A CEAST participou na XIII Assembleia Geral Ordinária do Sínodo dos Bispos, ocorrida em Roma no passado mês de Outubro. Esteve representada por Dom José Nambi, Bispo do Kuito e Presidente da Comissão Episcopal para as Vocações. Por sinal, a “Nova Evangelização para a transmissão da fé cristã” foi o tema orientador dos trabalhos. E aqui vai o depoimento de D. Nambi sobre a sua presença naquele mega evento universal, numa entrevista recolhida por Padre Quintino Kandaji, Director da Rádio Ecclésia e do jornal ‘O Apostolado’.

APOSTOLADO (APO): Como é que foi de facto a participação no Sínodo em Roma?

Dom Nambi – Foi muito positiva. Vós sabeis muito bem que Sínodo significa caminhar juntos, e umas das coisas que me impressionou foi o número dos participantes. Os padres sinodais estavam todos muito empenhados, muito activos e muito alegres, pelo facto de o Papa ter convocado o Sínodo sobre a “Nova Evangelização para a transmissão da fé cristã”.

APO: Quando é convocado o Sínodo: segundo a necessidade ou regularmente?

Dom Nambi – Em geral de quatro em quatro anos.

Esse foi o XIII Sínodo ordinário. A sua instituição surgiu depois do Concílio Vaticano II para o Papa e os Bispos de todo mundo caminharem juntos.

APO: Então em que lugares é que se viam maiores dificuldades de caminhar juntos que exigissem de facto este Sínodo?

Dom Nambi – Este Sínodo podemos dizer que esteve na linha do Concílio Vaticano II, porque depois do Concilio continuou-se a ver como é que a Igreja devia evangelizar. O Concílio surgiu para a Igreja refletir sobre si mesma, a Igreja na sua natureza e depois também como devia olhar para o mundo. Esse sentido de ir para o mundo com atenção, não condenar o mundo, mas anunciar a boa nova de Jesus Cristo ao mundo não de forma isolada mas caminhar juntos e o Sínodo esteve também nesta linha.

APO: Ora, temos contextos diferentes, com uma Europa descristianizada e fortes ataques à fé, uma América Latina um pouco diferente e, talvez, uma África e uma Ásia muito mais dinâmica e florescente. No tocante à Europa, por exemplo, que elementos chamaram mais atenção aos padres sinodais?

Dom Nambi – É verdade. O Papa até falou da desertificação espiritual. Por isso também o Papa falou da necessidade de um encontro, de um diálogo com esses homens porque com a globalização, os problemas da secularização são muito vivos e se cria esse deserto espiritual. Apesar de tudo insistiu-se na necessidade do diálogo com o mundo descristianizado, por isso também se falou dos átrios dos gentios, o lugar do encontro com os não crentes.

APO: A Igreja deverá neste sentido começar um trabalho com os não crentes e como?

Dom Nambi – Sim, com os não crentes. Por exemplo as nossas escolas católicas e as universidades, usando meios próprios, entabularem um diálogo com este mundo, baseando-se sobretudo naquilo que é humano, que une as pessoas. Entre crentes e não crentes, há coisas que nos unem como, por exemplo, o espírito de justiça, o espírito da verdade, etc.

APO – As linhas da dinamização da educação da fé como é que ficaram balizadas então?

Dom Nambi – Que as nossas escolas sejam lugares onde se forme verdadeiramente o homem em todos os sentidos. Antes mesmo de falar do aspecto cristão, religioso, nós devemos falar da formação integral do homem com aspectos mais universais. Nas nossas escolas católicas também devemos conformar a moral cristã para esta formação integral.

APO – Mas as escolas católicas ainda têm algum impacto sobre a sociedade como a Europa de hoje, onde, para quem vem da África, choca o cenário frequente das estruturas paroquiais parecendo meros museus, com cadeiras vazias aos domingos, o padre sozinho…

Dom Nambi – Ouvindo, porque eu também não posso responder pelos europeus, os nossos irmãos Bispos, há um trabalho notável que eles estão a fazer. Uma das coisas é a preocupação para que as paróquias não sejam lugares gigantes sem vida, que haja nelas mais comunhão e sejam lugares de comunidades, onde se cultiva o humanismo. Falou-se mesmo no aspecto da liturgia ser mais viva. Também, se falou do problema dos emigrantes, vistos com o preconceito daqueles que roubam o lugar. Na Europa os emigrantes também estão a dar uma certa vitalidade às comunidades.

