VISÃO JORNALÍSTICA 

Em boa hora, veio o Primeiro Congresso Eucarístico Nacional em Angola (I CENA). Sim, não obstante a febre da campanha pré-eleitoral magnetizar o grosso da opinião pública. A Igreja Católica promoveu-o sob o célebre lema bíblico: “Reconheceram-nO ao partir do Pão” (cfr Lucas 24, 31), tornando assim a Igreja de Angola uma nova Emaús: “Hoje Angola é Emaús”, assim se proclamava!

O grande evento que marca os 150 anos da segunda etapa de evangelização de Angola, levada a cabo principalmente pelos missionários espiritanos, teve lugar no Huambo, de 12 a 18 de Junho corrente. Congregou mais de quatro mil participantes, entre agentes da vida consagrada de todos escalões e fiéis idos de todas as dioceses de Angola, onde na realidade o Congresso teve início. Pois a realização no Huambo foi o ponto mais alto da caminhada para a nova Emaús!

Decorreu em dois formatos: um simpósio introdutório e o próprio Congresso. Testemunharam-no, entre outros, o enviado especial do Papa Francisco, o Cardeal português José Manuel Macário do Nascimento Clemente, o presidente do Pontifício Comité para os Congressos Eucarísticos Internacionais, o italiano Monsenhor Guido Marini, e o Núncio Apostólico em Angola, Petar Rajic. O Estado angolano não se fez rogado, destacando o Governador, João Baptista Kussumua, e a Ministra da Cultura, Carolina Cerqueira. Arquitectos e cabouqueiros da empreitada, os Prelados da CEAST participaram em todos os trabalhos.

Foram eles, aliás, que definiram o exegético tema programático, isto é, “Reconheceram-No ao Partir do Pão”. E contextualizaram-no dentro da “Nova Evangelização de Angola” (com a chegada dos Missionários do Espirito Santo, em 1866, e toda a história da evangelização, do território que hoje é Angola, de 1491-2017). A vertente coloquial permitiu, a partir de peritos palestrantes, a partilha do pão espiritual em conferências, catequeses e abordagens sobre:

  • A história da evangelização em Angola
  • A nova evangelização
  • O evangelizado evangeliza, Perspectivas para Angola
  • Evangelização eucaristia e reconciliação.
  • Eucaristia, mistério acreditado, celebrado e vivido
  • Missão e participação do Leigo na evangelização
  • Reconciliação nos documentos do magistério da Igreja
  • A reconciliação nacional efectiva.

O cerne do Congresso consistiu em celebração diária da Eucaristia e adoração prolongada do Santíssimo Sacramento exposto em templos previamente selecionados.

Um boletim explicativo da CEAST salientou a prevalência na ocorrência: “Mais que um evento social, é um acontecimento de fé e de cultura, para formar o Corpo Místico de Cristo, para que o mundo conheça melhor o Mistério da Eucaristia”. Ou, seja, “um sinal autêntico de fé e de caridade”. Este traço sobressaiu nos objetivos do I CENA, assim discriminados:

  • Agradecer a Deus o dom da Eucaristia que conhecemos e celebramos há 150 anos;
  • Pedir perdão a Deus pelos pecados, sacrilégios e outros ultrajes cometidos contra a Santíssima Eucaristia;

Ajudar Angola a prosseguir o caminho da reconciliação.

Pedir a Deus que abençoe Angola neste momento importante do seu desenvolvimento.

Foram alcançadas estas metas? Em termos de consciencialização dos presentes, com certeza. No almejado apostolado sucedâneo, a prática dirá, auxiliada pelas lições orientadoras que a CEAST extrairá a tempo juntamente com o devido balanço. A missa de encerramento assim como aquela de abertura, realizou-se no descampado da Praça “João Paulo II”, em aceno aos 25 anos da Primeira Eucaristia celebrada no sítio pelo Patrono do local, de feliz memória.

Ficou comovente registar o seguinte depoimento final:

Levaremos na memória viva um testemunho activo da igreja, um momento forte que nos revela a presença de Jesus Cristo ressuscitado em Angola. Dias que devem ser lidos assim mesmo “Hoje Angola é Emaús”. Foi o parecer do emissário do Santo Padre, o Cardeal José Manuel Clemente, expresso na homilia de encerramento.

(Uma coprodução de Siona Casimiro e P. Maurício Camuto. Apresentação de Tomás de Melo)

Luanda, quinta-feira 22 de Junho de 2017.

