Primeiro Congresso Eucarístico Nacional – 1.º CENA

 

                                                                                                   Missão e Participação do Leigo na Evangelização:

                                                                                                   Paróquia, Areópago da Sociedade e do Mundo

                                                                                                                     Huambo 15.Junho.17

Eminência D. Manuel Cardeal Clemente Patriarca de Lisboa e Delegado Pontifício ao I CongressoEucarístico Nacional de Angola;

Excelência Reverendíssimo D. José de Queirós Alves, Arcebispo do Huambo;

ExcelênciaReverendíssimo D. Filomeno do Nascimento Vieira Dias, Arcebispo de Luanda e Presidente da Conferência Episcopal de Angola e S. Tomé;

ExcelênciaReverendíssimo Monsenhor Piero Marini Presidente dos Congressos Eucarísticos Internacionais;

 Excelência ReverendíssimoD. Luzizila Kiala,

Bispo do Sumbe e Presidente da Comissão Episcopal de Liturgia, Vossas Excelências ReverendíssimosArcebispos e Bispos aqui presentes,

Prezada Doutora Fátima Saiundo,

 Reverendos Padres, Irmãs Consagradas,

Ilustres Delegados e Convidados,

Irmãos e Irmãs,

 

Quero primeiramente saudar-vos e agradecer ao Senhor Bispo LuzizilaKiala e à comissão organizadorao convite e a oportunidade de intervir neste que será o Primeiro Congresso Eucarístico Nacional.

Testemunhar a devoção da nossa comunidade que está hoje aqui reunida a mostrar avontade de manter viva e reforçar afé católica no mundo em que vivemos, repleto de sofrimentos e adversidades, é essencial para preservar a nossa devota crença e as estruturas desta Igreja que nos une.

Agradeço, por isso, a todos os que, com empenho, asseguraram a realização deste importante e único certame: o Primeiro Congresso Eucarístico Nacional. Que seja o primeiro de muitos e certamente que será…

Os Congressos Eucarísticos são uma novidade no culto Eucarístico, no entanto, a inovação não lhes retira importância. Estestratam de um tema central: a eucaristia, enquanto «estimulante» da fé Cristã.

De uma forma mais simples, Irmãos e Irmãs: o Congresso Eucarístico convida o Homem a aprofundar e a viver intensamente a eucaristia.

E o que é celebrar a Eucaristia? Diria que é encontrar Cristo. Pela comunhão unimo-nos a Ele, somos o seu Corpo e o seu Sangue. No fundo, caros presentes, para mim, a Eucaristia é comunhão.

Aqui, hoje, proporciona-se um espaço favorável à comunhão.O Huamboabriu-se a todas as Dioceses, criando um ambiente de partilha, de comunhão, que nos transcende e dignifica pelo propósito de conhecermos o Mistério da Eucaristia.

Irmãos e Irmãs: que cada «povo» aqui presente representando as diferentes dioceses do nosso país, com singularidades e particularidades culturais que tão dissemelhantes podem ser entre si, tenha a coragem de caminhar junto dos seus diferentese assim caminhará com Cristo, em Cristo, por Cristo e para Cristo. Desta forma, estecertameserá um sinal genuíno de fé e de caridade.

Num mundo cada vez mais ligado entre si, mas com pessoas cada vez mais isoladas, acontecimentos como este Congresso revelam a consciência e a maturidade da Igreja em Angola.

Mas vim falar-vos de outro assunto, sobre a Missão e a Participação do leigo na Evangelização: Paróquia, Areópago da Sociedade e do Mundo. E é por aqui que irei continuar…

Por leigo, como é do conhecimento geral, entendemos qualquer cristão, não sacerdote, que de alguma forma tenha uma intervenção mais ou menos activa na vida da Igreja, como muitos de nós aqui hoje presentes.

Para a evangelização, o papel dosleigos é fundamental, poisé graças a estes «embaixadores de Cristo» que a palavra de Deus passa as portas da Igreja e chega ao espaço público e ao coração do mundo. Incorporados em Cristo pelo baptismo e constituídos no Povo de Deus, os leigos são os agentes por excelência da Evangelização.

