VISÃO JORNALÍSTICA 

Avultam os renomados patriotas que optam ser enterrados no torrão. “Le terroir”, um conceito caro ao poeta senegalês Leopold Senghor. Ambrósio Lukoki, figura do MPLA e sonoro paladim da ética republicana, no final do ano passado, acaba de engrossar o elenco. Um rol há pouco refrescado pelo general Ben-Ben (inumado em Lupitanga, sua terra natal, na província do Bié)! Ou, mais além: Pedalé, pioneiro ministro da defesa (Subantando /Cabinda); o escritor Ndunduma (Huambo); Holden Roberto, cotutor da independência de Angola (em Mbanza Congo), etc….

Moral ou mensagem da história, focalizando-nos na pessoa de Lukoki, o mais recente e paradoxal em recato e fascínio? Faleceu no passado 1º de Outubro do corrente de “miocardiopatia” na clínica Girassol, em Luanda. Granjeara notoriedade nacional quando em vida, como Ministro da Educação, após a independência, procedera à nacionalização das estruturas educativas da Igreja, entre seminários e colégios, e pelo cargo de Secretário do Bureau Político para a Esfera Ideológica – na primeira década de ‘80. Parecera reincarnar um famoso “ministro mata padres” dos anos tenros pós-monarquia, da revolução republicana em Portugal. Em verdade histórica, Lukoki chega a perfilar entre os naturais sucessores de Agostinho Neto como José Eduardo Dos Santos, o laureado final. A surda rivalidade do par vazou em público na chamada “crise do quadro”, de 1984, que desembocou no seu afastamento. Ostracizado desde então (além das pomadas), soube mostrar a verticalidade de carácter que os convergentes  encómios frisam. Destacamos: a resiliência, a coerência, a humildade (traços, que pensamos aprofundar em obra própria, se Deus quiser). Míster é focarmos, agora e em adição, a sua última vontade de repousar no torrão umbilical, ancestral: a aldeola de Uembo, periférica à sede comunal de Quibocolo, município de Maquela do Zombo, província de Uige.

Lukoki manteve densa interacção intelectual com o coautor da presente crónica, de quem posfaciou o livro “Maquis e Arredores”, entre outros. Comungaram a utopia marxista de emancipar a humanidade, com a ferramenta do MPLA. Em constância pétrea nestes trilhos, Lukoki dispensou os rituais adeus religiosos, para si supérfluos, segundo íntimos familiares. Ele vincara, na conclusão do posfácio pré-citado, uma porção do seu perene grito de Ipiranga na seguinte mensagem: “O papel da sociedade civil deve fazer-se cada vez mais crítico no que concerne a governação de Angola. (…) o passado imbricado no presente só tem valor se garantir condições cada vez melhores para o futuro.” Na esteira, lastimava a traição à orientação de Neto por uma economia endógena, sucedânea à exógena da colónia. Idem para a incúria, hodierna e agravada pela monocultura voltada para o petróleo. O voto de descansar nas entranhas do agreste Uembo ressoa, assim, como actualizada reivindicação de reviravolta aos sobreviventes. Qual é o grau da sua escuta e absorção? A ver, estamos.

Na Igreja, fechou-se o ciclo do episcopado de Dom Filomeno na diocese de Cabinda. O sucessor, Dom Belmiro Chissengueti, recebeu o báculo domingo passado, em missa campal muito concorrida, no adro da Sé. Tocou o calor dos fiéis, mais animados, ainda, quando D. Belmiro confessou que foram ultrapassadas todas as suas expectativas. Ciente da complexidade geopolítica e social da região, teve que se exercitar em poliglota, falando português; ibinda (a língua autóctone e galvanizante de chofre); francês (para os hóspedes da vizinha RDC e República do Congo Brazzaville). O seu magistério incidiu na sua apresentação, de Pastor, ao conjunto do seu rebanho. A este título, sublinhou, citamos: “Como filho da Igreja, apresento-me como um simples e humilde continuador da obra iniciada pela missionação espiritana, continuada sob a liderança do nosso primeiro Bispo, Dom Paulino Madeka, e, até hoje, por Dom Filomeno Vieira Dias.”

VISÃO JORNALÍSTICA

(Uma coprodução de Siona Casimiro e Padre Maurício Camuto. Apresentação de Tomás de Melo). Luanda, 11 de Outubro de 2018

 

 

O papa Francisco disse hoje, quarta-feira, no Vaticano, que praticar o aborto é como contratar um assassino para resolver um problema.