APO – Os próprios destas comunidades e muitos deles cristãos católicos estão fora desses espaços?

Dom Nambi – Fora destes espaços. Mas a vitalidade com que estes emigrantes vivem a sua fé também é uma maneira de evangelização. Penso que os Bispos, conscientes disso, falaram do lugar dos emigrantes nas comunidades europeias. Não devem ser só vistos de uma maneira negativa mas de uma maneira positiva. Os emigrantes também dão vitalidade às comunidades aonde chegam.

APO: Os meios de comunicação social católicos também foram visados nesse contexto da reevangelização?

Dom Nambi – Sim, os meios de comunicação social foram bem vistos, porque muita coisa passa através deles. Insistiu-se mesmo no seu valor e a Igreja convidou os seus filhos a não estarem ausentes dos ‘mass mídias’. Durante o Sínodo, vimos muitas experiências belas de dioceses que investiram muito na comunicação social.

APO: E neste sentido como é que está sendo cozinhada a orientação para o povo de Deus aqui nesta II Assembleia Anual da CEAST com a participação de um Bispo que esteve no Sínodo?

Dom Nambi – O nosso desejo, o desejo da Igreja em Angola, da Conferencia Episcopal, é que realmente os meios de comunicação, a nossa rádio continue a transmitir, a evangelizar. Que também a rádio, depressa, seja ouvida em toda Angola.

APO: Depressa quer dizer um horizonte temporal. Que esperança é que nós, os ouvintes e os fiéis, podemos ter?

 

Dom Nambi – Eu penso que não sou autoridade aqui como bispo do Bié para dizer tudo acerca desse problema, mas queria dizer que o desejo da CEAST é que realmente a nossa Rádio Ecclésia seja um meio que possa transmitir a sua mensagem por toda Angola, e fazemos votos para que realmente o problema seja ultrapassado depressa.

APO: E há também uma ideia de os Bispos poderem investir na comunicação social, de um modo local. Tem padres já formados em jornalismo?

Dom Nambi – Sim, localmente, é verdade, é nosso desejo. Penso que toda a gente dá importância à rádio, agora outro problema é como concretizar a existência da rádio nas dioceses. Penso que todos estamos conscientes da importância da rádio nas dioceses e vamos fazer com que realmente os problemas sejam ultrapassados.

APO: Sobre a temática da família, que mensagem pode partilhar com o público angolano?

Dom Nambi – O Sínodo falou muito da família como lugar da transmissão da fé cristã e a família penso que, vivendo os valores evangélicos, pode contribuir muito para a transformação da sociedade, por isso no nosso contexto angolano, penso que este ano vamos começar com o tema “Família e Cultura”. Penso que este tema é bem-vindo, vai nos ajudar muito a pensar na questão da feitiçaria na nossa cultura, quais são os valores, quais são as coisas que realmente fazem com que a família não viva bem, nela não resplenda a verdadeira vida.

APO: O que é que leva uma família ao feitiço na sua opinião?

Dom Nambi – Há muitas causas, uma das causas que se diz por aí é o poder, liderar os outros, passar por cima dos outros

 

APO: O poder deve ancorar em Cristo Jesus? Qual é a mensagem que fica nestes homens que tentam se desfazer de Deus? Deus é pesado, parece-lhes uma cruz, umas regras para os subjugar…

Dom Nambi  – Sim, sim. O poder deve ancorar em Cristo Jesus. Quanto a estes nossos irmãos que neste momento não procuram Deus como nós o procuramos, mesmo estes homens parece que no fundo deles também andam à procura de alguma coisa que dê sentido à sua vida. O Papa falou bem, ao dizer que nestes desertos espirituais também há o desejo de Deus e devemos estar atentos para, como dizia o Papa, não “cairmos em poços com água inquinadas”. Significa que precisamos ajudar os homens a encontrarem Jesus, para encontrar a verdadeira água, o verdadeiro poço, porque apesar de haver gente que não crê em Deus, anda à busca de alguma coisa. Há necessidade de nós, crentes, ajudarmos os nossos irmãos a encontrarem onde está o verdadeiro poço como o encontro de Jesus com a samaritana.

