Ribalta, Paixão

VISÃO JORNALÍSTICA 

Um processo judicial roubou a ribalta, abrindo a Semana da Paixão, numa mística espiritual. Na segunda-feira, a Procuradoria-Geral da República sacudiu, enfim, o véu da sua discreta atuação sobre badalados escândalos de dinheiro. Deu o ponto da situação referente a dois deles: a transferência, a jeito de cambalacho, de USD 500 milhões do BNA para Londres e a nebulosa burla à volta de USD 50 mil milhões, pressentida de negociantes tailandeses. A PGR discriminou os sonantes arguidos, topados nos casos destas alucinantes somas.
Arguidos … não culpados, ainda, pois beneficiam da presunção da inocência, a respeitar à risca até ao desfecho cabal das queixas nos tribunais. A mídia pública reproduziu esta evolução com cordata circunspeção. Quer dizer, privilegiando os factos, sem a fanfarronice das precipitadas campanhas de condenação antecipada de outrora! Vai-se ver, portanto, a sequência do filme. Alvitra tais cautelas, a visível conexão da trama com os rocambolescos rumos de outro affair paralelo, senão, o pano de fundo. Isto é, as palpitações da polémica bicefalia sobre a liderança do MPLA, o partido no poder.
O que não impede, claro, sobre aqueles dinheiros, a livre expressão do enxame de sentimentos difusos na sociedade.
A delicadeza polariza-se entre a ânsia legítima de reaver o erário público (de um país abeirado da bancarrota) e o direito dos indiciados à justiça. Direito à justiça transparente, ainda que se presuma das responsabilidades da carência deste valor antes. A subjacente ramificação tentacular preconiza muita serenidade, deveras. Oh! Quanto a humanidade, reduzida ao material e ao imediato, solavanca depressa entre a glória efémera da carne e as agruras da cruz profana!
Qual saída desta espiral, senão a fé na Redenção, a celebrar neste Domingo da Ressureição? De facto, o coletivo pode elevar-se ao diapasão temporal da porfia, sintonizando com a sublime mensagem da Semana Santa. E o seu emblema, a Cruz de Jesus Cristo, que elucidou o presbítero Jerónimo Kahinga, catedrático comentador teológico da Rádio Ecclesia.
Aos microfones da emissora de confiança, o douto sacerdote fustigou os comportamentos pecaminosos tais como o orgulho, a vaidade, a sobrançaria, a prepotência, etc. Enaltecendo, em contrapartida, a humildade, o dócil acatamento da vontade do Pai que redundou na Redenção, pregou quanto, citamos, finalizando: “ (A Cruz de Jesus Cristo) resume toda a atividade da salvação que Deus programou ao longo de muitos anos, séculos, milénios. Ali se enterra o nosso pecado, ali ressurge o homem novo. Vamos viver toda a Semana Santa sob esta insígnia. Vamos tentar de uma maneira mais profunda, contemplando, rezando e meditando sobre este mistério do amor de Deus que se faz escravo por causa de nós”.
(Uma coprodução de Siona Casimiro e P. Maurício Camuto. Apresentação de Esmeralda Chiaca).
Luanda, quinta-feira 29 de Março de 2018.

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