Pé no Acelerador

VISÃO JORNALÍSTICA

João Lourenço encabeçará a lista do MPLA nas iminentes eleições gerais. E tornar-se-á Presidente da República, sucedendo José Eduardo Dos Santos, caso o seu partido ganhe.

A notícia fluiu nos órgãos proeminentes da mídia internacional, pela sua carga de ‘scoop’. A carga noticiosa tem sido a chave de acesso natural nesta categoria de imprensa, em honra do seu profissionalismo. E não a propaganda barata ou o voluntarioso proselitismo, de gostos totalitários!

No espaço analítico, entretanto, os comentários abundam e prosseguirão, ao ritmo do campo movediço que vai, por norma, do virtual ao real. Ou seja, o percurso tradicional, que deve provar o novo, na caminhada até substituir o velho, de jure. Pese embora o espinhoso itinerário, o seu arranque assinalou, claramente, o pé no acelerador rumo ao pleito, por parte do partido no poder. Um pleito a realizar-se, portanto, daqui a seis meses apenas. Distrair-se-ão, os demais competidores, na cómoda leitura superficial deste elemento, adiando a equação lúcida das suas estratégias? Os próprios responderão e os observadores avaliarão.

A objetividade do tempo fez, curiosamente, coincidir o ‘scoop’ de Angola com uma significativa necrologia na vizinhança. Isto é, a morte de Etienne Tshisekedi, opositor histórico na RDC, de créditos firmados por singular aposta pacífica na Democracia e no Estado de Direito. Faleceu em Bruxelas, vítima de embolia pulmonar, já controversa pelas paixões e carisma da sua liderança nevrálgica na conjuntura política. A ONU, que mantém nesse país a sua mais numerosa força de paz, vigia a situação, no fio de tortuosas tractações mediadas pela Igreja Católica.

Parte da estrofe final da Oração hodierna pela Paz tem consolado oportunamente, ao enfatizar que “é morrendo que se vive / para a vida eterna”. Ora, a tragédia perturba amiúde a lucidez dos sobreviventes de um lado e outro. Os riscos, de o incêndio, uma vez ateado, transbordar logo para Angola, interpelam a um pronto envolvimento da diplomacia preventiva.

Aconteceu em boa hora, o convite feito pela Igreja em Angola aos pares da RDC, para participar na reflexão cujo tema foi “A teologia face aos desafios da África hoje”. A actividade decorreu em Luanda, no convento dos Frades Dominicanos, de 1 a 4 de Fevereiro, com preletores vindos de vários cantos do mundo, nomeadamente: África do Sul, Burundi, Espanha, França, Quénia, Portugal, República Checa, República Democrática do Congo, Togo, Tanzânia. A representação nacional teve uma composição ecuménica, associando doutores da fé de outras confissões religiosas significativas de Angola.

Em substância, as recomendações finais do Colóquio realçaram a valorização das culturas locais.

No encerramento, o anfitrião-mor, Dom Filomeno Do Nascimento Vieira Dias, Presidente da CEAST e Arcebispo de Luanda, exprimiu este sentimento:

Com grande elevação, creio que saímos todos enriquecidos e iremos continuar esta reflexão ao longo do tempo, nos vários ambientes da nossa presença pastoral, da nossa presença académica e da nossa responsabilidade como líderes de comunidades e construtores de uma sociedade, que precisa desta luz que vem do alto, para se transfigurar e para que a beleza da imagem de Deus permaneça no criado”.

Quanto, não valeria, à comemoração da efeméride do 4 de Fevereiro – mesmo profana -, gozar de luz análoga? Uma analogia científica, para além das mitologias das capelas nacionais e seus estereótipos fratricídios. A ministra da Cultura presidiu ao acto central este ano. Mera rotação de responsável ministerial ou melhor acerto gradual da reconciliação nacional? Bem-haja, caso seja a segunda hipótese. De resto, continuaremos gratos a Deus e aos ancestrais da pátria-mãe!

 

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