“Examinai tudo, escolhei o que é bom!”

                                                                                                                     (I Tes 5,21)

                                                                                                                   INTRODUÇÃO

  1. Saudamos os Cristãos, bem como os homens e mulheres de boa vontade: “A Paz esteja convosco”. Reunidos na bela e acolhedora cidade de Catumbela, diocese de Benguela, entre os dias 24 a 30 de Março, na primeira Assembleia Plenária Ordinária, e movidos pela vontade de servir o bem comum, gostaríamos de dizer uma palavra que ilumine e ajude a superar o ceptismo, a desconfiança e a indiferença diante dos acontecimentos importantes que marcam o nosso País, neste ano de eleições. Sabemos e compreendemos que pertence à política a construção de uma sociedade justa. Contudo, com o Papa Francisco relembramos que “, a Igreja não pode nem deve ficar à margem na luta pela justiça. Todos os cristãos, incluindo os Pastores, são chamados a preocupar-se com a construção dum mundo melhor” (Evangelium Gaudium 183).
  2. Neste ano de 2017, o processo eleitoral marca, sem dúvida, a vida da sociedade e também da Igreja de Angola. A fé cristã não diminui em nada a nossa condição de cidadãos, pelo contrário, aumenta a nossa responsabilidade de vivermos e actuarmos como cidadãos cuja vida – pessoal e colectiva – vai sendo transformada pela força do Amor de Deus derramado nos nossos corações (Rom 5,5).

 

                                                                                                    ELEIÇÕES E A BUSCA DO BEM-COMUM

  1. Passaram-se pouco mais de quarenta anos desde a conquista da Independência de Angola. Todavia, continuamos a sonhar com um País próspero, democrático, sem corrupção, socialmente justo e economicamente sustentável. A vida do país, que não é senão a vida concreta das angolanas e dos angolanos, deve sobrepor-se sempre às lógicas do poder e dos interesses estritamente partidários. Angola precisa que quem governa seja competente e governe para todos e não apenas para aqueles que o elegeram e, pior ainda, para uma elite de privilegiados. Precisa igualmente de uma oposição forte que “obrigue” quem governa a dar o melhor de si em prol do bem de todos. A democracia não é a “ditadura da maioria”; deve procurar o consenso e, mesmo que se decida pelo voto da maioria, deve valorizar-se as contribuições das minorias, cujos direitos têm de ser sempre respeitados no quadro do Estado Democrático e de Direito. Deste modo, tanto aqueles que receberem o mandato de governar como quem está na oposição desempenham uma função nobre e necessária ao bem do País, devendo servi-lo através de uma atitude de diálogo construtivo, o mais consensual possível, particularmente sensível e atento às necessidades dos membros mais vulneráveis da sociedade.
  2. Amados Cristãos, caros cidadãos, devemos todos ter presente que “o bem comum empenha todos os membros da sociedade: ninguém está escusado de colaborar, de acordo com as próprias possibilidades, na sua busca e no seu desenvolvimento (Compêndio de Doutrina Social da Igreja 167). Nesta linha de ideias, recorda-nos a Igreja que, “a responsabilidade de perseguir o bem comum compete, não só às pessoas consideradas individualmente, mas também ao Estado, pois que o bem comum é a razão de ser da autoridade política(Cf. CDSI 168). A partir deste pressuposto, os verdadeiros políticos são aqueles que buscam, antes de tudo, o Bem-Comum do seu povo, concretamente desta nossa Grande Família chamada Angola. Este é, e deve ser, o selo de autenticidade dos governantes, no presente e no futuro, e constitui condição essencial do desenvolvimento do nosso País.
  3. Na prossecução desta finalidade, o processo eleitoral é uma forma privilegiada, se bem que não a única, dos cidadãos poderem, através da escolha expressa pelo seu voto, contribuir para a construção de uma sociedade mais justa para todos. De facto, as eleições são apenas um “instrumento” que permite aos cidadãos escolherem os seus representantes e o projecto político que querem ver implementado nos próximos anos.
  4. Recordemos quantas gerações de angolanos sonharam e lutaram para que fosse possível que cada um expressasse, através do voto, a sua opção para o presente e o futuro de Angola. Este é um direito cívico e político que, infelizmente, muitos nunca tiveram a oportunidade de exercer. E nós, que agora temos a possibilidade de exercer esse direito, vamos desprezá-lo?

