TEMA: JOVEM, QUERO FICAR EM TUA CASA! (cfr. Lc 19, 5)

 

2017-2018: A JUVENTUDE E A FÉ RECEBIDA

 

1º Ano do triénio pastoral

 

                                                                                                                                TEXTO BÍBLICO

«E, tendo entrado em Jericó, ele atravessava a cidade. Havia lá um homem chamado Zaqueu, que era rico e chefe dos publicanos. Procurava ver quem era Jesus, mas não o conseguia por causa da multidão, pois era de baixa estatura. Correu então à frente e subiu num sicômoro para ver Jesus que passaria por ali. Quando Jesus chegou ao lugar, levantou os olhos e disse-lhe: “Zaqueu, desce depressa, pois devo ficar em tua casa”. Ele desceu imediatamente e recebeu-o com alegria. À vista do acontecido, todos murmuravam, dizendo: “Foi hospedar-se na casa de pecador!”. Zaqueu, de pé, disse ao Senhor: “Senhor, eis que dou a metade de meus bens aos pobres, e se defraudei a alguém, restituo-lhe o quádruplo”. Jesus lhe disse: “Hoje a salvação entrou nesta casa, porque ele também é um filho de Abraão. Com efeito, o Filho do Homem veio procurar e salvar o que estava perdido”» (Lc 19, 1-10).

 

                                                                                                                                              INTRODUÇÃO

 

Nossa intenção

  1. Amados irmãos e irmãs em Cristo, filhas e filhos caríssimos no Senhor! Nós, vossos Bispos, obedientes ao mandamento do Divino Pastor, Nosso Senhor Jesus Cristo, sentimos oportuno e urgente falar-vos dos jovens e falar, particularmente, aos jovens de Angola e São Tomé, o rebanho que o Senhor nos confiou.

 

Inspirar-se em Zaqueu

  1. Para tal, inspirámo-nos nesta passagem do Evangelho de Lucas, que relata o extraordinário e lindo acontecimento de salvação de um homem rico e chefe de publicanos, de nome Zaqueu. A sua experiência de vida e de aproximação na fé a Cristo Salvador pode iluminar a vida de todos os homens e mulheres, especialmente a vida dos nossos jovens. Propomo-la, portanto, como referência de sentimentos e de pensamentos que queremos partilhar convosco, amados jovens, e homens e mulheres de todas as idades.

 

                                                                                                                              O triênio pastoral sobre a Juventude

  1. Na verdade, Nós, os Bispos da Conferência Episcopal de Angola e São Tomé – CEAST, decidimos dedicar um triénio à nossa Juventude. Vamos fazer juntos este caminho trienal de reflexão pastoral sobre os jovens. Escolhemos como tema central: Jovem, quero ficar em tua casa (cfr. Lc 19, 5); e dividimos o triénio nos seguintes temas: 2017-2018: A Juventude e a Fé Recebida; 2018-2019: A Juventude e a Fé Celebrada; 2019-2020: A Juventude e a Fé Testemunhada.

 

                                                                                                                                                     Motivação do triênio

  1. A decisão de falarmos dos jovens e para os jovens parte da convicção de que estes têm hoje uma urgente necessidade da palavra de orientação e de apoio, que deve vir de todos, sobretudo dos pais e responsáveis de famílias, das instituições sociais, estatais e eclesiásticas. Nisto, como Pastores chamados a «apascentar o rebanho de Deus que nos foi confiado» (1Pe 5, 2), sentimos o grave dever de fixar um olhar mais atento aos jovens, na esperança de que, se, por um lado, algumas manifestações estranhas e negativas protagonizadas pelas novas gerações parecem indicar um “futuro perdido ou perigoso”, por outro lado, soa bem alto a voz de Jesus que diz: «hoje entrou a salvação nesta casa, porque Zaqueu é também filho de Abraão» (Lc 19, 9).

 

  1. Faz bem falar com os jovens – afirmou o Papa Emérito Bento XVI (Discurso aos jovens, em Luanda, 21 de Março de 2009). A juventude é o futuro da nação e da Igreja. É, de facto, uma força e uma energia que não podem detonar como explosivos destruidores, mas sim como uma corrente que inova e transforma, garantindo um futuro autêntico, segundo Deus e conforme com o Seu projecto de humanidade. Os jovens são estudantes, pais de famílias, donas de casa, professores, operários, líderes de instituições civis e eclesiásticas, etc. São, enfim, os educadores de amanhã e os condutores de destinos e de vidas. Mas esta juventude, hoje mais do que nunca, vive directamente as transformações tecnológicas, sociais, económicas e políticas, e insere-se nela, ora como agente criativo, ora como vítima e presa fácil, com efeitos negativos para o projecto de adesão a Jesus Cristo.

 

  1. Mais ainda, as nossas comunidades cristãs e vários movimentos apostólicos estão, felizmente, cheios de jovens dinâmicos e disponíveis e alguns ávidos, como Zaqueu, de ver Jesus e de seguir os Seus passos de salvação. Estes jovens tornam jovem a nossa Igreja e nos tornam jovens também a nós, seus Bispos. É uma alegria caminhar com eles na tarefa da evangelização, em busca do sentido da vida, que é Cristo Jesus. Eles oferecem-se em vários serviços, até ao ponto de doarem totalmente as suas vidas, como o testemunham os jovens seminaristas e as jovens aspirantes, que estão nos nossos seminários e casas de formação religiosas. Neste sentido, porém, desvendam-se os sucessos e insucessos da pastoral juvenil e conjuntural, quer ao nível das paróquias, quer ao das dioceses e nacional. De facto, a contraproposta que irrompe na existência de tantos, a partir dos caminhos da má vida, sugando e ofuscando a nobreza da sua alma, lança um forte desafio à nossa pastoral e à nossa maneira de ser Igreja junto dos jovens, crentes e não crentes.

 

1ª Tarefa: conhecer a realidade dos jovens

  1. O objectivo principal do primeiro ano é conhecer a realidade do jovem de Angola e São Tomé, hoje, e a sua adesão à fé em Jesus Cristo. Neste ano, temos todos, Pastores e Fiéis em geral, o compromisso de conhecermos a fundo a realidade dos nossos jovens, fazer como que uma radiografia da juventude angolana e santomense, identificando os pontos determinantes da sua hodierna caracterização. Será compromisso particular dos próprios jovens, com a ajuda de todos, instituições, mormente eclesiásticas, e pessoas singulares, olhar de frente a sua realidade. Só assim poderão assumir, como Zaqueu, a pobreza de uma vida de pecados, mas pujante da semente da graça de Deus, que, em Jesus Cristo, quer “ficar em sua casa”, na casa do seu coração e da sua vida. Só assim “se quer ver Jesus”, “se recebe o convite da visita”, se realiza o encontro com Cristo, e a vida se transforma, começa de novo – PRIMEIRA PARTE.

 

2ª Tarefa: como evangelizar os jovens?

  1. Entretanto, o empenho maior, neste primeiro ano sobre a Juventude, será rever o caminho que o jovem faz para se abrir à fé e se tornar discípulo de Jesus Cristo. Nesta tarefa de evangelização, devem empreender esforços de engajamento sério todos os baptizados, e os jovens em primeiro lugar, sobretudo as estruturas vocacionadas à pastoral juvenil e catequética. Indicamos, aqui, importantes linhas de orientação pastoral a ter em conta; aliás, elas estão em perfeita sintonia com a voz permanente da Igreja e com os nossos repetidos pronunciamentos pastorais. Uma preocupação a sublinhar é: como dirigir-se aos jovens que não têm fé? – SEGUNDA E TERCEIRA PARTES.

 

3ª Tarefa: necessidade de modelos

  1. Conhecendo e assumindo a sua própria realidade, os jovens quererão naturalmente a autossuperação, ou melhor, sentirão o desejo de superar tudo aquilo que ensombra o brilho da vida e do futuro. Neste sentido, os jovens precisam de modelos autênticos, de que abundam as Sagradas Escrituras e a História da Igreja, inclusive a mais recente. A nossa Mensagem propõe-se também reportar exemplos de vida de homens e mulheres, que, encontrando Jesus Cristo, permaneceram jovens na alma. O Papa Emérito Bento XVI disse aos jovens angolanos, em Luanda: caminhar ao encontro do Senhor torna-nos mais jovens, porque nos aproximamos cada vez mais da única e verdadeira fonte donde brota a juventude, a novidade, a regeneração, a força da vida (21 de Março de 2009) – QUARTA PARTE.

 

 

                                                                                                  I – REALIDADE DOS JOVENS HOJE – LUZES E SOMBRAS!

 

População jovem

  1. Os jovens constituem a maioria das nossas populações. «Esta juventude é um dom e um tesouro de Deus, pelo qual a Igreja inteira se sente agradecida ao Senhor da vida» (cfr. Africae Munus, 60). São João Paulo II, falando aos jovens angolanos em 1992, afirmou: «Vós sois, sem dúvida, a maior e mais bela promessa de vida, dada pelo Senhor a esta nobre Nação. Viva a juventude angolana, tão rica de promessas e de esperanças»! Nós constatamos essa força criativa em vós, jovens, e fazemos nossas as palavras dos Papas. Uma força criativa e encorajadora que percebemos:

 

  1. a) No trabalho do campo ou na Empresa

Admiramos a força e a crença que tantos jovens, em situações difíceis, demonstram para se superarem e construírem uma vida com futuro. Reconhecemos a coragem daqueles jovens de ambos os sexos quando não se deixam seduzir por falsas promessas que a cidade tantas vezes apresenta aos jovens, mas acreditam em si e procuram lutar, no dia a dia, por ideais nobres desde de as suas aldeias e vilas. De igual modo, reconhecemos com apreço o valor do trabalho sacrificado de tantos outros, que, prestando o seu serviço e conhecimentos nas empresas, embora nem sempre bem reconhecidos e remunerados, procuram  superar-se, adquirindo, cada vez mais, conhecimentos técnicos e científicos que os ajudam a desempenhar bem as suas tarefas, assumindo o trabalho como um  serviço à sociedade.

