VISÃO JORNALÍSTICA

Joanesburgo sediou a Xª Cimeira anual dos BRICS. A sigla significa Brasil, Rússia, Índia, China, África do Sul. Representa um grupo de cooperação política para o melhor equilíbrio económico e comercial no planeta. A sua diversidade cultural é óbvia. O Brasil, – exclusivo vulto católico, mantém relações privilegiadas com o Vaticano. A diplomacia da Santa Sé aprecia a aposta do grupo em reduzir as desigualdades e a pobreza mundial.

A sua recente cúpula ocorreu de 26-28 de Julho do corrente, sob o lema “OS BRICS em África: Colaboração para o Crescimento inclusivo e prosperidade partilhada na 4ª revolução industrial”. Resultou na aprovação de um roteiro, cujo teor exaustivo esperamos ver no portal oficial do Estado Sul-Africano, ora seu Presidente rotativo. A próxima presidência, em 2019, será do Brasil. Pelas declarações escutadas, a China foi a vedeta, ao anunciar logo mil milhões de dólares prontos para o objectivo. Para o público angolano, ecoou singularmente a pretensão de integrar um dia o bloco e de uma autoestrada Luanda-Joanesburgo. Sonhos por enquanto, mas eles têm o condão, pelo menos, de salientar o lado concreto das alternativas do doloroso presente em África.

Neste particular, a conjuntura pré-eleitoral da RDC voltou a transitar por Luanda – um tópico a esmiuçarmos melhor numa das próximas edições. O alto interesse noticioso incidiu, ainda, nas eleições gerais, realizadas no Zimbabwe na era pós-Robert Mugabe, pela primeira vez. Realizaram-se a tempo – um dado positivo -, mas ficaram manchadas por seis mortes causadas pelo abuso das forças armadas. O chefe de Estado eleito dignificou-se no acatamento do prazo constitucional de legitimação do seu mandato. A Oposição brilhou pelo score do seu líder, de 40 anos, ilustrando a regeneração e um promitente horizonte. A vigilância internacional (através da ONU, da UA, da SADC e da IMBISA) mantém-se premente na fase pós-eleitoral. Mormente, ostentando equilíbrio mais apurado entre felicitações (apressadas) e a censura das derrapagens (demasiado tímida, onde morreram pessoas). O precipitado recurso ao exército, ao invés da polícia, deve acabar no Continente, se quer credibilizar a maturidade da sua soberania.

Pela positiva ainda, arrancou, em Kampala, o Jubileu dos cinquenta anos do Simpósio dos Bispos da África e Madagáscar (SECAM). O evento vai durar um ano, e o começo permitiu divulgar o “Instrumentum Laboris” – o documento de base para os subsídios participativos. Encabeçou a cerimónia de 29 de Julho passado, na capital ugandesa, o presidente do SECAM e Arcebispo do Lubango, D Gabriel Mbilingui. “Este trabalho que estamos a fazer aqui, só a história poderá dizer a importância deste momento”, comentou D Mbilingui, na ocasião.

Por cá, também, iniciou o Iº Congresso Nacional Sacerdotal, com uma celebração eucarística no domingo passado, na igreja de São Paulo em Luanda. Foi presidida pelo titular da Comissão Episcopal da CEAST para o Clero e Arcebispo de Malanje, Dom Benedito Roberto. Também, os seus trabalhos decorrerão durante um ano, desdobrando-se nas várias dioceses de Angola. A data da abertura saudou o dia de São João Maria Vianney, Cura d’Ars, Padroeiro dos sacerdotes. Na homilia, D Benedito frisou este carisma que Deus fez surgir igualmente em Angola, dizendo tratar-se de, citamos: “Uma vocação que apenas a luz da fé pode ajudar a compreender porque é vida para o povo, porque é vida de filhas e irmãos, nossos que, como que contemplando o invisível, se destacam no meio de nós, para abraçar um estilo de vida não comum como a que conhecemos ser a vida de um sacerdote, a vida de um padre.”

VISÃO JORNALÍSTICA.

(Uma coprodução de Siona Casimiro e P. Maurício Camuto. Apresentação de Tomás de Melo).

Luanda, quinta-feira 09 de Agosto de 2018.

