Suspense prolongado

VISÃO JORNALISTICA 

 

O suspense pós eleitoral prolonga-se. Desta vez com algum alívio, pelo carácter cordato da controvérsia, pese embora máculas aqui e acolá.

A questão situa-se por enquanto na capacidade da Comissão Nacional Eleitoral (CNE) comprovar a lisura da sua actuação. Proclamou resultados provisórios na ordem dos 98,98%, dando folgada vantagem ao MPLA. O gráfico ficou assim distribuído: MPLA 61,05%, UNITA 26,72% e CASA-CE 9,49%. Os seguidores contestaram; não tanto os resultados, mas o procedimento, condicionando a aceitação de jure. Impugnaram-no formalmente até anteontem, em termos exaustivos por apurar.

Elementos periféricos de parte a parte alimentaram simultaneamente a sensação de crise. Exemplos de um lado: pré-anúncio de vitória do partido da maioria cessante, antecipando a própria CNE, que ficou como que mero reboque institucional do vitorioso ‘Eme’; o uso da expressão “maioria qualificada”; a instrumentalização contínua da mídia pública, que acabou por ferir a colaboração da veterana caneta de um Reginaldo da Silva, no diário ‘O País’. Do outro lado: a demorada conclusão das autónomas contagens, em refutação das oficiais, tosca (pelo menos, até final de terça-feira); a desconfiança no sistema de regulação do contencioso; uma dose de maximalismo, que despreza o tamanho dos ganhos alcançados em condições de competição escandalosamente desiguais. Frise-se que, mesmo nos contestados números provisórios, a UNITA progrediu na ordem dos 50% e a CASA-CE de 100%, quanto aos futuros deputados. Longe, claro, a presente observação de amolecer a ambição de mais altos patamares, mola impulsionadora da dinâmica de qualquer força política. No balanço final, a aturada observação aquilatará melhor as lições e ilações de conjunto.

De permeio, entretanto, surgiram a troca dos já gastos estereótipos de belicismo e da batota. Falhas da parte de relevantes intermediários enuviaram ainda mais a atmosfera. Podemos apontar, neste particular: a CNE, o Tribunal Constitucional, observadores internacionais – todos com deficitárias cargas de isenção.

Pelo positivo, todavia, emergiu acima de tudo o apelo unanime à serenidade. Nem a veemência do debate contraditório transbordou dos marcos da urbanidade. Deslumbrou desta virtude, o discurso do presidente da UNITA, Isaías Samakuva. O escrutínio comum na sensível província de Cabinda reforçou o desanuviamento do clima. Amainou o ambiente, igualmente, o coincidente 75° aniversário natalício do Presidente da República cessante, José Eduardo Dos Santos. Em sua honra, o mega espectáculo à beira-mar, abrilhantado pela vedeta Kofi Olomidé e renomados artistas da terra, divertiu a sã vitalidade juvenil. Em demais boa gente, impacto similar teve, o anúncio desde segunda-feira última, do extraordinário encontro da CEAST com a imprensa. Ocorreu ontem, bastante concorrido. No mesmo dia, esta venerada autoridade moral deu o equidistante toque profético do seu discurso, pela voz do Vice-Presidente, Dom José Manuel Imbamba. Citamos: «Por aquilo que já pudemos colher, o acto eleitoral, como tal, correu como todos nós esperávamos; correu bem. O povo trabalhou e fez o seu trabalho com muito brilho (…) e dignidade e o resto, pois, já tem a ver com o serviço da CNE que deve, de facto, garantir que todos se reencontrem nos resultados que as assembleias de voto produziram.» Fim de citação das declarações de D. Imbamba, Arcebispo de Saurimo. Repisaremos o tema na próxima edição.

(Uma coprodução de Siona Casimiro e P. Maurício Camuto. Apresentação de Esmeralda Chiaca)

Luanda, quinta-feira 31 de Agosto de 2017.

 

 

 

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