 

  1.                                                                                                           b) Na Escola e Universidade

Uma grande maioria dos nossos jovens é estudante. Tantos lutam contra adversidades de todo o tipo, para conseguirem alcançar os seus objectivos de uma melhor formação. Em muitos casos, superando o analfabetismo e, noutros, procurando atingir metas de formação universitária. Louvamos tantos outros que, não procedendo de famílias abastadas, lutam com tenacidade e perseverança para alcançarem os seus objectivos de uma formação superior, cujas propinas pagam a duras penas.

 

  1. c) Em actividades informais

Nós, os bispos e, connosco, a sociedade, apercebemo-nos da quantidade de jovens que cirandam pelas ruas das grandes cidades, vendendo de tudo. Também esses mostram vontade de vencer. Estas actividades informais acabam por ser, na verdade, para muitos o único caminho que lhes resta para sobreviverem e, muitas vezes, realizam-no com profissionalismo, obtendo assim rendimentos para a sustentabilidade pessoal e da própria família e de uma vida digna, evitando caminhos de marginalização. Destaca-se, neste tipo de actividade, a valentia da mulher jovem, muitas analfabetas ou com escassa formação escolar; algumas vezes, mãe, a quem a coragem e determinação impele, filho à costas, à venda ambulante, vulgo «zunga», sendo esta a única porta que encontra para uma sobrevivência digna e moralmente aceitável.

 

  1. d) Na família

Louvamos tantos jovens que constituem as suas famílias com responsabilidade, procurando ser bons pais e esposos, não cedendo às tentações de prazeres fáceis, de hedonismo, de comodismo, de individualismo propagandeado pelos meios de comunicação social, com conteúdos morais, não poucas vezes, questionáveis. Para muitos, a fé é a luz que os guia neste caminho.

 

  1. e) Na Igreja

É com imensa alegria que constatamos, nos tempos que correm, marcados por uma forte tentação pelos bens materiais, os nossos seminários contam com muitos candidatos; as casas de formação religiosa continuam a ter muitos jovens a bater à porta, com vontade de responder «sim» ao chamamento do Senhor; os mosteiros de clausura estão cheios de monjas e candidatos não faltam. Deus continua a chamar e são muitos os que respondem “sim” a este chamamento. Esta realidade encoraja os bispos a acreditarem nos jovens e a continuarem a propor-lhes caminhos de consagração, na fidelidade ao projecto que Cristo tem para eles.

Contamos também com muitos grupos de jovens, dinâmicos e empenhados, nas nossas paróquias, o que é motivo para nós bispos de alegria e de esperança numa igreja sempre jovem e viva.

 

 

Inúmeras dificuldades

  1. No entanto, uma parte ainda elevada da nossa juventude carece e padece. Estamos conscientes disto e muito preocupados. A lista de dificuldades dos jovens parece interminável; profundas são as feridas, triste e desolador é o quadro que atinge muitos deles mergulhados nos piores males da modernidade e da miséria. O analfabetismo, a ociosidade, a fome, a droga, o alcoolismo, a libertinagem, a promiscuidade, a poligamia, a crença na feitiçaria e toda a sorte de desvios dos valores humanos, culturais, morais e espirituais vão fazendo vítimas sem conta e sem controlo.

 

Falta de ideais

  1. Mais grave ainda é observarmos jovens sem ideais, jovens conformados com a mediocridade, com a cultura da mentira e da corrupção, com o imediatismo e outros tantos lançados ao mundo do crime de vária natureza. Ainda em 1992, São João Paulo II falou de «falta de perspectivas para o futuro, nos estudos, no emprego digno, na habitação e em tantos outros sectores da vida do país». E a todas essas dificuldades, «vem juntar-se a tendência para o indiferentismo: a falta de ideais na vida. O desgaste e pressão a que uma parte da juventude esteve sujeita gerou uma ausência de motivações, o deixar-se levar, o não se incomodar. Então o único móbil é a vida fácil, o hedonismo. Como vidas sem futuro nem esperança, tantos jovens, sentindo-se inseguros de estar vivos amanhã, queimam a vida no momento presente: querem consumir toda a vida num minuto… Não sabem o que seja esperar para ver e crescer» (ibidem).

 

Tipologias juvenis

  1. Na nossa acção pastoral, identificamos várias tipologias juvenis, cujas características devem ser sabidas e consideradas. Destacamos as seguintes (cfr. CEAST, Esquema de Pastoral Juvenil 1998):

 

  1. Jovem do meio rural. Ainda vemos, em Angola e São Tomé, o jovem camponês. Vive num contexto familiar “saudável”; não aposta necessariamente na “instrução escolar”; com hábitos sólidos de trabalho, é capaz de desenvolver grandes sacrifícios para adquirir um bem, casa, transporte…; “reza” nalguma comunidade religiosa; com vista ao seu futuro, por regra, ou repetirá o ciclo de seus pais, ou emigrará para uma cidade tentar a sorte, “fazer dinheiro”, com intenção de voltarem o que raramente acontece. Um dos problemas, que afecta sobretudo as meninas, são as gravidezes precoces, com consequências tantas vezes dramáticas para o seu futuro. Esta situação leva muitas a interromper os seus estudos, a constituir família ainda adolescentes, etc. Constatamos também a exploração de jovens por empregadores sem escrúpulos que os levam a trabalhos forçados e não remunerados e, na pior das hipóteses, a serem maltratados, podendo mesmo sofrer agressões físicas.

 

  1. Jovem da vila ou da pequena cidade. São factores determinantes, para este jovem, a localização da vila ou pequena cidade, a etnia predominante, o governo local e a maior ou menor incidência da instituição religiosa da zona. Este tipo de jovem é capaz de fazer juízo de valor em relação ao campo e à grande cidade; aprecia a família e o estudo; desenvolve algum tipo de trabalho e participa das instâncias políticas e religiosas com familiaridade; está próximo e cultiva as suas raízes culturais; formado na diáspora, consegue voltar à sua terra natal e trabalhar para o bem dos seus.

 

  1. Jovem de grandes cidades em bairros periféricos. Filho de família vinda do interior, este jovem pretende “evoluir”, sair “do bairro”. Para isso, aposta no estudo e no primeiro emprego; às vezes, faz “biscatos”, venda ambulante ou nas praças; outras vias de escape, são o desporto e a música; vive habitualmente com a mãe ou com o avô (ou outro parente); gosta de participar de actividades religiosas, mas há quem fica acanhado e prefere integrar alguma seita “do ghetto”.

 

  1. Jovem de grandes cidades em bairros populares. De família menos estruturada, este jovem “sente-se bem” no grupo de amigos da mesma rua; a rua é importante para ele, onde pratica o desporto, organiza festas, com ou sem motivo; entende que “não precisa de trabalhar”, conta com os pais; a escola não é suficientemente motivadora para uma “mudança social”; nas comunidades religiosas, este jovem mantém o “status quo” dos grupos e da pastoral juvenil; ganho o seu coração, pode dar muito de si.

 

  1. Jovem de grandes cidades de classe abastada. Pode carecer da identidade de “família de casa”, da figura do pai ou da mãe, devido às distâncias, ocupações laborais e/ou “segundas relações; tem dificuldades de encontrar quem o escute, aconselhe, corrija; criança, que se torna adolescente e logo jovem, tendo como “encarregados” os “empregados de serviço”; vive em condomínio ou casa com tanta segurança e conforto que o convívio na rua é quase inexistente; educado em colégio privado caro, também pode estudar no exterior do país, já com pouca vontade de regressar; amiúde, não tem apreço pelo cultivo da vida espiritual, do sacrifício, da solidariedade; pode não conhecer o seu país de origem em profundidade, chegando a nem sequer suspeitar que existam bairros de lata ou que a cólera mate.

 

  1. Jovem de “grandes cidades”, mas marginalizado. Habitante, “não cidadão” (como se não existisse); não tem documentos e fica difícil o acesso a serviços públicos; normalmente não estuda; geralmente, proveniente do interior, vem tentar a sorte; às vezes, integra-se num grupo, que o assume como “irmão”; pratica a venda ambulante, lava e cuida de carros; é roboteiro e chamador de táxis; o que ganha gasta no mesmo dia; recorre à droga e algumas jovens iniciam-se na prostituição, mas há quem não o faça e censure os outros; vive em lugares identificados com menor ou maior consentimento das autoridades públicas; mantém alguma relação com a família; demonstra capacidade de trabalho, embora inconstante; vive no grupo uma solidariedade apreciável, com códigos de convivência; crente à sua maneira.

 

Luzes e sombras desafiam a pastoral

  1. O quadro social e humano acima descrito lança aos nossos olhos luzes que podem garantir a construção de uma sociedade melhor, mas também sombras que abalam ou desafiam as nossas estruturas humanas, sociais, familiares, políticas e religiosas. Como Igreja que somos, sentimo-nos desafiados pela realidade vivida pelos nossos jovens, e queremos uma pastoral juvenil que lhes aponte caminhos de futuro. O jovem precisa de se desenvolver, tem necessidade de exprimir o seu talento, mas, às vezes, o faz sem a devida formação, porque as estruturas de base carecem do suficiente nutrimento, carecem de metodologias consistentes e de condições essenciais. Tocando os vários eixos onde gravita visivelmente a vida dos jovens, neste paradoxo de luzes e sombras, urge a todo o baptizado ou baptizada e a todas as comunidades cristãs assumir, em primeira mão, a missão da evangelização que, como disse o Papa Paulo VI, é também sinónimo de desenvolvimento humano: evangelizar é promover o homem integralmente.