 

 

 

                                      LUSOFONIAS

Os manuais da Ciência Política dizem o que é preciso fazer para governar bem. Teorias há muitas e bem argumentadas. Mas as práticas nem sempre correspondem em termos de eficácia e muito do que se diz não se faz.

Não basta prometer, é preciso cumprir. Elaborar bons programas de governo implica que se conheça bem o país a governar e haja ideias de humanidade a fazer passar para as leis que regerão, com respeito por todos, os destinos do povo. Muitas vezes impõem-se as lógicas de interesses instituídos, quando devia mandar sempre o bem comum. Na maioria dos casos, ficamos com a impressão de que o melhor do mundo não são as pessoas, mas as coisas, os bens, os interesses.

Jesus foi claro no que diz respeito a critérios de governação: ‘quem quiser ser o maior, seja o servo de todos’. Ou seja, poder é servir e nunca servir-se dos outros, trepando em cima deles para subirem mais alto, mesmo que tal implique esmagar os outros, a sua dignidade, os seus direitos.

Encurtar distância entre o dizer e o fazer é sucesso em ciência política e arte em governação. É preciso agir, não basta a beleza dos discursos. Há uma parábola de uma etnia moçambicana que diz o seguinte: ‘ a aldeia estava no cimo da montanha e, no vale, corria um regato de água pura e fresca onde as mulheres vinham, todos os dias, encher os seus cântaros de 20 litros. Desciam aos grupos e, depois de encher as vasilhas, tinham que trepar montanha acima, por aqueles sinuosos e escorregadios caminhos de cabras. Ora, uma bela manhã, três senhoras vieram ao regato. Enquanto enchiam os cântaros, uma disse: o meu filho mais velho é um jovem talentoso: faz piruetas e saltos mortais, é um ginasta; outra dizia: o meu é cantor: quando canta encanta!. A terceira mãe não via grandes qualidades no filho e calou-se. Pegaram os cântaros e iniciaram a subida da montanha quando apareceram os três filhos. Um, ao chegar, fez uma pirueta e um salto mortal. As outras senhoras confirmaram que ele era um excelente ginasta! Outro começou a cantar com tal afinação que as outras mães se sentiram diante de um pavarotti! O terceiro… chegou ao pé da mãe, tirou-lhe o cântaro, pô-lo á sua cabeça e continuou a subida da montanha, até casa!’.

Os exemplos arrastam, mesmo quando as palavras não abundam. Construir um mundo humano e fraterno é missão quase impossível, mas há que caminhar sempre nessa direcção.

 

Tony Neves

VISÃO JORNALÍSTICA

Um traço da nossa idiossincrasia de raiz kikongo assaltou a atualidade. Chama-se “nkubika-nkubika”, na sua designação autóctone. Traduzida literalmente, na nossa língua oficial, a terminologia significa “apanha, apanha”, “junta, junta”. Equivale, na prática, ao ritual do balaio ou recolha das ofertas dos fiéis no culto católico e de muitas confissões cristãs. A sua densa tradição gerou e fortaleceu igrejas como a kimbanguista e a tocoista, bastante abrangentes no grupo etnolinguístico de origem. Estendeu-se até ao campo político, em que se destacou por exemplo na génese da União das Populações Angolanas (UPA). O seu vigor projetou-a para exímias formas de expressão da solidariedade humana em múltiplos ensejos. Entre eles, o enlace de um parente ou conhecido, o fim de uma formação, um óbito, etc. Veio à ribalta, agora, em favor do estado de saúde precário do político Ambrósio Lukoki, figura de alto apreço por muitos compatriotas, pela sua coerência. Faz parte dos veteranos do partido MPLA, e ainda famosos pela integridade. Simpatizantes do mesmo lançaram um apelo de ajuda humanitária a seu favor através de uma circular retomada nas redes sociais. Subscreveram o texto: o Embaixador Dombele Mbala Bernardo, Dr. Pedro Fernando José Canga e Prof. Nanizey André – todos, idosos. A presença do primeiro da lista desagradou o ministério de tutela, que abriu um inquérito sobre o insólito. Protestou, o Ministério das Relações Exteriores, em comunicado, fazendo referência à assistência que tem facultado a Lukoki, também Embaixador. O próprio declarou desconhecer a iniciativa desencadeada a seu favor, aferindo todavia a necessidade permanente de amparo. Entretanto, ele teve alta 24 horas antes, indicou. O desacerto destas versões aviva a curiosidade sobre o mistério subjacente. Logo, nada melhor do que esperar o desfecho do inquérito que terá de transitar os melindres de uma tradição esotérica para muitos. Aguça o insólito, a discrição da mídia pública sobre o episódio, entre o embaraço e a recorrência à chula censura de outrora.