 

                                                                                                                ELEIÇÕES DEMOCRÁTICAS

  1. Constatamos, com preocupação, em muitos dos nossos concidadãos um certo desencanto, em relação ao novo processo eleitoral, que foi notório no desinteresse de muitos pela actualização do registo eleitoral. Há muitas pessoas, principalmente entre as mais vulneráveis, que se sentem defraudadas pela incoerência entre o conteúdo dos programas políticos escolhidos em eleições anteriores e uma prática política que muitas vezes os ignora, favorecendo quem tem influência política e poder económico ou militar.
  2. Quem se deixa levar pelo desencanto face às debilidades da democracia angolana, com a sua desistência, abdica do esforço necessário para procurar construir uma vida melhor para todos. Como pode, quem não participa na vida política, esperar um futuro melhor, se nega o seu esforço para que esse futuro se torne uma realidade ao longo de um processo de aprendizagem conjunta que todos, como cidadãos deste País, temos de continuar a fazer em ordem ao aperfeiçoamento da nossa democracia?
  3. A democracia não é necessariamente virtuosa, não é fim em si mesma, não se implementa “por decreto”, mas exige uma aprendizagem permanente, uma educação cívica democrática e a contribuição de todos os cidadãos e actores sociais para se ir desenvolvendo e aperfeiçoando. A este respeito, convém recordar o ensinamento de São João Paulo II na Centesimus Annus, a Igreja encara com simpatia o sistema da democracia, enquanto assegura a participação dos cidadãos nas opções políticas e garante aos governados a possibilidade quer de escolher e controlar os próprios governantes, quer de os substituir pacificamente, quando tal se torne oportuno;ela não pode, portanto, favorecer a formação de grupos restritos de dirigentes, que usurpam o poder do Estado a favor dos seus interesses particulares ou dos objectivos ideológicos (CA 46). É a “partidocracia” que quase sempre leva ao imobilismo e ao parasitismo social.
  4. Há eleições democráticas quando o povo pode escolher, com liberdade e responsabilidade e sem intimidação nem aliciamentos, aqueles que, a seu ver, têm qualidades necessárias, para promoverem o Bem-Comum; quando os partidos concorrentes à governação realizam livre e responsavelmente a sua campanha eleitoral, num clima de segurança e respeito por todos. Neste ponto, os órgãos públicos de manutenção da ordem têm um papel fundamental e uma responsabilidade que lhes é própria.
  5. A campanha eleitoral não deve distrair os cidadãos do essencial: o mais importante não é o partido que ganha as eleições, mas a idoneidade e a capacidade das pessoas escolhidas pelo voto para corresponderem, com o seu trabalho ao serviço do bem comum, à confiança que nelas foi depositada pelos seus concidadãos. Não é demais recalcar que é importante reconhecer o valor das iniciativas alheias e que a autocrítica dignifica qualquer partido ou candidato.
  6. Espera-se dos partidos políticos que concorrem às eleições a obrigação de apresentar aos cidadãos o programa político que pretendem implementar se forem eleitos, não se limitando a apontar meias frases ou metas vagas, como: melhor educação, melhor saúde,… combate à corrupção, mas esclarecendo que metas concretas se propõem alcançar, como se propõem alcançá-las, quais as pessoas competentes com que cada Partido conta para pôr em prática o seu programa político. Por outras palavras, trata-se de ultrapassar as promessas populistas, vazias de conteúdo e dificilmente realizáveis. Vai sendo tempo de habituar o povo a assistir ao debate de ideias entre os candidatos.
  7. A par dos órgãos competentes previstos pela lei, todos devemos contribuir para o bom curso do processo eleitoral. Os responsáveis políticos e partidários devem assegurar a máxima transparência de todas as fases do processo eleitoral para que decorra de forma pacífica e a sua credibilidade não seja colocada em questão. Este apelo dirige-se de igual modo à sociedade civil em geral. Se alguém detectar alguma irregularidade deve informar e reclamar imediatamente, nos termos da lei, para que, eventuais irregularidades sejam analisadas e tidas em conta antes da divulgação dos resultados, de modo a que estes não venham a ser questionados.
  8. A Igreja Católica não se identifica com nenhum sistema político nem endossa algum candidato. A igreja encoraja e exorta todos os cidadãos a exercer o seu direito e dever de voto. Evidentemente que para os cristãos e homens de boa vontade, nem todos os programas valem. Os fiéis podem e devem legitimamente escolher diferentes programas políticos, ser militantes ou apoiantes de diferentes partidos políticos. Este exercício, cada um deverá fazê-lo de forma informada e consciente, à luz da sua fé e tendo em conta os princípios da Doutrina Social da Igreja e do direito Natural, nomeadamente no que diz respeito à: dignidade da pessoa humana – defender os valores da vida desde a concepção até à morte natural, da família, da justiça e o acesso de todos aos bens económicos, sociais e culturais indispensáveis a uma vida digna; o bem comum – a justiça social e o respeito pelos direitos humanos, promover o combate eficaz à corrupção; a solidariedade – tendo em conta o destino universal dos bens da criação, promover políticas centradas nas necessidades dos mais pobres, fomentar a inclusão social; a subsidiariedade – aproximar, tanto quanto possível, os decisores e os centros de decisão dos cidadãos; as autarquias – apresentar a calendarização da implementação das autarquias como pressuposto para fortalecer a Democracia; o ambiente, o cuidado pela “casa comum”, as nossas florestas, rios, mares, montanhas etc.
  9. A vida democrática do país não termina com o processo eleitoral, nem fica suspensa até ao novo acto eleitoral. Todos os cidadãos devem continuar a participar na vida democrática do país, fiscalizando a acção do Governo eleito e promovendo iniciativas que contribuam para a construção de uma Angola melhor para todos, de uma Angola de cidadãos, onde todos se sintam construtores do País.

