Radio Ecclesia celebra 61 anos e reflecte sobre sua vocação: Sitongwa Bento

Comunicação e misericórdia: um encontro fecundo

Um tema proposto pelo Papa Francisco no calor do rico Ano Santo da Misericórdia, por ele proclamado para toda Igreja. Na esteira desta vivência, o Santo Padre dirige-se aos profissionais da mídia e a todas as instituições de comunicação social, a comunicarem com misericórdia, em atenção aos mais pobres.

Relação entre comunicação e misericórdia.

“A Igreja unida a Cristo, encarnação viva de Deus Misericordioso, é chamada a viver a misericórdia como traço característico de todo o seu ser e agir”. Esta natureza da Igreja, faz dela a promotora da misericórdia e portadora desta virtude. Por isso ela deve, na intenção do Sumo Pontífice, “comunicar misericórdia e comunicar-se nos seus espaços de relação com o público com o mesmo rosto”. Diz o Papa Na sua mensagem para o dia mundial das comunicações sociais para 2016, que; “Aquilo que dizemos e o modo como o dizemos, cada palavra e cada gesto deveria poder expressar a compaixão, a ternura e o perdão de Deus para todos. O amor, por sua natureza, é comunicação: leva a abrir-se, não a isolar-se em si próprio. E, se o nosso coração e os nossos gestos forem animados pela caridade, pelo amor divino, a nossa comunicação será portadora da força de Deus”.

Abro aqui um parêntesis para dizer que esta mensagem vale para todos os comunicadores, desde apresentadores de programas aos fazedores de notícias nas redações como para os simples utilizadores das redes sociais, estes últimos os comunicadores mais frequentes nos nossos  dias e receptores dos mais diversos conteúdos produzidos na mídia.

Nos últimos 50 anos, o mundo, a comunicação e seus meios sofreram profundas transformações. Os últimos 10 anos, as redes sociais assumiram um papel de “mídia”, sendo objeto de estudos, na condição de novos meios para os mais diversos espaços…..   Mas neste grande palenta NET onde todos nos cruzamos como numa grande autoestrada, e em alta velocidade;  onde, segundo me parece, não existem sinalizações de perigo, nem regras de utrapassagem, tanto a esquerda como a direita. Neste particular a misericórdia quando nos comunicamos  parece ser um valor em falta,….   Expoem-se as famílias, desde o sítio mais recondito da sua provacidade da casa, expoem-se as cenas mais clamorosas da racionalidade e da inracionalidade humana, e na sua mais íntima expressão corporal desnudad. Nestas redes socias escondem-se predadores de seres humanos, e sobretudo de crianças apanhadas na sua pura ingenuidade  que se tornam presas, nesta autoestrada onde cada actor oculta as suas intenções por tras de uma virtualidade que veda a visibilidade das vítmas.    Nestas redes sociais conhecemos igualmente as aves de rapina que por via de promessas falsas protagonizam as mais diversas burlas, apresentam-se carros e productos que não exisitem a preços que aliaciam quem será enganado, e não poucas vezes por esta via se atraem os que vão ser assassinados e/ou abusados.   Tornou-se um espaço, cito dom Anastácio Kahango, “da fofoca e do maldizer”, constrem-se heróis e  fabricam-se muitos crucificados, que são desfiados até a nudez.  Nesta nova aoutoestrada não existem limites de velocidade, as colisôes não são ajuizadas porque a regra aparente de uma selva virtual deixa para traz o respeito pelo outro, e sobretudo a caridade, que nos é recomendada pelo Santo Padre.  Ainda sobre planeta Internet com todas a sua malha de intercomunicações, as altas velocidades em sentido contrário, têm sido responsáveis pelo inflamar de ódios. O local tornou-se no espaço privilegiado de todos os duelos, onde cada utilizador é um franco atirador, acionando bombas através de um teclado   = “dá-lhe, dá-lhe,… Expressão comum quando se visam os alvos”….   É postar  e comentar, não interessa como, pois o agressor pode estar a quinhentas milhas de distância ou mesmo depois da parede ao lado com a vantagem de estar invisível, é um mundo onde só se sente. Qualquer facto provoca comentários e suplanta a velocidade contagiante de um vírus, daí a expressão “tornou-se viral nas redes sociais…

 Constatações

Vladimir Kosma Zworryt, inventor da televisão, afirmou, em uma de suas entrevistas, que sua intenção ao inventar a televisão era empregá-la para educar e transmitir cultura ao povo, porém, hoje, quando ligamos a TV, na maioria das vezes, não vemos nem cultura nem educação.

