Siconda Lulendo Alexandre: As constantes exonerações atrapalham os planos do executivo

O presidente do Partido Nacional de Salvação de Angola, reconhece que a oposição no parlamento é a minoria, mas chama  atenção ao MPLA a ouvir suas iniciativas de forma a mudar a  estratégia governativa.

Apostolado: Sr. Deputado, temos informações que o PNSA realizou o seu 3º Congresso Ordinário. Como decorreu?

Siconda Lulendo : Realizámos o nosso 3º congresso ordinário no dia 13 e 14 de Julho do ano em curso. Tivemos a participação de 459 delegados vindos de todo o país. Tudo correu na normalidade. Os militantes elegeram os 105 membros para o comité central assim como o seu presidente. Debatemos também sobre a liderança dentro do nosso partido. Analisámos, por outro lado, a situação política, económica e social do país. No final aprovámos algumas propostas que alteram o nosso Estatuto e outras matérias para organização interna do partido. 

A: Já agora qual é o comunicado final do vosso congresso?

S.L: Dentro dos próximos anos o país vai realizar as primeiras Eleições Autárquicas. Este será o nosso primeiro desafio, por isso o PNSA vai apostar em candidatos independentes e não só. Segundo vamos fortificar os nossos núcleos a nível nacional para as eleições gerais de 2022. Dizer que estaremos coligados à CASA-CE para estes desafios uma vez que este projecto tem ideologia, intelectualidade e raciocínio lógico. Em resumo este é a nota final do 3º congresso ordinário do nosso partido.

A: No vosso plano de actuação, enquanto força política, aonde colocam os angolanos?

S.L: No PNSA os Angolanos estão em primeiro lugar. Quero com isto dizer que Angolano é aquele que ama Angola e luta por ela. E para um futuro melhor é necessário elevarmos os cidadãos e patriotas, para resgatarmos os nossos valores morais e cívicos, que estamos a perder. E os jovens Angolanos que são a maior força do país não devem perder a esperança e deixar de acreditar no amanhã.  Também sabemos que a missão não é fácil, uma vez que os desafios que se aproximam são duros e inevitáveis, mas vamos preparar-nos para enfrentá-los. 

A: Sr. Deputado, como tem sido a participação do PNSA no             Parlamento?

S.L: Enquanto representante do povo na Assembleia Nacional, devo dizer que, todo esforço que o PNSA tem empreendido na casa das leis não pode ser dissonado, porque nós damos a nossa opinião nos assuntos abordados por lá, mas  também apresentamos críticas com base no que vimos e ouvimos por parte dos cidadãos. E, por outro lado, nós (oposição) dentro do Parlamento Angolano somos ainda muito pouco, mesmo assim o partido no poder (MPLA) deve escutar as nossas iniciativas.

A: Entrando na casa das leis e sendo Deputado, como vê a implementação das Autarquias locais em 2020?

S.L: Achamos que as eleições autárquicas devem ser implementadas nos 164 municípios do país, mas aqui o executivo tem de separar o trigo do joio, descentralizando o poder por etapa para dar ao autarca a gestão e controlo das áreas que afectam diariamente o cidadão uma vez que eles serão residentes da zona em questão, como exemplo da educação, saúde, energia eléctrica  água potável e outros serviços básicos.

A: Nos termos da lei os Deputados tem um papel fundamental em relação a fiscalização da acção do executivo. O que acha do lançamento do PIIM?

S.L: Devo dizer que a Assembleia nacional exerce o poder legislativo do estado bem como a acção de controlo e fiscalização de todo erário público nos termos da lei permitindo aos Deputados exercer o controlo sobre a correcta utilização do erário público. Já em relação ao Programa Integrado de Intervenção aos Municípios (PIIM), devo dizer que a iniciativa é louvável, mas tratando-se do Fundo Soberano é anticonstitucional porque foi de livre vontade do Presidente da República, quando antes deveria passar na Assembleia Nacional para a sua aprovação. Queremos crer na iniciativa mais para melhoria da vida das populações e não para servir de fonte de enriquecimento dos administradores.

A: Qual é a opinião do senhor  sobre a estado do país?