 

                                                                                         II – COMO O JOVEM CHEGA À FÉ EM CRISTO?

 

Juventude – uma fase da vida

  1. Os adultos foram jovens, um dia! As crianças sê-lo-ão, um dia! Portanto, a juventude é uma fase da vida humana, caracterizante das sociedades de todos os tempos, e está profundamente concatenada com as gerações do passado e do futuro. É uma fase de ouro, de grandes interrogações, de opções fundamentais. A Igreja tem um lugar no âmbito do seu crescimento, procura marcá-la desde cedo com a sua presença, estimulando-a no sentido do compromisso missionário para a aventura da amizade sincera e profunda com Deus.

 

Consciência de ser criatura de Deus

  1. No caminho da fé, o ponto de partida deve ser a consciência de o jovem ser “criatura de Deus”, “amado e querido por Deus”, “filho ou filha de Deus”. A sua vida tem uma história, ele tem uma origem e um fim. Não é de existência vazia, sem sentido, sem rumo. Ele tem uma dignidade. Ele pertence a Deus, é projecto de Deus. Por isso, como diz Santo Agostinho, «o nosso coração permanece inquieto, enquanto não repousa em Deus». Este mesmo Deus fala constantemente ao homem, e fala de várias maneiras (cfr. Heb 1, 1-2). Convida o homem a reconhecê-l’O nas suas criaturas e nos acontecimentos da história.

 

Urgência do anúncio

  1. Claro está que esta consciência não se adquire automaticamente. Nenhum de nós fez sozinho a descoberta de Deus em Jesus Cristo. Passámos por contextos e processos, precisámos da presença dos outros, de pessoas e instituições, que participaram no nosso crescimento e desenvolvimento humano e espiritual. Sempre houve a necessidade e a urgência do anúncio. Há que anunciar! Alguém deve anunciar Jesus Cristo! Esta tarefa incumbe a todos os baptizados: “ai de mim se não evangelizar!”, diz o Apóstolo São Paulo (cfr. 1Cor 9, 16).

 

Uma Igreja em saída

  1. Jesus Cristo ia ao encontro das multidões. Ele foi à casa de Lázaro, de fariseus e publicanos, entrou na casa de Zaqueu. A atitude fundamental da comunidade cristã deve ser a de “sair”, a de “ir ao encontro” de todos, a de “estar presente” em todos os ambientes humanos, sejam eles do centro ou da periferia. É a recomendação do Papa Francisco: “sermos uma Igreja missionária, uma Igreja em saída”, que se desinstale e tenha a coragem de visitar as hodiernas periferias humanas, os novos areópagos da cultura moderna e os ambientes mais ousados e desafiadores (cfr. Evangelii gaudium, 15. 20-33). O nosso último triénio sobre a Evangelização quis precisamente empenhar a todos os nossos fiéis nesta obra prioritária da Igreja: clérigos e leigos enraizados em Cristo; paróquia, centro da evangelização.

 

Acolhimento e escuta

  1. Tal como Zaqueu, os nossos jovens precisam de ser acolhidos e escutados. Eles têm muitas coisas a dizer aos adultos, aos pais, aos educadores, aos mais velhos. Precisam de quem lhes indique o caminho, lhes esclareça dúvidas, os oriente, os conforte quando vacilam. Podem parecer que fogem, mas, uma vez encontrados, o seu coração abre-se extraordinariamente a Deus.

 

Dialogar com os jovens

  1. Estabelece-se um diálogo natural. Nele, despontam as perguntas existenciais que apelam para o sentido da vida: Quem sou eu? Donde venho? Para onde vou? Que sentido tem a minha vida? A partir da sua realidade concreta, o jovem é ajudado a descobrir o seu projecto de vida e a realizá-lo com alegria, abrindo-se ao encontro com Deus e com os homens. É-lhe apresentado Jesus Cristo como o modelo de vida a seguir. A proposta do Evangelho – a Boa Nova de Jesus Cristo – é comunicada não como simples transmissão de conhecimentos, mas como resposta às grandes questões que os jovens colocam.

 

 A Palavra de Deus ilumina

  1. Como Bispos, estamos convencidos de que a Palavra de Deus é centro de inspiração da alma jovem. Esta Palavra não é apenas uma mensagem inteligível à mente humana, mas uma realidade dinâmica, um poder que opera infalivelmente os efeitos visados por Deus (cfr. Jos 21, 45; 1 Rs 8, 56); ela produz sempre aquilo que anuncia (cfr. Is 55, 10ss). Esta Palavra é a Pessoa de Jesus Cristo, o eterno jovem, a resposta inequívoca às inquietações mais profundas do ser humano. Vale a pena referir as palavras de Bento XVI: “queridos jovens, exorto-vos a adquirir familiaridade com a Bíblia, a conservá-la ao alcance da mão, a fim de que ela seja para vós uma bússola que indica o caminho a seguir» (Mensagem da XXIª Jornada Mundial da Juventude, 9 d Abril de 2006). A Palavra suscita a fé e encaminha o jovem para a vivência dos sacramentos.

 

                                                                                     III – ESTRUTURAS DE MEDIAÇÃO E SEUS DESAFIOS

 

Necessidade das estruturas de mediação

  1. Todo este movimento do despertar da fé precisa de ser enraizado, desde cedo, nas estruturas de socialização e de mediação, como sejam: a família enquanto igreja doméstica; a comunidade cristã, que educa à fé e instrui na catequese; a escola enquanto oficina de valores, mormente a escola católica; os grupos e movimentos apostólicos, onde se aprofunda o itinerário de vida cristã e se participa mais activamente na vida e na Liturgia da Igreja; o serviço da caridade na perspectiva do voluntariado ou, simplesmente, da vivência do mandamento do amor; a prática do desporto como expressão de comunhão, de lazer e de aceitação do outro e das diferenças; a música como espaço de elevação do espírito e veículo de valores. Por fim, não se descure o testemunho de vida das pessoas adultas, desde os sacerdotes, religiosos e religiosas, aos leigos e leigas, numa clara demonstração da unidade e coerência entre fé e vida.

 

Desafio de estruturas adequadas

  1. Se, por um lado, sentimos a alegria do jovem que se aproxima de Deus ou a tristeza daquele que ainda O não conhece, por outro lado, temos a enfrentar a falta de estruturas adequadas para o devido acompanhamento e desenvolvimento da fé recebida. Será, pois, a consciência cristã de todos, Pastores e Fiéis em geral, a criar e a aperfeiçoar sempre mais o melhor o ambiente onde a fé nasça, cresça, se robusteça e produza frutos abundantes. Este ambiente começa nas famílias verdadeiramente cristãs e evangelizadoras, com destaque para o papel de educadores na fé dos pais; empenha crianças e adultos na escola, onde a transmissão de conhecimentos científicos se enobrece com a formação humana e espiritual; empenha os próprios jovens que, tendo já encontrado Cristo, O apresentam e partilham com os demais coetâneos em lugares profissionais, de associativismo, de amizade, do desporto e da música, do exercício da política e da cidadania, etc. Empenha, finalmente, a própria Igreja nas suas estruturas físicas e humanas.

 

Desafio dos métodos

  1. Reconhecemos a importância dos métodos psico-pedagógicos a utilizar no processo de abertura à fé e de amadurecimento na fé. Sentimos a urgência de um trabalho sistemático, que saiba recolher e dispor convenientemente a riqueza de conteúdo e de experiência da Igreja na pastoral juvenil. Tomamos boa nota dos esforços que os agentes deste tipo de pastoral levam a cabo nas nossas Dioceses. Mas julgamos que muito há ainda a fazer. As dificuldades materiais e económicas não deveriam inibir a criatividade e a capacidade de fazer o melhor que se pode. Certamente, impõem-se os cursos de formação de líderes e de animadores juvenis. Precisa-se, de igual modo, de maior disponibilidade, de acurado sentido de pertença e de entrega por parte dos jovens mais experimentados no caminho da fé.

 

Desafio das etapas da caminhada na fé

  1. O itinerário de crescimento na adesão à fé obedece a etapas, que devem ficar claramente delineadas. O catecumenado já traça um processo de vida na fé bastante sólido. Tudo só dependerá da seriedade com que ele é implementado. No entanto, a vida cristã, que não pode prescindir da dinâmica sacramentária, vai muito além dos sacramentos de Iniciação cristã e deve transformar-se num projecto de vida adulta, que compromete a pessoa por toda a vida, dentro da Igreja e dentro da sociedade. Na verdade, a vida matrimonial, de consagração religiosa ou sacerdotal é um prolongamento e corolário da semente cristã que, desabrochada, se foi desenvolvendo. Quais e em que gradualidade de etapas os jovens são inseridos?

 

Desafio do acompanhamento pastoral

  1. Colocamos também a questão, deveras séria do acompanhamento pastoral dos jovens nas nossas comunidades e paróquias. Reconhecemos o empenho de muitos sacerdotes, religiosos e religiosas, bem como líderes de movimentos apostólicos e de novas realidades eclesiais, no acompanhamento aos jovens. Mas, constatamos também a escassez de pessoal missionário, sacerdotes, religiosos e religiosas, leigos e leigas competentes e de agentes pastorais que vão ao encontro dos jovens que estão longe ou fora das comunidades cristãs. A responsabilidade de acompanhar um irmão ou uma irmã na fé deve comprometer a todos, mas particularmente os sacerdotes com responsabilidades paroquiais. O papel dos líderes jovens é também fundamental. Neste sentido, desafiamos as comissões paroquiais, diocesanas e nacional da Juventude e outros grupos juvenis, bem como pessoas peritas em aspectos antropológicos e sociológicos, a progredir, connosco, nos esforços de elaboração de um observatório, que saiba recolher, diagnosticar e direcionar para possíveis soluções as problemáticas hodiernas dos jovens.

