O Santo Padre Nomeou esta Segunda-feira, Dom António Jaca para Bispo de Benguela.

O Prelado sucede assim a Dom Eugénio Dal Corso, que sucedeu a Dom Óscar no Governo Pastoral daquela Diocese costeira.

Dom António Jaca torna-se assim no 4º Bispo da Diocese fundada em 1974, fundada por Dom Armando Amaral dos Santos, sucedido por Dom Óscar Braga em 1975, que se resignou dando lugar a Dom Eugénio Dal Corso, que agora deixa a vaga para o recém-nomeado.

Dom António Francisco Jaca, nasceu em Malanje, no dia 3 de Novembro de 1963, é filho de Francisco Jaca e de Rosa António.

Fez os primeiros votos Religiosos em 1987; ordenou-se Presbítero em 1991. Desde 2002 desempenhava o cargo de Provincial dos Padres do Verbo Divino em Angola, tornando-se o primeiro bispo Verbita, natural de Angola. Aos seis dias do mês de Junho de 2007 foi nomeado Bispo da Diocese de Caxito, por Sua Santidade, o Papa Bento XVI, aquando da erecção daquela nova diocese, sendo o seu primeiro Bispo. Com a sua nomeação, a Congregação do Verbo Divino passou a contar com 51 bispos distribuídos pelas diversas dioceses em todos os continentes.

Dom Jaca de 1981 a 1984, frequentou os estudos filosóficos no Seminário Arquidiocesano Sagrado Coração de Jesus, em Luanda.

Em 1985, começou o Noviciado junto do Instituto dos Verbitas em Kinshasa (República Democrática do Congo) e, em 1987, emitiu os primeiros votos.

Fez a profissão dos votos solenes em 1990, depois de ter concluído o Curso de Teologia no Seminário dos Missionários de Scheut (Teologado Eugénio de Mazenot) sempre em Kinshasa.

Foi ordenado diácono em 1991 e, no mesmo ano, a 29 de Setembro, recebeu a ordenação sacerdotal em Malanje, pelas mãos de Sua Excelência Reverendíssima, o Senhor Bispo Dom Eugénio Salessu, de feliz memória, então Bispo daquela Diocese.

Após a Ordenação, foi enviado como Vigário para a Missão Católica de NZeto, na Paróquia de Santo Estêvão, Diocese de MBanza Congo, onde permaneceu durante dois anos e meio, em plena guerra civil.

De 1994 a 1998, transferiu-se para o Canadá, onde obteve o Diploma em Ciências das Comunicações sociais pela Universidade de St. Paul em Ottawa e, posteriormente, a Licenciatura pela Universidade de Montreal, em Quebec.

Regressado para Angola em 1999, foi nomeado Director da Rádio Ecclesia e eleito Vice-Superior Provincial do seu Instituto.

Desde de 2002, exerce a missão de Superior Provincial dos Verbitas.

No dia 6 de Junho de 2007, é nomeado pelo Santo Padre, o Papa Bento XVI, Primeiro Bispo da recém-criada Diocese de Caxito.

Esta Segunda-feira,  25/03/2018, recebeu do Papa Francisco o Novo Mandato Canónico para apascentar o Rebanho de Deus que vive na Diocese de Benguela. Acreditamos ser esta a hora de Deus.

 

 O bispo da diocese de Ondjiva, província do Cunene, Dom Pio Hipunyati, advogou neste domingo a necessidade dos fiéis para uma maior comunhão com Deus, tendo destacado a necessidade de despertar no coração a misericórdia e o amor.

Dom Pio Hipunyati que falava durante a missa que marcou o “Domingo de Ramos”, disse que a celebração da data reflecte a paixão do Senhor e é a abertura da Semana Santa, também considerada a mais rica em conteúdo e de maior intensidade religiosa na liturgia cristã.

O bispo exortou aos presentes a serem “páginas eloquentes do evangelho” e a preservar a obra de Deus nas comunidades.

Frisou que a humanidade nos dias de hoje continua a renunciar Cristo em suas vidas através de leis que se dizem ser urbanas e democráticas pelo que condenam à morte os inocentes através do aborto.