Sua Santidade, o Papa João Paulo II, encarnava estes ideais do Vaticano II e de Paulo VI de forma entusiasta e convicta. Na sua Exortação Apostólica pós-sinodal,Christifideleslaici, sobre a vocação e a missão dos fiéis leigosna Igreja e no mundo, de 1989, podemos ler:

«Deus chama-me e envia-me como trabalhador para a Sua vinha; chama-me e envia-me a trabalhar para o advento do Seu Reino na história: esta vocação e missão pessoal define a dignidade e a responsabilidade de cada fiel Leigo e constitui o ponto forte de toda a acção formativa, em ordem ao reconhecimento alegre e agradecido de tal dignidade e ao cumprimento fiel e generoso de tal responsabilidade.»

A todos os fiéis cabe, portanto,o glorioso dever de trabalhar para que a mensagem divina da salvação seja conhecida e recebida por todos os Homens em toda a terra.

Depois de João Paulo II, Bento XVI e o Papa Francisco continuaram a sublinhar a importância de levar as pessoas a um encontro pessoal com Cristo.Sua Santidade, o Papa Francisco, desafia-nosa continuar com a «renovação» promovida pelo Concílio Vaticano II. Todos nós e cada um de nós somos chamados a crescer como evangelizadores.

Se o nosso coração sabe que é a palavra de Deus que nos ajuda a viver e que nos dá esperança, é nosso dever comunicar esse sentimento e fazer brilhar a novidade da força do Evangelho no nosso quotidiano.

A Igreja de hoje não quer burocratas do sagrado, mas teólogos que sintam o pulsar dos seus irmãos. A teologia de hoje deve ser a expressão de uma Igreja que seja como um verdadeiro Hospital de Campanha.

Porém, ser umcristão leigo –ocristão leigo de que nos falam os Papas Paulo VI e João Paulo II –exige muita vontade e um grande esforçoque só se exerce com gosto, com entusiasmo e com uma alegria própria de quem se deixa imbuir da honra que é anunciar a Boa Nova de forma proactiva e confiante.

O anúncio do Evangelho – por meio da participação do leigo – é, inevitavelmente, social, pois no coração do Evangelho aparece a vida comunitária e o compromisso com os outros, reconhecendo-se a ligação íntima que existe entre evangelização e a promoção humana, que se deve exprimir e desenvolver em toda a acção evangelizadora. A aceitação do primeiro anúncio, que convida a deixar-se amar por Deus e a amá-Lo com o amor que Ele mesmo nos comunica, provoca na vida da pessoa e nas suas acções uma primeira e fundamental reacção: desejar, procurar e ter a peito o bem dos outros.

 

Nesta que é a missão do leigo, é fundamental evidenciar a paróquia como o areópago da sociedade e do mundo, isto é, como uma assembleia de cristãos por excelência, como um ponto de encontro que se exalta na superfície da esfera da Igreja, cujo foco se lança na relação da paróquia, que não se quer determinante e cujo lugar não se determina.

O caminho é só um – sairmos de nós mesmos, enquanto leigos, para testemunhar a força restauradora do amor que nos conquistou.

Para muitos cristãos, a paróquia parece funcionar apenas como um centro de serviços religiososque é visitado esporadicamente, sem haver uma integração activa dos seus membros e colaboradores. No entanto, por vezes, ainda se nota algum apoio à vida paroquial.

Apesar do bem que é realizado pelas comunidades cristãs, importa reconhecer que, em muitas paróquias, os serviços direccionados aos mais pobres e à promoção da justiça e da paz não estão nas prioridades apostólicas, privando-se o anúncio do Evangelho de uma dimensão essencial.

