Rádio Maria, Municipalização.

VISÃO JORNALISTICA 

A Diocese de Viana conta desde Sábado transacto com  a “Associação Rádio Maria Angola”. O acto de proclamação foi presidido pelo Bispo, Dom Joaquim Ferreira Lopes, numa das salas da Cúria local. O projecto prefigura a materialização deste tipo de emissora, membro de uma família já mundial. A especificidade nasceu em 1983 na Itália e ramifica-se hoje em dia a mais de 70 países do globo, dos quais 22 em África.  Caracteriza-se via de regra por um estatuto não-comercial, a voluntariedade dos empregados e a temática somente religiosa. Difere, a este título, das unidades confessionais de informação geral como a Rádio Ecclesia, ‘Elikya’ (na RDC), a Renascença (Portugal), a Rádio Vaticano, etc. Claro, radica e prossegue o mesmo múnus evangelizador sob a bênção canónica do Santo Padre. Lembramos a exortação do Papa Francisco aos presidentes e directores da Rádio Maria anos atrás, que citamos: “ (…) Propagando o Evangelho e a devoção à Mãe de Jesus, promovendo o amor à Igreja e à oração, oferece-se um «canal» válido para ouvir reflexões positivas, para aprender a rezar, para aprofundar os conteúdos da fé que edificam e ampliam os horizontes.” Foi um trecho do discurso do Sumo Pontífice aos responsáveis da “World Family Rádio Maria”, a 29 de Outubro de 2015 em Roma.

Os ouvintes já se têm interrogado se tal projecto não duplicaria e não provocaria equívocos em relação à sua primogénita, a rádio de confiança? Obviamente, não, pelos elementos de identidade supracitados, além da singular trajectória da Ecclesia fundada pelos Missionários Espiritanos.

Por ventura, o anúncio da iniciativa coincidiu com um marco na reforma do Estado angolano, vulgo o rumo para a municipalização governativa. Mais concretamente com o V° Fórum dos Municípios e Cidades de Angola, ocorrido nos dias 15 e 16 de Novembro em curso. O Ministério da Administração do Território e Reforma do Estado convidou a Igreja Católica para proferir uma aula magna à augusta assistência. Coube ao Arcebispo do Lubango, Dom Gabriel Mbilingui, a missão de desenvolver a tese intitulada “Autoridade, Moralização e Contrato Social. O Estado e o Cidadão”. Na ocasião, o prelado justificou a sua presença pelo “compromisso – estamos a citar – da Igreja para a intensificação do ministério pastoral para os actores sociopolíticos através de programas de formação espiritual e ética, de capelania lá onde for necessário para as instituições públicas, de reforço das capacidades dos cidadãos para lhes permitir monitorizar os processos de tomada de decisão e de mudança.” Fim de citação.

No corpo, D Mbilingui enalteceu os princípios, valores, ideias e atitudes distintas tais como: restaurar a visão holística da democracia; recriar a imagem do Estado; o contacto directo com o cidadão; liderar pelo exemplo; consciência política idónea; saúde das consciências; conversão à boa governação; honestidade, integridade e sinceridade em todos os empreendimentos.

Perante a chuva de aplausos idos da plateia, o Prelado rogou para que não se confundisse a sua explanação com a aula magna a rigor. Pois, quis sobretudo partilhar aquilo que ia à cabeça, coração e alma de um Bispo que “vive e realiza a sua missão aqui, na nossa querida terra, nesta nossa pátria”.

Seja como for, e, dever de humildade à parte, a sua mensagem resumiu-se no seguinte enfoque (com o qual finalizamos): “ (…) A Reforma do Estado sem a reforma dos seus actores sociopolíticos assemelha-se a um corpo sem alma. Seria falar de ação sem ética, nem patriotismo”. Fim do extrato profético do magistério de Dom Mbilingui no V° Fórum dos Municípios e Cidades de Angola.

(Uma coprodução de Siona Casimiro e P. Maurício Camuto. Apresentação de Esmeralda Chiaca)

Luanda, quinta-feira 23 de Novembro de 2017.

 

 

 

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