A celebração do “Domingo de Ramos” simboliza a entrada de Jesus Cristo em Jerusalém onde foi recebido com folhas de palmeira, marcando assim a temporada da Páscoa.

 

Os cristãos devem recuperar a sua fé abstendo-se das más práticas e construir a justiça, paz e o amor na Semana Santa, apelou hoje, terça-feira, nesta cidade, o coordenador da Comissão Arquidiocesana para a Comunicação Social, padre Pacheco Jonas Simão.

O responsável, que falava à margem das comemorações da “Semana Santa” , que teve início no Domingo de Ramos (25 do mês em curso) e termina com o Domingo de Páscoa (01 de Abril), disse que falta aos cristãos a coragem, a ousadia e a firmeza para travar os impulsos do mundo, pois a paganização e a ausência de valores facilmente levam as pessoas a desistir de lutar por convicções profundas e corretas.

“O tempo da Páscoa é tempo para reafirmar a nossa fé em Jesus, pois o mundo nos dá muitas propostas e discursos, mas a palavra que deve nos guiar é a de Jesus, porque é filho de Deus”, reafirmou.

Fez saber que, devido a grande afluência das pessoas nas missas da paróquia da Sé Catedral, vão passar a contar com mais uma dominical, pelas 12 horas, direcionada à camada juvenil.

Durante a Semana Santa, os cristãos compadecem com o sofrimento de Jesus por meio de um jejum e abstenção ao consumo de carnes, como uma forma de participação à “paixão e morte de Jesus”, por isso, a Sé Catedral programou missas, confissões, via-sacra, baptismos, vigília, ofícios de leitura e oração da manhã.

A data da sua comemoração vária dependendo do ano, porém, por norma, costuma acontecer entre os dias 22 de Março e 25 de Abril. A Páscoa é composta pelo “Domingo de Ramos” , a “Sexta-Feira Santa” (que marca a morte de Cristo na cruz), e o “Sábado de Aleluia” (a vigília dos fiéis a espera pela ressurreição de Jesus).

A Igreja Católica Romana Apostólica recomendou, nesta quarta-feira, aos seus fiéis para absterem-se da participação em actos orientados pelo cidadão cabo-verdiano Filipe Cupertino Teixeira, que se intitula bispo católico.

A informação foi prestada pelo secretário executivo dos Bispos da Conferência Episcopal de Angola e São Tomé (CEAST), Padre Correia Hilário, na sequência do comunicado emitido por esta instituição religiosa que denuncia a utilização de vestes (solidéu, mitra, báculo, anel de bispo e a cruz grande suspensa no peito) por Filipe Cupertino Teixeira.

O suposto bispo está na província angolana de Cabinda a cerca de 15 dias, tem o apoio do padre Casimiro Congo, actualmente excomungado, e ordenou, como diáconos, cidadãos que possuem mulheres, contrariando o postulado pela Igreja Católica.

“Alertamos ao povo católico para não seguir este cidadão que está a tentar usurpar as competências da Igreja Católica. As vestes e insígnias usadas não foram cedidas pela igreja”, afirmou Padre Correia Hilário.

Segundo o secretário, a CEAST encetou nesta quarta-feira contactos com o Ministério angolano da Cultura e o Governo Provincial de Cabinda, no sentido de alertar sobre este caso e declinar toda e qualquer acção que o suposto bispo efectuar em nome da Igreja Católica.

Para si, enquanto órgão responsável pelas políticas no país, compete ao Estado angolano o tratamento deste caso, mas, devido ao seu interesse, a Igreja Católica fará o devido acompanhamento mediante denúncias das acções praticadas por este falso bispo.

Informou que Filipe Teixeira não utiliza templos afectos à Igreja Católica nas suas celebrações, mas que há a ameaça de desorientar e confundir os fiéis católicos e a sociedade, no geral, tornando-se num perigo.

Filipe Cupertino Teixeira nasceu em Cabo Verde, passou a sua infância e juventude em Angola e nos Estados Unidos da América. Frequentou o seminário Capuchinho nas cidades angolana de Luanda e americana de Boston, mas foi expulso nos dois sítios sem ter sido admitido as ordens sacras, isto é diaconal (diácono), presbiteral (padre) e episcopal (bispo).