A televisão tem prejudicado a comunicação na família na maioria das vezes. Os membros da família chegam cansados do trabalho e da escola, sentam-se na sala e, como estranhos no mesmo ninho, ficam hipnotizados com suas novelas, filmes e outros programas.

O tema proposto pelo Papa, serve além disso, para recordar a todos, comunicadores e espectadores, que toda comunicação tem uma dimensão moral. A estatura moral das pessoas cresce ou diminui segundo as palavras que pronunciam e as mensagens que decidem ouvir ou emitir.

Os meios de comunicação de massa podem ser usados tanto para fornecer informações úteis e importantes para a população, como para influenciar, moldar a opinião pública, determinar um modo de pensar, induzindo certos comportamentos.
A violência é uma das matérias-prima que alimentam os meios de comunicação de massas, que vivem (também e sobretudo) do sensacionalismo (da dramatização, da espetacularização, da escandalização). Os meios de comunicação tornaram-se os grandes responsáveis pela difusão massiva da cultura da violência.

Diariamente despejam sobre nós ou mostram milhares de imagens que brutalizam ou martirizam nossos semelhantes. Os meios de comunicação transformaram todos nós (com raríssimas exceções) em voyeurs (expectadores excitados) do sofrimento e da morte dos habitantes do planeta Terra. Muitas vezes em tempo real (ao vivo).

A maior crítica que cabe formular contra os meios de comunicação de massas consiste no seguinte: eles não informam sobre as raízes da violência, não discutem todos os riscos dela, muito menos o seu oposto, que é a cultura da não-violência. Os meios de comunicação de massa configuram um grande obstáculo para a democracia (Nilo Batista- Comunicólogo Brasilieiro), na medida em que privam o público de debates sérios sobre as causas da violência.

Falam e mostram a própria violência. Com essa técnica eles não criam uma opinião pública, sim, exploram (e incentivam) a emoção pública. Essa exploração exacerbada da emoção pública, por si só, já constitui uma forma de violência. Sob a perspectiva da cultura da não-violência temos que combater (arduamente) a negativa exploração da emoção pública.

Conceito Mass-Média

O aparecimento de novos meios de comunicação de difusão em larga escala, particularmente da rádio, fez surgir a concepção da audiência como uma “massa”. Pela primeira vez, existiam meios para fazer chegar mensagens a um enorme número de pessoas em simultâneo. Não era possível conhecer com precisão esse número de pessoas nem a identidade das mesmas.

A audiência dos meios de comunicação foi concebida como uma massa com as  seguintes característiscas:

– anonimato; – dispersão; – falta de organização social; – falta de consciência; – falta de identidade própria, como grupo.

A massa, pensava-se, era um conjunto amorfo (sem forma, sem estrutura) de pessoas,

composto por indivíduos sem ligação entre si, não se conhecendo sequer uns aos outros.

Pensava-se que o comportamento desse agregado face aos media seria uniforme, isto é; julgava-se que a massa, sem capacidade de iniciativa própria, estaria passivamente

sujeita à influência ou mesmo ao controlo dos media. Por outras palavras, os media poderiam manipular a massa, os atitudes e os comportamentos dos seus membros.

Esta concepção foi dominante nas primeiras décadas do século XX. Porém, ela não assentava em estudos empíricos das audiências dos media, ou seja em provas reais da

composição da audiência e da influência dos media sobre a mesma. Portanto, a noção de um enorme poder dos media e da passividade da audiência era um pressuposto infundado.

A ideia da audiência como massa é, por vezes, negativamente associada à ideia de multidão, de largos agrupamentos de pessoas irregradas e ignorantes, indivíduos sem cultura, agindo quase irracionalmente….   Na verdade somos muitas vezes tomados desta maneira pelos detentores da dos veículos de comunicação, embora hoje assisite-se a comentários a notícias, o que faz pensar que esta massa afinal raciocina.

Os Mass-Média e o mundo digital

A este respeito, considera o Papa na sua mensagem para o dia das comunicações sociais de 2016;  “As redes sociais são capazes de favorecer as relações e promover o bem da sociedade, mas podem também levar a uma maior polarização e divisão entre as pessoas e os grupos. O ambiente digital é uma praça, um lugar de encontro, onde é possível acariciar ou ferir, realizar uma discussão proveitosa ou um linchamento moral.”

