentação de Tomás de Melo)

Luanda, quinta-feira 29 de Junho de 2017.

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