Ao regressar a Cabo Verde, fez-se acompanhar de vestes de prelado e intitulou-se bispo católico, sem ter sido nomeado e consagrado pelo Papa da Igreja Católica, a quem compete esta prorrogativa.

No seu comunicado, a CEAST denunciou a presença em Angola do falso bispo católico que, tendo trabalhado em Cabo Verde, fugiu das autoridades cabo-verdianas, após a sua exposição pública.

 

VISÃO JORNALÍSTICA

O desfecho de dois conclaves da última semana sustenta ainda a candente actualidade. Com os respectivos comunicados a meio, distintos pela lisura e a controvérsia, para os jornalistas e não só!

Comecemos pelo polémico, embora diacronicamente o último. Isto é, aquele alusivo à sessão do Comité Central do partido no poder, o MPLA, sobre a nebulosamente apelidada questão de bicefalia. A reunião, precedida de um vendaval de boatos nas redes sociais, atiçou as expectativas ao píncaro. Houve desmentido das contradições vazadas do encontro de preparação ao escalão do Bureau Político. Debalde. O discurso de abertura do próprio presidente José Eduardo Dos Santos confirmou o enxofre, ao convidar deliberar sobre a seguinte proposta: “que a realização do congresso extraordinário do partido, que vai resolver a liderança do MPLA, seja ou em dezembro de 2018 ou abril de 2019”. O sucedâneo comunicado de imprensa malogrou a formulação consensual no ponto fulcral. A madura opinião pública enxergou o gato oculto nas rápidas versões desencontradas. O Jornal de Angola, justiça lhe seja rendida, não se importou de assumir desta feita o profissionalismo de carteira. Ao lado do comunicado de estilo “langue de bois”, relatou, baseado em credíveis fontes próprias, o enxame destes eloquentes dados: “Comité Central rejeita proposta do líder (…) Tal como na reunião do BP de segunda, o clima foi de divergências (…) Comentou-se, inclusive na apresentação de uma proposta de moção de censura ao líder, que, flexibilizando, acedeu ao pedido da realização de um congresso extraordinário, mesmo que em datas diferentes das que tinha inicialmente proposto.”

A postura do diário (rotulado outrora de “pravda” pela docilidade tipo “yes man”) gerou o repúdio dos afectos à linha anterior. De admirar? Nada, com a certeza do resgate, pelo bem do jornal estatal, da massa de leitores que andou a perder por outros chafarizes.

Coincidiu pelo bem, também, este episódio, com a conclusão da instalação da nova Entidade Reguladora da Comunicação Social (ERCA). Mesmo se, sobre a unanimidade em torno do topo (afamado a torto ou à razão de dinossauro), a alegação carece de apurada confirmação. Mas, o passo do diário sintonizou sintomaticamente com um inovado discurso editorial do ministro do pelouro. E, avivou, em boa hora, a reivindicação do Sindicato de Jornalistas em prol da Comissão da Carteira, Deontologia e Ética. É neste foro, deveras, que se dirime em primeira instância as queixas de difamação e contencioso afim. Não, como voltou (a 19 do corrente, dia santo do virtuoso São José, Pai do Redentor, vejam só!), a acontecer com o processo de duas figuras da mídia. Oxalá, o filme termine por este cenário, a bem dos tribunais do país, que têm campos mais solícitos e urgentes onde podem reabilitar a sua reputação. Quem lucra com a frequente exposição de jornalistas em mártires do flagelamento judicial? A sofrida pátria, carente de fiabilidade internacional? Rigorosamente, não.

À margem destes fogosos contornos volúveis, a diocese do Namibe espraiou a doçura aguardada da Iª Assembleia Anual da CEAST. O comunicado final (aberto ao sufrágio da mídia livre) elucidou as luzes e sombras da Igreja Católica, fruto da introspeção e penitência ensaiada. Salientamos este enfoque do magistério do Namibe, ao exortar, citamos, finalizando: “um envolvimento mais vivo de todos, renovando cada vez mais o zelo apostólico, ocupando os muitos espaços vazios no mundo da política, da economia, da cultura e da ciência, sem pormos de parte a ocupação dos espaços geográficos, a fim de sairmos da mera pastoral de manutenção para uma pastoral do anúncio e do testemunho”.