Falando aos fiéis na audiência geral, papa Francisco disse não ser justo livrar-se de um ser humano, mesmo pequeno, para resolver um problema.

“Como é que pode ser terapêutico, cívico ou simplesmente humano um acto que suprime a vida humana? Questionou o papa.

Numa homilia dedicada ao mandamento “Não matarás”, o lider da Igreja Católica improvisou em relação ao texto que tinha previsto e criticou “a depreciação da vida humana”, com as guerras, a exploração e a exclusão.

O papa argentino já antes criticara o aborto. Depois de a interrupção voluntária da gravidez ter sido aprovada pela Argentina, Francisco comparou o aborto às práticas dos nazis e apelou às famílias para que aceitassem os filhos que Deus lhes der.

As igrejas que actuam ilegalmente em Angola começam a ser encerradas a partir de Novembro, consequência da decisão do Governo de extinguir as plataformas ecuménicas no país para “normalizar o exercício da liberdade da religião, crença e culto”.

A decisão foi anunciada pelo director nacional dos Assuntos Religiosos do Ministério da Cultura de Angola, Francisco de Castro Maria, que lembrou que a moratória para a legalização das estimadas 1.220 confissões religiosas não reconhecidas oficialmente no país termina a 3 de Novembro.

Segundo dados oficiais, oficialmente, existem 81 igrejas reconhecidas em Angola.

A 05 deste mês, a agência Lusa noticiou a decisão do Governo angolano de extinguir as plataformas ecuménicas no país para “normalizar o exercício da liberdade da religião, crença e culto”, previsto na Constituição da República de Angola.

A decisão surgiu na sequência de um decreto executivo conjunto dos ministérios angolanos do Interior, da Administração do Território e Reforma do Estado, da Justiça e Direitos Humanos e da Cultura, que revogou a anterior legislação de 25 de junho de 2015.

Na antiga legislação, estava definido que, para organizar o exercício religioso, havia seis plataformas ecuménicas – Conselho de Reavivamento em Angola (CIRA), União das Igrejas do Espírito Santo (UIESA), Fórum Cristão Angolano (FCA), Aliança das Igrejas Africanas (AIA), Igreja de Coligação Cristã (ICCA) e Convenção Nacional de Igrejas Cristãs em Angola (CONICA).

De acordo com o documento, as confissões religiosas cujos processos tenham resultado de desmembramento, cisão e que exerçam actividade religiosa que não atente contra a lei e os bons costumes, devem, nos próximos 30 dias, “suprimir as inconformidades”.

Falando à margem da Conferência Internacional sobre a Problemática do Fenómeno Religioso em Angola, que termina ao fim da manhã em Luanda, Castro Maria alertou que, assim que terminar o período de moratória, serão aplicadas as medidas previstas na lei e nos prazos estabelecidos.

O Ministério da Cultura angolano tem registada 81 igrejas, enquanto cerca de outras 1.100 aguardam pelo reconhecimento legal.

O director do INAR sublinhou que existem ainda igrejas que foram extintas por causa da anulação das plataformas ecuménicas que controlavam cerca de 2.006 confissões, número que, assumiu, poderá chegar aos 4.000, pois grande parte opera à margem da lei.

“Todas as igrejas ilegais têm a possibilidade de constituir até ao próximo mês os processos para legalizar, através de uma comissão instaladora e depois submeterem ao Instituto Nacional dos Assuntos Religiosos para posterior reconhecimento”, lembrou.

Castro Maria afirmou que mais de 50% das igrejas implantadas no país são estrangeiras, provenientes da República Democrática do Congo, Brasil, Nigéria e Senegal.

Os requisitos para abrir uma confissão religiosa passam pelo registo de cem mil assinaturas reconhecidas presencialmente no notário, em pelo menos 12 províncias, por fiéis maiores de idade e uma declaração de bens dos líderes religiosos.

“Além do requerimento, a comissão da confissão religiosa deve enviar ao Ministério da Justiça e dos Direitos Humanos os documentos de certificação de admissão para evitar duplicidade de nomes”, indicou.

Castro Maria realçou ter sido “impossível” legalizar mais igrejas desde 2000, “muito por culpa das confissões religiosas”, que tiveram “dificuldades em reunir cem mil assinaturas, devidamente reconhecidas pelo notário”.

