Riqueza Franciscana

                                                                             VISÃO JORNALÍSTICA

A rotina hedonista profana soberbamente a pobreza franciscana. Mas, não é altura de exaltar a riqueza mental desta pobreza, tal como nesta densa hora da despedida do Frei José Benjamim Maiato? Foi-se na passada quinta-feira 04 de Maio, aos 95 anos de idade, levado por uma indómita insuficiência cardíaca, num hospital de Lisboa. O luto e o enxame dos elogios espontâneos (com alegados milagres de permeio), falaram alto do veterano servo autóctone de Deus e da Igreja. Praticamente, beatificaram o seu carisma; numa espécie de réplica, por estas terras de Jinga Mbandi, daquela brasa de votos ‘Santo Subito!’ em Roma, diante do féretro de João Paulo II. A mesma expressão foi sublinhada pelo presidente da celebração de corpo presente, ontem, assim como o desafio para que a ordem se empenhe na busca do reconhecimento da Igreja universal das virtudes desse herói da fé.

O prezado impressionava deveras, a começar pelo pitoresco da sua leve e pequena corpulência, qual borboleta ágil. Porte pequeno, agigantado pelas virtudes da simplicidade, humildade, caridade e cortesia. Dominava o panorama das celebrações colegiais e procissões, entre pares presbíteros, pela sua baixa estatura. Nunca visto, em público, vestido senão com o seu austero hábito capuchinho. Completava o semblante: o encaracolado cabelo branco, a face enrugada, um físico vergado pela idade, porém, de permanentes gestos enérgicos e lestos.

– Às singulares palpitações da história de Angola?

– Confundiu-se quase um século, enquanto confessor, formador, missionário e peão inveterado (do sertão malangino para as ruas e ruelas da cosmopolita Luanda do povoléu). Portanto, perde-se mais um embondeiro ou biblioteca religiosa e da pátria, nesta óptica.

E nas circunstâncias do seu passamento, oh, que espiritualidade cristã! Eis, para a posteridade, o depoimento lavrado pelo Superior da Ordem dos Frades Menores Franciscanos, Frei Afonso Nteka:

Frei Maiato saiu daqui há duas semanas (…) Foi o seu grande desejo poder partir para Lisboa, estar com a Mãe do Céu, a nossa Senhora de Fátima, no grande centenário do Jubileu (…) Pediu insistentemente. Ouvidos os pareceres dos médicos, deixamos esta oportunidade (…) como ele próprio dizia <Nossa Senhora me chama lá>. O desejo dele era estar em Fátima no dia 13, no dia 12 com o Papa. Há dois ou três dias, teve um problema de insuficiência cardíaca. Foi levado no hospital, ali em Lisboa (…) E hoje, às 7 e meia, acabou por falecer. (…) É assim a lei da vida…”.

O programa das exéquias do corpo transladado previu para hoje a inumação em Camabatela, santuário imemorial da sua Congregação.

A presença numerosa de fiéis na missa de corpo presente na quarta-feira, de manhã, para o adeus àquele apelidado ultimamente de “vovó Maiato”, mostrou bem o apreço que a sociedade tem por homens virtuosos. Que seja, a sua morte, um apelo à mudança de comportamentos, um apelo a seguir os seus conselhos e o seu exemplo de vida. Angola precisa de homens e mulheres virtuosos.

(Uma coprodução de Siona Casimiro e P. Maurício Camuto. Apresentação de Tomás de Melo)

Luanda, quinta-feira 11 de Maio de 2017)

 

 

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