Os novos media, como a internet são um veículo multimédia por excelência, que suporta combinações de texto escrito, imagens (fixas e animadas) e som. A interactividade é outra das marcas de alguns destes novos meios, que permitem não só a capacidade de produção e de escolha, mas também, por exemplo, a capacidade de falar com desconhecidos. Com os novos media, sem fronteiras, de difícil controlo, em grande medida não institucionalizados e que “pertencem” aos participantes, estão mesmo a surgir novas formas de expressão e comunicação que têm influência nas relações sociais e nos processos de produção, reprodução, representação, construção e reconstrução da realidade e da cultura.

Assim somos todos comunicadores num novo mundo; o virtual, onde todos nos encontramos e nos relacionamos da forma menos humana (no seu costume mais tradicional) através de dígitos, sejam eles incorporados num telefone, tablet ou num PC, instrumentos inseparáveis da geração moderna, que se isola horas a fio numa destas maquinas e esquece que tem ao alado de si pessoas que até reclamam um olá e pedem a sua ajuda. È mais fácil identificar e pedir um amem virtual a distância de alguns dígitos e somos incapazes de ver os que em situação pior estão bem perto de nós. O mundo virtual ganhou mais visibilidade em relação ao mundo visível, este cada vez mais distante. Com este cenário morreu o calor humano, assim o confirmam as expressões:

– manda um bip;         – vamos a um chat: – twitar;    – teclar (no meu phone);   – postar (no meu sítio);   – partilha (comigo o vídeo);     – espalhar (imagens)

Este mundo virtual construiu novas relações e vai impondo novas posturas:   Diante de um acidente apressamo-nos em fotografar e deixar perder até mesmo uma vida, porque é preciso postar.   Nas confusões de rua vale mais fotografar e filmar do que evitar, porque é preciso postar. As câmaras são cada vez mais discretas e a nossa vida corre o risco de ser  filmada até mesmo quando nos esquecemos de tirar a etiqueta dos sapatos  que compramos ontem, isto pode ser viral.  “viste aquela que até apareceu com o preço no vestido só para dizer que é novo”, São assim porque? É apenas um exemplo de como por estas redes os nossos inimigos a atingir estão mais próximos. Derrubamo-los facilmente, e aproveitamos  fazer vingança e postar para que todos vejam que eu sou mau, “vais me sentir” dizem as expressões comuns.

Em suma comunicamos sem a caridade que nos é recomendada e sem a perspectiva de tornar estes encontros fecundos, antes pelo contrário destrutivos… Nos what’s up, Imo, vibors, twiters, skypes e por aí a fora. “O acesso às redes digitais implica uma responsabilidade pelo outro, que não vemos mas é real, que tem a sua dignidade que deve ser respeitada. A rede pode ser bem utilizada para fazer crescer uma sociedade sadia e aberta à partilha.”

Neste sentido O Santo Padre citou Shakespeare, ao dizer que a misericórdia é capaz de implementar um novo modo de falar e dialogar: “A misericórdia não é uma obrigação. Desce do céu como o refrigério da chuva sobre a terra. É uma dupla bênção: abençoa quem a dá e quem a recebe” (O mercador de Veneza, Acto IV, Cena I).

Para além deste cenário sombrio conforta-nos ver que nesta teia de intercomunicadores  nem tudo é mau, felizmente, mensagens que exaltam a racionalidade humana e apelam para o bem não faltam, embora em grande desproporção. O lugar serve para buscar solidariedade apelando as vezes por mais humanidade e compaixão quando estão em causa pessoas que vivem o drama de doenças em busca de ajudas. O lugar serve ainda para a nova evangelização que apenas cobra a partilha e muitas delas apelam para a divulgação dos bons valores e cobram um Amen “deixe o seu amem”…..     Há espaço para todos, Para os pregadores e apregoadores, há espaço para os políticos e ativistas, para vendedores e compradores para vilões e heróis, é apenas uma questão de acesso. Em tudo isto se pede responsabilidade digital pois nos relacionamos com almas virtuais que agem e reagem aos estímulos, as mensagens e inflama-se facilmente…

O Papa Francisco apoia-se nessa relevância ao anunciar, para a data, celebrada em 8 de Maio – Domingo que precedeu a Festa de Pentecostes – o tema escolhido para 2016: “Comunicação e Misericórdia: um encontro fecundo”.   E ele próprio esclarece a relação entre esta comunicação e misericórdia, ele  que proclamou para toda Igreja um ano da misericórdia e um olhar para os outros de modo diferente. Que riqueza nos trouxe este ano  que descobertas fizemos ao relermos com os olhos de Francisco as obras de misericórdia, Valeu apena um ano santo da misericórdia!