Por outra, findou o período de consulta governamental sobre as autarquias. Nesta recta final, notabilizou-se o subsídio da CEAST, com a sua distinta equidistância e maturidade. Confirmou, no essencial, o pensamento referido meses atrás pelo porta-voz e Arcebispo de Saurimo, Dom José Manuel Imbamba. Claramente, mais elaborado e rico em relação às ideias avulsas, expostas naquela entrevista individual à TPA, muito seguida! Destacamos como novidades substantivas nesta já formal contribuição colectiva da CEAST:

− A proposta de Autarquias supra-municipais, que se desdobrarão a termo em municipais.

− Autarquias infra-municipais, a ensaiar em centralidades ou vilas auto-suficientes, mesmo sem dimensão de município.

− Criar um capítulo na ”Lei da Transferência de Atribuições de Competências do Estado para as Autarquias Locais”, relativo à tutela de mérito, sujeito à fiscalização do Tribunal de Contas, e tutela de legalidade, quanto aos actos que representam interesses nacionais no território autárquico.

Em ponto prévio, a CEAST advogou globalmente a prevalência das razões de justiça mais do que de estratégia política. Pois, vincou no remate final, citamos:

Que as oportunidades sejam iguais ou equiparadas, e todos usufruam das mesmas riquezas de crescimento e satisfação. Caso contrário estaremos a fomentar as assimetrias que queremos corrigir: não excluamos. Incluamos. Haja coragem e vontade política.

VISÃO JORNALÍSTICA.

(Uma coprodução de Siona Casimiro e P. Maurício Camuto. Apresentação de Tomás de Melo).

Luanda, quinta-feira 02 de Agosto de 2018.

 

 

 

VISÃO JORNALÍSTICA

Os sinais alentadores florescem na consciência nacional apesar dos pesares. Afirmou-se deste modo no sábado passado, o direito à manifestação. Pouco concorrido proporcionalmente, o protesto acusou uma tripla novidade, a saber: a própria causa; a simultaneidade em várias províncias; a observação pela Polícia do seu real papel de garantia só da ordem republicana. Focamos o primeiro elemento, isto é, a revindicação do emprego, em espreita à promessa eleitoral de João Lourenço, de 500 mil postos no seu mandato. De facto, o desemprego tende cada vez mais a ameaçar a estabilidade social. Em boa hora, bem o realçou o recém-designado Bispo de Cabinda, Dom Belmiro Chissengueti. Forte da sua experiência na Comissão de Justiça e Paz da CEAST, o prelado pintou na Rádio Renascença, no passado dia 18 de Julho, o seguinte quadro: «Um país que está em reconstrução deve consumir mão-de-obra, e mão-de-obra jovem, mas não é o que se nota. O desemprego é um problema social muito grande, porque os jovens, formados dentro e fora do país, estão sem muitas alternativas».

Na mesma conjuntura, o Sindicato dos Professores no Huambo exibiu um gesto ímpar de solidariedade da classe. Filiados seus ofereceram cestas básicas, do salário mensal, aos colegas transitoriamente privados de ordenado pelo Ministério das Finanças. Não urge, este órgão do executivo pôr cobro à sua demora burocrática? A credibilidade do Estado, enquanto ente de bem, reclama a responsável resposta célere e transparente.