 

                                                                          ALGUMAS ORIENTAÇÕES PRÁTICAS E ÉTICA NAS ELEIÇÕES

                                                                                                   Eleições Viradas para o Futuro

  1. Os órgãos de Comunicação Social, sobretudo os estatais, têm sido excessivamente unilaterais e tendenciosos. Para a sua credibilidade, devem desempenhar o seu papel, extremamente importante, ao longo de todo o processo eleitoral, com rigor e isenção, garantindo o acesso à informação sobre os diferentes candidatos e programas políticos; noticiando com verdade e imparcialidade. Cada Órgão de Comunicação Social deve assumir a responsabilidade de divulgar uma informação equilibrada e plural. O direito à informação plural é um dos pilares fundamentais de qualquer sistema democrático e essencial para a consolidação da nossa democracia em Angola.
  2. É natural que o entusiasmo se apodere dos candidatos e seus simpatizantes no momento de apresentar os respectivos programas políticos, contudo devemos acautelar que não se falte ao respeito pela diversidade de opções que é constitutiva do sistema democrático. Preste-se atenção para que nenhuma situação leve a qualquer tipo de violência (verbal, física, psicológica,…). No respeito pela reconciliação nacional, evite-se recordar desnecessariamente episódios tristes da nossa história recente, que nem sequer fazem parte da experiência de muitos eleitores. Seria insensatez abrir feridas que estão a cicatrizar.

 

                                                                                                                    Apelo aos Garantes da Ordem

  1. A lei angolana considera que os membros de certos grupos profissionais – por exemplo: os magistrados, os agentes da polícia, os militares – devem ser apartidários. Isto não significa que não possam votar e ter as suas preferências partidárias, mas que se devem abster de as manifestar e de fazer campanha partidária, pressionando as pessoas a votar em A ou B.

 

                                                                                                Apelo aos Líderes Religiosos e às Autoridades Tradicionais

  1. Os membros da comunidade cristã podem legitimamente optar por ser militantes, simpatizantes ou eleitores de diferentes partidos políticos e, independentemente das suas opções partidárias, todos devem sentir que na Igreja estão na sua casa e na sua família. Para que assim aconteça, ninguém use o espaço destinado às celebrações, catequeses e reuniões de grupos e movimentos apostólicos para campanha partidária, seja através de cartazes, autocolantes, bandeiras, bonés, camisolas ou outros materiais de cariz partidário.
  2. Os Líderes das comunidades católicas – bispos, presbíteros, diáconos, religiosas ou religiosos, evangelistas ou catequistas – devem abster-se de manifestar as suas preferências partidárias e de fazer campanha partidária.
  3. Convidamos também os líderes das demais confissões religiosas e as autoridades tradicionais a agirem do mesmo modo, dando um testemunho de unidade no respeito pela diversidade de opções que caracteriza o sistema democrático. Recordamos que a natureza e a dignidade da autoridade tradicional é anterior e transcende os partidos políticos. Por isso, apelamos à sua não instrumentalização e que eles mesmos também não se deixem instrumentalizar.

 

                                                                                                                               UM AGRADECIMENTO

  1. Antes de concluir esta mensagem pastoral, queremos deixar uma palavra de apreço e reconhecimento a todos os cristãos que, num contexto tão complexo como o nosso, continuam a dar testemunho da sua fé, a participar, de forma séria e honesta, na vida partidária e a exercer o poder político como uma missão em vista à edificação do bem comum. Louvamos e agradecemos, de igual modo, a todos os cidadãos que se empenham generosamente para garantir que este processo eleitoral possa decorrer da melhor forma, através do seu trabalho nos vários níveis, antes, durante e após o acto eleitoral.