 

                                                                                               IV – MODELOS E REFERÊNCIAS DE FÉ

 

A fé deve ser mantida

  1. A fé, uma vez recebida, deve ser mantida, porque ela passa a iluminar a vida, ou melhor, ela torna-se um estilo de vida. Infelizmente, há quem fez a experiência do encontro com Deus, mas que, por razões várias, não produziu os frutos esperados para si e para os outros. Tristemente, observamos cristãos que eram fervorosos nas nossas comunidades e que, hoje, se lançaram para as seitas ou outras formas de manifestação religiosa não consentâneas com as sãs tradições. A parábola do semeador é suficientemente esclarecedora (cfr. Mc 4, 1-20). Não basta, portanto, aderir à fé, há que mantê-la, alimentá-la, dar-lhe razões do seu significado, senão corre-se o risco de perdê-la.

 

Os jovens precisam de modelos

  1. Os jovens precisam de modelos e de referências que, infelizmente, escasseiam na nossa sociedade e são substituídos por péssimos exemplos, muitos deles identificados entre os próprios jovens. Os jovens não precisam de muitas palavras, mas de atitudes; não tanto de conselhos, mas de modelos; não de muitas normas, mas de pessoas que os atraiam com o seu exemplo de vida virtuosa. Com elevada intuição afirmou o Papa Paulo VI: “o mundo precisa mais de testemunhas do que de mestres”. As palavras voam e os exemplos arrastam!

 

                                                                                                          Modelos nas Sagradas Escrituras

  1. As páginas das Escrituras Santas estão recheadas de nobres exemplos de pessoas que, como nós, tiveram o privilégio do encontro na fé com Deus e se mantiveram fiéis até ao fim. São homens e mulheres que, vivendo as mesmas situações que nós – e, quiçá, até mais dramáticas – não se perderam na falta de fé, não se diluíram no desespero, não se esterilizaram na ausência do amor dado e recebido, antes pelo contrário, elevaram ao grau heroico a vivência dos seus compromissos de fé. Assim, temos:

Abraão, o pai de todos os crentes, a que a Epístola aos Hebreus dedica um lindo elogio (cfr. Heb 11, 8).

– A experiência do profeta Jeremias, que começa na sua mocidade; ele sente-se demasiado jovem, mas confia em Deus que o chama e colocará a sua vida à disposição da missão divina; passará por inúmeras dificuldades, será muito incompreendido, mas manter-se-á fiel à palavra de Quem o guia e assiste.

Maria Santíssima, Mãe de Deus e dos homens, realiza, de modo mais perfeito, a “obediência da fé”; na fé, Maria acolheu o anúncio divino pelo Anjo Gabriel, acreditou que a Deus nada é impossível (Lc 1, 37) e deu o seu assentimento: «Eis a escrava do Senhor, faça-se em mim segundo a tua palavra» (Lc 1, 38). Isabel saudou-a: «Feliz aquela que acreditou no cumprimento de quanto foi dito da parte do Senhor» (Lc 1, 45).

– E, finalmente, o exemplo de Zaqueu, que nos mostra que quem se encontra com a Palavra, muda de vida. Com Deus, nada está totalmente perdido!

 

Referências de fé na vida da Igreja

  1. Desde os primórdios da Igreja, encontramos exemplos exímios de seguimento de Cristo. De facto, muito cedo a Igreja se encheu de mártires e viu-se reflorescer pelo sangue destes homens e mulheres gloriosos. Mais tarde, Agostinho de Hipona (354-430) saiu de uma juventude conturbada moral e intelectualmente e, tornado cristão, ficou profunda e definitivamente marcado por Cristo e pela sua Igreja. Ainda no nosso continente, e já no século XIX, emerge uma mulher sudanesa, Josefina Margarida Bakhita, que fez da sua condição de escrava um emblema de libertação em Jesus Cristo.

 

O compromisso na vida cristã

  1. 31. Queridos jovens, estes modelos – a cujas vidas recomendamos uma leitura mais aprofundada – dizem o quanto é possível o vosso caminho de discípulos. Não há circunstâncias que justifiquem o abandono da fé ou o não abeirar-se dela. Pergunta o Apóstolo Paulo: «Quem nos separará do amor de Cristo?» (Rm 8, 35). A fé recebida só será verdadeira, se se fizer presente em todos os âmbitos da vida, de forma a provocar uma mudança radical na pessoa. Zaqueu recebeu a novidade de Jesus Cristo e nunca mais permaneceu a mesma pessoa. Imediatamente se predispôs a restituir qualquer bem extorquido aos pobres e a doar-se inteiramente à missão do Mestre. Sim, Zaqueu passou a viver o caminho novo de Jesus. De vós jovens, esperamos uma vida comprometida com Cristo e a Igreja, assumindo um autêntico discernimento vocacional, para o matrimónio ou para a vida de consagração total a Deus, na profissão dos conselhos evangélicos da obediência, castidade e pobreza, ou para a vida sacerdotal.

 

                                                                                                                                       CONCLUSÃO

 

Jovem, quero ficar em tua casa

  1. Jovem amado no Senhor, abre o teu coração a Cristo, que te diz: «quero ficar em tua casa» (Lc 9, 5). Cristo quer entrar na tua vida diária, mores na periferia ou na aldeia, no bairro ou nas grandes cidades; sejas jovem universitário ou não, trabalhador ou desempregado. Cristo fala para ti, jovem, que vendes na praça ou na rua, que foste esquecido pela sociedade… Cristo é o amigo fiel!

 

Apelo à comunidade cristã

  1. Apelamos às nossas comunidades cristãs e a todos os agentes de pastoral juvenil para que prestem maior atenção e paciência ao processo de educação na fé de muitos adolescentes e jovens que batem às portas da nossa Igreja ou que simplesmente passam diante dela sem que alguém os convide. Tenhamos a coragem de ir ao encontro daqueles jovens como que ociosos, “à espera que alguém os contrate”.

 

Jovens, não tenhais medo de decisões definitivas!

  1. Muito amados jovens, fazemos nossas as palavras do Papa emérito Bento XVI: «não tenhais medo de tomar decisões definitivas. Generosidade não vos falta – eu sei! –, mas, perante o risco de se comprometer para uma vida inteira, quer no matrimónio quer numa vida de especial consagração, sentis medo: «O mundo vive em contínuo movimento e a vida está cheia de possibilidades. Poderei eu dispor agora da minha vida inteira, ignorando os imprevistos que me reserva? Não será que eu, com uma decisão definitiva, jogo a minha liberdade e me prendo com as minhas próprias mãos?» Tais são as dúvidas que vos assaltam e que a actual cultura individualista e hedonista aviva. Mas quando o jovem não se decide, corre o risco de ficar uma eterna criança! (Bento XVI). E mais ainda: «Quem faz entrar Cristo na sua vida, nada perde, nada – absolutamente nada daquilo que torna a vida livre, bela e grande… Queridos jovens, não tenhais medo de Cristo! Ele não tira nada, Ele dá tudo. Quem se entrega a Ele, recebe o cêntuplo. Sim, abri de par em par as portas a Cristo e encontrareis a vida verdadeira» (Bento XVI, in Africae Munus, 64).

 

Invocação final

  1. O Divino Espírito Santo abra os olhos dos vossos corações e ilumine as vossas almas! Maria Santíssima, a Mulher de alma sempre jovem, mãe de Cristo o Verbo Encarnado e padroeiro da juventude, interceda por vós! Amen.

 

Luanda, 16 de Outubro de 2017

 

Os Bispos de Angola e São Tomé e Príncipe – CEAST

 VISÃO JORNALÍSTICA

Há coisa de duas semanas, a Mamã Muxima peregrinou a Nova Iorque. Na seguinte, a réplica da imagem de Fátima rumou para cá. No meio, reluziu a memória do venerável Frei José Benjamim Maiato, de feliz memória. O saudoso soube articular todas estas manifestações de fé, elevando ao pináculo a devoção mariana, a humilde disponibilidade total ao Senhor. Ao arrepio das piadas profanas sobre um culto de elite ou a elite do culto, conjugado à antipática candonga da crença popular. Não nos cabe censurar polémicas desta índole, havendo espaços próprios, onde consagrados teólogos podem pôr os pontos nos (is), à luz da Doutrina da Igreja.

Neste humilde recanto editorial, registamos somente a abundância de bênçãos que aparenta ter a presente estação em Angola. Tudo coincidente com a II Assembleia Anual da CEAST, aberta a 11 de Outubro em curso e que terminou ontem. Em virtude do deadline da nossa crónica, não foi possível conhecer os seus resultados finais. Logo, só os analisaremos na próxima edição.

Entrementes, as bênçãos prolongam-se visivelmente no palco político, onde a serenidade vai dissipando as nuvens do confronto eleitoral. De olhar seco para frente, a Oposição adequa maduramente a sua estratégia à movediça realidade. Os vencedores vão remodelando as peças no tabuleiro, tendo alegrado desde já a comunidade católica, entre outras, pela seleção de algumas figuras. Exemplificamos com o novo Secretário de Estado da Comunicação Social, Celso Malavoloneke, um devoto assumido. Augúrio de melhor sorte na expansão do sinal da Rádio Ecclesia a todo o país? A ver vamos, na onda de corrigir o mal e aperfeiçoar o bem, tão melindroso se afigura o repto da democratização clássica do sector. Representa um trunfo, o novo titular, João Melo, um cabelo branco no jornalismo, gestor comprovado, escritor e de temperamento não-conformista.

