“Nkubika-Nkubika “, Autarquias à CEAST

VISÃO JORNALÍSTICA

Um traço da nossa idiossincrasia de raiz kikongo assaltou a atualidade. Chama-se “nkubika-nkubika”, na sua designação autóctone. Traduzida literalmente, na nossa língua oficial, a terminologia significa “apanha, apanha”, “junta, junta”. Equivale, na prática, ao ritual do balaio ou recolha das ofertas dos fiéis no culto católico e de muitas confissões cristãs. A sua densa tradição gerou e fortaleceu igrejas como a kimbanguista e a tocoista, bastante abrangentes no grupo etnolinguístico de origem. Estendeu-se até ao campo político, em que se destacou por exemplo na génese da União das Populações Angolanas (UPA). O seu vigor projetou-a para exímias formas de expressão da solidariedade humana em múltiplos ensejos. Entre eles, o enlace de um parente ou conhecido, o fim de uma formação, um óbito, etc. Veio à ribalta, agora, em favor do estado de saúde precário do político Ambrósio Lukoki, figura de alto apreço por muitos compatriotas, pela sua coerência. Faz parte dos veteranos do partido MPLA, e ainda famosos pela integridade. Simpatizantes do mesmo lançaram um apelo de ajuda humanitária a seu favor através de uma circular retomada nas redes sociais. Subscreveram o texto: o Embaixador Dombele Mbala Bernardo, Dr. Pedro Fernando José Canga e Prof. Nanizey André – todos, idosos. A presença do primeiro da lista desagradou o ministério de tutela, que abriu um inquérito sobre o insólito. Protestou, o Ministério das Relações Exteriores, em comunicado, fazendo referência à assistência que tem facultado a Lukoki, também Embaixador. O próprio declarou desconhecer a iniciativa desencadeada a seu favor, aferindo todavia a necessidade permanente de amparo. Entretanto, ele teve alta 24 horas antes, indicou. O desacerto destas versões aviva a curiosidade sobre o mistério subjacente. Logo, nada melhor do que esperar o desfecho do inquérito que terá de transitar os melindres de uma tradição esotérica para muitos. Aguça o insólito, a discrição da mídia pública sobre o episódio, entre o embaraço e a recorrência à chula censura de outrora.

Por outra, findou o período de consulta governamental sobre as autarquias. Nesta recta final, notabilizou-se o subsídio da CEAST, com a sua distinta equidistância e maturidade. Confirmou, no essencial, o pensamento referido meses atrás pelo porta-voz e Arcebispo de Saurimo, Dom José Manuel Imbamba. Claramente, mais elaborado e rico em relação às ideias avulsas, expostas naquela entrevista individual à TPA, muito seguida! Destacamos como novidades substantivas nesta já formal contribuição colectiva da CEAST:

− A proposta de Autarquias supra-municipais, que se desdobrarão a termo em municipais.

− Autarquias infra-municipais, a ensaiar em centralidades ou vilas auto-suficientes, mesmo sem dimensão de município.

− Criar um capítulo na ”Lei da Transferência de Atribuições de Competências do Estado para as Autarquias Locais”, relativo à tutela de mérito, sujeito à fiscalização do Tribunal de Contas, e tutela de legalidade, quanto aos actos que representam interesses nacionais no território autárquico.

Em ponto prévio, a CEAST advogou globalmente a prevalência das razões de justiça mais do que de estratégia política. Pois, vincou no remate final, citamos:

Que as oportunidades sejam iguais ou equiparadas, e todos usufruam das mesmas riquezas de crescimento e satisfação. Caso contrário estaremos a fomentar as assimetrias que queremos corrigir: não excluamos. Incluamos. Haja coragem e vontade política.

VISÃO JORNALÍSTICA.

(Uma coprodução de Siona Casimiro e P. Maurício Camuto. Apresentação de Tomás de Melo).

Luanda, quinta-feira 02 de Agosto de 2018.

 

 

 

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