A abordagem da Igreja aos meios de comunicação social é fundamentalmente positiva, encorajadora. Ela não se limita simplesmente a julgar e condenar; pelo contrário, considera que estes instrumentos são não só produtos do génio humano, mas também grandes dádivas de Deus e verdadeiros sinais dos tempos (cf. Inter mirifica, 1; Evangelii nuntiandi, 45; Redemptoris missio, 37). Ela deseja apoiar os indivíduos que estão profissionalmente comprometidos na comunicação, definindo princípios positivos para os assistir no seu trabalho, enquanto promove um diálogo em que todas as partes interessadas – hoje, isto significa quase todos – possam participar. Estes objectivos estão na base deste documento.

O tema mostra a premência da humanização, nesse contexto. Ao pronunciar-se, o Papa Francisco ressaltou: “Aquilo que dizemos e o modo como o dizemos, cada palavra e cada gesto, deveria poder expressar a compaixão, a ternura e o perdão de Deus para todos. O amor, por sua natureza, é comunicação: leva a abrir-se e não a isolar-se. E, se o nosso coração e os nossos gestos forem animados pela caridade, pelo amor divino, a nossa comunicação será portadora da força de Deus”.

Assim diz o Santo Padre na sua mensagem; Queria convidar todas as pessoas de boa vontade a redescobrir o poder que a misericórdia tem de curar as relações dilaceradas e restaurar a paz e a harmonia entre as famílias e nas comunidades. Todos nós sabemos como velhas feridas e prolongados ressentimentos podem aprisionar as pessoas, impedindo-as de comunicar e reconciliar-se. E isto se aplica também às relações entre os povos. Em todos estes casos, a misericórdia é capaz de implementar um novo modo de falar e dialogar”, ressalta o texto oficial.

O tema do Dia Mundial das Comunicações Sociais sublinha que a comunicação deve abrir espaços para o diálogo, a compreensão recíproca e a reconciliação, permitindo que assim floresçam encontros humanos fecundos. Para isso, afirma o Papa Francisco, é preciso aprender a escutar: “Escutar é muito mais do que ouvir. Ouvir diz respeito ao âmbito da informação; escutar, ao invés, refere-se ao âmbito da comunicação e requer a proximidade. A escuta permite-nos assumir a atitude justa, saindo da tranquila condição de espectadores, usuários, consumidores. Escutar significa também ser capaz de compartilhar questões e dúvidas, caminhar lado a lado, libertar-se de qualquer presunção de onipotência e colocar, humildemente, as próprias capacidades e dons ao serviço do bem comum”.

A comunicação da misericórdia não conhece limites, porque depende da qualidade das pessoas, da sua capacidade de escuta, de recepção e de partilha, e não dos meios: “Também ‘e-mails’, ‘sms’, redes sociais, ‘chats’, podem ser formas de comunicação plenamente humanas. Não é a tecnologia que determina se a comunicação é autêntica ou não, mas o coração do homem e a sua capacidade de fazer bom uso dos meios a seu dispor. As redes sociais são capazes de favorecer as relações e promover o bem da sociedade”, ressalta o Sumo Pontífice em sua mensagem.

PALAVRAS DO PAPA SOBRE A COMUNICAÇÃO E MISERICÓRDIA: UM ENCONTRO  FECUNDO

  • O encontro entre a comunicação e a misericórdia é fecundo na medida em que gerar uma proximidade que cuida, conforta, cura, acompanha, faz festa”. “A comunicação tem o poder de criar pontes, favorecer o encontro e a inclusão, enriquecendo assim a sociedade”.
  • Linguagem da política e da diplomacia

A linguagem da política e da diplomacia também foi lembrada pelo Papa. Ele pede àqueles que têm responsabilidades institucionais, políticas e de formação da opinião pública, que estejam vigilantes sobre o modo como se exprimem a respeito de quem pensa ou age de forma diferente e ainda de quem possa ter errado.