Todavia, a cautela impõe-se pela permanente adversidade até do demónio, ora consubstanciado nos vícios acumulados. Ainda ontem, noticiou-se o assassinato de um quadro sertanejo da UNITA. Eduardo Monteiro Catchindimbi, de seu nome, era secretário municipal em Kambundi-Katembo, província de Malanje. Por enquanto, o drama carece de clarificação, entre as sequelas da guerra civil e a hedionda criminalidade. E cúmulo do paradoxo: isto sucede quando o país conseguiu assento no Comité da ONU para os Direitos Humanos. E numa altura em que outra cristã católica, mediática, Ana Celeste, pulou para a Secretaria de Estado para os Direitos Humanos e Cidadania.

Concomitantemente, na nossa África, mais outra barbárie feriu o sacrificado povoléu da Somália. Um duplo atentado matou cerca de 300 pacatos transeuntes no centro de Mogadíscio, no sábado passado. Foi o mais cruel de todos os tempos, comentou o Bispo de Djibouti e Administrador Apostólico de Mogadíscio, Dom Giorgio Bertini. Este prelado testemunha a crise da Somália há 26 anos.

Graças a Deus, hoje em dia, os mais esclarecidos Angolanos esforçam-se em exorcizar tal espectro da sua terra e não só. O acolhimento do novo eleito Presidente da República tem remado neste pendor, frisado na primeira mensagem do episcopado angolano. Retomamos o enxerto do discurso de abertura da II Assembleia Anual da CEAST, na voz do seu presidente, Dom Filomeno. “Saudamos o seu propósito de ser o Presidente de todos os Angolanos e trabalhar para o bem de todos os Angolanos, em especial para as populações mais vulneráveis. E fazemos votos que o seu mandato seja, de facto, um mandato que procura diminuir as assimetrias de diferentes naturezas, e manifestamos desde já o testemunho da nossa leal colaboração na promoção do bem comum ”. Fim de citação das palavras de Dom Filomeno, acenando o consulado de João Lourenço.

(Uma coprodução de Siona Casimiro e P. Maurício Camuto. Apresentação de Esmeralda Chiaca)

Luanda, quinta-feira 19 de Outubro de 2017.

 

 

“Nós vos damos graças porque nos admitistes à Vossa presença”

EUCARISTIA E NOVA EVANGELIZAÇÃO

Aos

Sacerdotes, Religiosas e Religiosos

Fiéis leigos, homens e mulheres de boa vontade

Amados irmãos e irmãs em Cristo

 

Introdução

Motivada pelas razões históricas (525 anos dos primeiros baptismos e jubileu dos 150 anos da segunda fase de evangelização de Angola), a Igreja de Angola celebrou em Junho último, na Arquidiocese do Huambo, o I Congresso Eucarístico Nacional sob o tema “Reconheceram-No ao partir do pão”. Os discípulos de Emaús (Lc 24,31) sentiram a presença de Jesus á mesa. Na Eucaristia, finalmente reconheceram Quem tinha caminhado com eles. À exemplo desses seus irmãos, os cristãos das nossas dioceses, olhando para a história longínqua e recente da sua pátria, reconhecem que a presença de Jesus-Eucaristia à sua mesa, ajudou a edificar a nação de que tanto nos orgulhamos ser. Por isso, um Congresso eucarístico que fosse capaz de manifestar a nossa gratidão a Deus e a nossa disposição de manifestar publicamente a fé na Eucaristia, já era de esperar.

1.AGRADECIMENTO PELA REALIZAÇÃO DO I CONGRESSSO EUCARÍSTICO NACIONAL

Desta forma, damos fervorosas graças a Deus, pela realização do I Congresso Eucarístico Nacional, que certamente veio dar para todos nós, maior firmeza e solidez à nossa adesão a Cristo e à sua Igreja. Foram dias espiritualmente muito ricos como sublinhou o senhor Cardeal Patriarca de Lisboa: «Estes dias que aqui vivemos, de convívio, catequese, celebração e partilha devem ser lidos assim mesmo, porque o caminho de Emaús foi Huambo e os discípulos fomos nós no Congresso, alargando em conjunto o pequeno número daqueles dois» (D. Manuel Clemente, Homilia).

Damos graças a Deus que, sob a poderosa protecção da Virgem Maria, a Mulher Eucarística, nos conduziu, na força do Espirito Santo, a celebração do Congresso. Outro agradecimento ao Santo Padre, o Papa Francisco, que, pela sua solicitude por todas as Igrejas, nos enviou o Senhor D. Manuel Clemente, Cardeal, como seu legado. E o Papa manifestou o desejo de que «este evento seja espiritualmente mais proveitoso para todo o povo de Angola, fortaleça a sua fé e, ao mesmo tempo, produza maiores frutos de caridade» (BULA DO SANTO PADRE AO ENVIADO ESPECIAL DO CENA).

Por fim, um reconhecimento a todas as comunidades de nossas dioceses, pela preparação e realização do Congresso Eucarístico Nacional, qual gesto de gratidão ao mesmo Deus, por todas as maravilhas operadas na vida dos cristãos angolanos e não só.

De facto, o Congresso foi um sinal verdadeiramente de fé e de caridade para conduzir o Povo de Deus à adoração dos sagrados mistérios do Corpo e Sangue de Jesus Cristo e proporcionar os frutos da redenção na vida do Santo Povo de Deus.

O evento celebrado serviu para todos nós como um lançamento para a nossa pastoral litúrgica, obedecendo todas normas litúrgicas.

2.CRISTO EVANGELIZADOR E A IGREJA EVANGELIZADORA

«Cristo, por meio do Evangelho fez resplandecer a luz da vida» (II Ti. 1, 10). Enviado pelo Pai para realizar o seu plano de salvação, começa a sua missão como Evangelizador, que chama e convoca à conversão ao Reino, aos valores do Reino, à presença do Reino, que é Ele mesmo (cf. Lc.4, 1).

O próprio Jesus, Evangelho de Deus, foi o primeiro e o maior Evangelizador. Foi-o até ao fim, até á perfeição, ao sacrifício da sua existência terrena (cfr. PAULO VI, EN, 6-7). Ele é o Evangelizador e o conteúdo do Evangelho, Mensageiro e objecto da mensagem.

«Consumada a obra que o Pai encarregou o Filho de pôr em prática na Terra (cf. Jo 17, 4), foi enviado o Espirito Santo no dia de Pentecostes, a fim de santificar para sempre a Igreja. Por isso a Igreja, enriquecida com os dons do seu Fundador e obedecendo fielmente aos seus preceitos de caridade, humildade e abnegação, recebe a missão de anunciar o Reino de Cristo e de Deus, e de o instaurar em todos os povos» (LG, 4-5).

Os seus membros constituem ao mesmo tempo uma comunidade evangelizada, enquanto convertida, crente e santificada e vivificada pelo Baptismo e pelos outros Sacramentos, e uma comunidade evangelizadora, enquanto enviada, comprometida e entregue à obra da evangelização.

O Evangelho deve ser pregado, não só por palavras, mas também por meio da Eucaristia e de outros Sacramentos. Assim, pela força do Espírito Santo, os homens e as mulheres são imersos no mistério pascal de Cristo. Reunindo-se regularmente para escutar o ensino dos Apóstolos e para comer a Ceia do Senhor, proclamam a sua morte na esperança da sua vida gloriosa.

3.EUCARISTIA E VIDA ECLESIAL

O episódio do encontro de Jesus com os discípulos de Emaús (cf. Lc 24, 31) foi determinante para o nosso I Congresso Eucarístico Nacional. Eles “Reconheceram-No ao partir do pão.” Os dois discípulos sentem a presença de Jesus á mesa. Na Eucaristia, finalmente reconheceram quem tinha caminhado com eles.

«A Eucaristia está na origem de toda a forma de santidade (…). Por isso, é necessário que, na Igreja, este mistério santíssimo seja verdadeiramente acreditado, devotamente celebrado e intensamente vivido. A doação que Jesus faz de si mesmo no sacramento memorial da sua paixão, atesta que o êxito da nossa vida está na participação da vida trinitária, que nos é oferecida nele, de forma definitiva e eficaz. A celebração e a  adoração da  Eucaristia permitem abeirar-nos do amor de Deus e a ele aderir pessoalmente até  à união com o bem-amado Senhor. A oferta da nossa vida, a comunhão com a comunidade inteira dos crentes e a solidariedade com todo o ser humano são aspectos imprescindíveis (…) do culto espiritual, santo e agradável a Deus (Rm 12, 1), no qual toda a nossa realidade humana concreta é transformada para glória de Deus. Convido, pois, todos os pastores a prestarem a máxima atenção à promoção duma espiritualidade cristã autenticamente eucarística. Os presbíteros, os diáconos e todos aqueles que exercem um ministério eucarístico possam sempre tirar destes mesmos serviços, realizados com solicitude e constante preparação, força e estimulo para o seu caminho pessoal e comunitário de santificação. Exorto todos os leigos, e as famílias em particular, a encontrarem continuamente no sacramento do amor de Cristo a energia de que precisam para transformar a própria vida num sinal autêntico da presença do Senhor ressuscitado. Peço a todos os consagrados e consagradas para manifestarem, com a própria existência eucarística, o esplendor e a beleza de pertencer totalmente ao Senhor» ( BENTO XVI, Sac. Carid, nº 39).

Na sua dimensão celebrativa, a Eucaristia é o tesouro da  Igreja como escrevia São João Paulo II: «Ela merece toda máxima atenção: desde a sua preparação até a sua celebração  e por ela a Igreja despende todos os seus recursos humanos e materiais para a tornar mais bela e mais participada (…). À semelhança dos primeiros discípulos encarregados de preparar a “grande sala,” ela sentiu-se impelida, ao longo dos séculos e no alternar-se das culturas, a celebrar a Eucaristia num ambiente digno de tão grande mistério» (Enc. Ecclesia de Eucharistia, 48).