 

APO: A vertente ecuménica foi trabalhada neste sentido?

Dom Nambi – Muito trabalhada. No Sínodo transpirou-se um verdadeiro ambiente ecuménico e de díalogo inter-religioso, porque para além dos Bispos sinodais estavam Pastores de outras Igrejas, gente de outras Igrejas.

APO: Quem estava?

Dom Nambi – Não só católicos, como falaram. Falaram Metodistas, por exemplo, os representantes das Igrejas Anglicanas. Houve realmente várias expressões, isto é muito positivo no sentido de que a Igreja Católica está aberta a este diálogo inter-religioso.

APO: Dom Nambi realizou na sua diocese um Congresso dos Catequistas e no regresso do Sínodo, o que pode ser referenciado para esse projecto da nova reevangelização?

Dom Nambi – Com este congresso do catequista conseguimos alguma coisa, nem tudo, sobretudo esta necessidade de caminharmos em conjunto. Porque às vezes o catequista está lá isolado na aldeia, pensa que não tem valor. O facto de termos congregado todos os catequistas da diocese, este facto é muito importante, o facto de termos reflectido sobre a missão do catequista no mundo de hoje, quais são os problemas que se põem, os desafios na missão do catequista, isso foi muito importante.

APO: Nós temos dois tipos de catequista: o líder de comunidade, da pequena catequese rural ou comunitária e o catequista o paroquial. Constou esta abordagem?

Dom Nambi – Sim, constou. Nós convidámos todos os catequistas, mas a nossa atenção estava mais voltada para o catequista chefe da comunidade, porque este é que tem mais estabilidade, aquele que realmente exerce um papel insubstituível. Por exemplo aos domingos, lá onde o sacerdote não chega ele está a celebrar o culto, a celebração da Palavra de

Deus. Nós prestamos muito maior atenção a isto. Agora os catequistas que chamamos auxiliares, que são os catequistas paroquiais, também dedicamos muita atenção. Mas têm merecido cuidado no sentido de que estão em geral nas cidades, nas vilas e lidam directamente com o padre nas paróquias.

 

APO: Quando a CEAST fala de um catecismo para Angola refere-se a qual catequista, o da paróquia ou o líder comunitário?

Dom Nambi – Pela experiência, um catecismo para todos não é fácil. Em geral os catecismos são diferenciados. Agora nós em Angola criámos um catecismo nacional a partir do qual se podiam fazer outros catecismos locais. Este catecismo seria de inspiração porque nós temos já um catecismo da Igreja Católica, universal, a partir desse catecismo fazer os catecismos nacionais, e a partir desses fazer os locais, das dioceses, segundo as idades, as crianças, os temas, os jovens, as situações.

APO: Hoje em dia em Angola que catecismo se dá, que fé se transmite?

Dom Nambi – Isso é difícil dizê-lo, mas em cada diocese temos procurado caminhar juntos para que cada idade tenha um catecismo mais actualizado. Porque o catecismo para ser realmente catecismo tem de conter todos os conteúdos de fé, o credo, fundamentalmente. Quando se analisa um catecismo tem de ter esses pontos e depois a metodologia. Nalguns lugares a língua conta muito, há gente que prefere em língua local, em língua nacional.

APO: No âmbito pastoral, que tipos de descobertas têm levantado a necessidade de um catecismo para Angola?

