VISÃO JORNALÍSTICA-Temática Coloquial

Facetas do noticiário recente aferiram matérias de temática coloquial. Fixamo-las em três acontecimentos, que citamos por ordem de impacto. I) A abertura do Ano Acadêmico. II) A estreia do Ano Judicial. III) O prêmio Mandela de Audácia a Agostinho Neto.

Vejamos.

I) Fim integral das férias no Ensino, e o sector voltou ao trabalho. Integral, quer dizer, a todos os níveis do sistema – o iniciático, o de base, o pré-universitário e o superior. O último estágio ocupou a manchete da atualidade na semana passada, polarizada em Caxito e Luanda. Na primeira cidade, o vice-presidente da República abriu o ano acadêmico para a generalidade do ciclo superior. Com um discurso em que vincou a ânsia da qualificação e valorização permanente dos quadros. Em Luanda, a honra coube à Universidade Católica, primeiro estabelecimento privado deste nível. Conforme a tradição, uma aula de sapiência ocupou a agenda profana, além da Liturgia eucarística presidida pelo Bispo de Caxito, Dom António Jaca. A tese de sapiência versou nos desafios do Ambiente, sustentada pelo catedrático João Serôdio.

No cômputo geral, as estatísticas alusivas aos matriculados confirmam o ascendente florescimento. Angola ganha cada vez mais formados. Não só em quantidade, como em qualidade, diga-se, outrossim, sem ufania ou complexo de espécie alguma. Porém, quantos, da fornalha inscrita no presente ano, terão emprego seguro, no fim? Somente o futuro responderá, visto que a formação superior deixou de ser uma garantia automática de acesso ao mercado. Lá vão os tempos… Aqueles da atenta e eficiente sincronização entre a formação e o mercado do trabalho! Porquê não resgatar tal proeza, nesta altura de paz e infinitas potencialidades, projectos e vontades de desenvolver o todo nacional? O todo nacional, que acabe com as assimetrias regionais, urbanizando gradualmente o território inteiro, inclusive o sertão, ainda em estado selvagem actualmente. É tema para diagnóstico coloquial, para e pela peritagem global da especialidade.

  1. II) Tema para colóquio, depreendemos, igualmente, do quadro da nossa justiça, realçado na abertura do ano judicial 2017. Da boca do presidente do Tribunal Supremo, Manuel Aragão, captamos a premência de duplicar o número de juízes em serviço. Devido a esta carência, exemplificou o venerando Juiz, 102 mil processos transitaram em 2016. Como um quadro assim poderá enfrentar a tensão emergente das renhidas batalhas eleitorais? Bastará, o Tribunal Constitucional, com a avalanche dos incidentes que relevam, amiúde, dos tribunais comuns? Não convém, por isso, um simpósio sobre esta problemática? Uma conferência que, com ciência, luz dos ancestrais e eclesial, agrupasse todas as entendidas apropriadas?

III) Enfim, o noticiário em retrospectiva trouxe o anúncio do prêmio Mandela de audácia atribuído a Agostinho Neto, numa universidade francesa. Singular reflexo instantâneo de um colega, na tertúlia rotineira da nossa redacção: diacronicamente, o inverso não corresponderia à autenticidade? Chauvinismo nacional à parte, Neto, primeiro que Mandela, foi preso político, granjeou visibilidade mundial e determinou a queda do regime do apartheid – argumentou o colega. Sim, hoje em dia, não hesitou em reconhecer, o mesmo colega, o vulto de Mandela ultrapassa o adquirido por Neto. Como ocorreu esta realidade e explicá-la ao cidadão comum, formatado outrora pelo culto do seu ídolo? Provavelmente, a exposição exaustiva do júri indicou parte de respostas à dúvida. Cabalmente, achamos, o debate coloquial, cá, na terra de Neto, pode debelar a questão do aparente paradoxo.

Pelo sim ou pelo não, é no mínimo o nosso subsídio, que transparece com a graça do Senhor, no presente princípio de Quaresma. Isto é, o momento, em que o Papa Francisco, realçou como sendo “o caminho do Povo de Deus em direcção à Páscoa, um caminho de conversão, de luta contra o mal com as armas da oração, do jejum, das obras de caridade.”

Nos rescaldos do Carnaval e do “assalto ao castelo”, que rumem, os filhos de Angola, para o bem-estar, por todos, almejado!

(Uma coprodução de Siona Casimiro e P. Maurício Camuto. Apresentação de Tomás de Melo)

Luanda, quinta-feira 09 de Março de 2017

 

 

O Apostolado Nas Redes Sociais

Twitter O ApostoladoFacebook Jornal O Apostolado

Apostolado Divisoria


Apostolado Divisoria


Apostolado Divisoria


Apostolado Divisoria