A celebração do I Congresso Eucarístico Nacional l recorda que no centro de cada  comunidade cristã está a celebração da Eucaristia.

  1. EUCARISTIA E EVANGELIZAÇÃO

“Eucaristia – Evangelização,” duas realidades inseparavelmente unidas na essência da Igreja, estão intimamente unidas na Pessoa divina do Verbo Encarnado. O Filho de Deus, que «por nós homens e por nossa salvação encarnou na Virgem Maria e Se fez homem» (Símbolo de Niceia –Constantinopla), oferece-Se aos homens na sua Eucaristia e no seu Evangelho de salvação. Assim Se converte em alimento nosso, pão da vida que perdura para a vida eterna (Jo 6,1ss),

Os dois discípulos de Emaús «partiram imediatamente» (Lc.24, 33), para anunciar o que tinham visto e ouvido. O encontro com Cristo na Eucaristia, recebida com as devidas condições, suscita no crente de testemunhar e evangelizar. S. Paulo diz claramente a este respeito: «todas as vezes que comerdes deste pão e beberdes deste cálice anunciareis a morte do Senhor até que Ele venha» (1Cor.11, 26).

Por conseguinte, o «ide em paz, e o Senhor vos acompanhe», tem um sentido dinâmico de mandato missionário: impele o cristão para o dever de propagação do evangelho e de animação cristã da sociedade.

O I Congresso Eucarístico Nacional procurou evidenciar o papel da Eucaristia na vida eclesial e no caminho da Nova Evangelização que envolve a Igreja angolana. Uma das realidades que a Nova Evangelização deve transmitir é a capacidade de “Reconhecer o Senhor no gesto do partir do pão.” E o Senhor nos parte o pão como os discípulos de Emaús na celebração dominical da Eucaristia: os cristãos são chamados, cada domingo, a reunir-se no nome do Senhor, reconhecendo-se como irmãos. E aí repete-se o milagre: na escuta da Palavra e no gesto do pão partido.

5.A EUCARISTIA, CUME DA EVANGELIZAÇÃO

A Eucaristia é o centro da evangelização, porque é centro da Igreja  e de toda a vida cristã: A Eucaristia é fonte e cume de toda a vida cristã, e por ser centro da Liturgia, é cume para toda sua força. Ela surge como fonte e cume de toda a evangelização (cf. LG, 11; DV, 21; SC, 10; PO, 5). Sendo a presença viva de Cristo no coração da própria Igreja, a Eucaristia é também centro em que se condensam e articulam, para que tendem e de que procedem, onde se manifestam e realizam todas as dimensões e funções da missão que a Igreja recebeu de Cristo e que a Igreja procura cumprir na sua existência. Toda a vida cristã encontra na Eucaristia o seu centro e sentido, o seu impulso e força renovadores.

A Eucaristia é lugar de evangelizados e evangelizadores, momento de renovação dos compromissos de evangelização. Toda e qualquer participação autêntica na Eucaristia tem de trazer consigo um exame do estado pessoal e comunitário de evangelizados e da nossa missão como evangelizadores.

6.EUCARISTIA, FONTE DA EVANGELIZAÇÃO

A sua forma de realizar a evangelização é mistagógica, ou seja, através da palavra e do sinal que se desenvolvem na acção litúrgica destinada à assembleia reunida e que, entendida de modo integral e pleno, implica três momentos: «antes» da celebração (catequese); o «em» celebrativo (celebração) e o «após» celebração (compromisso).

a)Evangelização para a Eucaristia: a catequese. Se a expressão e a celebração litúrgica da fé são parte integrante da catequese, também a catequese é parte integrante da Eucaristia. Se não se «inculcar por todos os meios a catequese litúrgica» (cfr. SC, 35): se não se «fomentar com diligencia e paciência a educação litúrgica e a participação activa dos fiéis, interna e externa, consoante a idade, a condição, o género de vida e o grau de cultura religiosa (cf. SC, 19), os fiéis não poderão ver na Eucaristia «a fonte primária e necessária em que hão –de beber o verdadeiro espirito cristão» (cf. SC, 14).

b)Evangelização dentro da Eucaristia: Celebração.

Nos ritos de introdução, a assembleia exprime e aprende a recepção e a reconciliação, a comunidade e a comunhão; na liturgia da Palava, volta a escutar o chamamento de Deus, que ilumina, a converte e lhe renova a fé, com a proclamação actual e eficaz das maravilhas de Deus na História da salvação, e com a aplicação à vida. Na liturgia eucarística, experimenta de novo o que é a solidariedade e o serviço, o amor e a entrega até à morte, o sacrifício e o compromisso e a urgência da missão, a atualidade de um envio para tornar presente e promover na Igreja e no mundo a obra de Cristo até à sua plenitude.

  1. Evangelização depois da Eucaristia: compromisso

A participação sincera na Eucaristia é auto – evangelização permanente para a evangelização constante. «A renovação da aliança do Senhor com os homens na Eucaristia incendeia e arrasta os fiéis à urgente caridade de Cristo» (SC, 10; PO, 6). De facto, o cristão não só celebra a Eucaristia, mas ainda deve ter uma vida eucarística, prolongando o seu mistério e o seu dinamismo, ou convertendo em obras de caridade e de justiça o que celebrou no Sacramento, anunciando e testemunhando no mundo e na sociedade aquele amor de entrega, aquela solidariedade e novidade que experimenta na reunião eucarística.

7.RIQUEZA EVANGELIZADORA DA EUCARISTIA

Pela Eucaristia o cristão exprime e sente-se chamado a viver comunitariamente em unidade e diversidade, em igualdade e pluralidade, a exemplo da Santíssima Trindade. E nós podemos compreender melhor a tarefa evangelizadora e o chamamento de Deus a que formemos todos uma família de irmãos, uma comunidade de amor, um corpo unido, em que se participe de essa Vida sem ocaso, que em comunhão eucarística e eclesial estamos antecipando, até que chegue a plenitude.

Participar na Eucaristia compromete o cristão a ser um «sacramento» de libertação para os homens em tudo aquilo que escraviza ou aprisiona a sua existência e cuja raiz é o pecado. O compromisso e entrega libertadores que a Eucaristia implica são realização e penhor de evangelização para a vida.

Eucaristia e reconciliação: O homem aspira á reconciliação, mas vive com frequência, enfrentado e dividido. A Eucaristia exige a reconciliação, pois não se pode apresentar a oferenda sem que antes tenha havido a reconciliação com o irmão (Mt.5, 23-24). Por conseguinte, ela celebra a reconciliação operada de uma vez por todas por Cristo na Cruz. A Eucaristia realiza e promove também a reconciliação naqueles que estão nas disposições adequadas. Assim podemos dizer que a Eucaristia é também compromisso da reconciliação, visto que nela a assembleia e a cada um dos participantes renovam a sua aliança com Deus e a sua solidariedade fraterna com os irmãos, pedem reconciliação e comprometendo-se com ela.

A Eucaristia vivifica e alimenta a virtude da esperança, pela qual desejamos participar na plena felicidade da vida eterna no céu. O coração do evangelho é a promessa e o convite à vida eterna; é para isto que Jesus veio e nos deu o pão eucarístico, o seu Corpo: “Trabalhai, não pela comida que perece, mas pela que dura até a vida eterna, que o Filho do Homem vos dará” Jo 6,27); “ Quem come a minha carne e bebe o meu sangue tem a vida eterna; e Eu o ressuscitarei no último dia” (Jo 6, 54). Acreditamos neste anúncio pela fé, procuramos viver o mandamento do amor, que é o caminho para a vida que nunca acaba e imaginavelmente feliz que Jesus nos promete. Na celebração da S. Missa, depois da consagração, rezamos “… Vinde, Senhor Jesus” e depois da reza do Pai nosso, o presidente pede a libertação de todos os males, “enquanto esperamos a vinda gloriosa de Jesus Cristo, Nosso Salvador”,  que vai vir para  nos introduzir no banquete do céu. É isto que somos convidados a  esperar ardentemente e, em maneira ainda “velada” mas verdadeira, antecipamos e pregustamos na celebração da Eucaristia.

8.DIGNIFICAR AS NOSSAS CELEBRAÇÕES LITÚRGICAS

– Valorizar a dignidade e importância da Eucaristia, como celebração central e edificante dos baptizados convertidos e crentes;

– Melhorar a linguagem (orações, monições, homílias) e os gestos, de maneira que sejam eloquentes e comunicativos, mais próximos e compreensíveis para o povo que participa;

– Desenvolver de modo adequado a capacidade evangelizadora da Eucaristia, desenvolvendo a sua riqueza mistagógica, sobretudo pela palavra da homília, para qual se exige adequada preparação;

– Redescobrir a dimensão social da Eucaristia, valorizando adequadamente os momentos e os ritos que a significam, tais como: o mútuo acolhimento fraterno e a reconciliação ao princípio da Missa; a colecta e comunicação dos bens, pelas quais se simbolizam a solidariedade e o compromisso social; a atenção a situações especiais da comunidade, como sejam catástrofes, desgraças colectivas (inundações, desastres, secas, etc.);

– Ordenar de maneira conveniente o acolhimento e a atenção na assembleia eucarística e enquanto ela durar, para com os mais pobres, fracos, doentes, possibilitando gestos tais como oferenda especial de dons para os mais necessitados; comunicação de necessidades e necessitados concretos, para uma responsabilização caritativa pessoal por parte dos participantes; transporte e acolhimento de doentes na assembleia; comunhão dos doentes a partir da própria Eucaristia, por meio dos ministros extraordinários da Comunhão;

– Assumir o sentido profético da Eucaristia, dando cabimento proporcionado à denúncia de situações injustas, de abusos contra a dignidade humana, de escândalos públicos, etc., de modo que nela possam ter voz os sem voz, encontrar defesa os indefesos, amor os abandonados, verdade os enganados, para os quais a Eucaristia será em verdade evangelizadora;

– Possibilitar e promover uma participação plena, activa e consciente, interna e externa, ordenada e diferenciada, de todos os membros da assembleia, de modo que cada um faça «tudo e só aquilo que lhe compete», que a Igreja surja como comunidade orgânica, a missão se realize já no interior do acto eucarístico, para depois se converter em verdadeira evangelização na vida;

– Educar os fiéis com uma catequese eucarística apropriada acerca dos conteúdos evangelizadores da Missa, a união desta com a missão e com a vida, a fim de ajudar a participar melhor na sua celebração e renovar melhor os compromissos com a evangelização;

– Enriquecer a celebração da Eucaristia com outras celebrações, que contribuam para acentuar a sua dignidade e centralidade, evitando uma redução abusiva. Tais celebrações podem ser: da Palavra, da Liturgia das Horas (Laudes e Vésperas), da Reconciliação, dos tempos litúrgicos, das Vigílias; actos de religiosidade popular e devoções, comemorações de acontecimentos especiais, etc.