 

VISÃO JORNALÍSTICA 

A pré-campanha eleitoral destila já os ares da sua graça, marcando a caminhada com certas cenas. O filme da fresca retrospectiva reaviva imagens tais como: a correria ao Tribunal Constitucional dos emissários dos partidos pretendentes, carregados de volumosas pastas; o estouro de garrafas de champanhe nas sedes das formações aprovadas nesta fase; a cerimónia solene de terça-feira 6/6, na sede do CNE (Conselho Nacional Eleitoral), onde o sorteio ditou a ordem dos partidos no boletim de voto; a divulgação do programa eleitoral da UNITA e sua mega manifestação contra a CNE, tentando equilibrar as digressões rivais. Com pompa leonina, o rival MPLA investiu na peregrinação ao santuário da fibra patriótica, a heróica Nambuangongo. Em paralelo, aclarou-se o direito e volume do ansiado subsídio público aos concorrentes admitidos. Cifra-se ao equivalente individual de mais ou menos um milhão de dólares, montante acolhido diversamente, à proporção dos recursos. Ademais, elucidou-se o tempo de antena na Rádio Nacional e TPA, os dois órgãos públicos de maior alcance territorial.

Na conjuntura, captamos um duplo mérito jornalístico – da TPA e de Rafael Marques, separadamente, pois claro. A TPA brilhou com uma inovação editorial, que se espera esmerar nos cânones da credibilidade profissional. Trata-se do debate promovido entre os mandatários dos seis partidos concorrentes, sobre o totobola do posicionamento no boletim de voto. Em termos de casting, os partidos saíram-se bem, tendo cada actor defendido a sua dama, sem derrapagens de monta. Certo azedume instalou-se quando um dos pares considerou a campanha de outro de “folclore”. A réplica surgiu logo, exigindo urbanidade. A única participante feminina sobressaiu na brecha. A moderação pareceu no instante um tanto quanto acanhada em exercer a sua sensível arbitragem. Por ofício, cabe-lhe a habilidade de dirimir estes deslizes, previsíveis nos contendores, sem prejuízo da sua circunstancial equidistância. Entende-se o lapso pela primeira vez do jornalista de plantão, um confrade de incontestáveis credenciais na labuta. Superar-se-á, estamos certos, na repetição do exercício. Lapso estrutural revelou-se, porém, no figurino que afastou do debate a Comissão Nacional Eleitoral (CNE), responsável do tema em análise. A sua presença teria permitido aclarar a bronca verificada no peso diferencial da bola do MPLA. Um cabal esclarecimento desta nebulosidade impõe-se para inverter a desconfiança persistente. E porquê não, aliás, em próxima edição, um debate cristalino sobre a alegada opacidade na contratação das empresas INDRA e SINFIC? Um debate frontal, associando figuras à altura de subsidiarem lisas fórmulas de consenso nesta causa de escaldante crispação! Não convém já as próprias forças vivas e sãs da Nação assinalarem-se com iniciativas tendentes a esbater esta potencial hipoteca da acalmia pós-eleitoral? Seja como for, o debate televisivo sobre o sorteio perfilou na senda da Mensagem da CEAST sobre as Eleições, exortando, citamos: “Vai sendo tempo de habituar o povo a assistir ao debate de ideias entre os candidatos.

E ainda bem que o afoito jornalismo angolano granjeou, na hora, mais um êxito internacional. A proeza é do jornalista Rafael Marques, por ter figurado entre os cinco laureados de um prémio nos Estados Unidos da América. Obra da “National Endowment for Democracy” (Fundação em prol da Democracia), idosa de 34 anos, o galardão honra periodicamente este valor. No sensível momento eleitoral, que a mídia angolana deve abordar os factos com virtude, a homenagem alenta todos os profissionais. E valoriza, em boa medida, o pressuposto ético que advoga, salientamos: “o bem comum empenha todos os membros da sociedade: ninguém está escusado de colaborar, de acordo com as próprias possibilidades, na sua busca e no seu desenvolvimento” (Compêndio de Doutrina Social da Igreja 167).

(Uma coprodução de Siona Casimiro e P. Maurício Camuto. Apresentação de Tomás de Melo)

Luanda, quinta-feira 15 de Junho de 2017).

Os Bispos da Conferência Episcopal de Angola e São Tomé, CEAST, no fim da II plenária relativa ao ano de 2015, que decorreu de 4 a 9 de Novembro, publicaram 4 documentos, um Comunicado de Imprensa, uma Mensagem Pastoral, uma nota de esclarecimento sobre a expansão do sinal da Rádio Ecclesia e uma Nota Pastoral sobre os 40 anos da Independência de Angola.