Quero com isto dizer que é cada vez mais frequente «dirigir aos defensores da “ortodoxia” a acusação de passividade, de indulgência ou de cumplicidade culpáveis frente a situações intoleráveis de injustiça», como é explícito na mensagem pastoral da CEAST na vivência do triénio 2014-2016 sobre a Nova Evangelização, que tem como fim chamar a atenção dos cristãos para a paróquia como centro da evangelização. Muitas vezes, os serviços aos mais pobres resumem-se numa dimensão assistencialista daqueles que nos procuram e não por uma preocupação de ir ao encontro, criar laços, aprender, ajudar a integrar os mais pobres e os mais vulneráveis.

Em várias paróquias, há alguns sinais preocupantes de que a solicitude pela promoção humana dos mais pobres é substituída pela prioridade dos que têm mais influência social ou económica.

Há também vários grupos cristãos que, particularmente no advento ou na quaresma, promovem visitas e fazem donativos a centros de crianças ou de idosos carentes, a prisões, etc.

É uma boa iniciativa, mas devemos cuidar sempre do lado da relação com as pessoas, para que não se façam destas visitas apenas o cumprimento de um programa, sem criar laços com quem visitamos.

Neste ponto, é pertinente incitar todos os leigos para a sua missão dentro e fora das paróquias, com uma atitude que as dinamize, enquanto comunidades cristãs,capazes de promover e criar Comissões de Justiça e Paz, que desempenhem um papel activo na promoção da justiça, da reconciliação e da paz.

A comunidade cristã comporta diferentes formas de organização, mas a mais importante será sempre a Paróquia, porque ela pressupõe uma unidade recíproca entre todos os membros, formando, assim, uma família de fé, nascida não «do sangue, nem da vontade carnal, nem da vontade do homem, mas sim de Deus» (Jo 1,13).

Os momentos mais marcantes do percurso de vida de um cristão inclui: o Baptismo, a Confirmação, a Eucaristia, a Penitência, a Unção dos Enfermos (Extrema Unção), a Ordem e o Matrimónio.

A Paróquia é o lugar privilegiado para a formação, vivência e prática dos sacramentos. Os bispos da CEAST entendem que esta instituição não se pode transformar num espaço de consumo utilitarista de bens espirituais, sem compromisso com os sacramentos que se estão a celebrar, exigindo, portanto, a todos os crentes uma «fé operante».

Esta afirmação não corresponde, no meu entendimento, a um dever de construir a Igreja na República de Angola. A missão do leigo não é o desenvolvimento da instituição (trabalho que cabe ao pároco), mas sim utilizar todos os meios de que dispõe para colocar em prática as ideias em que acredita, transformando-as na realidade do mundo terreno.

Os nossos bispos na altura identificaram os problemas da vida paroquial, relativamente à vivência dos sacramentos, através da formulação de cinco questões fulcrais: terão as dioceses um catecumenado funcional (o tempo ou a instituição que, no quadro da iniciação cristã, se destina a ajudar o recém-convertido a passar duma fé inicial à fé adulta requerida pelos sacramentos do Baptismo, Confirmação e Eucaristia), que segue as orientações do RICA (sigla que se refere ao documento sobre o Ritual da Iniciação Cristã de Adultos, reformado através de um Decreto do Concílio Ecuménico Vaticano II, promulgado por autoridade de Sua Santidade, o Papa Paulo VI)? As pessoas escolhidas para orientar a catequese terão formação suficiente para fazê-lo?A catequese tem desempenhado um papel central na Paróquia, tendo em conta o seu papel evangelizador? Os missionários esforçam-se para chegar às populações nativas, aprendendo as suas línguas? A preparação para o sacramento do matrimónio é feita para tornar o lar cristão um sinal do amor de Deus?

Sem a preocupação de encontrar soluções para todos os problemas identificados, uma vez que não é esse o objectivo da Mensagem Pastoral, os bispos da CEAST apresentaram algumas resoluções basilares para fazer da Paróquia o lugar congregador de todos os sacramentos.