CONCLUSÃO

Na busca da gradualidade em certos aspectos da liturgia, com vista a uma melhor forma de celebrar os santos mistérios, as inquietações surgidas tanto nas Semanas Nacionais de Liturgia como no I Congresso Eucarístico Nacional exigem de nós, um esforço maior no campo da pesquisa, análise, elaboração e aprovação de um “Directório Litúrgico Nacional”, qual instrumento de vivência dos sacramentos e sacramentais com harmonia e uniformidade. Na ausência desse instrumento pastoral importantíssimo, a CEAST vê-se no direito de, quando necessário, emitir notas práticas para o bem da pastoral litúrgica de conjunto.

Tal como nós pastores temos a plena consciência de que as nossas assembleias litúrgicas querem fazer da Eucaristia celebrada, com rigor e decoro, o primeiro espaço de evangelização e manutenção da vida interior e comunitária dos fiéis, o memorial eucarístico, mistério acreditado, mistério adorado e mistério vivido, exige o conhecimento do ambiente e seus problemas. Por isso, a fé na Eucaristia e sobretudo a sua renovação no I Congresso Eucarístico nacional tornou-se para nós «fonte e força para missão», porque nos renovou o dom da caridade e nos colocou na condição de peregrinos pregadores, tal como reza a expressão «Missa» (ite missa est) e a bênção que a acompanha. Huambo não significou para nós espaço de dispersão, mas sim, lugar a partir do qual fomos solenemente enviados para a missão: a construção de uma nação que crê na força da Eucaristia e dela vive.

 

Luanda, 18 de Outubro de 2017

Os Bispos de Angola e São Tomé e Príncipe – CEAST

Decorreu de 11 a 18 de Outubro do ano em curso, na Sede da CEAST, a II Assembleia Plenária anual que contou com a presença de todos os Bispos.

  1. Filomeno do Nascimento Vieira Dias, Arcebispo de Luanda e Presidente da CEAST saudou os presentes, tendo apresentado o quadro sócio-político e eclesial do País e traçado as metas e objectivos a atingir na presente plenária.

 

DELIBERAÇÕES

 

Os Bispos depois de frutuosos debates aprovaram:

 

  1. A Mensagem Pastoral do primeiro ano do triénio: “A Juventude e a Fé Recebida”.
  2. A Mensagem Pastoral sobre o CENA (Congresso Eucarístico Nacional).
  3. A criação de Tribunais Eclesiásticos interdiocesanos.
  4. Os Estatutos da Comissão Episcopal de Justiça e Paz e Integridade da Criação.
  5. A realização do primeiro Congresso Nacional do Clero Diocesano.
  6. O plano de acção da implementação da Floresta Ecológica Laudato Si, na diocese do Namibe.
  7. A Comissão ad hoc que se encarregará de preparar o programa comemorativo dos 50 anos de existência da CEAST.
  8. E o Relatório Final sobre o CENA.

 

 

 

CONCLUSÕES E RECOMENDAÇÕES

 

  1. Os Bispos congratulam-se com o propósito do novo Presidente da República de trabalhar para o bem de todos os angolanos, diminuindo as assimetrias existentes a diversos níveis. Outrossim, encorajam os novos governantes a comprometerem-se com a dignidade da pessoa humana e com a promoção do bem comum e da justiça social.
  2. Aos políticos e a todos os cidadãos pedem que continuem a aumentar o esforço tendente a fomentar e cultivar a educação permanente à democracia, à cidadania, à paz, ao convívio plural, à tolerância, ao respeito da dignidade do outro e ao compromisso com a ética.
  3. Acolheram com agrado e gratidão as informações referentes à implementação gradual com sucesso do Projecto Profuturo (aulas digitais) em algumas das nossas dioceses, esperando que, muito cedo, todas possam beneficiar desse valioso instrumento de promoção humana.
  4. Recomendam a intensificação das campanhas de doação de sangue nas dioceses, constituindo associações para o efeito e apelam aos gestores de hospitais maior vigilância para que se previnam situações que levam a que o sangue doado seja comercializado.
  5. Reflectindo sobre o quadro sócio-político-económico e religioso, à luz dos relatórios das dioceses, os Bispos constataram o seguinte:
  • As dioceses e paróquias continuam a caminhar com várias iniciativas espirituais e sociais em prol do bem dos fiéis e não só, e em algumas é notório certo desenvolvimento social e económico.
  • Em virtude de algumas lacunas detectadas, os Prelados apelam a todos os párocos para que dediquem maior atenção aos averbamentos e a todos assuntos que ao cartório dizem respeito.
  • Continua a assistir-se à falta gritante e escandalosa de medicamentos nos hospitais públicos, estagnação das obras públicas e a falta de serviços básicos como água, energia e transportes públicos.
  • Aumento dos preços de materiais de construção e de outros produtos básicos.
  • Há ainda sinais de fome em algumas zonas do Sul de Angola, por escassez de chuva.
  • Mantém-se a agressão ao meio ambiente através da desflorestação desenfreada em curso pelo abate de árvores para madeira e carvão e pelas queimadas indiscriminadas, apelando para que todos nos empenhemos pela propagação da cultura ecológica.
  • Em algumas capitais provinciais cresce o número de doentes mentais jovens, bem como envenenamentos com recurso às chamadas “minas tradicionais” ou “tala”. Para esta questão os bispos pedem a intervenção urgente das autoridades policiais contra os fabricantes, comerciantes e fomentadores desses venenos que, pouco a pouco, vão perturbando a ordem social.

 

AUDIÊNCIAS E CELEBRAÇÕES

 

Ao longo dos trabalhos os Bispos receberam:

  1. O Secretário Geral da PUM (Pontifícia União Missionária), P. Fabrizio Meroni;
  2. O Director Nacional das OMP (Obras Missionárias Pontifícias) dos EUA, P. Andrew Small, OMI;
  3. Os membros da Comissão Episcopal da Saúde, nomeadamente, os senhores Padres José Mombo António e Fernando Alves Chimunda e o Dr Miguel Gaspar.
  4. Zeferino Passagem que falou da Pastoral da Sobriedade.
  5. A direcção da ACGD: Drº Zeferino Estevão Juliana e Drª Fátima Sayundo.
  6. O Sr. P. Celestino Epalanga que apresentou o Manual de Educação Ambiental.
  7. E a direcção da Rádio Ecclesia na pessoa do Sr. P. Maurício Camuto.

 

  • No sábado, dia 14, os Bispos concelebraram com o Sr. Núncio apostólico, na Paróquia de N. S. de Fátima, por ocasião do IV aniversário do pontificado de Sua Santidade o Papa Francisco e no domingo, dia 15, os bispos presidiram às missas nas distintas paróquias de Luanda.

 

Luanda, 18 de Outubro de 2017

 

                                                                              OS BISPOS DA CEAST

 

A Congregação para as Igrejas Orientais e a Rádio Vaticano são as vencedoras do Prémio de Reconciliação “Capítulo de União Polonesa-Ucraniana”. Instituído em 2001 pelo Capítulo da união polonesa-ucraniana, o reconhecimento é atribuído a cada ano a personalidades e instituições que, com sua atividades tenham promovido a compreensão recíproca entre os povos da Europa centro-oriental.

A cerimônia de entrega da honorificência se realizará em Roma na próxima quinta-feira (12/10), no Colégio Ucraniano São Josafá. Na mesma data, o Papa Francisco celebrará a santa missa pela manhã, na Basílica de Santa Maria Maior, pelo centenário da Congregação para as Igrejas Orientais.

Motivações da premiação

O dicastério vaticano é premiado pelo apoio aos valores que unem os povos na edificação de um futuro comum e em harmonia com as palavras de São João Paulo II:

“Graças à purificação da memória histórica estejam todos prontos a colocar acima de tudo aquilo que une e não aquilo que separa, para construir juntos o futuro baseado no respeito recíproco, na colaboração fraterna e na autêntica solidariedade.”

A redação da Rádio Vaticano – seções polonesa, ucraniana e eslovaca – recebe o reconhecimento pela transmissão imparcial das informações e pela promoção do diálogo intercultural na Europa central e oriental superando os estereótipos e os preconceitos recíprocos.