Sobre a nota de esclarecimento da expansão do sinal da emissora católica de Angola eis aqui a nota:

Aos,

Sacerdotes, Religiosas e Religiosos

Fiéis leigos, Homens e Mulheres de boa vontade

Amados Irmãos e Irmãs em Cristo:

A Rádio Ecclesia, Emissora Católica de Angola, desde a sua fundação a 8 de Dezembro de 1955, sempre emitiu para todo o país em Ondas Curtas, Médias e Frequência Modulada até ao dia em que foi forçada a suspender as suas emissões, depois dos tristes acontecimentos do 27 de Maio de 1977. Em 25 de Janeiro de 1978, foi decretada a sua extinção pelo então governo da República Popular de Angola, tendo todos os seus bens sido confiscados e nacionalizados.

Desde a sua reabertura, no dia 19 de Março de 1999, os Bispos da CEAST, os fiéis católicos e todos os ouvintes da Rádio Ecclesia alimentaram a esperança de voltar a escutar as emissões da Ecclesia em todo o país em Ondas Curtas, Ondas Média e Frequência Modulada.

Infelizmente, quando da devolução da Rádio Ecclesia ao seu legítimo proprietário, a Igreja Católica, os equipamentos (estúdios e emissores) estavam obsoletos e danificados o que impossibilitou o retomar das emissões em Ondas Curtas e Médias, mesmo se o alvará provisório, então concedido pelo Ministério da tutela, contemplava as referidas frequências.

Foi assim que os Bispos da CEAST encarregaram a direcção da Emissora Católica de trabalhar no sentido de tornar possível a extensão do sinal da Rádio Ecclesia a todo o país. De imediato, a direcção da Rádio elaborou o conhecido “Projecto de Expansão do Sinal da Rádio Ecclesia”, que contemplava a instalação de emissores (repetidores) de FM nas 17 Dioceses do País, incluindo os “mini” repetidores a instalar em vários municípios, para garantir a cobertura total do território nacional.

O referido projecto foi apresentado ao Ministério da Comunicação Social e ao INACOM para o devido licenciamento dos emissores e a respectiva atribuição de frequências. No ano de 2001, foi concluído o projecto com a instalação de emissores e estúdios em todas as Dioceses de Angola.

Concluído o projecto, a Direcção da Rádio Ecclesia comunicou ao Ministério da Comunicação Social e ao INACOM a sua intenção de iniciar as emissões a nível nacional, solicitando mais uma vez a devida autorização. Como resposta, em carta de 24 de Maio de 2001, o Ministério da Comunicação Social comunicou que se devia aguardar pelo devido licenciamento, pois o assunto estava a ser já tratado pelas instâncias de direito a nível do Governo.

De então para cá, iniciou-se a longa espera. Não faltou a troca de correspondência, encontros bilaterais, seja entre a Direcção da Rádio e o Ministério da tutela, seja entre a Direcção da CEAST e o Ministro da Comunicação e mesmo com o mais alto mandatário da Nação. Promessas e mais promessas. Razões e desculpas não faltaram: ora porque se estava elaborando a nova Lei de Imprensa, ora porque se estava aguardando pela regulamentação da referida Lei. Passaram-se semanas, meses, anos! Aguardamos com paciência dispostos a cumprir as leis do País.

Para nosso espanto, ao longo destes anos, novas rádios privadas e uma estação de Televisão, entraram em funcionamento, emitindo não só localmente mas também a nível nacional e internacional. Entretanto, nunca, quem de direito, se dignou explicar-nos a razão do aparecimento destes novos órgãos de comunicação uma vez que a Lei de Imprensa continua por se regulamentar. Algumas perguntas se impõem: será que o suposto impedimento legal é somente para a Igreja Católica? Haverá outros motivos, além do imperativo legal, por trás desta atitude dos sucessivos governos do nosso país?

É de notar que o surgimento destas novas estações de Rádio e de Televisão, que apreciamos como positivo, levaram muitos dos nossos fiéis, ouvintes e amigos da Rádio Ecclesia a insinuar que a não expansão do sinal da Rádio Ecclesia se deve ao desinteresse dos Bispos da CEAST ou, pior ainda, a uma suposta divisão no Episcopado estando uns a favor e outros contra a expansão do sinal da Rádio Ecclesia a todo o país.