Desta forma, e em primeiro lugar, para a CEAST, os párocos devem ser os primeiros doutrinadores e estes devem estar a tempo inteiro na Paróquia, formando novos catequistas.Segundo, as paróquias devem fazer da catequese uma prioridade, disponibilizando tempo, pessoal competente e meios financeiros. Em terceiro lugar, as dioceses devem estabelecer uma unicidade de critérios de acesso aos sacramentos, acabando com as práticas excepcionais existentes. Em quarto e último lugar, as dioceses devem unificar os conteúdos doutrinais ministrados aos catequistas.

 

Missões da paróquia (CEAST)

  • A primeira missão da Paróquia angolana, é a Formação Cristã e o Compromisso com a Fé.
  • A segunda missão da Paróquia angolana é construir uma Comunidade Pastoral Missionária, que deve ir ao encontro daqueles que não vão à Igreja, e fazer sentir a sua presença no meio do bairro, da cidade ou da aldeia, repudiando a simples burocracia e a estrutura mundana.
  • A terceira missão da Paróquia é criar uma Comunidade de Comunhão entre a população de uma localidade. Esta comunhão estará assente no amor de Cristo – «Vós sereis meus amigos se fizerdes o que Eu vos mando… Isto vos mando: que vos ameis uns aos outros» (JO, 15:14-17).

Mas como exercer o apostolado, ser parte integrante nas nossas paróquias, enquanto leigos, meus Irmãos?

Como ajudar a combater através do percurso da palavra de Cristo, que desce das Escrituras até à prática dos Homens, alguns males que nos assolam, que assolam a nossa realidade diária, tais como: asmentalidades feiticistas; o amigamento e a poligamia; o divisionismo social; a cultura generalizada do egoísmo e da indiferença; a corrida ao lucro fácil e à corrupção,

Será o baptismo suficiente para isso? Para nos tornar evangelizadores?

Referia sua Santidade o Papa Francisco numa homilia que fez na DomusSanctaeMarthae:

«[muitas vezes] a graça do baptismo é deixada um pouco de lado e nós fechamo-nos nos nossos pensamentos, nas nossas coisas. Às vezes pensamos: não, nós somos cristãos: recebemos o baptismo, fizemos a primeira comunhão, o crisma… e assim a carteira de identidade está bem. E agora dormimos tranquilos: somos cristãos. Mas, onde está esta força do Espírito que nos leva adiante?»

O baptismo é a porta que nos introduz na vida da Igreja, que nos leva a fazer parte do Corpo de Cristo, filhos de Deus e templos do Espírito Santo. O baptismo nos dá a vida de Deus, a graça de Deus.

Mas para anunciar e ensinar precisamos então entender, compreender sobre o Evangelho e sobre a Igreja de Jesus Cristo.

Como dizia Santo Agostinho:

“Creio para compreender, e compreendo para crer melhor.”

É preciso por exemplo e falando do tema central do nosso congresso, entender bem o que é a Eucaristia:

  • A eucaristia é o centro, o cume, o ápice da vida da Igreja. A ela se ordenam todos os sacramentos e ministérios da Igreja.
  • A eucaristia é a doação total de Deus ao homem. Na eucaristia, recebemos não só a graça, mas o próprio doador da graça: Jesus Cristo, segunda pessoa da Santíssima Trindade.
  • A eucaristia é algo tão espetacular, improvável, estranho, – diria até: difícil de se aceitar – que Deus fez uma longa e cuidadosa preparação do povo, antes de se deixar entre nós neste mistério da eucaristia.
  • A eucaristia é um memorial(“Fazei isto em memória de mim”)
  • A eucaristia é um sacrifício(Sacrifício não é, originalmente, um acto custoso que implica dor, renúncia ou  sofrimento)Sacrifício é tudo aquilo que tiro de mim dou a Deus.

O que dou a Deus passa a ser de Deus. Tudo o que é de Deus é santo. O que dou a Deus passa a ser santo, sagrado.

Deus é infinitamente perfeito e nada lhe falta. Tudo o que temos na terra é criatura de Deus.

Hoje, o que temos de melhor na terra e agradável a Deus é o Seu Filho Jesus Cristo.