SL: Eu acredito que no campo social o país está mal, mal, mal… A pobreza continua extrema, e já não sei se é pela crise económica e financeira que se regista há muitos anos, ou se é pelo desvio do erário público. Meu caro não sei porque o executivo não consegue dar ao povo Angolano o que esta estipulado na Constituição da República. No que diz respeito à Política temos que dar os parabéns ao senhor PR João Lourenço, isto em relação a política externa onde tem elevado a imagem de Angola em altos patamares internacionais. Agora internamente não compreendemos como o PR exonera e nomeia sempre as mesmas pessoas do partido em causa. Acredito que, com esta medida de exonerar e acomodar, as políticas do executivo não vão a bom porto e com certeza não haverá boa execução dos planos traçados. No campo Económico devo dizer que a vida do cidadão Angolano está cada vez mais agravante, tudo porque, não é possível que  se reajuste o salário de alguns funcionários públicos e aumenta-se o preço da energia eléctrica; assim como vai se implementar ainda mais o IVA, não controla a subida dos preços da cesta básica, acho que isto é levar ao desespero as populações. Quanto à implementação do IVA, acredito que é necessário fazer-se, antes da sua implementação, um estudo.  

A: A região sul do país continua a ser assolada pela seca, o que acha o Senhor?

S.L: Na província do Cunene tem um rio meu caro, que, por incrível que pareça, quem aproveita e, muito bem, é a nossa vizinha Namíbia. Mas o dono esquece que pode desviar a água através de (riachos), valas de drenagem, levando este bem precioso às zonas onde a sua falta se faz sentir e muito. Meus senhores estamos aqui a brincar com a vida de cidadãos que votaram e têm direitos e deveres, e devo dizer mais, o MPLA só não faz isto porque está esgotado e sem capacidade de inovação ou falta de vontade política para conceder ao cidadão uma vida com dignidade.

A: Quando fala em dignidade por parte do cidadão o que é?

S.L: Por exemplo não podemos aceitar que milhares de casas estejam avulsas e desocupadas em toda Angola, enquanto que alguns compatriotas nossos passam a noite ao relento e em condições precárias em várias zonas deste país que pertence a todos nós. Acho que alguém esta revestido com espírito desumano neste país.

 A: Porque o Senhor usa esta palavra ‘espirito desumano’ em tempo de paz e reconciliação nacional?

S.L: Boa pergunta, “olha” a paz que conquistamos a 4 de Abril de 2002 não pode ser apenas sinónimo de calar das armas, mas também deve ser a tranquilidade dos espíritos e acima de tudo qualidade de vida do angolano. Será que temos uma paz verdadeira? Quando o estado coloca um bando de malfeitores como fiscais nas ruas que só sabem utilizar a coerção tirando os haveres do pacato cidadão, enquanto que a tarefa deles é verificar a legalidade e exigir a sua reposição, se estiver em falta, uma vez que fiscalizar não significa prender.

A: Acredita ou não que a justiça Angolana esta a evoluir?

S.L: Estamos a viver melhoria nesta área sim, porque hoje estamos a ver que até membros do executivo estão a ser julgados por crimes diversos. Exemplo concreto vimos o caso burla Thailandesa, CNC, entre outros, isto é bom. Mas há casos que os tribunais estão a deixar passar de lado, não sei porquê.

A: E em relação ao combate à corrupção?

S.L: Acho que o gesto do Presidente da Republica é uma chamada de atenção a todos angolanos, e a todos aqueles que forem nomeados para cargos públicos. Devem saber que estão a ser controlados e que devem prestar contas ao cidadão. A corrupção foi um dos piores males deste país.

A: Como vê a relação Igreja e  Estado?

S.L: O PNSA segue os princípios bíblicos e cristãos. Neste sentido, nós saudamos a iniciativa do PR em relação ao combate às seitas religiosas no nosso país. Aqui chamar atenção ao executivo sobre a lei aprovada no Parlamento, e em relação a operação resgate no encerramento de seitas ou igrejas, sei que a mesma, de um tempo a esta parte, está parada não sei porque! Por outro lado, estes mesmos indivíduos que vem abrir em angola as suas igrejas ou seitas são, em tempo de eleições, parceiros do MPLA na questão dos votos, isto porque eles entram no nosso território com objectivo de angariar dinheiro e não para pregar a Boa Nova do Senhor. Dizia o Papa Francisco, “quem não perdoa, não tem paz na alma, nem comunhão com Deus”. Há que haver o espírito de perdão entre os angolanos.

Por: Adão dos Santos

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