Veremos-nos outra vez

TU DI MONENU MUNGU DINA, TO MONANENE NLUMBO KYA KANKA Dionisio Gonçalves Casimiro “Carbono Casimiro”

O Carbono despede-se amanhã (22.11). Vai para uma celestial viagem. Talvez tenha regresso, talvez opte por preparar o terreno para nos acolher, em igual viagem. Em alguns deles, tive o privilégio de partilhá-los, numa estonteante cumplicidade.

Partiste como quem vai à sala ao lado para pegar um café. Em nossos corações, tua determinação é uma vela acesa todos os dias. Em volta dela nos aquecemos, para tentar enganar o frio das ilusões que (ainda) nos mantêm com os olhos postados no horizonte. Teu espírito conciliador, tua obediência, tua docilidade, a força do teu carácter… São notas que nos recusamos esquecer, ao fazer o parto da tua curta vida sob os acordes de um violão. As ruas continuam a mesma.  Ainda acreditamos que a qualquer instante voltarás.

Humildade e solidariedade vivem enlaçadas no coração dos grandes homens. Aqui vai a minha profunda gratidão… No dia 18 de Novembro do corrente ano (segunda-feira). O dia anoiteceu-nos cedo no seio da sociedade em geral e em especifico dos activistas, Rappers e amantes da Arte. Tinhas uns olhos de muita promessa…

Tu que partirás amanhã. Queres saber se o País pelo qual teus pais morreram, sobre o qual você lutou mudou? Não. O pão subiu de preço. O País continua em crise. O povo já quer ver, deixou de amar a cegueira e o activismo cresceu.

Saúda o José Patrocínio, o “Man Zé” e orem por nós, os próximos a partir. Sempre que a lembrança tropeça na forma das palavras que mastigamos juntos (activistas), entre perigos húmidos e sonhos que o tempo frustrou, há uma adaga afiada no ar, um mar de silêncios agudos toma os contornos do teu rosto, nosso eterno tropa… E as perguntas explodem como gritos desesperados numa noite de guerra: como pode a vida ser tão efémera? Como podes ter partido tão cedo? Como se o amanhã estivesse já a nossa espera na curva a seguir, e todo hoje não passasse de um mero ponto de exclamação no sumário da nossa existência!?  O Facebook ficou hoje recheado de imagens tuas, espiamos todas tuas fotos. Cansado do mundo, bebemos do teu olhar. A ver se através dele, Deus pode dar guarida a algumas das nossas perguntas. Mas cada vez mais, parece que toda dor tem a composição Química das derrotas! Por isso é que só o mar responde quando através da saudade tentamos esticar-nos ao comprido…

A saudade sangra-nos os sentidos, cada vez que se torna óbvio que jamais voltarás, e cada vez mais dispensado de ti, me é quase impossível, colocar adoçante no chá das minhas manhãs.

Lembro-me quando fomos aos confins da terra a uma manifestação em favor dos manos dos 15+2, até participar das vigílias, aceitamos dormir no chão em nome daquilo em que acreditamos e pelo qual estamos dispostos a morrer.

Casimiro partiu sem ver Angola Prometida

Paz a sua alma

Por: Leonardo Ngola

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