Ainda bem que a temática do emprego acampa no cartaz da actualidade. Juntou-se aos rescaldos, sempre em brasa, sobre a França, idosa nação, mas jovem vencedora multicultural do mundial de futebol 2018. Animam as redes sociais, os comentários de celebridades como Barak Obama, Nicolás Maduro, o satírico sul-africano Trevor Noah, etc. Na onda, um jornalista enalteceu a transmutação dos elogiados atletas de ascendência africana no caldeirão da pátria francesa. Pois, deduziu, este confrade gaulês, em virtude das reputadas taras de má gestão no continente de origem, que “a mesma equipa seria dada a um país africano não passaria nem a primeira fase (…) essa equipe não tem nada a ver com África, a cor não é suficiente, Viva a França e bravo!” Dói, emotivamente, uma ilação tão frontal ao alérgico africanismo. Em consciência, como refutar, ao imaginar o destino de um talentoso Matuidi, se o pai angolano não tivesse “bazado” para a França nos anos 80! O certo deve-se contar com o triunfo francês para a sequela de uma radicalização da juventude africana exigindo uma melhor gestão dos seus países.

Nesta óptica, captamos o grito que os seus representantes lançaram aos Bispos Católicos da África Austral. Aconteceu com os Presidentes das Comissões Episcopais para Juventude da região, reunidos de 11 a 14 de Julho, na África do Sul. O encontro acarretou o seminário preparatório do Sínodo dos Jovens a decorrer de 3 a 29 de Outubro próximo em Roma. A CEAST esteve presente com Dom José Nambi, Bispo do Kuito, e D. Zeferino Zeca Martins, Bispo auxiliar de Luanda. Saíram impressionados pelo veemente pedido dos jovens africanos contra o genocídio dos colegas que tentam bravar o Mediterrâneo à caça de outras oportunidades de vida. Demais anseio frisado neste colóquio junto dos Bispos foi, citamos: “que a juventude não seja apenas consumidora de factos meramente políticos, traçados pelos adultos, mas que seja ela também participante na feitura destas políticas que eles dizem que têm como destinatários os jovens”.

VISÃO JORNALÍSTICA.

(Uma coprodução de Siona Casimiro e P. Maurício Camuto. Apresentação de Tomás de Melo).

Luanda, quinta-feira 26 de Julho de 2018.

 

 

 

LUSOFONIAS

A Igreja é sem fronteiras e o Evangelho tem como horizonte os confins da Terra. Os Espiritanos, espalhados por mais de 60 países, são uma ondinha neste oceano da Missão. Os portugueses são mesmo uma pequena gota!

Cada seis anos, os sinos tocam a rebate e há Capítulo Provincial. Este ano é desses! Por isso, foram feitas as eleições dos delegados, constituída a Comissão Pre-Capitular e convocadas todas as linhas para este grande encontro que tem lugar no Seminário da Torre da Aguilha, de 15 a 27 de Julho.

O esquema de uma Capítulo não tem novidade nenhuma: há relatórios, conferências de inspiração vindas de fora, debates, trabalhos de grupo e… eleição do novo Provincial e do seu Conselho. É este o caminho que temos pela frente! Para nos inspirar, contamos com D. José Ornelas e D. Manuel Clemente.

Os Relatórios do Superior Provincial e do Administrador dos Espiritanos em Portugal já estavam nas mãos dos Capitulantes há algum tempo. Ali se conta o que se fez e o muito que ficou por fazer nesta Missão que é projeto sempre em construção.

Apelativas e apaixonantes são sempre as narrativas, em primeira pessoa, da Missão que acontece nas linhas da frente. Assim, foi bom ouvir Cabo Verde a partilhar os novos desafios que lançam aos Espiritanos a rua, o hospital e a prisão. A Bolívia trouxe a angústia de uma situação política instável e também a riqueza do Congresso Missionário Americano que ali aconteceu estes dias. O Paraguai partilhou a alegria dos povos guaranis e o desafio do combate à injustiça estrutural que vitima as populações mais simples. O Brasil, esse imenso continente, viu-se como país em estado de revolução, mas com uma Igreja interveniente e ao serviço dos mais pobres. A Espanha disse quanto é difícil mas ousado trabalhar nas periferias de Madrid, Burgos ou Córdova. Moçambique mostrou as dificuldades de um povo que sente o contraste entre ricos e pobres, mas também partilhou a alegria de comunidades jovens e sempre a crescer. Angola apareceu no Capítulo com dois rostos: o do novo Bispo de Cabinda, D. Belmiro Chissengueti, pronto para o desafio de ser pastor no enclave; e o de um jovem padre português a viver e trabalhar no cimo das Quedas de Kalandula, com uma área missionária enorme e desafiante.