Reafirmamos, hoje, mais uma vez, que a não expansão do sinal da Rádio Ecclesia a todo o país deve-se única e exclusivamente ao reiterado adiamento do Executivo Angolano em conceder a devida licença solicitada há mais de 14 anos e sucessivamente reapresentada ao longo destes anos. Portanto, tudo depende da vontade política do Governo de Angola. Que o Executivo explique de forma clara e explícita aos Angolanos, a razão pela qual continua a impedir a expansão do sinal da Rádio Ecclesia a todo o território nacional.

A CEAST considera que a actuação do Executivo nesta matéria – um peso e duas medidas – demonstra a falta de seriedade no tratamento de um dossier tão importante e a falta de consideração devida à uma instituição bimilenar e parceira privilegiada do Estado, como se costuma dizer, que de boa fé confiou no Estado e nas leis do país.

Para a CEAST, a Rádio Ecclesia é um indispensável instrumento de evangelização e por isso mesmo necessário em todas as Dioceses. Por outro lado, os cristãos Católicos no interior do país, têm o mesmo direito que os de Luanda a ouvir a voz dos seus pastores.

No limiar dos 40 anos da nossa independência, quanto nos alegraria ver a nossa Rádio a transmitir para todo o país! Assim o desejamos, assim o esperamos e para isso continuaremos a trabalhar incansavelmente.

Luanda, ao 9 de Novembro de 2015

Os Bispos da CEAST

 

Está a decorrer desde o dia 9, no Panamá, a Assembleia plenário do Parlamento Latino-Americano, mais conhecido por Parlatino, e que este ano se debruça sobre o tema das migrações nos países da América Latina e das Caraíbas. “Realidades e compromissos por um Pacto Mundial”.

Perante o crescente fluxo de migrantes naquela região do mundo, o Parlatino propõe-se encontrar medidas políticas e leis para garantir a segurança a essas pessoas e melhorar as suas vidas.

O Papa Francisco dirigiu-lhes uma mensagem em que começa por felicitar-se com o Parlatino pela escolha do tema e pela iniciativa que tenta ajudar e dar uma vida mais digna aos migrantes. Francisco põe em realce três aspectos importantes a ter presente na reflexão: realidade, diálogo, compromisso.

É importante conhecer a “realidade”, o contexto em que se realizam as migrações no Continente da América Latina e Caribe. Não se deve apenas analisar a situação, mas entrar em contacto directo com os migrantes, que são seres humanos com sua história própria, cultura e ideais. A pessoa deve estar ao centro de qualquer projecto ou decisão.

Este trabalho de contacto directo com os migrantes pressupõe um indispensável “diálogo”. É preciso passar da “cultura do descarte” à “cultura do encontro e do acolhimento”. É necessária uma colaboração conjunta para elaborar estratégias eficientes e equitativas em prol dos refugiados e dos que sofrem em regiões vulneráveis; O diálogo é importante para fomentar a solidariedade.

Mas, para dar uma resposta às necessidades dos emigrantes, explica o Papa, é preciso um “compromisso”, uma solução para esta problemática no Continente. Por isso, é preciso estabelecer projectos, a médio e longo prazo, prioridades na região para a integração dos emigrantes, sobretudo das crianças e suas famílias. Os seres humanos não são objectos ou mercadorias.

Por fim, o Santo Padre chama a atenção dos Governos para que assumam as suas responsabilidades e o sério compromisso a fim de responder ao grito dos emigrantes; apela também à Igreja Católica, para que renove o seu compromisso de sarar esta ferida de tantos irmãos e irmãs.

 

A fazenda esperança, tem agora as condições básicas exigidas para o seu normal funcionamento. As infraestruturas recentemente reabilitadas foram reinauguradas nesta semana pelo Arcebispo do Huambo, dom José de Queirós Alves.

Neste momento cerca de 200 pessoas que procuram deixar o mundo das drogas estão a ser assistidas no local.

O arcebispo do Huambo, dom José de Queirós Alves, enalteceu a iniciativa dos fundadores da Fazenda da Esperança, por ter recuperado centenas de jovens da tóxico-dependência, devolvendo-os ao convívio familiar.

O prelado católico manifestou-se satisfeito com a qualidade das obras, que contribuirão para o tratamento dos tóxicos dependentes.

Na ocasião o governador do Huambo, João Baptista Kussumua disse esperar que o empreendimento possa ajudar no combate ao consumo de drogas e bebidas alcoólicas, um mal que destrói a juventude e deixa mágoas e desespero das famílias de uma sociedade que se recupera das sequelas da guerra.

Realçou que a iniciativa da igreja católica chega num momento oportuno para reconstrução da ponte da esperança na vida dos jovens, que acorrem a esta instituição em busca da recuperação do mal da toxicodependência.

