Participante Antes Consumidora

VISÃO JORNALÍSTICA

Os sinais alentadores florescem na consciência nacional apesar dos pesares. Afirmou-se deste modo no sábado passado, o direito à manifestação. Pouco concorrido proporcionalmente, o protesto acusou uma tripla novidade, a saber: a própria causa; a simultaneidade em várias províncias; a observação pela Polícia do seu real papel de garantia só da ordem republicana. Focamos o primeiro elemento, isto é, a revindicação do emprego, em espreita à promessa eleitoral de João Lourenço, de 500 mil postos no seu mandato. De facto, o desemprego tende cada vez mais a ameaçar a estabilidade social. Em boa hora, bem o realçou o recém-designado Bispo de Cabinda, Dom Belmiro Chissengueti. Forte da sua experiência na Comissão de Justiça e Paz da CEAST, o prelado pintou na Rádio Renascença, no passado dia 18 de Julho, o seguinte quadro: «Um país que está em reconstrução deve consumir mão-de-obra, e mão-de-obra jovem, mas não é o que se nota. O desemprego é um problema social muito grande, porque os jovens, formados dentro e fora do país, estão sem muitas alternativas».

Na mesma conjuntura, o Sindicato dos Professores no Huambo exibiu um gesto ímpar de solidariedade da classe. Filiados seus ofereceram cestas básicas, do salário mensal, aos colegas transitoriamente privados de ordenado pelo Ministério das Finanças. Não urge, este órgão do executivo pôr cobro à sua demora burocrática? A credibilidade do Estado, enquanto ente de bem, reclama a responsável resposta célere e transparente.

Ainda bem que a temática do emprego acampa no cartaz da actualidade. Juntou-se aos rescaldos, sempre em brasa, sobre a França, idosa nação, mas jovem vencedora multicultural do mundial de futebol 2018. Animam as redes sociais, os comentários de celebridades como Barak Obama, Nicolás Maduro, o satírico sul-africano Trevor Noah, etc. Na onda, um jornalista enalteceu a transmutação dos elogiados atletas de ascendência africana no caldeirão da pátria francesa. Pois, deduziu, este confrade gaulês, em virtude das reputadas taras de má gestão no continente de origem, que “a mesma equipa seria dada a um país africano não passaria nem a primeira fase (…) essa equipe não tem nada a ver com África, a cor não é suficiente, Viva a França e bravo!” Dói, emotivamente, uma ilação tão frontal ao alérgico africanismo. Em consciência, como refutar, ao imaginar o destino de um talentoso Matuidi, se o pai angolano não tivesse “bazado” para a França nos anos 80! O certo deve-se contar com o triunfo francês para a sequela de uma radicalização da juventude africana exigindo uma melhor gestão dos seus países.

Nesta óptica, captamos o grito que os seus representantes lançaram aos Bispos Católicos da África Austral. Aconteceu com os Presidentes das Comissões Episcopais para Juventude da região, reunidos de 11 a 14 de Julho, na África do Sul. O encontro acarretou o seminário preparatório do Sínodo dos Jovens a decorrer de 3 a 29 de Outubro próximo em Roma. A CEAST esteve presente com Dom José Nambi, Bispo do Kuito, e D. Zeferino Zeca Martins, Bispo auxiliar de Luanda. Saíram impressionados pelo veemente pedido dos jovens africanos contra o genocídio dos colegas que tentam bravar o Mediterrâneo à caça de outras oportunidades de vida. Demais anseio frisado neste colóquio junto dos Bispos foi, citamos: “que a juventude não seja apenas consumidora de factos meramente políticos, traçados pelos adultos, mas que seja ela também participante na feitura destas políticas que eles dizem que têm como destinatários os jovens”.

VISÃO JORNALÍSTICA.

(Uma coprodução de Siona Casimiro e P. Maurício Camuto. Apresentação de Tomás de Melo).

Luanda, quinta-feira 26 de Julho de 2018.

 

 

 

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