Dom Nambi – É verdade que em Angola nós não temos o catecismo, temos catecismos. Temos o catecismo da Igreja Católica, que é de inspiração para todos nós. Agora, o catecismo nacional que é traduzido numa linguagem apropriada ainda não o temos. Então há necessidade de termos um catecismo nacional que seja de inspiração. Porque realmente o Evangelho tem de ser contextualizado, por isso se fala da inculturação. Agora uma coisa é o catecismo, outra coisa é a metodologia e no catecismo tem de haver esse aspecto. O conteúdo de fé e a metodologia, como apresentar por exemplo a doutrina, essa preocupação deve ser do catequista. A metodologia catequética, o catequista deve conhecer os núcleos da fé, a sua fé, a doutrina confessada pela Igreja, mas também deve saber transmitir essa mesma doutrina. Por exemplo, quando me dirijo às crianças não posso usar uma linguagem cara, uns termos muito altos. A criança fica bloqueada, não vai perceber o que eu digo. E nós temos de escolher uma metodologia, isso é muito importante na transmissão da fé.

APO: Olhando agora sob um outro ângulo, Senhor Bispo, temos também a própria referência cultural do povo. Há já um estudo de base à volta dos elementos que poderão ser reunidos como ferramentas?

Dom Nambi – No passado já se estudou, já se falou muito da inculturação no aspecto da teologia. Só queria citar aqui que o catecismo que está a ser elaborado, também adopta uma metodologia até certo ponto aceitável. Em que se fala primeiro da situação, um provérbio, por exemplo, depois iluminado com a doutrina. No aspecto metodológico, estamos a fazer assim. Este catecismo podia ser interessante a partir mesmo da cultura, quais são os dados culturais que nos podem ajudar também a explicar muito bem a mensagem evangélica, esta é a preocupação nesse catecismo que está sendo elaborado. Há esta preocupação da Igreja, de conhecer bem os valores da cultura, para que nos ajude a transmitir o evangelho.

APO: A ideia da morte nas culturas africanas é uma ideia positiva de alguma forma. Há elementos reunidos nesta perspectiva por exemplo?

Dom Nambi – Há alguns elementos. Por exemplo, a nível da Conferência Episcopal já tivemos um estudo sobre a cultura, a feitiçaria. Já há elementos, mas ainda é preciso talvez organizar bem estes elementos a nível de cada região. O que é que se pensa sobre a morte, o casamento, o matrimónio, a iniciação, depois da iniciação, há elementos que são válidos.

APO: Então ainda não há uma síntese?

Dom Nambi – Ainda não há uma síntese porque nós temos de ter documentos. A nossa questão às vezes é sermos orais, não escrevemos, às vezes nós falamos muito, nós temos de escrever e depois organizar bem, isto às vezes falta, as pessoas porem por escrito.

Há já nalguns casos artigos ou livros escritos sobre a cultura que fala por exemplo da morte, da iniciação, isso já temos, é verdade. Mas falta agora talvez no futuro unir aquilo que é comum, por exemplo o pensamento sobre a morte, o que é que diz esta cultura, pode ser que haja elementos comuns, para depois a partir daí também falarmos da necessidade de integrar esses elementos por exemplo na liturgia, na iniciação ou noutro caso.

APO: E nós temos atualmente até faculdades de teologia e há indicações de que estes lugares produzam alguma coisa para a própria inteligência da vida como a fé. A comissão de evangelização tem alguma proposta para estes lugares?

Dom Nambi – Bem, quanto a estas faculdades, este é o desejo. A Comissão de Evangelização faz apelo a todas as faculdades que estejam realmente empenhadas com o apelo que é feito pelo Sínodo. Que as faculdades teológicas façam alguma coisa na linha apologética, no sentido de apresentarmos àqueles que não creem a beleza da fé. Devia haver documentos ou então palestras que nos ajudem a perceber que é bom ter fé, a beleza da fé. E, também, seria neste Ano da Fé aproveitar aquilo que nós já temos como o livrinho “Os Cristãos perguntam”, valorizar estas iniciativas, o que é uma apresentação mais popular do conceito doutrinal. O nosso povo precisa também dar razão à sua fé, como nos pede São Pedro na primeira carta 3,15 “a razão da nossa vida, porquê nós acreditamos?”. O Papa insistiu muito: porquê acreditar hoje? Porquê ter fé?

APO: Na sua opinião o que é que ameaça a fé do Angolano?