  

                                                                                                                                      CONCLUSÃO

  1. A Páscoa que estamos a preparar intensamente, é celebração da vitória da vida sobre a morte, do amor sobre o ódio, do diálogo sobre a intolerância, do bem sobre o mal, enfim, da reconciliação sobre a violência. Por isso, a caridade impele-nos a renovar o nosso compromisso com a verdade, a liberdade, a justiça e a solidariedade na Igreja e na sociedade política da qual somos parte integrante. Aceitemos os desafios da hora presente e futura sem pessimismo nem fatalismo, mas com esperança e grande sentido cívico. Aceitemos o desafio de construir uma sociedade nova fundada no direito e justiça e que seja respeitada a vontade soberana do povo.

Que Maria, Rainha da Paz,  obtenha do seu Filho a paz duradoira para a nossa Pátria

Catumbela, aos 30 de Março de 2017

 

Os Bispos da CEAST

 

Fiéis católicos juntaram-se no domingo, no pavilhão do Futebol Clube do Uíge, para celebrar os 50 anos da criação da Diocese do Uíge

O jubileu dos 50 anos marcou também as bodas de ouro do primeiro bispo e actual Emérito, Dom Francisco de Mata Mourisca, que foi homenageado pelo seu contributo na educação, formação e edificação da diocese.

A celebração eucarística foi orientada pelo bispo da diocese do Uíge, Dom Emílio Sumbelelo.

A celebração, que marcou o encerramento do jubileu, contou com a presença do Núncio Apostólico de Angola e S. Tomé, Dom Pitar Rajic, do presidente da CEAST e arcebispo de Luanda, Dom Filomeno Vieira Dias, do governador da província do Uíge, Paulo Pombolo, assim como de membros do governo e deputados.

Na ocasião, o núncio apostólico de Angola e S. Tomé, Dom Pitar Rajic, apresentou a mensagem do Papa Francisco sobre os 50 anos da criação da Diocese do Uíge e da ordenação episcopal de Dom Francisco da Mata Mourisca, bispo emérito.

Por seu turno, o vice-presidente da CEAST, Dom José Imbamba, disse que a presença dos bispos e arcebispos manifesta sentimentos de solidariedade e gratidão.

“A nossa presença é mesmo expressão de comunhão, fraternidade e alegria que todos experimentamos nesta caminhada eclesial”, referiu.

Encorajou o clero e os fiéis da diocese para trabalharem com amor ao próximo, exprimindo, assim, a beleza da vida espiritual, cultural, social e cívica da igreja.

A diocese foi criada a 14 de Março de 1967.

 

O Núncio Apostólico de Angola e S. Tomé, Dom Petar Rajic, encorajou na cidade do Negage, os sacerdotes da igreja a tomarem um coração novo seguindo o exemplo dos Apóstolos com vista a serem auxílio e misericórdia para os que sofrem na sociedade.

Na sua homilia durante a missa que celebrou para sacerdotes e irmãs consagradas na igreja de São José Operário, cidade do Negage, Dom Rajic afirmou que encorajados pelo testemunho dos Apóstolos e mártires da igreja primitiva, nunca terão medo de dar suas vidas de todo o coração ao Senhor da Messe, que veio para servir e não para ser servido.

Para si, é importante trabalharem para o bem, sem medidas e distinção do rebanho que o Senhor colocou à disposição de cada um.

“Devemos nos lembrar sempre que o sacerdócio não é, em primeiro lugar, algo que fazemos, mas alguém que somos. Não é um troféu ganho. Trata-se de uma relação íntima e verdadeira com a videira que é Cristo”, recordou.

“Como sacerdotes, embora somos fracos e limitados, por meio da imposição das mãos e da oração de ordenação somos dispensadores a misericórdia de tais bens celestes”, sublinhou.

Na oportunidade, baseando-se numa das homilias do Papa Francisco, recordou os presentes a privilegiar o povo cristão com a sua realidade, seu dia a dia para que possam sentir-se bem ao lado dos sucessores de Pedro.

O prelado pediu  aos sacerdotes a necessidade de darem bom testemunho, para que os jovens chamados pelo Senhor sigam o seu exemplo e não tenham medo de responder ao chamamento de Deus.

Para o bispo do Uíge, Dom Emílio Sumbelelo, o momento seriviu para apresentar os seus colaboradores, quer dos sacerdotes diocesanos como religiosas e das irmãs consagradas.

Participaram da missa bispos, arcebispos da CEAST, sacerdotes, religiosas, catequistas e fiéis de diversas comunidades da cidade do Negage.

 

            VISÃO JORNALÍSTICA

O frenesim da campanha pré-eleitoral do cabeça-de-lista do MPLA prossegue de vento-em-popa. O partido maioritário lidera a acção ecoada pela mídia pública, a via de maior difusão. Por enquanto, a réplica opositora, tímida em volume, tem-se confinado nas redes sociais e canais privados de audiência reduzida. Entre as duas vias, porém, tem sido nítida a velada disputa: a ostentação de recursos, por um lado; e episódios de presumida origem duvidosa de tal riqueza, por outro. Vai-se, a este ritmo, para favas contadas e de proporções inigualadas do MPLA? Parece prematura qualquer dedução categórica porquanto, a rigor, a procissão vai ainda no adro, de um pleito, nem sequer convocado.