Na conferência, a ministra da Cultura angolana, Carolina Cerqueira, disse que o Estado, por ser laico, exibe uma neutralidade e imparcialidade em relação à prática religiosa, pelo que “não apoia, nem discrimina” qualquer confissão religiosa, desde que assuma o seu papel e não atente contra os direitos dos cidadãos.

“Mas não é admissível que continuemos a verificar a existência de denominações religiosas que não tenham registo e exerçam atividades comerciais ou que atentem contra os direitos humanos e contra os princípios da urbanidade e da boa convivência”, disse.

As plataformas ecuménicas em Angola, na génese, foram criadas para congregar e ajudar no processo de reconhecimento das igrejas que atuavam à margem da lei, por um determinado período, que já se esgotou.

Em relação às confissões religiosas reconhecidas, “devem atuar nos marcos da lei e dos bons costumes” e “abster-se de realizar propaganda enganosa nos cultos, práticas e atos que atentam contra os direitos económicos, sociais e culturais dos cidadãos”, define-se na nova legislação.

 

O arcebispo de Daejeon, na Coreia do Sul, disse hoje no Vaticano que uma visita do Papa a Pyongyang representaria um “passo gigantesco” para a pacificação da península.

“Eu acredito que a Coreia do Norte está pronta a abrir-se, a ser um novo país, a renunciar às armas nucleares”, disse D. Lázaro You Heung-sik, em conferência de imprensa.

O responsável participa no Sínodo dos Bispos que decorre no Vaticano, até 28 de Outubro.

A Santa Sé anunciou um encontro entre o Papa Francisco e o presidente da Coreia do Sul, Moon Jae-in, marcado para 18 de outubro, um dia depois da celebração, no Vaticano, de uma Missa pela paz na Península.

O chefe de Estado sul-coreano vai levar uma mensagem do líder da Coreia do Norte, Kim Jong-un, que convida o Papa a visitar Pyongyang.

“Seria muito bom que o Papa fosse a Pyongyang, mas há muitos passos a dar”, adverte D. Lázaro You Heung-sik.

Para o arcebispo de Daejeon, “algumas coisas têm de mudar” na Coreia do Norte, inclusive na questão da “liberdade religiosa”.

“Se o Papa for lá será um passo gigantesco, um salto qualitativo para que a Península Coreana seja pacífica e a Coreia do Norte entre na comunidade internacional, como um país normal”, precisou.

Até final de 2017, recordou o prelado, temia-se uma guerra na Coreia, mas a “situação mudou quase 180 graus” nos últimos meses

 

O Padre Bernard Duchêne, missionário Francês, da congregação do Espirito Santo em Angola, está em missão da igreja angolana há 41 anos. O Sacerdote jubilado celebrou no último fim de semana os seus 50 ano de vida Sacerdotal. A missa campal festiva aconteceu no pátio frontal da igreja da missão católica dos Dembos em Kibaxe, na diocese de Caxito.

A Santa Eucaristia foi presidida por  Dom António Francisco Jaca, bispo de Benguela e Administrador Apostólico de Caxito, co- celebrada por Dom Filomeno do Nascimento Vieira Dias, Arcebispo Metropolita de Luanda e Dom Almeida Kanda, bispo de Ndalatando e  um número considerável de Padres idos das dioceses e Arquidioceses da CEAST.

A homilia coube ao Arcebispo Dom Filomeno do Nascimento Vieira Dias,  apelou os sacerdotes a reflectirem os 50 anos do padre Bernard Duchêne e orar pela igreja, espalhando assim a boa nova em todos pontos do país.

Por seu turno, o Padre Gaudêncio Sangandu, Superior dos missionários do Espírito Santo em Angola, agradeceu os feitos de missão do Padre Duchêne.

O Papa desafiou, neste domingo, a Igreja Católica a cruzar “novas fronteiras”, à imagem dos novos santos Paulo VI e Óscar Romero, canonizados esta manhã, deixando para trás riquezas e ilusões de segurança.

“(São Paulo VI) consumiu a vida pelo Evangelho de Cristo, cruzando novas fronteiras e fazendo-se testemunha dele no anúncio e no diálogo, profeta duma Igreja virada para fora, que olha para os distantes e cuida dos pobres”, declarou, perante dezenas de milhares de pessoas reunidas na Praça de São Pedro.

A cerimónia de canonização de sete novos santos decorreu perante bispos de todo o mundo, que participam na assembleia do Sínodo dos Bispos dedicada às novas gerações.

