VISÃO JORNALÍSTICA

 

                                                                                                                        Geminado Aaniversário

 

A transição de Março para Abril corrente juntou dois aniversários jubilosos: o 4 de Abril, Dia da Paz, que completou 15 anos; e o Sindicato dos Jornalistas Angolanos (SJA), 25 anos.

Comecemos por meditar o quarto de século alcançado pelo mais velho, numa inversão da ordem de grandeza. Sim, um quarto de século do SJA… Um dos protagonistas da gênese deste órgão, em 1991, o coautor da presente crônica comove-se por este facto. A concepção aconteceu no crepúsculo setembrino, num austero aposento da Liga, então etiquetada de Amizade entre os Povos. O nome correspondia ao jargão de uma moda abandonada. Eram 9 mujimbeiros, ansiosos de equacionar o futuro da sua profissão, nos rescaldos da queda do Muro de Berlim (?). E, em África no geral, ocorria a onda do proclamado pluralismo político. Dois dos referidos pioneiros estiveram na Namíbia, onde se aprovara, a 3/5/1991, a “Declaração de Windhoek”. Identidade dos presentes dispostos nos bancos de madeira castanha do local da fecundação (?) por ordem alfabética: Adelino de Almeida, Aguiar Dos Santos, Avelino Miguel, Graça Campos, Mário Campos, Mário Paiva, Reginaldo (?) Silva, Pedro Mawonso, Siona Casimiro. Três partiram para o Pai; os restantes são ainda agraciados com a faculdade de depor para a grei e para a posteridade. A tertúlia tomou duas horas e tal, culminando na vontade de criar o sindicato de profissionais da classe, a partir da consulta dos interessados. A adesão foi arrasadora nas redacções dos órgãos existentes na época, em todo o território nacional. O conjunto da sociedade acusou uma empatia favorável, evidenciada pela lista publicada de gratidão aos generosos doadores ao orçamento do acto fundador, de 28/3/1992. Personalidades partidárias de vulto e até eminentes figuras da Hierarquia da Igreja de Luanda desembolsaram o seu quinhão.

Como sempre, a euforia de uns coabitou com o ranger de dentes de outros; e o principal empregador surpreso, naturalmente. O contra-ataque deste exibiu as suas garras nos dolorosos episódios pós-eleitorais da história nacional, com infames calúnias. O Senhor ajudando, a celeuma passou e à distância, a retrospectiva hodierna permite friamente discernir a mais-valia da agremiação.

Que balanço se pode fazer dos seus ganhos? Em primeiro lugar, a sua sobrevivência, com a isenção determinante da afirmação do sindicalismo livre e independente em Angola. Pode, igualmente, regozijar-se da regular revitalização orgânica. Quatro secretários gerais eleitos sucederam-se no topo – Avelino Miguel, Ismael Mateus, Luísa Rogério, Teixeira Cândido. A afoita mulher, Luísa Rogério, acentuou a regeneração dos efectivos, prestigiando o SJA, actualmente, de invejável credibilidade interna e internacional. Neste estofo, enquadram-se o seu formato original de comemorar os (?) 25 anos e a pronta atenção suscitada na opinião pública. Laureou membros e organismos que se distinguiram na sua irradiação e o valor da liberdade de imprensa. Nas reações, abundaram aplausos e apupos. Partilhamos, entre a crítica, aquela que se indignou, por exemplo, contra o jacobinismo luandino, desleixado para com as províncias. Tem que ser corrigido tal como a omissão da contribuição histórica de Rafael Marques, com o seu digital “Maka Angola”, etc. SJA só para Luanda, nunca mais!

Seja como for, a iniciativa valeu em mostrar um naipe de obreiros dedicados ao múnus do ofício, geralmente preteridos em prémios à docilidade e paraquedismo. Não tem persistido, em parte, o à vontade de falhas desta índole no défice de vigia cívica do SJA? Não chegou o tempo de parceria acutilante em instante como a nomeação dos gestores da mídia pública, tão desgastada hoje em dia? Como entender o silêncio do SJA perante a atribuição de um tacho do marketing da Sonangol a um cooperante sem habilidades excepcionais? Este rol de interrogações aflora os desafios de sobra no horizonte de uma instituição de vivo ascendente interesse colectivo. E seus observadores mais amadurecidos recordam aqueles frisados pelo seu recente Congresso, mormente: a questão da sede, a atualização dos Estatutos, a nevrálgica articulação com as províncias. Em suma, o imperativo de robustecer-se cívica, técnica e funcionalmente, encerrando o ciclo do amadorismo e de pobreza franciscana. Confiamos na superação destas gritantes insuficiências, com a energia de uma entidade doravante madura.

Almejada maturidade manifestou também o outro par do geminado aniversário: o 4 de Abril de 2002, vulgo Dia da Paz e da Reconciliação Nacional. Na cinzenta conjuntura económica e social, com a disputa eleitoral como pano de fundo, resplandeceu com o mesmo condão. Isto é, a conquista mais avultada do exercício da soberania pelos Angolanos. Não contou desta vez com o magistério comum dos nossos Bispos, sobrecarregados pela agenda da sua recente Plenária em Benguela. No entanto, um empolgante culto ecuménico celebrou a efeméride na capital, coincidente com a Quaresma conducente à Pascoa. Ou seja, a altura densa da mística interação do Sacrifício Supremo com a Ressurreição de Jesus Cristo! Momento sublime enaltecido pela virtuosa estrofe da oração franciscana:

Pois, é dando que se recebe;

É perdoando que se é perdoado;

E é morrendo que se vive

Para a vida Eterna. Ámen.

(Uma coprodução de Siona Casimiro e P. Maurício Camuto. Apresentação de Tomás de Melo)

Luanda, quinta-feira 13 de Abril de 2017

 

 

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