Dom Nambi – A globalização. O mundo tornou-se uma pequena aldeia. Digo a globalização, a secularização está a afectar-nos também por cá.

APO: Há um apelo no discurso de Cristo de que a pobreza se poderia converter num apelo profundo da fé. Qual a sua visão Sr. Bispo?

Dom Nambi – No sentido positivo significa que, por exemplo, o individuo está consciente de que não tem todos os meios, mas não está agarrado, vive em paz. Significa cada um acolher a sua situação em que se encontra: é pobre, mas luta para melhorar a sua vida e, com toda esta tranquilidade, com espirito de justiça, é honesto, vive os valores evangélicos, isto para mim é que é positivo, isto pode inspirar os outros, porque a gente pode ser pobre, e ser levada a querer enriquecer rapidamente sem espírito de justiça, roubar ou odiar aqueles que têm, invejar os outros. Aquela pobreza bem encarada, da aceitação do contexto da situação em que nos encontramos, depois procurar melhorar, penso que pode ser um lugar de experiência de Deus.

APO: Neste caso, felizes os pobres no corpo e sãos em espírito porque deles é o reino dos céus?

Dom Nambi- Penso que sim.

APO: Sr. Padre acompanha a atualidade política de Angola a partir do Huambo. Acompanhou o processo eleitoral e o que achou?

PAL – Pouco. De facto não acompanho muito, porque de dia estou muito empenhado, à noite quando tento ver um bocado não deixa de vir também um pouco de sono. E também gosto mais da notícia internacional. Como vai o mundo? Talvez por causa da globalização. Quanto ao processo, eleitoral, sim, segui um bocadinho. Achei positivo que já pode começar a crescer a democracia em Angola. Vendo os programas, os debates, começa a nascer a mentalidade democrática, já é bom, mas ainda tem isto e aquilo que terá que melhorar. Mais anos, menos anos poderá crescer e deixar as limitações que ainda existem.

APO: Leitura teológica do momento actual dentro deste “já se pode”?

PAL – A leitura teológica é grave. Eu vou à história de Israel. A história de Israel exige a fidelidade a Deus. Mesmo a paz que veio eu fui claro em dizer, devemos a Deus esta paz- mais do que passos novos disso e aquilo. É Deus que deu a paz. E, sobretudo, veio em 2002 ainda no contexto do Jubileu e, uma das coisas que o Jubileu dá é exatamente a paz, a estabilidade. Agora, na história de Israel quando você tem um dom de Deus, tem que se conformar. Nós temos que melhorar, temos que pôr as coisas no lugar justo se não vai vir uma desgraça pior, se não se esforça, se não se cumpre.

APO: O Sr. Padre nota alguma incoerência no nosso convívio social?

PAL – Sim. Há uma outra coisa que não interessa muito comentar porque preciso de melhorar, mas eu digo depois do tempo até que se dizia que Deus não existe – olha que isto no nosso contexto africano é muito grave , agora, o tempo era de melhorar tipo pedir perdão por causa disto, fazer as coisas de outra maneira, haver mais pena, mais caridade. Mas, estão a aparecer também outras coisas que não satisfazem. Então para dizer que sim passou aquilo, veio a paz, mas se não tivermos cuidado nunca se sabe o que vem. Se agora ouvimos dizer que o nosso país está a ser muito caro, de facto se o país se torna caro, fica um castigo na mesma. Quer dizer, as pessoas podem ter dinheiro, mas não chega para nada. Quer dizer, nós devemos fazer um esforço grande para melhorar como pessoas, no relacionamento, no trabalho, nisto, naquilo. Quer dizer, o pecado colectivo do ateísmo devia passar por um processo de purgação colectiva, bondade, isto e aquilo.

APO: Tem uma sugestão pastoral porque o Sr. também é profeta e é pastor?

PAL- Apenas é esta. Estamos a ver uma dificuldade, os padres deveriam estar mais livres para acompanhar o povo na assistência espiritual. A homilia o Sr. padre pode começar a preparar já na terça. Só que tem que ter tempo de ler um bocado, meditar… Então, na sexta e sábado ele começa a vibrar com que vai dizer no domingo, isto transforma. Mas hoje temos um problema. Acho que a fome também está lá, os padres têm que ir atrás de alguma coisa para comer. Sim, já temos ajuda, mas será preciso ver melhor.