“Uma das consequências do longo conflito armado é os autos índices de consumo de drogas e álcool no seio da juventude. A precariedade da esperança levou-os ao imediatismo que encoraja o prazer fácil e rápido”, asseverou.

Na Fazenda Esperança o processo de recuperação terapêutico demora um ano e é feito através da ocupação dos tóxicos dependentes em actividades úteis, convívio e espiritualidade. Os  jovens ganham dignidade, vontade de viver e o desejo de fazer bem ao próximo, servindo a sociedade em vários domínios.

A infra-estrutura, reinaugurada e modernizada com fundos da igreja católica e da Sonangol. Possui 15 dormitórios, dois refeitórios, uma capela, cozinha, dispensa, balneários, salas de recreação e outras de apoio, com uma capacidade de albergar 44 jovens, contra os anteriores 25.

O projecto Fazenda Esperança já recuperou, em sete anos de funcionamento, no município de Cachiungo, 300 jovens dependentes de drogas e álcool.

VISÃO JORNALÍSTICA

Um remoinho de fofocas angustiou o país no mês transato. Causa? A descrença, do grosso da opinião pública, ao chavão oficial de “visita privada”, com que se justificou a ida do Presidente da República à Espanha. Cresceu, na boa gente, a curiosidade sobre o real estado de saúde do Presidente da República. O traço confirma a consciência colectiva da invulgar importância do timoneiro num barco. De jure como de facto, ele dita o rumo, gostemos dele ou não. Nada de mais natural, o interesse comum e incomum sobre a sua boa forma. Países há em que este elemento assenta em regras abertas. Quer dizer, de clara notoriedade pública. Ou seja, as inquietantes pulsações do factor serem divulgadas de imediato, para o bem da estabilidade estratégica do Estado e emocional da Nação. Não nos situamos aquém deste patamar, vacilando entre o sigilo do Estado e a censura burocrática? Inclinamo-nos para a segunda hipótese da pergunta, pela experiência, quer remota, quer fresca. Na remota, recordamos o véu de mistério tecido à volta da fatal viagem do primeiro Presidente da República à União Soviética. Os pares da direção do partido fizeram esta opção. Quiçá, em longínquo atavismo da cena da defunta Rainha Jinga, ostentada em procissão no trono, fingindo a sua sobrevivência, qual “guia imortal”!

Compreensível nos melindres da época da guerra fria, o caso de Neto não resistiria, hoje em dia, à crítica histórica, do seu condão de paternalismo. Isto é, a astuta irresponsabilidade dos donos da soberania pela elite autocrática, que a privatiza. Será que não se aprendeu desde então ou será teimosia em trilhar os mesmos passos? Quão ensurdecedor, quanto pesado e moroso foi, em Maio passado, o enigma da longa estadia do PR na Espanha! O vendaval de boatos e circunstanciais desmentidos (de fontes mais subjectivas que objectivas) só concorreram para a poluição. Até, varreu a autocensura alegando “uma situação intimamente de foro pessoal”, em dogma aplicado à figura, por excelência pública. Porquê e para quê? Responda à divindade a quem apetecer.

A nós leigos, a primeira fonte oficial a sossegar os ânimos foi o ministro das Relações Exteriores, Jorge Chicoti, com a sua entrevista à RFI no dia 29/5. E teve a sorte de, a credencial concreta de franqueza não tardar. Por subtil sincronia ou não, o presidente e sua esposa desembarcaram no aeroporto ’4 de Fevereiro”, nesse dia, num espectáculo de irradiante fisionomia. Uma chapada sem mão à ‘mujimbice’, troçou-se! Longe, todavia, de saldar o tino sobrante de muitas interrogações. E citamos: para quando, se consumirá a criação de condições de tratamento adequadas do chefe na sua terra? Como explicar a assimetria de um tabu voluntarioso com o tratamento em tecnologias computorizadas de fabricantes alheios? Porquê a inércia dos eleitos na iniciativa de aclarar a legislação ou regulamentação de gestão pública da saúde presidencial? Pelo seu transcendente carácter nacional, o ponto merece mais convergência patriótica do que paixões politiqueiras.