A data exacta da convocação necessita de cabal iluminação prévia nas tarefas incumbidas à Comissão Nacional Eleitoral (CNE). Daí, a acentuada deslocação da vigilância do Ministério da Administração do Território (MAT) para a CNE. É o relatório final desta última instituição que permitirá ao Presidente da República convocar o sufrágio no prazo de 90 dias antes do fim do seu mandato. E somente, à cadência deste percurso, irão soltar-se os avisados actores, a plenitude das respetivas armas e o ritmo do seu disparo. Na hora presente, de paz pascal, a objectividade manda constatar a fluidez do xadrez favorável ao partido da situação.

A sensação de paz pascal repercutiu-se também no plano social, volvido o rebuliço da primeira greve dos professores. A acalmia reforçou-se com o anúncio, no Sábado Santo, do adiamento da greve dos agentes da Procuradoria-Geral da República. Teria início na segunda-feira passada. O Procurador-Geral da República (PGR) conseguiu a delonga condicional de dez dias, por flexibilidade mútua. Flexibilidade, quer dizer, longe das iniciais posições radicais, ouvidas de parte a parte. A entidade patronal abandonou aquela exibida anteriormente por um alegado porta-voz, o qual havia considerado o aviso de greve como ilegítimo. Pois, acrescentava o mesmo porta-voz, era ilegal o sindicato, que ele acusava de ser o causador da tensa situação. O Sindicato Nacional dos Técnicos de Justiça e Administrativos da PGR refutou este parecer. Elucidou a sua condição jurídica, lembrando a sua existência de facto e de jure, tácito desde 2012. Quanto à greve, explicitou o Sindicato, a decisão foi deliberada em Assembleia, que rechaçou inclusive a moratória de 30 dias antes pedida pelo PGR. Na assembleia, os participantes mostraram-se agastados com as negociações de um caderno reivindicativo a arrastar-se desde 2014. Com o aproximar da data fatídica, felizmente, o espírito conciliador amenizou a tensão; o prazo da moratória baixou para 10 dias e os sindicalistas adiaram a paralisação. O que acontecerá no dia 27? ‘Veritatem dies aperit’ ou, “o tempo revela a verdade”, dizia o filósofo Séneca da Antiguidade Romana. Logo, dentro de dias se saberá.

Nos dias que se aproximam, espera-se ainda um desanuviamento substancial na fronteira da província da Lunda-Norte com a RDC. A região acusou a primeira enchente de refugiados por causa da guerra civil a despontar na sua pátria de origem. A sua assistência humanitária adicionou-se aos desafios da segurança de um recanto diamantífero e alvo permanente de uma imigração selvagem.

Saiba Angola dignificar-se, amparando aqueles irmãos indigentes, no espírito da Mensagem pontifical “Urbi et Orbi’ de domingo passado! Citamos:

(…) O Pastor ressuscitou faz-Se companheiro de viagem das pessoas que são forçadas a deixar a sua terra por causa de conflitos armados, ataques terroristas, carestias, regimes opressores. A estes migrantes forçados, Ele faz encontrar, sob cada ângulo do céu, irmãos que compartilham o pão e a esperança no caminho comum”.

(Uma coprodução de Siona Casimiro e P. Maurício Camuto. Apresentação de Tomás de Melo)

Luanda, quinta-feira 20 de Abril de 2017

O Bispo auxiliar de Luanda destacou neste domingo a dimensão da celebração da morte e ressurreição de Jesus. Dom Zeferino Zeca Martins falava durante a homilia da missa deste Domingo na sé catedral.

Em dia de festa, o bispo auxiliar de Luanda, deixou uma mensagem especial para aqueles que passam por momentos de dor nesta fase.

Dom Zeferino Zeca Martins apelou a sociedade em geral para necessidade de anunciar a tempo e a contratempo o evangelho de Cristo de forma que haja maior conversão e amor ao próximo.

O sacerdote católico frisou que a medida visa fazer com que as pessoas dêem um valor especial à humanidade, ou seja, “dar  valor à vida na lógica do perdão e da fraternidade”.

O prelado frisou ainda que é necessário “cultivar o amor, a paz e a justiça entre irmãos para que o Cristo ressuscitado viva e reine entre todos”.

O prelado exortou os fiéis a adoptarem um comportamento exemplar por altura das eleições que terão lugar em Agosto do ano em curso.