APO: Ainda das eleições, me parece imperativa a questão de sermos agentes da paz.

PAL –  Sim, quer dizer, é preciso que a Igreja tenha o seu estatuto. Quando num ponto roça um pouco, não é para ofender ninguém, nem

para dizer o que não é, é para dizer aquilo que é, que deve ser. Esta coisa é forte, a Igreja tem que ser sempre aquilo que deve ser, que é exactamente estender o bem.

 

APO: Sente que a Igreja não está a ser o que deve ser?

PAL – Qualquer coisa não está. Não sei, mas é como aquele caso que eu dizia, neste mesmo livro na primeira versão, se os Bispos tivessem sido verdadeiros guias comunitários, a paz tinha vindo mais depressa.

APO: O que é que significa isto?

PAL –  Quer dizer, havia uma certa timidez, aquela coragem de dizer a verdade disto e aquilo, tipo se evitava. Não. Ora, os guias comunitários amam até doer, como dizia Madre Teresa de Calcuta. Quando têm que dizer uma verdade, que até pode ser um pouquinho inoportuna, é a verdade tem que se dizer. Por exemplo este caso de quem se apresentou como Bispo eu não vi nada, se alguém recomendou, se alguém fez alguma coisa, não se pode deixar essas coisas andar assim, não.

APO: Está a falar de novas igrejas, já que estamos num país plural na sua expressão religiosa?

PAL- Não quero comentar isto como o meu comentário seria muito forte, mas só posso dizer que convinha estar muito atento. Num artigo que eu fiz em ´97, dei o exemplo do Zaire, Mobutu ainda estava e  teve que fechar 450 e poucas seitas, que se tinham tornado tipo uma ameaça.

APO: Angola tem este risco?

PAL – Não digo que sim, mas são exemplos, para dizer é preciso ter cuidado com as autorizações, já temos muitas autorizações.

APO: Sente-se como padre, professor, escritor sente-se muito feliz hoje?

PAL –  Sim, eu sinto-me feliz, a pena é que tenho pouca saúde, então tenho que ler muito devagar. Tive uma trombose em 2009 que ainda me acompanha de certa maneira. Como sacerdote estou bem, dou aulas, celebro, faço confissões quando devo, o trabalho está a andar. Sobretudo, neste momento, comecei com as edições do ‘CRETC’, Centro de Recolha e Redação de Estudos Teológicos, Culturas. Já tenho 5 livros saídos nesta perspetivas e vou continuar, espero poder ter uma ajuda para ir publicando outro livro, sempre para contribuir para o crescimento. A fé é importante e, depois, o trabalho honesto. São essas coisas, como sacerdote, não contentam.

APO: Dá aulas de que no Seminário?

PAL – Este ano dei aula de teologia africana ao 4º ano de teologia e estou agora a dar ecumenismo ao curso geral, isto é, desde o 2º até ao 4º ano.

APO: Na sua preleção do ecumenismo não combina novos movimentos com a perspetiva mais aberta da globalização no espaço religioso?

PAL- Eu deixei já o ecumenismo em ´90-´91. Dei a Padre Venâncio que agora também está doente e, é por estar doente que eu estou a substituí-lo. Para os jovens não ficarem sem este curso, preciso de dar o essencial da matéria, apesar das recomendações e das abertura que é preciso fazer a eles.

APO: No passado, o Cristo-Rei teve uma tradição ecuménica com o Seminário Emanuel. Esta experiência parou, continua ou vai começar?

PAL –   Não estou a ver, não quero dizer que não haja.

APO: Lê alguns títulos sobre o tema do ecumenismo? Não acha que o ecumenismo poderia ser um caminho novo parta este compromisso mais eficaz da intervenção da igreja no social?