Encontro de 30 anos atrás deu primeiro passo de um longo caminho de reconciliação

O primeiro encontro entre os representantes do episcopado da Polônia e do Sínodo da Igreja greco-católica realizou-se 30 anos atrás em Roma. Na ocasião foi proclamada a declaração de perdão e de reconciliação polonesa-ucraniana. Foi o primeiro passo de um longo caminho de reconciliação entre os dois povos. O primeiro prêmio foi entregue a João Paulo II. (RL)

 

 O pároco da Nossa Senhora de Assunção (Sé Catedral da Diocese do Luena), Jorge Manuel Chalelo, defendeu domingo a necessidade dos fiéis da congregação absterem-se de práticas de feiticismo, por considerar que contraria o progresso da humanidade.

Na sua homilia durante a missa, o prelado católico referiu que cada cidadão deve cultivar atitude positiva para que o Dom de Deus reine nas suas vidas.

“Devemos tomar atitudes firmes, coerentes e especialmente atitude de conversão para que as nossas vidas transbordem na graça de Deus”, salientou o sacerdote.

O pároco acrescentou que o bom cristão deve comprometer-se com a virtude da verdade, os sentimentos de justiça e de nobreza perante as comunidades e as instituições, assim como pensar de acordo com os ensinamentos de Deus, para que a paz no mundo seja uma realidade.

O desempenho mostrado na acção social pela Congregação das Irmãs Consoladoras de Jesus Cristo, em 50 anos da sua existência, foi destacado neste Domingo pelo Bispo de Caxito, Dom António Jaka.

Na sua homilia durante a missa que marcou  o jubileu dos 50 anos da fundação da congregação, afirmou que o trabalho da comunidade notabiliza-se nos domínios da educação, saúde e promoção da justiça social.

O prelado católico realçou ainda o serviço da comunidade das Irmãs Consoladoras no incentivo a comunhão fraterna.

Dom António Jaka afirmou que as irmãs, ao comemorar esta data, manifestam o desejo de continuar a apoiar o Governo, para melhorar a qualidade de vida da população em vários domínios.

A congregação das Irmãs Consoladoras de Jesus Cristo Sumo e Eterno foram fundadas em 1967 pelo padre Agostinho Veríssimo Sondjanba com objectivo de promover a Sã convivência entre os membros das comunidades em que está inserida.

 

Está representada nas províncias do Huambo, Bié, Benguela, Huíla, Namibe, Cuando Cubango, Luanda, Lunda Sul, Lunda Norte e Bengo.

O acto, marcado pela consagração dos votos perpétuos e jubilar de sete madres, foi testemunhado pelos governadores das províncias do Huambo, João Baptista Kussumua, e do Bié, Álvaro de Boavida Neto, assim como BIspos da CEAST.

O pároco da paróquia de São Francisco de Assis, Padre Dario Elias João Baptista, exortou neste Domingo, na cidade do Uíge, os cristãos a cultivarem a justiça e reconciliação no seio da sociedade.

Falando na homilia da missa das comemorações de São Francisco e padroeiro da referida paroquia, o religioso disse ser importante que os cristãos sejam os promotores da justiça, paz, e reconciliação nas comunidades.

“O Cristão deve reconhecer Cristo que é o salvador da humanidade,  saber dignificar o verdadeiro significado do Cristianismo na igreja e na sociedade”.

Na ocasião, o prelado Católico manifestou-se indignado com a falta de amor e partilha que se regista na sociedade, avançando que o ódio e a ganância não levam ninguém à salvação.

Por outro lado, Padre Dário Elias pediu aos jovens a não terem medo de seguir os passos de Francisco que amava todos e tinha todas as criaturas como irmãos.

Francisco de Assis deve servir de modelo de vida,  pois foi pacificador e edificador dos corações, disse o prelado.

Por sua vez, a vice-governadora para o sector Político e Social, Maria Fernandes da Silva e Silva, considerou São Francisco como um dos Santos importantes que a Igreja Católica tem.

Maria da Silva verbalizou ser fundamental que a sociedade tenha a vida de Francisco não só como Santo mas como humanista.

Participaram da missa celebrada pelo pároco da paróquia de São Francisco de Assis, Padre Dário e concelebrada pelo padre Joaquim Calombe, bem como animada por vários grupos corais da referida paroquia, membros do governo, dos vários movimentos apostólicos e fiéis oriundos das diversas comunidades.

 

Arrancou anteontem o mandato presidencial de João Manuel Gonçalves Lourenço. Logo, findou de jure, a longínqua era do predecessor, José Eduardo Dos Santos. Uf! O palpitante processo das quartas eleições gerais, vivido praticamente nos últimos dois anos em Angola, também, transitou para o pretérito.

O tempo dará a justa medida da mudança das duas personagens no timão do barco da pátria comum. Lourenço tomou posse na Praça da República, vulgo Memorial António Agostinho Neto, o primeiro Presidente da República pós- independência. Na cerimónia, conjugaram-se a carga histórica, a solenidade, a euforia e uma enchente de estadistas estrangeiros.

E que impressionante variedade, nesta última bancada! Lado a lado, vimos, por exemplo: − O Ivoiriense Alassane Ouatara (a pisar o solo angolano pela primeira vez, como que encerrando o capítulo de um desaguisado diplomático); − O Congolês Joseph Kabila (vizinho ora incómodo por mau acatamento do desfecho constitucional do seu reinado); − O Ruandês Paul Kagame (estratégico parceiro ímpar no intrincado dossiê dos Grandes Lagos); − O Português Marcelo Rebelo de Souza (o chefe da antiga metrópole e, espontaneamente, mais aplaudido pela assistência. Encantou o coração do povoléu anfitrião num rodopio de gestos e atitudes tais como um simpático mergulho na praia da Kianda, a partilha de uma partida de basquetebol, repentinos ‘selfies’ com transeuntes, nos seus passeios e breves diálogos com os mesmos em estilo desabrido. Em suma, Marcelo demonstrou a íntima afinidade com a alma simples e volátil do mwangolê, neutra às melindrosas desinteligências da alta laia).

A organização da investidura foi impecável, confirmando apenas a capacidade nacional em tamanhas realizações. Mas, ufania à parte, falhas não faltaram. A breve detenção do repórter Pedro Teca, do jornal “Folha 8” (de linha frontal contra as falhas governativas), foi uma destas manchas, assim como aquela falha de caneta na hora da assinatura. O caso do jornalista carece de cabal clarificação, em abono da advocacia do novo Presidente pela tolerância da crítica por parte dos servidores públicos. Além deste incidente, reduziu o gáudio a notória ausência da Oposição, expondo a nu os limites e desafios de sobra da nossa paz e reconciliação nacional. A Oposição entendeu assim protestar contra o controverso chumbo das suas queixas pelo Tribunal Constitucional. Até quando se deleitará nesse agastamento aliás cívico? A ver vamos, presumindo que dure pouco ante a iminente retomada da vida parlamentar que impõe o exercício de sensata conciliação. O novo Presidente deve submeter já na primeira sessão, que abre a 15 de Outubro próximo, o Orçamento Geral do Estado para 2018. Primeiro orçamento do seu executivo, espera-se que evidencie os dados consentâneos ao lema “Melhorar o que está bem e Corrigir o que está mal”. Vincou esta divisa no seu discurso de tomada de posse, de tonalidade mais à pomba do que a falcão como a última vez. O marcial rubro e preto cedeu o lugar à amena cor branca, nas camisolas vistosas dos activistas na Praça da República, anteontem. Até os encómios à fortuna eleitoral têm exaltado o papel do novo Presidente no apaziguamento das mentes.

O Santo Padre, inclusive, abençoou o seu mandato – uma graça que os seus predecessores não tiveram pela conjuntura das respectivas épocas. Uma bênção de timbre condensado nas explícitas palavras que citamos: < < (…) Saudações e votos de bom êxito no seu mandato ao serviço da coesão, harmonia e crescente prosperidade dessa nobre Nação sobre a qual com ferventes súplicas imploro do Altíssimo benéfica e especial assistência para que se esforcem os vínculos de fraterna convivência no concorde labor dos cidadãos em ordem a um futuro sereno cada vez mais solidários sob as bênçãos de Deus”>>. (Fim de citação parcial do telegrama do Papa Francisco ao novo Presidente da República de Angola, João Lourenço).

(Uma coprodução de Siona Casimiro e P. Maurício Camuto. Apresentação de Esmeralda Chiaca)

Luanda, quinta-feira 28 de Setembro de 2017.

O Papa recebeu em audiência o novo Embaixador da República do Gana, Senhor Joseph Kojo Akudibillah, que lhe apresentou as Cartas Credenciais. Casado e pai de quatro filhos, Joseph Kojo nasceu a 21 de Janeiro de 1948 em Konongo-Odumasi. Diplomou-se em Enfermagem e já desempenhou entre outros, os seguintes encargos: Enfermeiro-chefe no Hospital Bawku, no Gana, de 1978 a 1998; Vice-director dos Serviços de Enfermagem no “Bauku Rural Eye Program”, de 1998 a 2000; Coordenador Nacional para a Avaliação do Tracoma, Ministério da Saúde (1998-1999); no ano 2000 exerceu também, por conta do mesmo Ministério, o papel de Coordenador Nacional do Programa de Controlo do Tracoma.

Do ano 2001 a 2004 foi membro independente do Parlamento (MP) para o Garu-Tempane e de 2002 a 2003 foi membro do Parlamento da Comunidade Económica dos Estados da África Ocidental – CEDEAO. No ano seguinte (2003-2004) desempenhou o cargo de Vice-Ministro da Defesa no governo do Presidente Kuffour. A  partir desse mesmo ano de 2004 até hoje desempenhou o cargo de Administrador Delegado da Budsum Co.Ltd Bawku, Região do Nordeste. No mesmo período foi Director Executivo da “Kropo Charity Hospital” de Kumasi, Região dos Ashantes.

Ele fala inglês, kusaal twi, mampruli, haussa e mori.

 

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