Escutar estes testemunhos enche a alma e motiva a partir. A alegria do Evangelho vê-se, de forma muito explícita, nestes espaços onde parece tudo faltar, mas onde os compromissos têm sempre recompensa quase imediata.

A procissão ainda vai no adro – dir-se-ia em qualquer ponto do nosso Minho católico! Mas, a verdade é que estamos todos em estado de Missão, abertos ao que o Espírito inspirar, numa atitude de escuta e disponibilidade para mudar o que for importante mudar. Só assim se pode justificar o lema escolhido, a partir de S. Paulo: ‘Não vos conformeis! Transformai-vos!’.

 

Tony Neves

 

LUSOFONIAS

O P. Belmiro Chissengueti, Provincial dos Espiritanos de Angola foi surpreendido com o convite do Papa Francisco para ser o novo Bispo de Cabinda. Aceitou como serviço.

Participou no X Capítulo dos Espiritanos de Portugal, realizado em Cascais, Lisboa, de 15 a 27 de Julho. Numa entrevista, deixou o seu testemunho, mas também lançou alguns sinais de alerta.

A intervenção social da Igreja em Angola mereceu uma reflexão de D. Belmiro. Refere que ‘a Igreja tem continuado o seu papel na busca constante da reconciliação nacional e da paz social. Não se tem calado diante da galopante corrupção que está a destruir o futuro do país. Uma outra frente de intervenção Igreja é a integridade da criação. As zonas de exploração diamantífera e petrolífera não têm sido suficientemente cuidadas no que toca às questões ambientais. Um problema novo é a desflorestação intensa, descontrolada e criminosa que o país estava a viver. Sem uma mão firme, Angola pode tornar-se um deserto nos próximos anos, e já há sinais graves das consequências da desflorestação, sobretudo no Huambo, onde foi noticiado, há dias, que houve nascentes que secaram por causa directa da desflorestação. Os Bispos simbolizaram a necessidade da mudança de mentalidade por meio da floresta ‘Laudato Si’ iniciada, recentemente, no Namibe’.

Sobre a sua nomeação para Bispo de Cabinda, partilhou a surpresa. Disse: ‘devo confessar que não foi fácil acolher o pedido do Papa Francisco para pastorear a Diocese de Cabinda. Tive noites em branco, de profunda reflexão e oração. Dos dias de reflexão que me haviam dado, pedi mais dois. No final cheguei à conclusão de que dizendo ‘não’ ao Santo Padre, para mim, não teria mais sentido nem a minha consagração religiosa nem o sacerdócio que têm na obediência à autoridade legítima a força motriz da missão da Igreja. Se cada um realizasse a sua vontade não haveria missão da Igreja. Custou-me muito porque tinha projectos muito claros tanto a nível da Congregação como da Conferência dos Religiosos que presido desde Março de 2017. Mas, a vontade de Deus é maior do que todos os nossos projectos ou seja, Deus tem os seus projectos’.

Confrontado sobre eventuais expectativas do povo de Cabinda, D. Belmiro disse que se apresenta como ‘um amigo, um pastor, um “simples e humilde servidor da vinha do Senhor” como dizia o Papa emérito Bento XVI. Irei a Cabinda de alma e coração abertos para o diálogo aberto com todos e todas, velhos, adultos, jovens e crianças. Gostaria de gastar mais tempo naquilo que nos une e contribui para desenvolvimento da Igreja e da sociedade, contando com a colaboração directa, sincera e comprometida dos irmãos no sacerdócio, dos religiosos e religiosas, das comissões diocesanas, dos jovens, das famílias, dos movimentos laicais, das mamãs, de todos’.

A Missão é sempre um desafio arriscado. Há campos que parecem mais fáceis e outros que se apresentam mais difíceis. Mas o importante não é medir riscos, mas tentar cumprir a vontade de Deus.

 

Tony Neves

Numa nota sobre a sua posição relativamente às autarquias locais, a CEAST manifesta-se claramente contra o gradualismo territorial como modelo para a implementação das autarquias por não respeitar o princípio da igualdade e universalidade

A Conferência Episcopal de Angola e São Tomé e Príncipe (CEAST) defendeu a importância de se fazer prevalecer o espírito de consenso na discussão do pacote legislativo das autarquias em detrimento da estratégia política e partidária. Num comunicado de imprensa em que espelha o seu posicionamento sobre as autarquias locais, assinado pelo seu vice-presidente e porta-voz, Dom José Manuel Imbamba, a CEAST manifesta-se claramente contra o gradualismo funcional na implementação das autarquias.