(Uma coprodução de Siona Casimiro e P. Maurício Camuto. Apresentação de Esmeralda Chiaca).

Luanda, quinta-feira 22 de Março de 2018.

 

 

VISÃO JORNALÍSTICA 

Um processo judicial roubou a ribalta, abrindo a Semana da Paixão, numa mística espiritual. Na segunda-feira, a Procuradoria-Geral da República sacudiu, enfim, o véu da sua discreta atuação sobre badalados escândalos de dinheiro. Deu o ponto da situação referente a dois deles: a transferência, a jeito de cambalacho, de USD 500 milhões do BNA para Londres e a nebulosa burla à volta de USD 50 mil milhões, pressentida de negociantes tailandeses. A PGR discriminou os sonantes arguidos, topados nos casos destas alucinantes somas.
Arguidos … não culpados, ainda, pois beneficiam da presunção da inocência, a respeitar à risca até ao desfecho cabal das queixas nos tribunais. A mídia pública reproduziu esta evolução com cordata circunspeção. Quer dizer, privilegiando os factos, sem a fanfarronice das precipitadas campanhas de condenação antecipada de outrora! Vai-se ver, portanto, a sequência do filme. Alvitra tais cautelas, a visível conexão da trama com os rocambolescos rumos de outro affair paralelo, senão, o pano de fundo. Isto é, as palpitações da polémica bicefalia sobre a liderança do MPLA, o partido no poder.
O que não impede, claro, sobre aqueles dinheiros, a livre expressão do enxame de sentimentos difusos na sociedade.
A delicadeza polariza-se entre a ânsia legítima de reaver o erário público (de um país abeirado da bancarrota) e o direito dos indiciados à justiça. Direito à justiça transparente, ainda que se presuma das responsabilidades da carência deste valor antes. A subjacente ramificação tentacular preconiza muita serenidade, deveras. Oh! Quanto a humanidade, reduzida ao material e ao imediato, solavanca depressa entre a glória efémera da carne e as agruras da cruz profana!
Qual saída desta espiral, senão a fé na Redenção, a celebrar neste Domingo da Ressureição? De facto, o coletivo pode elevar-se ao diapasão temporal da porfia, sintonizando com a sublime mensagem da Semana Santa. E o seu emblema, a Cruz de Jesus Cristo, que elucidou o presbítero Jerónimo Kahinga, catedrático comentador teológico da Rádio Ecclesia.
Aos microfones da emissora de confiança, o douto sacerdote fustigou os comportamentos pecaminosos tais como o orgulho, a vaidade, a sobrançaria, a prepotência, etc. Enaltecendo, em contrapartida, a humildade, o dócil acatamento da vontade do Pai que redundou na Redenção, pregou quanto, citamos, finalizando: “ (A Cruz de Jesus Cristo) resume toda a atividade da salvação que Deus programou ao longo de muitos anos, séculos, milénios. Ali se enterra o nosso pecado, ali ressurge o homem novo. Vamos viver toda a Semana Santa sob esta insígnia. Vamos tentar de uma maneira mais profunda, contemplando, rezando e meditando sobre este mistério do amor de Deus que se faz escravo por causa de nós”.
(Uma coprodução de Siona Casimiro e P. Maurício Camuto. Apresentação de Esmeralda Chiaca).
Luanda, quinta-feira 29 de Março de 2018.

VISÃO JORNALÍSTICA

O desfecho de dois conclaves da última semana sustenta ainda a candente actualidade. Com os respectivos comunicados a meio, distintos pela lisura e a controvérsia, para os jornalistas e não só!

