“Quo Vadis Afrika”

VISÃO JORNALÍSTICA

O mundial de futebol/2018 domina sempre o cartaz da actualidade, com sobreviventes e naufragados. Eufóricos, andam os sobreviventes na competição, ao abeirar-se o 15 de Julho, data da final. Entre eles, destacamos sentimentalmente: o Brasil (de irmandade sanguínea) e a França. Esta, pela exaltação da proeza, ao inebriante estilo da popular dança africana “dombolo”, por parte dos seus jogadores. O vídeo da cena tornou-se viral nas redes sociais, entre os jovens do Continente.

Amargurados andam, obviamente, os naufragados. E nesta coluna, sobressaem: a Alemanha (anterior campeão, com a sua aura de rigor preparativo e organizativo) e o seu vice (Argentina com a sua estrela Messi). Idem, a nossa antiga metrópole, Portugal (com a sua celebridade Cristiano Ronaldo). Portanto, todas estas, a princípio, favoritas, mas naufragadas.

África, com a pior desqualificação de sempre, encabeçou este pelotão da mágoa. Uma actuação para esquecer, a todos os títulos. Pois, o conjunto das suas cinco equipas representativas foi logo desqualificado na fase de grupos ou inicial. Ou, seja, por ordem alfabética: Egito, Marrocos, Nigéria, Senegal, Tunísia. Triste coincidência! Em 2014, contou só com quatro representantes: Argélia, Camarões, Gana, Nigéria. Só caíram nos oitavos de final, tendo a Argélia e a Nigéria assegurado a honra de superar a primeira fase. Na altura, aqueles quatro marcaram 19 golos, sofrendo 29. Agora, os cinco somaram 13 tentos marcados e 24 apanhados. Que moral tirar deste agravo? A perícia desportiva aprofundará a resposta na especialidade, no balanço após o derradeiro apito. Na globalidade, com certeza, o afro-pessimismo adicionou mais um argumento contra o piedoso discurso da alternativa.

Em especial, ao coincidir, tal desaire, com uma 31ª Cimeira Ordinária da União Africana, ofuscada pelo fulgor do desporto-rei. Acaba de realizar-se em Nouakchott, capital da Mauritânia, de 1 a 2 de Julho corrente. Teve por mote a luta contra a corrupção, na mira de desbravar os rumos do desenvolvimento no Continente. Segundo as impressões preliminares da mídia, foi mais uma reafirmação deste desiderato do que delinear projectos concretos. Apenas uma vintena de chefes de Estado (sobre os 55) presenciou os seus trabalhos, o resto tendo mandado emissários. Entre estes, insolitamente, Angola, que não se dignou delegar nem o seu vice-presidente ou presidente da Assembleia Nacional! Ao inverso deste desinteresse, figuras como o Secretário-geral da ONU e o presidente francês fizeram-se presentes. Não legitima, este contraste de sentido de responsabilidade, o martelar a chata interrogação “Quo Vadis Afrika?” A melhor difusão das decisões finais desta cimeira permitirá, provavelmente, temperar o sorrateiro cepticismo.

Por enquanto, vale tomar a referida expressão na sua origem bíblica, isto é, a fé consoladora na conversão das agruras à reviravolta. Assim, dirigimos o olhar para a vitalidade das vocações sacerdotais, que se confirmou na diocese de Benguela no último domingo. Esta região eclesiástica reafirmou a sua fama de fecundo viveiro de vocações sacerdotais, consagrando, de uma assentada, 17 novos servidores da Palavra, entre os quais 10 presbíteros e 7 diáconos. Na homilia, o Bispo, Dom António Jaka, enalteceu o elevado sentido do sacerdócio enquanto abnegado serviço de fé no Senhor e sua Igreja. Reforçou com o sobreaviso de que citamos: “O sacerdote deve consagrar toda a sua vida ao serviço dos irmãos (…) Se alguém quer seguir Jesus na vida sacerdotal, na vida religiosa, para engordar a sua conta bancária, para ter uma boa vida, para ter um status social, uma promoção, está seguramente no caminho errado”.

VISÃO JORNALÍSTICA.

(Uma coprodução de Siona Casimiro e P. Maurício Camuto. Apresentação de Tomás de Melo).

Luanda, quinta-feira 05 de Julho de 2018.

 

 

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