E que tristeza para o nosso jornalismo, o oneroso aparato público em pior desgaste, com o seu mutismo quase budista no episódio! Foi a RFI (dos abominados ocidentais ou imperialistas), a arrancar a preciosa informação de uma fonte oficial. A ética (o interesse público) e a deontologia (a proximidade) preconizam tal performance aos jornalistas angolanos. E não a sua diversão em miúdos colaterais. Imaginemos: se viesse cá um chefe de Estado Alemão, Americano, Britânico, Chinês, Francês, etc… passar um mês em misteriosa “visita privada”. Que avalanche dos respectivos jornalistas conterrâneos não nos invadiria! E, nestes tempos de globalização, quanta chatice geraria a recusa de vistos à essa turma! Da nossa parte, pelo que se sabe, ninguém tentou ir à Madrid ou Barcelona. Acomodámo-nos na ilusória expectativa de fontes oficiais, reputadas de mudas, sobre um boletim clínico do nosso emblemático mandatário. E os poucos ousados, salvo parca excepção, recorreram à via alternativa do mero ‘copy past’ das fofocas das redes sociais. Haverá uma guinada nas próximas vezes? Confiamos, consoante a coerente soberania e seu entendimento.

Enfim, profissionalismo, precisa-se, enraizado, quanto a nós, no Ponto 5 do Decreto Inter Mirifica Sobre os Meios de Comunicação Social.

Citamos: “A comunicação pública e oportuna de notícias sobre acontecimentos e coisas facilita aos homens um conhecimento mais amplo e contínuo dos factos, de tal modo que pode contribuir eficazmente para o bem comum e maior progresso de toda a sociedade humana”.

(Uma coprodução de Siona Casimiro e P. Maurício Camuto. Apresentação de Tomás de Melo)

Luanda, quinta-feira 08 de Junho de 2017)

 

 

O Arcebispo de Paris, Cardeal André Vingt-Trois, divulgou um comunicado após os fatos ocorridos nesta quarta-feira, (07) diante da Catedral de Notre Dame, na capital francesa.

Em um comunicado com data de 07 junho, a Arquidiocese de Paris assinalou que após “a agressão contra um policial nos arredores de Notre Dame, na tarde de terça-feira, 6 de junho, o Cardeal André Vingt-Trois, Arcebispo de Paris, quer agradecer as forças de segurança, particularmente expostas, que vela há meses pela segurança de milhares de turistas e fiéis que entram cotidianamente na catedral”.

No dia 6 de junho, um muçulmano foi baleado após atacar um policial com um martelo aos gritos de “Isto é pela Síria!”, do lado de fora do templo católico. Para garantir a segurança dos que estavam dentro da igreja, decidiu-se fechá-la até que a situação fosse controlada.

O agressor está sendo tratado em um hospital, enquanto o policial atacado sofreu algumas lesões leves, indicaram as autoridades locais.

No comunicado desta quarta-feira, o Cardeal Vingt-Trois expressou sua saudação “ao policial ferido e aos seus colegas de patrulha por sua reação” diante do ataque.

O arcebispo também agradeceu a “todo o pessoal da Catedral que acompanhou durante sua permanência cerca de mil pessoas que estiveram dentro da Catedral durante mais de duas horas” até que a situação de normalizou. (SP – ACI Prensa)

 

Ao final da Audiência Geral desta quarta-feira, o Papa Francisco lançou um apelo em favor da iniciativa “Um minuto pela paz”, a ser realizada esta quinta-feira.

Hoje às 13 horas, renova-se em diversos países a iniciativa “Um minuto pela paz”, isto é, um pequeno Cidade do Vaticano momento de oração na recorrência do encontro no Vaticano entre mim, o falecido Presidente israelense Peres e o Presidente palestino Abbas. Em nosso tempo, há tanta necessidade de rezar – cristãos, judeus e muçulmanos – pela paz”.

A iniciativa – realizada em vários países – é apoiada em nível internacional também pelo Fórum Internacional da Ação Católica (FIAC) e pela União Mundial das Organizações Femininas Católicas (UMOFC).

Na Argentina, por exemplo, diversas organizações uniram-se à Conferência Episcopal local, no convite para que todas interrompam por um minuto suas atividades cotidianas às 13 horas, para refletir e rezar – cada um na própria tradição religiosa – num gesto de comprometimento com a paz no mundo.

Este “minuto” poderá ser vivenciado em grupo ou individualmente, na rua ou em uma igreja, em família, na escola, no local de trabalho, na fábrica, no escritório, enfim, no local onde for possível recolher-se brevemente em silêncio.