Comecemos pelo polémico, embora diacronicamente o último. Isto é, aquele alusivo à sessão do Comité Central do partido no poder, o MPLA, sobre a nebulosamente apelidada questão de bicefalia. A reunião, precedida de um vendaval de boatos nas redes sociais, atiçou as expectativas ao píncaro. Houve desmentido das contradições vazadas do encontro de preparação ao escalão do Bureau Político. Debalde. O discurso de abertura do próprio presidente José Eduardo Dos Santos confirmou o enxofre, ao convidar deliberar sobre a seguinte proposta: “que a realização do congresso extraordinário do partido, que vai resolver a liderança do MPLA, seja ou em dezembro de 2018 ou abril de 2019”. O sucedâneo comunicado de imprensa malogrou a formulação consensual no ponto fulcral. A madura opinião pública enxergou o gato oculto nas rápidas versões desencontradas. O Jornal de Angola, justiça lhe seja rendida, não se importou de assumir desta feita o profissionalismo de carteira. Ao lado do comunicado de estilo “langue de bois”, relatou, baseado em credíveis fontes próprias, o enxame destes eloquentes dados: “Comité Central rejeita proposta do líder (…) Tal como na reunião do BP de segunda, o clima foi de divergências (…) Comentou-se, inclusive na apresentação de uma proposta de moção de censura ao líder, que, flexibilizando, acedeu ao pedido da realização de um congresso extraordinário, mesmo que em datas diferentes das que tinha inicialmente proposto.”

A postura do diário (rotulado outrora de “pravda” pela docilidade tipo “yes man”) gerou o repúdio dos afectos à linha anterior. De admirar? Nada, com a certeza do resgate, pelo bem do jornal estatal, da massa de leitores que andou a perder por outros chafarizes.

Coincidiu pelo bem, também, este episódio, com a conclusão da instalação da nova Entidade Reguladora da Comunicação Social (ERCA). Mesmo se, sobre a unanimidade em torno do topo (afamado a torto ou à razão de dinossauro), a alegação carece de apurada confirmação. Mas, o passo do diário sintonizou sintomaticamente com um inovado discurso editorial do ministro do pelouro. E, avivou, em boa hora, a reivindicação do Sindicato de Jornalistas em prol da Comissão da Carteira, Deontologia e Ética. É neste foro, deveras, que se dirime em primeira instância as queixas de difamação e contencioso afim. Não, como voltou (a 19 do corrente, dia santo do virtuoso São José, Pai do Redentor, vejam só!), a acontecer com o processo de duas figuras da mídia. Oxalá, o filme termine por este cenário, a bem dos tribunais do país, que têm campos mais solícitos e urgentes onde podem reabilitar a sua reputação. Quem lucra com a frequente exposição de jornalistas em mártires do flagelamento judicial? A sofrida pátria, carente de fiabilidade internacional? Rigorosamente, não.

À margem destes fogosos contornos volúveis, a diocese do Namibe espraiou a doçura aguardada da Iª Assembleia Anual da CEAST. O comunicado final (aberto ao sufrágio da mídia livre) elucidou as luzes e sombras da Igreja Católica, fruto da introspeção e penitência ensaiada. Salientamos este enfoque do magistério do Namibe, ao exortar, citamos, finalizando: “um envolvimento mais vivo de todos, renovando cada vez mais o zelo apostólico, ocupando os muitos espaços vazios no mundo da política, da economia, da cultura e da ciência, sem pormos de parte a ocupação dos espaços geográficos, a fim de sairmos da mera pastoral de manutenção para uma pastoral do anúncio e do testemunho”.

(Uma coprodução de Siona Casimiro e P. Maurício Camuto. Apresentação de Esmeralda Chiaca).

Luanda, quinta-feira 22 de Março de 2018.

 

 

Os Bispos da CEAST (Conferência Episcopal de Angola e São Tomé) mostram-se preocupados com o surgimento em vários cantos do país de seitas cujas mensagens doutrinais constituem-se em graves ameaças à unidade, harmonia e integridade das famílias.

Esta preocupação foi manifestada pelos bispos da CEAST no final da sua primeira assembleia plenária anual, tendo afirmado que muitas delas acomodadas nas plataformas criadas e cujas mensagens doutrinais constituem-se problemas da cultura nacional e da sociedade no seu todo.

Nesta vertente, os bispos solicitam e apelam aos órgãos competentes para que assumam as suas responsabilidades legais, a fim de pôr cobro a tais anomalias.

O surgimento destas igrejas tem de certo modo causado uma desestabilização no seio das famílias, pois muitas delas praticam certos rituais que não compactuam com a cultura africana, segundo os bispos.

Aconselham a população a frequentar igrejas reconhecidas pelo Estado e que nela são transmitidas mensagens de fé, esperança, solidariedade e de unidade nacional.