Se quisermos fazer uma oferenda agradável a Deus, a única coisa que temos de bom e a maior é Jesus Cristo presente na hóstia consagrada.
Na Eucaristia, oferecemos ao Pai, o Seu próprio Filho Jesus Cristo que está presente na hóstia consagrada. Ele é uma oferenda pura, santa, imaculada e agradável ao Pai.

Deus não pode não querer receber nossa oferenda santa: o Seu amado e Único Filho!
Jesus que é o Santo, é o grande sacrifício que podemos oferecer ao Pai.
Como não posso morrer no altar com Jesus, em cada missa de que participo, eu me ofereço ao Pai, com Jesus.

Ofereço minhas alegrias, vitórias, realizações, meus trabalhos e também minhas contrariedades, tristezas, decepções, angústias, doenças e sofrimentos.

Coloco minhas alegrias e dores junto às de Jesus, que no altar da missa, é oferecido ao Pai.

A partir do momento em que me ofereço a Deus, em minhas alegrias e sofrimentos, com Jesus, não tenho mais nem direito nem motivos para clamar da vida.

Um católico que participa bem da missa vive sempre alegre na alegria de Jesus.

  • A eucaristia é um sacramento(Sacramento é sinônimo de Mistério). “Eis o Mistério da Fé”
  • A eucaristia é um banquete (Santo Agostinho ensinava que não sou eu que recebo Cristo. É Cristo que me recebe em mim.)

É preciso pois entender que a razão, o íntimo motivo para ser testemunha permanente de Cristo,deve estar relacionada com a Fépura que sentimos dentro de nós e não com qualquer tentação material do benefício da aparência, da rotina ou da comodidade, falha na genuinidade humana… Falha que pode ocorrer em cada um de nós.

Devemos, por isso, estar atentos para não cair na tentação indevida de fazer uma separação entre a palavra do Evangelho e as variadas situações das nossas vidas.

Tal como refere o apóstolo São Paulo na Carta aos Efésios:

«Assim, deixaremos de ser crianças, batidos pelas ondas e levados por qualquer vento da doutrina, ao sabor do jogo dos homens, da astúcia que maliciosamente leva ao erro; antes, testemunhando a verdade no amor, cresceremos em tudo para aquele que é a cabeça, Cristo.

É a partir dele [Cristo] que o Corpo inteiro, bem ajustado e unido, por meio de toda a espécie de articulações que o sustentam, segundo uma força à medida de cada uma das partes, realiza o seu crescimento como Corpo, para se construir a si próprio no amor» (Ef. 4, 16).

Os leigosnão sãomeros executores de «instruções» recebidas da hierarquia da Igreja, são cristãos que sentem em si a vocação e a vontade de levar o Evangelho de Cristo ao mundo, qual fonte de esperança e renovação para a sociedade.

O verdadeiro leigo é um trabalhador incansável – dentro e fora da paróquia – para a perpetuação da palavra da salvação, missão que lhe foi confiada por Cristo e, tal como a São Paulo, o impele a percorrer os confins do mundo pregando e espalhando a palavra do Senhor.

São Pauloé o exemplo máximo do poder transformador da graça divina, que foi capaz de converter Saulo, judeu e perseguidor da Igreja, no Apóstolo Paulo que se veio a revelar o maior propagador do cristianismo depois de Cristo. Foi este o nome escolhido pelo Papa Paulo VI exactamente para demonstrar a missão de propagação da Féque então assumia e que levou efectivamente a cabo ao tomar as rédeas do Concílio Vaticano II.

Osleigos exercem o seu apostolado multiforme tanto nas suas paróquias quanto no mundo, comoé referido emLumenGentium:

«Todo e qualquer Leigo, pelos dons que lhe foram concedidos, é ao mesmo tempo testemunha e instrumento vivo da missão da própria Igreja, segundo a medida do dom de Cristo».

 

O leigo é um cristão comum que, por um lado, pode levar ao mundo a palavra da Igreja e, por outro lado, exactamente por estar dentro da paróquia e ser espectador dos problemas dos destinatários da evangelização, pode dar a conhecer à comunidade eclesial essas realidades, mantendo a Igreja em constante actualização.