PAL – Sim, leio. Hoje há muita matéria. Quanto à segunda questão, é uma pergunta um pouco difícil, mas boa, quer dizer, furou-se já o saco. Tem muita gente que fala em nome da religião, então para você dizer que junta um grupinho válido, para fazer coisas que podem ser aceites, fica difícil. Que se juntem, aquelas por exemplo Igrejas já antigas. Só que o que fica fora a falar de religião é uma imensidade. Para mim o saco está furado, não sei, não sei.

APO: Como teólogo, podemos falar em crise ecuménica em Angola?

PAL – Até foi há pouco tempo que passaram aqui dois pastores a procurarem qualquer coisa sobre as seitas. Eram da Igreja Reformada, estão preocupados também. É muita coisa que está ali e por causa destas coisas que estou a dizer que muitos não deveriam ter sido autorizados a fazer isto.

APO: Vai muito à sua terrinha, Lépi, onde nasceu e tem que recordações?

PAL – Vou, até porque é caminho para ir mais adiante, para ir a Benguela. A recordação é boa com a minha terra. Mas era preciso crescer, que lá houvesse também um sacerdote permanente para ajudar. Há muitas coisas que não vão porque as pessoas não sabem. Tinha tido um patrício lá quase que me prometia uma residência para eu ficar e cuidar religiosamente daquela comunidade. Ainda hoje está a ajudar para refazer a igreja. Vão restaurar a igreja e quereriam que houvesse um padre permanente lá. Seria bom, só que os problemas não deixam de haver por causa disto e daquilo.

APO: Não há presbíteros, não há vocações?

PAL – Tudo isto, também- Hoje, um jovem você põe no Lépi fica tipo abandonado, porque ele não fica lá com aquele coração vibrante para o serviço que ele deve fazer. Então o que lhe sucede? Fica tipo frustrado, quando não. Quer dizer, quando lá ele está, sai para as aldeias, para visitar, para fazer isto, aquilo. O povo tem que ficar dinamizado com aquilo que é a vida cristã.

APO: Neste caso o ardor missionário está um pouco em crise no nosso contexto?

PAL – Está. Está porque, mesmo quando se fala também não se toca os pontos melhor, então fica muitas coisas assim.

APO: Que receita para reverter o quadro?

PAL – Não estou preparado para esta resposta, mas já disse que coisas a fazer: o catecumenado, a catequese, aquele exemplo sucedido no Huambo, durante a guerra, com um padre rogando aos fiéis: “aumenta um pouco de fuba para eu não passar o dia convosco na praça. O meu problema não é grande, mas se eu pudesse ter a possibilidade de comer minimamente, a minha dedicação aquilo que se me pede teria mais resultado”.

APO: Estamos a falar da autossustentabilidade da Igreja?

PAL –  A dificuldade é esta. Houvesse poucas igrejas, vamos supor, até ajudar estes pastores não seria difícil, são poucos, são só aqueles, mas com as autorizações que tivemos, todos eles vão reclamar, e vamos tirar quem? Já não dá, nós estamos perdidos. O Governo está a fazer muita coisa eu acompanho, sim. Só que o caso foi esse, os que podem ser ajudados tornaram-se demais.

APO: Para terminar, Sr. Padre, que expetativas é que tem para o Ano da Fé?

PAL – Eu tenho muitas expectativas porque a fé é a base, vamos ver se até para nós vai haver algumas indicações mais precisas sobre a fé- Às vezes há coisinhas assim dispersas, não são nada, no Ano da Fé vamos ter que solidificar estes dados, porque muitas pessoas estão como estão porque ninguém lhes falou. Enfim, que todos se esforcem por buscar o bem e evitar o mal e as estruturas educativas, por exemplo, não deixarem este tipo de moda como o trabalho gratuito. Não! Fazer o bem e evitar o mal é a recomendação que eu deixo, Portanto, obrigado e tudo de bom, até sempre.

Remissão do país todo contra o pecado do ateísmo! A tese é do Padre André Lucamba, Doutor em Teologia Dogmática e uma das estrelas no histórico Simpósio dos 500 anos de evangelização de Angola. Numa entrevista à Rádio Ecclesia, dia 11/10/2012, abordou vários temas da actualidade, com a frontalidade da sua singularidade. Conduziu a entrevista, gravada no Huambo, Padre Kandandji, Director da emissora de confiança e do jornal ‘O Apostolado’.