 

bênção Urbi et Orbi

Na Praça de S. Pedro, mais uma vez repleta de féis e peregrinos provenientes de diversos cantos, e logo após a celebração da santa missa de solenidade de Páscoa, o Papa Francisco procedeu a comunicação da mensagem e da bênção Urbi et Orbi deste ano 2017.

Hoje, em todo o mundo, a Igreja renova o anúncio maravilhoso dos primeiros discípulos: «Jesus ressuscitou!» – «Ressuscitou verdadeiramente, como havia predito!» A antiga festa de Páscoa, memorial da libertação do povo hebreu da escravidão, alcança aqui o seu cumprimento: Jesus Cristo, com a sua ressurreição, libertou-nos da escravidão do pecado e da morte e abriu-nos a passagem para a vida eterna.

Todos nós, observou Francisco, quando nos deixamos dominar pelo pecado, perdemos o caminho certo e vagamos como ovelhas perdidas. Mas o próprio Deus, o nosso Pastor, veio procurar-nos e, para nos salvar, abaixou-Se até à humilhação da cruz. E hoje podemos proclamar: «Ressuscitou o bom Pastor, que deu a vida pelas suas ovelhas e Se entregou à morte pelo seu rebanho. Aleluia!» (Missal Romano, IV Domingo de Páscoa, Antífona da Comunhão).

Através dos tempos, recordou o Santo Padre,  o Pastor ressuscitado não Se cansa de nos procurar, a nós seus irmãos extraviados nos desertos do mundo. E, com os sinais da Paixão – as feridas do seu amor misericordioso –, atrai-nos ao seu caminho, o caminho da vida. Também hoje Ele toma sobre os seus ombros muitos dos nossos irmãos e irmãs oprimidos pelo mal nas suas mais variadas formas.

O Pastor ressuscitado vai à procura de quem se extraviou nos labirintos da solidão e da marginalização; vai ao seu encontro através de irmãos e irmãs que sabem aproximar-se com respeito e ternura e fazer sentir àquelas pessoas a voz d’Ele, uma voz nunca esquecida, que as chama à amizade com Deus. Cuida de quantos são vítimas de escravidões antigas e novas: trabalhos desumanos, tráficos ilícitos, exploração e discriminação, dependências gravem. Cuida das crianças e adolescentes que se vêm privados da sua vida despreocupada para serem explorados; e de quem tem o coração ferido pelas violências que sofre dentro das paredes da própria casa. O Pastor ressuscitado faz-Se companheiro de viagem das pessoas que são forçadas a deixar a sua terra por causa de conflitos armados, ataques terroristas, carestias, regimes opressores. A estes migrantes forçados, Ele faz encontrar, sob cada ângulo do céu, irmãos que compartilham o pão e a esperança no caminho comum.

Eis então que, nas vicissitudes complexas e por vezes dramáticas dos povos, Francisco pede ao Senhor ressuscitado para  que guie os passos de quem procura a justiça e a paz; e dê aos responsáveis das nações a coragem de evitar a propagação dos conflitos e deter o tráfico das armas.

Concretamente nos tempos que correm,  que o Senhor sustente os esforços de quantos trabalham activamente para levar alívio e conforto à população civil na Síria, vítima duma guerra que não cessa de semear horrores e morte. Conceda paz a todo o Médio Oriente, a começar pela Terra Santa, bem como ao Iraque e ao Iémen.

Não falte a proximidade do Bom Pastor às populações do Sudão do Sul, do Sudão, da Somália e da República Democrática do Congo, que sofrem o perdurar de conflitos, agravados pela gravíssima carestia que está a afectar algumas regiões da África.

Em seguida, Francisco dirige o seu olhar ao seu amado continente, América Latina e pede a Jesus ressuscitado para que sustente os esforços de quantos estão empenhados neste continente, em garantir o bem comum das várias nações, por vezes marcadas por tensões políticas e sociais que, nalguns casos, desembocaram em violência. Que seja possível construir pontes de diálogo, perseverando na luta contra o flagelo da corrupção e na busca de soluções pacíficas viáveis para as controvérsias, para o progresso e a consolidação das instituições democráticas, no pleno respeito pelo estado de direito.

Finalmente, o Santo Padre dirigiu o seu olhar à quantos sofrem no continente europeu, a começar pelo povo ucraniano: que o Bom Pastor, disse o Papa, ajude a nação ucraniana, atormentada ainda por um conflito sangrento, a reencontrar a concórdia, e acompanhe as iniciativas tendentes a aliviar os dramas de quantos sofrem as suas consequências. O Senhor ressuscitado, que não cessa de cumular o continente europeu com a sua bênção, dê esperança a quantos atravessam momentos de crise e dificuldade, nomeadamente por causa da grande falta de emprego, sobretudo para os jovens.