Estando reunidos numa província em que as minorias étnicas são expressivas, os bispos pedem para que todos dediquem uma atenção especial a elas, garantindo-lhes uma formação integral e inclusiva, para que não se sintam “irmãos pobres esquecidos” nem a margem do desenvolvimento que o país vai conhecendo.

Os bispos da Conferência Episcopal de Angola e São Tomé(CEAST), condenam  a despenalização do aborto, por encobrir uma lei de legalização dessa prática.

Esta manifestação está inscrita numa nota pastoral apresentada na conferência de imprensa, por ocasião da realização da primeira assembleia plenária anual da CEAST, que decorreu de seis a 14 do mês corrente (Março)em curso, na qual foram abordados assuntos sobre a aprovação da lei do aborto, o manual de educação ambiental, o esboço do ideário das escolas católicas entre outros.

Numa nota lida pelo bispo, D. Emílio Sumbelelo (da província do Uige), a CEAST “afirma, com clareza, a sua opcção a favor da vida, em todas as suas etapas e valor sagrado da vida e sua dignidade”.

“ Diante de tantas ameaças, que actualmente a vida humana vem sofrendo, é nossa missão como bispos, reafirmar a sua inviolabilidade e uma defesa intransigente da vida. Ela é o fundamento sobre o qual se apoiam todos os demais valores e todos os verdadeiros direitos humanos”, sustenta D. Emílio Sumbelelo.

Os bispos afirmam ainda que “o direito à vida não depende da circunstância de se atingir determinada fase de crescimento humano, sejam 10  ou 16 semanas de vida ultra-uterina, seja o nascimento,  infância, juventude ou idade adulta”, sublinhando que ” negar o direito à vida a seres humanos por não terem atingido determinada fase do seu crescimento intra-uterina, será tão arbitrário como negá-lo a qualquer pessoa em função da sua raça, etnia, suas convicções políticas ou religiosas, ou de qualquer outra circunstância”.

O que está em causa, explica a CEAST: “é o princípio da igualdade e não da discriminação, também consagrado no artigo 23º da Constituição angolana. E não se diga que o embrião e o feto humanos não têm o estatuto de pessoa, pelo que não beneficiariam da tutela que o artigo 30º da constituição reconhece à vida da pessoa humana”.

“ Todo o ser humano tem o estatuto de pessoa, o que impõe o princípio da igualdade, considerando que o conceito de pessoa humana não pode ser manipulado de modo a negar na prática a tutela de direitos fundamentais a uma categoria de seres humanos que dela arbitrariamente são excluídos”, esclarece o texto da CEAST.

Os bispos lembram aos cristãos católicos, homens e mulheres de boa vontade e amantes da vida, a declaração de São Paulo II sobre a autoridade que Cristo conferiu a Pedro e aos seus sucessores: “declaro que o aborto directo, isto é, pretendido  como fim ou meio, constitui sempre uma desordem moral grave, enquanto morte deliberada de um ser humano inocente”.

Nenhuma circunstância, fim ou lei no mundo poderá jamais tornar lícito um acto que é intrisicamente ilícito, porque contraria a lei de Deus, inscrita no coração de cada homem, reconhecível pela própria razão e proclamada pela igreja (São João Paulo II, Evagelium Vitae, 62), reforça a nota.

“Para os homens de Deus, é importante que os cristãos percebam a limitação que a própria lei da despenalização apresenta, uma vez que os casos aí despenalizados, indicam que os que neles incorrem não serão punidos judicialmente, porém não se fala da bondade ou da maldade do acto em si, pois este depende da própria lei natural e da sua origem divina”, advertem os bispos.

“ Estes actos perante Deus e aos homens continuam a ser moralmente bons ou maus, conforme são realizados de acordo com a Lei de Deus e o respeito pela dignidade da pessoa humana. pois quem provoca o aborto, incorre em excomunhão latae sententiae. Isso quer dizer que estára automaticamente fora da igreja e excluído dos sacramentos”.

O bispos apelam, a propósito, aos médicos e enfermeiros e outro pessoal da saúde, sobretudo católicos, a invocarem o direito à “ objecção de consciência” para não praticarem o aborto.