O Papa considerou “bonito” que neste dia fosse canonizado também o arcebispo salvadorenho D. Óscar Romero, “que deixou as seguranças do mundo, incluindo a própria segurança, para consumir a vida – como pede o Evangelho – junto dos pobres e do seu povo, com o coração fascinado por Jesus e pelos irmãos”. Os dados com os Colegas da Rádio Vaticano

“(São Paulo VI) consumiu a vida pelo Evangelho de Cristo, cruzando novas fronteiras e fazendo-se testemunha dele no anúncio e no diálogo, profeta duma Igreja virada para fora, que olha para os distantes e cuida dos pobres”, declarou, perante dezenas de milhares de pessoas reunidas na Praça de São Pedro.

A cerimónia de canonização de sete novos santos decorreu perante bispos de todo o mundo, que participam na assembleia do Sínodo dos Bispos dedicada às novas gerações.

O Papa considerou “bonito” que neste dia fosse canonizado também o arcebispo salvadorenho D. Óscar Romero, “que deixou as seguranças do mundo, incluindo a própria segurança, para consumir a vida – como pede o Evangelho – junto dos pobres e do seu povo, com o coração fascinado por Jesus e pelos irmãos”.

 

 VISÃO JORNALÍSTICA 

Reiteramos a constatação. João Lourenço perfez o primeiro ano presidencial em apoteose diplomática. No preciso dia 26 de Setembro passado, esteve a discursar em Nova Iorque, na Assembleia geral da ONU. A sua mensagem aludiu discretamente o dado, tendo-se apresentando na maior tribuna do planeta de verbo e fato sóbrio. Salientou apenas as suas posições sobre os principais desafios do globo.

No país, em verdade, o balanço do seu período de estreia avivava o xadrez. Pareceu ambivalente, à luz do registado, entre o apreço e a cautela. Os ventos da reforma que insuflou têm-lhe valido a empatia do grosso da opinião pública. Muitos passos do mesmo, pela audácia, relevariam da catarse rumo a um paradigma alternativo. Até a oposição admitiu os elementos tais como: alguma abertura mediática; a tendencial rutura com o fratricídio de outrora; a cruzada contra a corrupção e a impunidade. No conjunto, o balanço sofreu da crise indómita. O sucessor do longevo mandato de José Eduardo Dos Santos precisa de credibilizar-se em diversificar a economia. Mexeu-se muito em buscar fontes de financiamento e estadias nas províncias. Frutos desta energia? Quiçá, os aluda na sua mensagem esperada na abertura do ano parlamentar, dentro de dias. É um tradicional quadro do seu estado da Nação.

Duas notas sonoras assinalaram a vitalidade eclesial, entretanto. O “scoop” foi o comunicado do Núncio, Dom Petar Rajic, revelando o novo Arcebispo do Huambo. Escolhido do Papa Francisco: Dom Zeferino Zeca Martins, até aqui Bispo Auxiliar de Luanda. De 52 anos, Dom Zeca passa a substituir

  1. José de Queirós Alves, em posto desde 1986, ora reformado pela idade. Dom Zeca acolheu o seu sufrágio com devoção, confessando, citamos. “Me sinto como São Pedro (…) Devo ir a Huambo como aquele que vai amar em primeiro lugar o Senhor e por conseguinte amar os irmãos de Huambo que vou ali encontrar e servi-los com a força do Senhor”.

Domingo transato, houve a solene consagração do novo Bispo titular de Cabinda, Dom Belmiro Chissengueti. Drenou milhares de fiéis ao local do ofício religioso, o campo dos Coqueiros. Aceitou o báculo sob o juramento “Cor unum et anima una” ou, em português, “Um só coração e uma só alma”. Coube ao mestre da cerimónia, Arcebispo de Luanda e Presidente da CEAST, Dom Filomeno Vieira Dias, a homilia. O magistério do também predecessor do sucessor espelhou luzes históricas, teológicas e de fé missionária. Os interessados poderão ler o texto todo no digital do Apostolado a partir da próxima segunda-feira. Neste reduzido espaço, destacamos as pérolas entre sintetizadas e de reprodução integral:

  • Os primórdios da Igreja universal nas paragens vão já 500 anos; o seu primeiro filho elevado na mesma época à dignidade episcopal, Dom Henrique, filho do rei do Kongo, Afonso Iº.
  • Seguiram-se os trilhos dos beneméritos Frades Capuchinos e Missionários do Espirito Santo.
  • Nenhum homem pode tornar outro homem Sacerdote ou Bispo. É o próprio Senhor que assume aquele homem totalmente ao Seu serviço.
  • O critério ao qual nos submetemos não é a aprovação das opiniões dominantes. Não nos assusta o terrorismo das redes sociais. O critério é o próprio Senhor”.
  • “Aquele que te chamou desde o ventre materno para ser Seu servo, por Sua pura bondade, também te continuará dando os meios necessários para que possa servir com alegria, generosidade e arredores, a Igreja em Angola e em Cabinda.

