Praças, Mercados e Eleições

 VISÃO JORNALISTICA 

Praças e Mercados. Os dois espaços tornaram-se o melhor espelho da campanha eleitoral aberta a 22 de Julho passado. Os concorrentes relevantes investiram no primeiro campo. E o MPLA, o partido da maioria cessante, a demonstrar proeminência iniciada na fase da pré-campanha. Acentuou o exercício de aglomerar impressionantes molduras humanas nos imensos descampados de todas as sedes provinciais. E investiu o resto da paisagem urbanística até à rural com as bandeiras rubro-negras, dísticos, ‘outdoors’ e demais condimentos publicitários. A estratégia transpira a todo vapor a riqueza dos recursos, ostentada em cada saída do seu candidato. Aumenta a vantajosa posição: o parcial desvelo mediático sobre si; as regalias do sistema totalitário de partido-Estado; a experiência governativa; a chuva de inaugurações eleitoralistas; o rejuvenescimento dos candidatos à liderança; etc.

Para driblar o sufoco, não há outra alternativa aos demais pretendentes, senão desenrascar-se com as miudinhas ferramentas de sobra. A começar pelo maior seguidor cessante, a UNITA, que talvez venha a beneficiar, no final de contas, ​do efeito psicológico da misericórdia do Senhor. O galo negro tem feito das tripas coração para se manter no mega palco da bipolaridade, disparando argumentos de impacto tais como: – a declaração de bens, singular do seu líder às antípodes da fama dos corruptos; a exigência do debate público com o adversário; a proposta de observadores sérios do processo; a exploração judiciosa do parco tempo de antena (o seu projeto de ‘TV Raiar’ confinado na experimental banda livre); um tecto concreto de salário mínimo nacional; a garantia de extensão do sinal da Rádio Ecclesia em todo o país; etc. Desdobrou, também, a sua caça de eleitores nos mercados, conhecidos como porto-franco mercantil de qualquer pobre tostão.

Terceira força do mandato cessante, a CASA-CE tem mostrado a ambivalente vitalidade promissora nas duas pré-citadas esferas. Parece tirar bem partido do carisma do seu cabeça-de-lista, do recente alargamento da sua composição e da regeneração geral do eleitorado.

Os três restantes concorrentes (PRS, FNLA, APN) têm-se concentrado mesmo nos mercados, à medida das suas finanças de crise.

O que se pode prognosticar num quadro inquinado de tamanha discrepância de recursos? Naturalmente, as perspectivas sorriem aos paquidermes, o maior no topo, não se excluindo o milagre em ponderação hipotética de um terreno movediço. Em que proporção? O interesse efectivo prende-se doravante neste foro da exatidão aritmética dos augúrios.

Entrementes, derrapagens de outrora beliscaram a lisura cívica, com tristes ocorrências tais como: um jovem morto pela polícia quando fugia depois de ter posto fogo a uma bandeira do MPLA; registo de delitos de intolerância política em vários cantos e recantos do território nacional; ostentação das inclinações partidárias de certos actores religiosos e tradicionais…

Neste particular, volta a vibrar a pertinência do clamor profético da CEAST, a hierarquia da Igreja Católica em Angola, sobre o presente momento. O apelo exortava os líderes das confissões religiosas e as autoridades tradicionais a darem, citamos: “um testemunho de unidade no respeito pela diversidade de opções que caracteriza o sistema democrático. Recordamos que a natureza e a dignidade da autoridade tradicional é anterior e transcende os partidos políticos. Por isso, apelamos à sua não instrumentalização e que eles mesmos também não se deixem instrumentalizar.” (Fim de citação.

Uma coprodução de Siona Casimiro e P. Maurício Camuto. Apresentação de Esmeralda Chiaca)

Luanda, quinta-feira 03 de Agosto de 2017.

 

 

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