Queridos irmãos e irmãs, este ano, nós, os crentes de todas as denominações cristãos, celebramos juntos a Páscoa. Assim ressoa, a uma só voz, em todas as partes da terra, o mais belo anúncio: «O Senhor ressuscitou verdadeiramente, como havia predito!» Ele, que venceu as trevas do pecado e da morte, conceda paz aos nossos dias.

Feliz Páscoa!

O Papa Francisco celebrou na manhã deste domingo de Páscoa,  às 10 horas de na Praça de S. Pedro, a Santa missa de solenidade da Páscoa do Senhor, este ano em coincidência com a Páscoa dos Ortodoxos. Milhares de fiéis e peregrinos provenientes de diversas partes do mundo inteiro, congregaram-se na Praça de S. Pedro para assistir a santa missa e escutar a mensagem Urbi et Orbi do Santo Padre.

Hoje, a Igreja repete, canta, grita: “Jesus ressuscitou”. Mas porquê? Pedro, João, as mulheres foram ao Sepulcro e estava vazio. Ele não estava lá. Eles foram embora dalí com o coração fechado pela tristeza duma derrota: o Mestre, o seu Mestre, aquele que eles amavam tanto foi morto e da norte ninguém volta para trás. Esta é a derrota, esta é a estrada da derrota, a estrada em direcção ao sepulcro.

Mas eis então, disse o Santo Padre, que o Anjo disse aos discípulos: “Não está aquí, ressuscitou”. É, sublinhou o Papa, o primeiro anúncio: “Ressuscitou”! E depois a confusão, o coração fechado, as aparições. Mas os discípulos tinham permanecido fechados durante todo o dia no Cenáculo, porque tinham medo que acontecesse também a eles o mesmo que tinha acontecido a Jesus.

E a Igreja, prosseguiu o Papa, não cessa de dizer perante as nossas derrotas, aos nossos corações fechados e cheios de temor: “Para um pouco, o Senhor ressuscitou”! Daí, no entanto, a grave questão: mas se o Senhor ressuscitou, porque então acontecem tantas desgraças, doenças, tráfico de armas e de pessoas, guerras, destruições, mutilações, vinganças, ódio? Mas onde é que está o Senhor perante todas estas tragedias?

Para responder à esta pregunta crucial Francisco fez partícipe aos presentes da sua conversa telefónica que teve ontem, sábado, dia 15 de Abril de 2017, com um rapaz doente, um engenheiro a quem, tinha telefonado para lhe encorajar na fé perante a sua dor dizendo-lhe: “não existem explicações perante aquilo que estás a sofrer. Eleva o teu olhar para Jesus crucificado. Deus fez isso com o Seu Filho e não existe outra explicação a tudo isso”. Mas ele, disse o Papa, me respondeu dizendo: “Sim, mas Deus perguntou ao Seu Filho se quería carregar a Cruz e ele respondeu que sim. A mim não foi perguntado se eu quería tudo quanto estou sofrendo”.

Isto comove-nos, a nenhum de nós se pregunta: mas estás contente com tudo aquilo que está a acontecer no mundo? Estás disponível a levar avante esta cruz? E a cruz vai avante e a fé em Jesus vai abaixo. Hoje a Igreja continua a dizer: “Para, Jesus ressuscitou”. E isto não é uma fantasia. A ressurreição de Cristo não é uma festa celebrada com tantas flores; é muito mais do que isso: é o mistério da pedra descartada que se torna fundamento da nossa existência.

Ora, nesta nossa cultura do descarte de hoje, acrescentou Francisco, na qual tudo aquilo que não serve mais é lançado ao destino do “usa e joga fora” e na qual o que não serve é descartado, aquela pedra- Jesus – é descartada e é fonte de vida. E também ele, pedrazinhas espalha por terra, nesta terra de dor, de tragedias, com a fé em Cristo ressuscitado temos um sentido, no meio de tantas calamidades.

Trata-se segundo Francisco, daquele sentido de saber olhar para além e sermos capazes de dizer: “Olha que não existe o muro, existe sim um horizonte, existe a vida, existe a alegria, existe a cruz carregada certamente desta ambivalência. Olha então para frente, não se feche em si mesmo. Tu pedrazinha tens um sentido na vida porque és uma pedrazinha extraída daquela pedra que a malvadez do pecado descartou.

O que é que então nos pede hoje a Igreja perante a tantas tragédias? Ela nos pede simplesmente, disse o Santo Padre, que recordemos que a pedra descartada não resulta realmente descartada. As pedrazinhas que acreditam e estão ligadas à esta pedra, não são descartadas, têm um sentido e com este sentimento a Igreja repete do fundo do coração “Jesus ressuscitou.