VISÃO JORNALÍSTICA

(Uma coprodução de Siona Casimiro e Padre Maurício Camuto. Apresentação de Tomás de Melo).

Luanda, 04 de Outubro de 2018

 

 

LUSOFONIAS

Em Assis respiro paz. Sinto Deus mais perto. Olho o mundo com mais fraternidade. Sonho com um estilo de vida mais simples. Quero abraçar os mais pobres. Vejo a natureza mais bela, como criação de Deus.

É um lugar de Espiritualidade incomparável. Por isso, quando vinha a Roma tentava dar sempre um salto a este chão tão simbólico onde nasceram e estão sepultados Francisco e Clara. Aqui cresceram estes grandes Fundadores que marcaram a marcam a história e o presente da Igreja e do mundo.

Quando se chega a Assis, começa-se por ver aquela pequena vila a trepar pelo monte. À medida que subimos a montanha, desenham-se melhor nos nossos olhos as basílicas e os outros edifícios de uma povoação com muitas centenas de anos de história intensa e marcante. Uma vez lá dentro, tudo convida ao silêncio e à oração, mesmo com milhares de peregrinos e turistas a encher por completo as basílicas e as ruelas.

Há muitos lugares onde é obrigatório ir. Partilho apenas alguns dos que visitei e onde rezei estes dias. Comecei pela grande Basílica de S. Francisco, descendo todas as escadas até ao túmulo do santo. Ali estive algum tempo a pedir a Deus pelo Papa que escolheu o seu nome, pela Igreja, pelas famílias a que pertenço, por tanta gente que me pede para rezar, pelo mundo com suas alegrias e problemas. Depois, atravessei a cidade e fui até à Basílica de S. Clara onde também me recolhi em oração junto ao túmulo da Santa. Acabei de joelhos aos pés da Cruz de S. Damião, local onde Francisco ouviu a voz que lhe dizia: ‘Francisco, reconstrói a minha Igreja!’. Foi por esta ‘reconstrução’ (há quem lhe chame ‘reforma’!) da Igreja, objectivo maior do nosso Papa, que rezei ali debaixo da enorme cruz que foi adoptada pela família franciscana e por comunidades como Taizé.

É importante deixar depois a montanha e descer à planície para evocar os Encontros Inter-Religiosos pela Paz. Foi o Papa João Paulo II que os iniciou quando convidou líderes religiosos do mundo inteiro para rezar pela Paz e pela Justiça. Com outros objectivos e formatos, ali foram também rezar e reflectir Bento XVI e o Papa Francisco.

  1. Francisco quis uma Igreja mais pobre, mais ecológica e um mundo mais simples no seu estilo de vida, para que todos tivessem vez e voz. Nestes últimos dias, o Papa Francisco recebeu o vocalista dos U2, Bono, que definiu o Papa, seguidor do Santo de Assis, como ‘um homem extraordinário para tempos extraordínários’. E, na sua recente visita aos Países Bálticos, o Papa congratulou-se com os lituanos: ‘nem o regime nazi nem o soviético apagaram a fé dos vossos corações!’.

Sim, o espírito de Assis, com Fé, Paz e Fraternidade universal, continuam a marcar o ritmo da Igreja e fazem falta ao mundo.

 

Tony Neves

LUSOFONIAS

O Sínodo dos Bispos sobre os Jovens, a Fé e o Discernimento Vocacional começou aqui em Roma. E começou bem com uma Eucaristia na Praça de S. Pedro repleta de gente, com muitos jovens presentes. O Papa Francisco pediu aos ‘padres sinodais’ que superassem barreiras e preconceitos. Apresentou a escuta como palavra-chave. Lembrou que a Igreja do futuro tem de dar vez e voz aos jovens e ser capaz de lhes falar ao coração. As novas gerações não podem ser órfãos de uma comunidade de Fé que as apoie. Recordou as largas dimensões geográficas da Igreja, pedindo acolhimento para os dois Bispos chineses ali presentes.