“É necessário fazermos prevalecer as razões de justiça mais do que estratégia política. Portanto, a força deve estar na justiça, no direito e não na política partidária, na táctica”, frisou. No seu ponto prévio, a CEAST considera que o modelo centralizado falhou.

“Vários documentos e a própria realidade o atestam. Assim, para corrigir as assimetrias regionais, o Governo deu corpo ao modelo de descentralização para potenciar as regiões mais pobres”.

Neste contexto, aponta as autarquias locais como uma resposta airosa para pôr cobro às lacunas no desenvolvimento e na participação, “pois um Governo descentralizado, por natureza, é mais próximo dos cidadãos, mais responsável, proactivo, mais eficaz na satisfação dos interesses dos munícipes, prestando-lhes melhores serviços, mais inclusivo, mais pragmático e mais rápido nas respostas às necessidades dos cidadãos”.

Sobre as leis de institucionalização das autarquias locais

Para a instituição, a proposta de lei para institucionalização das autarquias levanta como problemas estruturantes o gradualíssimo funcional e geográfico, em que  é mais apologista do primeiro, por garantir a inclusão de todos. “Entendemos que se deve respeitar o princípio da igualdade e universalidade.

Assim, não se justifica que façam autarquias locais em alguns municípios e noutros não”, refere. Por este facto, propõe que ao invés de existir o gradualismo geográfico, poderiam ser criadas autarquias supra-municipais e a medida que se for criando condições, as mesmas libertar-se-iam de forma gradual e constituíam-se em autarquias municipais.

o argumento financeiro para criar a autarquia não colhe

Na óptica da CEAST, as autarquias supra municipais poderiam ser criadas com base no critério da proximidade geográfica.

“O argumento financeiro para criar a autarquia não colhe. Pois, pergunta-se, como sobrevivem hoje os municípios financeiramente? De igual forma poderia se ensaiar autarquias infra-municipais (centralidade ou vila auto suficientes, mesmo sem dimensão de município, deveriam poder contar com órgãos descentralizados e assegurar a sua governabilidade).

A CEAST considera que o importante é que ninguém se sinta à margem deste processo, sobretudo as comunidades mais pobres, desfavorecidas e esquecidas, que deveriam merecer mais incentivos de crescimento nessa altura, para que as oportunidades sejam iguais ou equiparadas e todos usufruam das mesmas riquezas de crescimento e satisfação.

“Caso contrário estaremos a fomentar assimetrias que queremos corrigir: não excluamos. Incluamos. Haja coragem e vontade politica”, sublinha a nota.

 

No passado Domingo, foram ordenados 10 sacerdotes e sete diáconos.

A cerimónia teve lugar quatro semanas depois da tomada de posse do novo bispo de Benguela, Dom António Jaka, que presidiu o acto litúrgico.

Ao seu lado, alem de numerosos sacerdotes e diáconos da diocese e idos de outras localidades estiveram também presentes os bispos. Dom Óscar Braga, Dom José Nambi, do Kuito e Dom Estanislau Marques Chidicasse, Bispo do Dundo.

            LUSOFONIA 

Quando D. Arlindo Furtado foi escolhido pelo Papa Francisco para Cardeal, o mundo espantou-se. Todos confirmaram o que já se sabia: este Papa inventa muito! Para ele, as tradições valem o que valem e os seus critérios para escolha de colaboradores directos são os dele e não se deixa enlear por eventuais lobbies. Agora, todos ficamos novamente surpreendidos com a escolha de D. António Marto, o Bispo de Leiria-Fátima. Disse-lhe o Papa que era uma ‘carícia de Nossa Senhora de Fátima’, mas todos sabemos que a escolha foi da inteira responsabilidade de Francisco. Em curso está uma profunda reforma da Cúria Romana e o Papa precisa de quem o ajude nesta tarefa grande demais para um homem só! Pela inteligência, simplicidade, simpatia, abertura, alegria… D. António Marto parece ser uma excelente escolha.