“ Nenhuma lei humana pode obrigar alguém a agir contra a lei de Deus e a lei natural”, nota a CEAST.

                      COMUNICADO DE IMPRENSA

Decorreu de 8 a 14 de Março do ano em curso, na cidade de Moçâmides – Namibe, a I Assembleia Plenária anual, que contou com a presença dos Bispos e, na sessão de abertura, com o corpo directivo da CSMIRA, da Comissão Episcopal do Apostolado dos Leigos e com alguns sacerdotes, religiosos/as e leigos da Diocese do Namibe.

  1. Filomeno do Nascimento Vieira Dias, Arcebispo de Luanda e Presidente da CEAST, deu as boas vindas aos presentes e apresentou o quadro temático a ser tratado durante a Plenária, bem como os aspectos marcantes da vida política, económica e religiosa do País.

 

DELIBERAÇÕES

 

Os Bispos depois de profundos e frutuosos debates aprovaram:

 

  1. A Nota Pastoral Sobre a Aprovação da Despenalização do Aborto
  2. O esboço da Mensagem Pastoral do segundo ano do triénio: “A Juventude e a Fé Celebrada”.
  3. O Manual de Educação Ambiental.
  4. O esboço do Ideário das Escolas Católicas.
  5. O Relatório económico da CEAST e o orçamento para 2018.
  6. A data de encerramento das festividades alusivas aos 50 anos de criação da CEAST.

 

 

CONCLUSÕES E RECOMENDAÇÕES

 

  1. Os Bispos rendem graças e louvores a Deus pelo jubileu dos 50 anos de existência da CEAST. Para o efeito, convidam todas as comunidades cristãs presentes em Angola e em S. Tomé e Príncipe, para participarem activamente em todos os actos celebrativos, que decorrerão ao longo do ano em curso, e renovam o firme propósito de disponibilidade e solicitude pastoral.
  2. A vida humana é um dom de amor de Deus; é um valor absoluto que nunca deve ser sacrificada por causa do relativismo ético, do egoísmo, do hedonismo e do calculismo selectivo e discriminatório. Por isso, os Bispos reafirmam o seu compromisso a favor da vida e o seu não à prática do aborto. A Igreja estará sempre de braços abertos para acolher os filhos não desejados e garantir apoio moral e psicológico às mães ofendidas. Outrossim, apelam a todos os cristãos para que promovam sem cessar a cultura da vida e do amor, sem pôr de parte, em situações concretas, o recurso à objeção de consciência.
  3. Reflectindo sobre as luzes e sombras da Igreja Católica nos nossos países, os Bispos reconhecem o esforço que os missionários e leigos fazem para a propagação da fé e do Reino de Deus. Entretanto, apelam para um envolvimento mais vivo de todos, renovando cada vez mais o zelo apostólico, ocupando os muitos espaços vazios no mundo da política, da economia, da cultura e da ciência, sem pormos de parte a ocupação dos espaços geográficos, a fim de sairmos da mera pastoral de manutenção para uma pastoral do anúncio e do testemunho.
  4. O aumento das vocações à vida sacerdotal é um frutuoso sinal dos tempos nas nossas Igrejas. Por isso, os Bispos pedem para que as Paróquias se assumam como autênticas escolas de discernimento, acompanhamento e orientação vocacional e aos formadores dos Seminários maior presença e empenho para que dessas casas de formação saiam bons, humildes e dedicados futuros pastores.
  5. Os Movimentos Apostólicos e carismáticos são um bem incontornável para o dinamismo, crescimento e renovação da vida eclesial. Contudo, constatam-se alguns excessos e desvios nos procedimentos que fomentam a ganância, o apego aos bens materiais, a falta de transparência, o individualismo e outros vícios que lesam gravemente a comunhão, a alegria, o sentido de pertença, a solidariedade e a unidade eclesial. Por isso, os Bispos recomendam maior acompanhamento, disciplina e rigor no cumprimento das regras canónicas para salvaguardar o espírito e a finalidade de tais movimentos.
  6. Virando o olhar para a realidade do País, os Prelados agradecem a Sua Excelência Senhor Presidente da República, General João Manuel Gonçalves Lourenço, pelo levantamento da proibição da extensão do sinal da Rádio Ecclesia a todo o País e pelos novos anúncios referentes à retoma do projecto de construção da Basílica da Muxima e das negociações para o Acordo Quadro entre a República de Angola e a Santa Sé. Encorajam-no a prosseguir no caminho da reforma do Estado para que todos primemos pela dignidade, honra e nobreza de espírito, fazendo com que as assimetrias regionais desapareçam, a cultura da justiça se afirme e os bens de todos, a todos beneficiem.
  7. Por outro lado, embora saúdem a abertura do concurso para a inserção de novo pessoal médico e paramédico, os Bispos lamentam, contudo, constar o quadro deplorável de degradação da saúde no País, com a gritante e escandalosa falta de medicamentos e a desumanidade endémica em muitos hospitais, abrindo espaço para muitos charlatães extorquir e explorar os pobres. Também lamentam a facilidade com que muitos produtos impróprios para o consumo humano entram no País. Recomendam, para o efeito, maior rapidez na correção desses males, assim como renovam o compromisso de manter viva a cooperação, através da CARITAS, para aliviar a dor dos cidadãos.
  8. O Lançamento da Floresta Laudato Si na cidade de Moçâmides pretende ser, ao mesmo tempo, um convite, um apelo e um compromisso de juntos trabalharmos para uma educação à cultura ecológica, para que a busca desenfreada e egoísta do dinheiro e do lucro fácil não mate a natureza e a sua biodiversidade. Por conseguinte, os Bispos recomendam maior vigilância e determinação na luta contra os malfeitores humanos da natureza e do meio ambiente e apoiam todas as iniciativas que visam o estancamento da desflorestação e desertificação.
  9. Nos últimos tempos, têm surgido, em vários cantos do País seitas anticristãs e anticatólicas, muitas das quais, por razões estranhas, acomodadas nas plataformas criadas e cujas mensagens doutrinais constituem-se em autênticas e graves ameaças à unidade, harmonia e integridade das famílias, da cultura nacional e da sociedade no seu todo. Pelo que os Bispos solicitam e apelam aos órgãos competentes para que assumam as suas responsabilidades legais, a fim de pôr cobro a tais anomalias.
  10. Estando reunidos numa Província em que as minorias étnicas são expressivas, os Bispos pedem para que todos dediquemos uma atenção especial a elas, garantindo-lhes uma formação integral e inclusiva, para que não se sintam “irmãos pobres esquecidos” nem à margem do desenvolvimento que o País vai conhecendo.