  • Comunicar a verdade com amor

Francisco explica que é dever principal do cristão afirmar a verdade com amor e que palavras e gestos duros ou moralistas podem alienar ainda mais aqueles que queríamos levar à conversão.

  • “Podemos e devemos julgar situações de pecado – violência, corrupção, exploração, etc. –, mas não podemos julgar as pessoas, porque só Deus pode ler profundamente no coração delas. É nosso dever admoestar quem erra, denunciando a maldade e a injustiça de certos comportamentos, a fim de libertar as vítimas e levantar quem caiu.”…… Aqui o Papa dirige-se particularmente  aos pregadores; os nossos pastores que no Ministério do culto têm diante de si um assembleia  que não ousa dizer não concordo sr. Reverendo, com o medo de ser uma encarnação demoníaca e por via disso merecer uma condenação dos restantes membros.  Para os pastores, os nossos reverendos o papa dirige-se nos seguintes termos;  “Como gostaria que o nosso modo de comunicar e também o nosso serviço de pastores na Igreja nunca expressassem o orgulho soberbo do triunfo sobre um inimigo, nem humilhassem aqueles que a mentalidade do mundo considera perdedores e descartáveis! A misericórdia pode ajudar a mitigar as adversidades da vida e dar calor a quantos têm conhecido apenas a frieza do julgamento. Seja o estilo da nossa comunicação capaz de superar a lógica que separa nitidamente os pecadores dos justos. Podemos e devemos julgar situações de pecado – violência, corrupção, exploração, etc. –, mas não podemos julgar as pessoas, porque só Deus pode ler profundamente no coração delas. É nosso dever admoestar quem erra, denunciando a maldade e a injustiça de certos comportamentos, a fim de libertar as vítimas e levantar quem caiu. O Evangelho de João lembra-nos que «a verdade [nos] tornará livres» (Jo 8, 32). Em última análise, esta verdade é o próprio Cristo, cuja misericórdia repassada de mansidão constitui a medida do nosso modo de anunciar a verdade e condenar a injustiça. É nosso dever principal afirmar a verdade com amor (cf. Ef 4, 15). Só palavras pronunciadas com amor e acompanhadas por mansidão e misericórdia tocam os nossos corações de pecadores. Palavras e gestos duros ou moralistas correm o risco de alienar ainda mais aqueles que queríamos levar à conversão e à liberdade, reforçando o seu sentido de negação e defesa.
  • Como é bom ver pessoas esforçando-se por escolher cuidadosamente palavras e gestos para superar as incompreensões, curar a memória ferida e construir paz e harmonia. As palavras podem construir pontes entre as pessoas, as famílias, os grupos sociais, os povos. E isto acontece tanto no ambiente físico como no digital. Assim, palavras e acções hão-de ser tais que nos ajudem a sair dos círculos viciosos de condenações e vinganças que mantêm prisioneiros os indivíduos e as nações, expressando-se através de mensagens de ódio. Ao contrário, a palavra do cristão visa fazer crescer a comunhão e, mesmo quando deve com firmeza condenar o mal, procura não romper jamais o relacionamento e a comunicação….

“Num mundo dividido, fragmentado, polarizado, comunicar com misericórdia significa contribuir para a boa, livre e solidária proximidade entre os filhos de Deus e irmãos em humanidade.”

  • É desejável que também a linguagem da política e da diplomacia se deixe inspirar pela misericórdia, que nunca dá nada por perdido. Faço apelo sobretudo àqueles que têm responsabilidades institucionais, políticas e de formação da opinião pública, para que estejam sempre vigilantes sobre o modo como se exprimem a respeito de quem pensa ou age de forma diferente e ainda de quem possa ter errado. É fácil ceder à tentação de explorar tais situações e, assim, alimentar as chamas da desconfiança, do medo, do ódio. Pelo contrário, é preciso coragem para orientar as pessoas em direcção a processos de reconciliação, mas é precisamente tal audácia positiva e criativa que oferece verdadeiras soluções para conflitos antigos e a oportunidade de realizar uma paz duradoura. «Felizes os misericordiosos, porque alcançarão misericórdia. (…) Felizes os pacificadores, porque serão chamados filhos de Deus» (Mt 5, 7.9).

sitongwa Bento (Jornalista da Radio Ecclesia)

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