Portugal e o mundo também foram surpreendidos com a nomeação do Padre Tolentino Mendonça para responsável máximo pelos Arquivos pela Biblioteca do Vaticano. Trata-se de um nome grande da cultura portuguesa, com cartas dadas na poesia, nos estudos bíblicos, na intervenção cultural. A sua crónica semanal na revista do Expresso é apenas um dos sinais visíveis do impacto das suas intervenções escritas. Muitos dirão que a escolha do Papa segue-se ao excelente Retiro Espiritual que ele orientou no Vaticano este ano. Certamente que sim, pois foi um Retiro denso, com uma profunda fundamentação bíblica e uma reflexão com poesia, humanidade e cultura. Tenho-me deliciado, nos últimos tempos, a ler e reler o ‘Elogio da Sede’, que tem as pregações à Cúria e está editado em livro. É profundo, é sério, é belo, é mobilizador para um compromisso de Igreja, sempre na direção das periferias e margens.

A Igreja sempre precisou e continuará a precisar de grandes líderes. Inspirados pelo Espírito Santo, cultos, de bom coração, de sorriso no rosto. Gente simples, comprometida com as grandes causas do Evangelho, decidida a dar tudo por tudo para que o mundo seja um espaço de felicidade para todas as pessoas que nele habitam.

Há dias, o Cardeal Sean O’Malley, de Boston, recebeu o doutoramento ‘Honoris Causa’ da Universidade católica, em Lisboa. Filho de emigrantes irlandeses nos EUA, o Cardeal O’Malley é um caso típico de alguém que é grande mantendo uma simplicidade fascinante. Escutado por muitos, tornou-se uma referência incontornável para a Igreja americana e para o mundo, a ponto de ser um dos cardeais que o papa Francisco escolheu para o ajudarem na reforma da Cúria Romana. A sua vida fala alto e torna-se imperativo olhar para homens desta estatura moral e intelectual quando o que está em causa é o futuro da Igreja e do mundo.

O Papa Francisco está a dar passos de gigante na ‘reconstrução’ de uma Igreja que ajude o mundo a ser melhor. Cada um de nós, a seu jeito, pode e deve dar o seu contributo. Juntos podemos mudar a história. Assumamos essa enorme responsabilidade.

Tony Neves

O padre Belmiro Cuica Chissengueti foi nomeado nesta terça – feira  pelo Papa Francisco, bispo da diocese de Cabinda.

Até então Superior dos Padres espiritanos em Angola, o agora bispo de 49 anos de idade assume a diocese de Cabinda que desde 8 de Dezembro de 2014 esteve com um estatuto de “sede vacante”, assistida pastoralmente por um Administrador Apostólico, Dom Filomeno do Nascimento Vieira Dias, que por sinal foi o bispo da diocese e posteriormente transferido para Luanda como Arcebispo;

Dom Chissengueti na sua primeira comunicação depois da nomeação prometeu continuar com o trabalho desenvolvido pelos seus antecessores;

Dom Filomeno do Nascimento Vieira Dias, Presidente da Conferência Episcopal de Angola e São Tomé e até então administrador apostólico da Diocese de Cabinda, mostrou – se regozijado e disse que a comunidade católica de Cabinda vai acolher o novo pastor com muita fé e alegria;

De Benguela veio a voz de encorajamento do bispo emérito Dom Óscar Braga com que partilhou alguns momentos que descreveu como sendo de trabalho e fraternidade;

E a comunidade paroquial de São Pedro Apóstolo, em Luanda, onde o Padre Belmiro trabalhou por 16 anos como Pároco, prometeu continuar a rezar para que a sua missão seja coroada de êxitos com o auxílio de Deus;

Belmiro Cuica Chissengueti nasceu a 5 de Março de 1969, no Chinguari, província do Bié/Angola, os seus pais são pertencentes a igreja protestante reformada. Foi ordenado sacerdote a 5 de Maio de 1996.

É licenciado em Direito civil pela Universidade católica de Angola. E desde 19 de Novembro de 2016 até a presente data ocupa o cargo de provincial dos padres espiritanos em Angola.

O Apostolado Nas Redes Sociais

Twitter O ApostoladoFacebook Jornal O Apostolado

Apostolado Divisoria


Apostolado Divisoria


Apostolado Divisoria


Apostolado Divisoria