Papa pede a Filipe Nyusi igualdade de oportunidades

O Papa Francisco disse hoje, no primeiro discurso em Moçambique, que “sem igualdade de oportunidades” não há paz duradoura. “Quando uma nação abandona na periferia uma parte de si mesma, não há políticas, nem forças de autoridade ou serviços secretos que possam garantir indefinidamente a tranquilidade e a paz”, referiu, no Palácio Presidencial da Ponta Vermelha, onde foi recebido pelo Presidente Filipe Nyusi, noticiou a Lusa.

O Governo e a Renamo, oposição, celebraram, em 6 de Agosto, um novo acordo de paz, o terceiro do país. No Palácio, perante o Papa, comunidade diplomática, membros do Governo, titulares dos órgãos de soberania e figuras políticas, Filipe Nyusi chamou, durante o discurso, os líderes da oposição no Parlamento.

“Estamos aqui com o meu irmão Ossufo Momade, que peço que se levante”, assim como “com Daviz Simango”, referiu o Chefe de Estado, num momento de ovação geral na sala.

“Citei estes dois porque são os que representam o nosso Parlamento, mas temos muito mais figuras políticas que estão aqui e no programa seguinte”, referiu Nyusi. O Presidente moçambicano saudou as figuras da oposição, defendendo uma cultura “de não-violência”, em que a política “é feita com força dos argumentos e não pela força das armas.”

Exemplo a seguir

Mais tarde, no encontro com os jovens, o Papa Francisco falou de Eusébio da Silva Ferreira como exemplo de um jovem que não caiu na resignação e na ansiedade, conseguindo, assim, cumprir os seus sonhos e chegar ao topo da sua carreira de futebolista.

”Sei que a maioria de vós gosta muito de futebol. Recordo um grande jogador destas terras, que aprendeu a não se resignar: Eusébio da Silva Ferreira, a Pantera Negra. Começou a sua vida desportiva no clube desta cidade. As graves dificuldades económicas da sua família e a morte prematura do pai não impediram os seus sonhos. A sua paixão pelo futebol fê-lo perseverar, sonhar e continuar para diante, chegando a marcar 77 golos para este clube de Maxaquene!”

“Não faltavam razões para se resignar. O seu sonho e vontade de jogar lançaram-no para diante, mas igualmente importante foi encontrar com quem jogar. Bem sabeis que, numa equipa, não são todos iguais, nem fazem as mesmas coisas ou pensam da mesma maneira. Cada jogador tem as suas características, como podemos descobrir e desfrutar neste encontro: vimos de tradições diferentes e inclusive podemos falar línguas diversas, mas isto não impediu de nos encontrarmos”, disse o Papa.

A Pantera Negra não foi o único exemplo apontado pelo Papa, que se referiu ainda a uma estrela moçambicana contemporânea, a atleta Maria Mutola “que aprendeu a perseverar, a continuar a tentar, apesar de não ver cumprido o seu anseio da medalha de ouro nos três primeiros Jogos Olímpicos que disputou; sucessivamente, na quarta tentativa, esta atleta, dos 800 metros alcançou a medalha de ouro nas Olimpíadas de Sidney. A ansiedade não a deixou absorta em si mesma; os seus nove títulos mundiais não a fizeram esquecer-se do seu povo, das suas raízes e continuou a olhar pelas crianças necessitadas de Moçambique. Como o desporto nos ensina a perseverar nos nossos sonhos!”

O Papa pediu que os jovens não se deixem nunca levar pela resignação nem pela ansiedade. “São grandes inimigas da vida, porque normalmente nos impelem por um caminho fácil, mas de derrota e a portagem que pedem para passar é muito cara. Paga-se com a própria felicidade e até com a própria vida.”

O Papa foi acolhido no Pavilhão de Maxaquene por uma multidão de jovens que cantavam pela reconciliação e que apresentaram uma série de músicas e actuações nas quais o tema da paz foi recorrente.

A tragédia dos ciclones que se abateram sobre Moçambique em Março e Abril deste ano também foi recordada por Francisco, que lembrou aos jovens do desafio que têm de proteger a casa comum.

“Infelizmente, há poucos meses sofresteis o embate de dois ciclones, vistes as consequências do descalabro ecológico em que vivemos. Muitos abraçaram já o imperioso desafio de proteger a nossa casa, contando-se entre eles tantos jovens. Temos um desafio: proteger a nossa casa comum.”

“Aqui, tendes um belo sonho para cultivar juntos, como família moçambicana, uma bela luta que pode ajudar-vos a permanecer unidos. Estou convencido de que vós podeis ser os artesãos desta mudança tão necessária: proteger a nossa casa comum, uma casa que é de todos e para todos”, disse.

O encontro com os jovens de diferentes comunidades e religiões foi o ponto alto do primeiro dia completo do Papa em Moçambique. No período da tarde, teve um encontro com o clero e religiosos e hoje participa numa missa campal em que são esperadas mais de 80 mil pessoas. Francisco chegou a Moçambique ao fim da tarde de quarta-feira e deixa o país amanhã, viajando primeiro para o Madagáscar e depois para as Maurícias, antes de regressar a Roma.

O Apostolado Nas Redes Sociais

Twitter O ApostoladoFacebook Jornal O Apostolado

Apostolado Divisoria


Apostolado Divisoria


Apostolado Divisoria


Apostolado Divisoria