Assim, os leigos constituem-se como uma marca da presença da Igreja no mundo e a sua mais palpável expressão.

São verdadeiros intérpretes da Palavra de Cristo, que põem em prática nas suas acções, decifrando-a e dando o exemplo.

E mesmo para lá das portas da Igreja, são vários os campos do apostolado dos cristãos leigos.

Meus Irmãos, não se écristão só na Igreja.

A forma de viver segundo a palavra do Senhor exprime-se na vivência quotidiana: o leigo tem na sua família a coerência e o exemplo de uma vida com o Evangelho e empenha-se em introduzir o espírito cristão nas mentalidades,nos costumes sociais e nas estruturas da comunidade, como as paróquias.

O papel dos leigos e das paróquias é essencial para pôr em prática a solidariedade e o diálogo entre as várias culturas do mundo.

Diz o decreto ApostolicamActuositatem, sobre o apostolado dos leigosque:

«Entre os sinais do nosso tempo, é digno de especial menção aquele crescente e inelutável sentido de solidariedade entre todos os povos que o apostolado dos Leigos tem por encargo promover activamente e converter em sincero e verdadeiro afecto fraternal.»

Hoje, mais do que nunca, meus Irmãos, o papel do leigo no testemunho da Fé é indispensável no contexto da evangelização.

Contamos já com a actividade de muitíssimos cristãos leigos, cujo grande sentido de compromisso na propagação da Palavra do Senhor e na acção caritativa se materializa na vitalidade e na solidez da comunidade católica de hoje. Contudo, e apesar do honroso trabalho destes nossos Irmãos, todo ele feito de devoção e ardor espiritual, a formação de novos elementos é ainda um importante desafio.

 

Quero acreditar que os mais jovens são a nossa grande força e que é na sua ânsia de viver e de mudar o mundo em que devemos apostar, pois «Se este zelo [o dos jovens] é penetrado pelo espírito de Cristo e animado pela obediência e pelo amor para com os pastores da Igreja, podemos esperar deles frutos muito abundantes.»

Há que despertar os nossos fiéispara a missão dosleigos,vivendo intensamente este seu papel.

Afinal, somos todos Igreja: homens, mulheres, crianças, jovens, idosos, negros, brancos, pobres, ricos. Somos todos Igreja e estamos todos envolvidos na evangelização.

Caríssimos Irmãos, façamos como nos sugere sua Santidade, o Papa Francisco, e prossigamos com a «renovação» promovida pelo Concílio Vaticano II, cujo êxito depende apenas do esforço de cada um de nós. Inspirando-nos nos exemplos de apóstolos como São Paulo, verdadeiro testemunho da Fé, e dos Santos Papas mencionados, que desafiaram as normas e as mentalidades mais conservadoras em prol de uma comunidade cristã mais aberta e inclusiva, inscrevamos os nossos nomes junto dos seus. Sejamos parte activa da História e façamos da nossa Igreja um espaço soberano, de diálogo e de união.

Os mistérios divinos da salvação, embora acolhidos pessoalmente no coração de cada um, vivem-se, porém, na comunidade,pois, na sua composição e organização, recebem várias formas, das quais emerge a Paróquia, chamada a ser justamente «família que acolhe, vive e anuncia o Evangelho».

 

É necessário unidade recíproca de referência entre os membros, de tal modo que todos se sintam pertencentes à mesma família de fé. A fé leva os cristãos a experimentar a vivência dos vínculos de fraternidade, de comunhão e de esperança em perfeita caridade.

Termino agradecendo a vossa franciscanapaciência ao teremfeito o favor de me escutarem tao longamente.

Que Deus bendiga e derrame abundantes graças divinas a todos nós!

Que Deus abençoe Angola!

Muito Obrigadoe Bem Hajam!

 

O Apostolado Nas Redes Sociais

Twitter O ApostoladoFacebook Jornal O Apostolado

Apostolado Divisoria


Apostolado Divisoria


Apostolado Divisoria


Apostolado Divisoria