Daí que, neste dia de Páscoa, Francisco advertiu a todos de pensarmos aos problemas quotidianos, às doenças que sofremos, às guerras, as tragedias humanas e, simplesmente, com voz humilde, sem flores, sózinhos perante Deus e perante a nós mesmos digamos: “não sei o que será de tudo isso, mas estou seguro que Cristo ressuscitou e eu apostei nisso”.

Irmãos e irmãs, este é o que eu vos quis dizer. Regressem hoje para as vossas casas, repetindo no vosso coração: Cristo ressuscitou!

 

O pároco da Sé Catedral de Ndalatando, padre Eurípides dos Santos, apelou neste domingo à tolerância nas famílias e dentro da igreja afirmando ser necessário que os fiéis se apeguem mais à unidade espiritual, à paz, à esperança e ao amor ao próximo, para a ultrapassagem das dificuldades entre os humanos.

Ao presidir a missa de domingo da páscoa, apontou o respeito e o amor ao próximo como princípios em que os fiéis se devem rever no seu dia-a-dia, para uma convivência harmoniosa.

Afirmou que a tolerância religiosa e qualquer outra passa pelo respeito e pela compreensão para aquilo que é diferente e pela capacidade de ouvir e aceitar os outros, compreendendo o valor das diversas formas de entender a vida sem atentar  contra os direitos das outras pessoas.

O Padre considera o respeito mútuo e a tolerância como pressupostos para a boa convivência em todos os domínios da vida.

“Ainda existe muito mal na nossa sociedade, onde muitos cristãos comparecem na igreja santinhos, mas na rua e em casa são “terroristas”, daí que notamos haver muita intriga entre famílias e amigos, lamentou fazendo fé em que se existir o perdão, o amor e a tolerância será possível evidenciar, sem reservas, os valores indispensáveis para se atingir o Reino de Deus.

Segundo o pároco, na vida de um cristão devem estar sempre patentes os princípios bíblicos, cumprindo os mandamentos de Deus, ser solidário com os outros e promover a paz entre seres.

Eurípides dos Santos frisou que as famílias devem preservar os valores morais e cívicos e, por sua vez, transmitir aos menores a construção de uma sociedade pacífica.

Apelou as cristãs para uma mobilização efectiva visando a união e o amor ao próximo, enquanto única via de salvação em todos domínios da vida, tendo aludido que o cristão é chamado, no seu dia-a-dia, a ser sinal de paz e não de ódio, vingança e hipocrisia.

 

Dom Manuel Imbamba

O arcebispo da arquidiocese de Saurimo, Dom Manuel Imbamba, defendeu neste domingo, que a Páscoa deve renovar a consciência, atitude e comportamento de cada cristã, por formas a que Deus prospera na vida de cada um.

O Bispo disse durante a homilia que muitos cristãos ainda vivem com corações rancorosos, carregados de inveja, maldade e intolerância, o que não os leva a viver como verdadeiros filhos de Deus.

Dom Manuel Imbamba  realça que os fiéis devem pautar por condutas dignas de filhos de Deus, com exemplos brilhantes que alegram e levam o sorriso ao irmão.

‘’Não devemos rezar para desgraça, nem infelicidade, nem para pedir o mal aos outros, mas sim para que todos sejam salvos, e vivamos na glória de deus’’ aconselhou.

O Arcebispo defendeu também a necessidade de cada um, ter consciência da vida humana e da dignidade com espírito de Deus, progredindo sempre no bem e na virtude.

Durante a missa, foram baptizados e crismados, 67 crentes.

A Semana Santa é uma tradição religiosa que celebra a Paixão, a Morte e a Ressurreição de Jesus Cristo. Ela inicia no Domingo de Ramos, que relembra a entrada triunfal de Jesus em Jerusalém e termina com a ressurreição de Jesus, que ocorre no domingo de Páscoa.

O bispo auxiliar de Luanda Dom Zeferino Zeca Martins lembrou aos fiéis da arquidiocese  que na cruz de Cristo está a salvação da humanidade. O prelado que falava durante a celebração da Sexta-feira Santa, na Sé Catedral pediu por outro lado aos cristãos a adorarem a cruz de Cristo em verdadeiro espírito de fé e acção de graças. Pelos que sofrem no corpo ou no espírito neste momento Dom Zeferino também pediu oração;

Aos que não acreditam na ressurreição de Jesus, Dom Zeferino pediu igualmente orações para que o Senhor lhes conceda a graça da fé e aos pecadores a graça do arrependimento e do perdão;

Mais de mil fiéis que se juntaram em cânticos e orações ao sofrimento de Jesus durante a via sacra pública.

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