A data recorda o terceiro aniversário do histórico encontro realizado no Vaticano em 8 de junho de 2014,  e que reuniu o Papa Francisco, o Patriarca Bartolomeu  e os Presidentes de Israel, Shimon Peres (falecido 28 de setembro de 2016), e da Palestina, Abu Mazen. (JE)

 

VISÃO JORNALISTICA 

De 12 a 14 de Maio último, a Rádio Ecclésia realizou o VIIº Fórum dos seus Correspondentes. Objetivo? A cobertura do processo eleitoral, que culminará a 23 de Agosto próximo. Os trabalhos decorreram no ‘Centro Mariápolis’, um cantinho arborizado, ideal para retiros, na área dos Munlenvos de cima, Diocese de Viana.

Destacou-se, no programa, uma palestra do presidente da Comissão da CEAST para as Comunicações Sociais, Dom Jesus Tirso Blanco, Bispo do Luena. Nela, o Prelado elucidou o alcance da Mensagem dos Pastores sobre as Eleições. Supervisionou a realização, o Diretor-geral da rádio, que a abriu e encerrou. Vieram os correspondentes de todas as dioceses: Benguela, Cabinda, Caxito, Dundo, Huambo, Kuito, Lubango, Luena, Malanje, Mbanza-Kongo, Menongue, Namibe, Ndalatando, Uíge, Onjiva, Saurimo, Sumbe, Viana. Exercícios práticos no terreno, sessões de divertido lazer, celebrações eucarísticas diárias e uma peregrinação à Muxima completaram o quadro. Um patrocínio da ONG ‘Open Society’, em apego exemplar ao valor da liberdade de imprensa, ajudou nos encargos.

No plano coloquial, basta mencionar o intitulado destas prelecções e respectivos tutores:

  • “As ideias – chaves do fórum” (apresentadas pelo jornalista Anastácio Sasembele, responsável dos Correspondentes e Magazines).
  • “Coberturas jornalísticas em tempo de eleições” (Jornalista Reginaldo Silva).
  • “Desafios da Ética e da Deontologia em Época Eleitoral” (Jornalista Siona Casimiro).
  • “Roteiro do Correspondente e Perfil Editorial da RE” (Idem)
  • “Os contornos da nova lei de imprensa e os desafios actuais da classe jornalística” (Teixeira Cândido, Secretário-geral do Sindicato dos Jornalistas Angolanos).
  • “Conteúdos e enquadramento na grelha: Grande reportagem” (Jornalista Walter Cristóvão, Chefe de programas).

A agenda facultou, ainda, inteirar-se das áreas administrativas, financeira, Marketing e Publicidade e Comunicações Técnicas. Introduziram as abordagens afins os respetivos responsáveis, nomeadamente: Fátima Correia (diretora administrativa e financeira), Mário Alberto (Recursos Humanos), Leonardo Lemos (Marketing e Publicidade), Vanda de Carvalho (chefe da Área Técnica).

Dos acalorados debates, sobressaíram questões graves que, pensávamos já ultrapassadas. Fixámos, entre as mais comoventes: a doentia obsessão de identificação da RE à oposição; a marginalização aberta ou velada dos seus correspondentes em actos de interesse público; o perigo de recorrência dos obstáculos artificiais ao acesso às fontes; o imperativo de protecção contra a arbitrariedade; a prepotência, o abuso do poder, e perseguição por parte de agentes da autoridade.

Porém, houve regozijo pela retomada do Fórum, almejando a sua regularidade. Debruçou-se ainda sobre o nevrálgico lugar e papel do correspondente no organigrama da RE. Enfatizou-se o quanto ele representa um parceiro dos governantes no bem público e não adversário, nem tão-pouco rival! Registou-se uma adesão unânime à exortação ao espírito de missão com o qual os correspondentes devem cobrir o processo eleitoral. Cobri-lo-ão, acatando o perfil editorial da RE e a Mensagem dos Bispos da CEAST sobre o mesmo. Reconheceu-se a acumulação de preocupações técnicas, tecnológicas, administrativas e de formação no interregno desde o último Fórum. Em suma, a jornada proporcionou e logrou um fértil tempero espiritual dos alvos na mira do objectivo. Um retempero no espírito da epígrafe da recente mensagem do Santo Padre para o Dia das comunicações, ocorrido Domingo passado: Citamos: «“Não tenhas medo, que Eu estou contigo” (Is 43, 5). Comunicar esperança e confiança, no nosso tempo».

(Uma coprodução de Siona Casimiro e P. Maurício Camuto. Apresentação de Tomás de Melo)

Luanda, quinta-feira 01 de Junho de 2017)

 

 

                                Visão Jornalística

África comemora mais um Dia seu com inovado fratricídio e crise humanitária. Sede das novas chagas: a fronteira do Centro-Sul da RDC e o Nordeste de Angola! Para cá afluem os refugiados da contenda de lá. Fisionomia do território afectado: subsolo repleto de diamantes e camponeses pobres da mega etnia luba, a cavalo entre os dois países. A mídia mundial colou ao conflito o chavão de tribal. Os factos aconselham a responder pelo sim e pelo não.