Já na Sala Sinodal, o Papa lembrou aos 267 Cardeais e Bispos (na presença de alguns peritos, convidados e 34 jovens) o perigo de serem velhos a reflectir e a apontar caminhos de futuro para os jovens que têm outra sensibilidade e outra visão de sociedade e de Igreja. Recordou o caminho feito, o inquérito mundial e o pré-sínodo dos jovens. Os jovens consultados querem tolerância zero para abusos sexuais e económicos, mostraram divergências quanto a questões de sexualidade e liturgia e falaram ainda de temas sociais que os preocupam: desemprego, má utilização das redes sociais, pobreza, educação. É verdade: há questões complexas e difíceis que os jovens colocam à Igreja, sem soluções de catálogo.

O Papa Francisco propôs três minutos de silêncio após cada cinco intervenções. A primeira intervenção foi de uma jovem norte-americana a partilhar alegrias e dificuldades de ser Igreja hoje. Deu razão ao Secretário-Geral do Sínodo que afirmou estarem diante de um tema que é um enorme desafio, mas que não pode meter medo à Igreja.

Os primeiros tempos são de partilha dentro de muros, à porta fechada, como convém para não haver dispersão nem ruído mediático. Os debates – acredito – serão intensos com perspectivas muito diferentes, pois cada Bispo tem a sua mentalidade e vai reflectir a sensibilidade e convicções dos jovens que representa. Mas este caminho feito em comum (Sínodo) abrirá portas a uma pastoral diferente. Assim acreditam muitos jovens e é urgente para a Igreja levar por diante um ‘aggiornamento’ sobre a forma como se celebra e como se vive, enquanto cristãos.

No decurso do Sínodo, dia 14 de Outubro, o Papa vai canonizar diversas figuras da Igreja no século XX, com especial realce para o Papa Paulo VI e o Arcebispo D. Óscar Romero. São duas grandes ‘inspirações’ para a Igreja pela sua entrega de vida ao Evangelho e pelos caminhos novos que rasgaram. Serão, certamente, apresentados como modelos de vida cristã aos jovens e menos jovens.

O Sínodo ainda vai ter muito caminho para andar, mas – como escreveu Lao-Tsé – ‘a viagem de mil milhas começa com o primeiro passo’! Está dado…

 

Tony Neves

 O pároco da “Sé Catedral” da Igreja Católica no Cuito, Fernando Tchimo, exortou neste domingo, aos cristãos a cultivarem a paz e reconciliação nacional com vista alcançar harmonia no seio das famílias e sociedade no geral.

O prelado que falava durante a homilia da missa de acção de graças e de apresentação do novo governador da província, Pereira Alfredo, aos crentes católicos, solicitou aos fiéis a primarem pela humildade e solidariedade com o próximo.

Fernando Tchimo  considerou de imperioso que os  cristãos optem pela obediência e sirvam de exemplo na sociedade biena.

Aconselhou as famílias a absterem-se de práticas indecorosas, como uso de bebidas alcoólicas, drogas, tabagismo, prostituição, inveja, calúnia, ódio e confiarem em Deus na solução dos problemas.

Na ocasião, o governador do Bié, Pereira Alfredo, pediu as igrejas na região, a ajudarem o Governo local, na sensibilização da população para evitar os actos de vandalismo de bens públicos.

Mostrou-se indignado com comportamentos de pessoas de má-fé que continuam a destruir os empreendimentos sociais, como escolas, chafarizes, postos de saúde, roubos de cabos eléctricos e outros.

“A cidade do Cuito, nos últimos tempos registou a destruição de postes de iluminação pública com painel solar, pinturas nas instituições, sabotagem de condutas de água potável”, lamentou.

No seu entender, as igrejas na província devem continuar com a sensibilização da população, sobretudo na camada juvenil, visando evitar-se a danificação do património público.

Apelou, por outro lado, a necessidade dos jovens, a manterem-se firmes e contribuírem com ideias positivas na implementação dos projectos, para ajudar o governo a melhorar os serviços sociais, tais como fornecimento de água potável, energia eléctrica, reabilitação de mais estradas, entre outros.

Exortou as famílias a manterem unidade, coesão, sobretudo optando sempre pelo diálogo na resolução dos conflitos, transmissão de valores morais, éticos, patrióticos e culturais.

Assistiram ainda a missa o vice-governador para o sector Político, Social e Económico, Carlos da Silva, o administrador municipal do Cuito, Avis Agostinho Vieira, membros do Governo e deputados à Assembleia Nacional e mais de mil crentes.

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