 

 

 

AUDIÊNCIAS E CELEBRAÇÕES

 

Ao longo dos trabalhos os Bispos:

  1. Fizeram uma visita de cortesia ao Governador Provincial e seu corpo governativo.
  2. Renderam homenagem ao primeiro bispo do Namibe que jaz no cemitério municipal, D. Mateus Feliciano Mateus.
  3. Congratularam-se com Sua Excelência Senhor D. Pio Hipunyati, Bispo de Ondjiva, pela sua nomeação como Administrador Apostólico de Menongue e unem-se aos sentimentos de alegria do povo de Deus daquela Igreja irmã, encorajando-o a manter-se firme na fé, fervoroso na esperança e zeloso na caridade.
  4. Receberam o Director da Rádio Ecclesia e os delegados das Comissões Episcopais das Escolas Católicas e da Justiça e Paz.
  5. Visitaram a Pescaria Sicopal e a Academia de Pesca e Ciências do Mar.
  6. No Bairro 04 de Março plantaram 400 árvores, dando corpo à chamada Floresta Laudato Si.
  7. No domingo, dia 11, em Missa Pontifical, na Sé Catedral, os Bispos abriram oficialmente as festividades alusivas aos 50 anos de existência da CEAST, cujo término terá lugar em Luanda, por ocasião da segunda Plenária anual.
  8. Por fim, os Bispos agradecem ao Prelado, ao Governo Provincial, aos sacerdotes, religiosos e religiosas e ao povo de Deus do Namibe por tudo quanto fizeram para o êxito dos trabalhos. A todos estendem a sua bênção apostólica.

 

Moçâmedes, 14 de Março de 2018

 

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