Sim, na medida em que a luta opõe o populoso clã Bajila Kasanga, da densa tribo Lulua, ela própria um ramo da ampla etnia Luba. Um clã revoltado contra o assassinato do seu chefe preferido, de nome natural Jean Pierre Mbandi, de 51 anos de idade. Na chefia do clã, o eleito adquire o título honorário de Kamwina Nsapu, que passou a designar os adeptos, ora armados de rudimentares meios letais.

Não, por ausência, neste momento, de animosidade entre as tribos, como no drama entre Tutsis e Hútus no Ruanda, outrora. Não, ainda, porquanto o estereotipo tribal simplifica a teia, tapando a responsabilidade das autoridades no caso. E, longe de nós, olvidar o lado ubuesco pelo qual é pintado a personalidade de Mbandi, isto é: burlador; escura formação em medicina na China e Índia; mais charlatão messiânico, adepto da prática de feitiçaria e misticismo do que condigno curandeiro… Não obstante, a sua horrível morte aos 12/8/2016 avivou e continua a avivar a ebulição deste conjunto de ingredientes: a opacidade sobre a vontade do governo em acatar o prazo constitucional das eleições presidenciais e consequente alternância pacífica do poder; líder rebelde sucumbido, sem paradeiro, em meio a informações de corpo decapitado, órgãos genitais amputados e exibidos como espólios de guerra, ferindo o pudor cultural local; a fama do malogrado, quando em vida, de ter rechaçado o aliciamento do governador da província, Alex Kande, para aderir ao seu partido da maioria governante; o protelamento, em retaliação pelo referido governador, da oficialização do ritual de sucessão de Mpandi à dignidade de Kamwina Nsapu, deixada pelo seu tio; a espiral sucedânea da violência cega, com acções terroristas contra os símbolos do poder público, massacres, vítimas enterradas em valas comuns, dois inquiridores internacionais degolados e fuga desordenada das populações indefesas para sítios seguros. E, em acumulação, estes elementos estruturantes: o vazio da morte do carismático Etienne Tshisekedi, popular na região; batota de agentes do Estado, vazada em frescas revelações do ‘New York Times’ sobre actuações de Kamwina Nsapu. Logo, uma gama de factores irredutíveis na exclusiva raiz tribal. Tamanha influência teve, antes, uma imatura gestão da idiossincrasia de um grupo do mosaico autóctone. E assim, se vai tornando a instrumentalização política da corrupção em norma da ilegitimidade autocrática. Com a agravante gestação contagiosa em Kinshasa e no Oeste, onde se destaca o chefe Kikongo Ne Mwanda Nsemi. Também, esta figura agita os seus fanáticos, arremessando a arma da xenofobia. No fundo, só para reclamar a sua justa retribuição por ter contribuído na manobra que consistiu em esticar o mandato expirado do presidente Joseph Kabila.

A este ritmo, a própria agenda de 2065 da União Africana, a balançar actualmente, terá dificuldades em alcançar as metas de desenvolvimento preconizadas. Pois, o grosso das energias e os parcos meios serão consumidos pela busca da estabilidade e segurança das autocracias. Não será altura, de a diplomacia preventiva alavancar mais claramente na vizinhança e região, o progresso do que os anacronismos? Ou manter esta subtil ferramenta como apanágio das abominadas potências ocidentais? “África, levanta-te, toma a tua enxerga e anda”, clamou a IIª Assembleia do Sínodo dos Bispos de África, decorrida em Roma, em 2009. Nesta linha, Domingo passado, o Arcebispo do Lubango, D. Gabriel Mbilingui, advogou contactos com as autoridades da RDC para que, citamos: “na verdade se abram a um diálogo interno, para que de facto, dirimida a causa principal deste conflito armado, possamos ter um país vizinho pacificado”. O Prelado Angolano ostentou esta tese, enquanto presidente do Simpósio das Conferências Episcopais de África e Madagáscar (SECAM). Pelos rescaldos e a incandescência da situação, voltaremos à carga nos próximos tempos.

(Uma coprodução de Siona Casimiro e P. Maurício Camuto. Apresentação de Tomás de Melo)

Luanda, quinta-feira 25 de Maio de 2017)

 

 

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