O APOSTOLADO (APO): Quem é o Padre André?

Padre André Lukamba (PAL) – Um sacerdote diocesano da Arquidiocese do Huambo, ordenado desde Julho de 1976. Fiz os estudos superiores em Roma por 4 anos, voltei só depois do doutoramento  e deliberadamente quis publicar a tese, estando já na Diocese, quando ainda era o Reitor do Seminário. Entendi-me com Dom Manuel Franklin da Costa, que era o Arcebispo, para, quando eu saísse do Seminário, dedicar-me só ao estudo. Assim, ele aceitou e fundei o Centro de Estudo Teológico, que tinha uma revista chamada de Didasco. Por motivo de financiamento e outras coisas depois parei em 1996, mas consegui fazer ainda 22 números desta revista. Hoje continuo a dar aulas no seminário e colaboro na missão.

APO: Qual era o título da tese e que ideias continha?

PAL – A Evangelização como Encontro Vivo na Cultura Umbundo de Angola. Eu editei o capitulo metodológico, onde explorei muito os sinais, os símbolos que tem o conteúdo particular, daquilo que é exactamente a vida das pessoas. Falo em encontro vivo, que vem da inculturação. O termo inculturação me invocava uma paralisação, quando isso não pode parar, é um processo, o evangelho vai crescendo à medida que se encontra com novas realidades e estas realidades, também, ficam enriquecidas.

APO: E depois fez publicar outro livro?

PAL – Sim, depois desta tese veio “A Nova Etapa Missionária em África”, onde digo que é preciso redescobrir para repropor.

APO: Sr. Padre vai fazer publicar o V Centenário da Evangelização de Angola –  o Simpósio, 21 anos depois?

PAL – Sim, o livro já está pronto, já está a chegar e pensamos seremos entendidos por este gesto. 21 anos depois não saiu nada fora, não sabemos também que motivo terão tido para não fazer isto, mas nós quatros editamos os nossos textos com uma introdução geral e umas perspetivas. Acho que saiu bem. Os quatro, isto é, Pe. Jerrónimo Cahinga, Pe. Melo Tuebe, Pe. Alberto Ilídio e o Pe. André Lukamba

APO: Esta quadra de teólogos brilhou no Simpósio. A Igreja de Angola antes do Simpósio e depois do Simpósio é a mesma?

PAL – Qualquer coisa entrou no terreno, só que tivemos, diria, uma pouca-sorte. Em ´91 quando se passa o simpósio já havia a paz. Então o Santo Padre João Paulo II nos visita em ´92, com uma frase muito conhecida: “ Ouvimos gritos de todas as partes de Angola, nunca mais a guerra! Paz em Angola para sempre!”. Isto foi muito forte, só que infelizmente depois das eleições recomeçou a guerra. Dura outros 10 anos, talvez isto retardou um pouquinho ou meteu por terra o que podia ser o empenho do Simpósio. Agora uma coisa muito linda: Bento XVI quando veio em 2009, ele torna a dizer que vinha também reviver o V Centenário. Por isso é que nas perspetivas entra o impacto das visitas papais. Terminamos exactamente com as últimas palavras de Bento XVI aqui.

APO: Então podemos achar já uma etapa depois do Simpósio?

PAL- Penso que sim. Só que não entrou muito o que a gente queria como, por exemplo, a ideia do Centro de Estudos Teológicos que era uma proposta boa. Há muitas coisas um pouco atrás.

APO: Que alternativa em reativar o sonho da publicação da Didasco?

PAL – Temos a ideia de que os 22 números já saídos, sairiam em três volumes, cada volume 7, 8 números. E depois ou antes, a Faculdade de Teologia tinha que ter revista. Pode reassumir a Didasco ou um outro nome.

APO: O Padre reeditou agora “A globalização dos conflitos no Sul – o caso angolano”, um livro cuja primeira edição já esgotou. Que aspectos novos a reedição traz?

PAL – Sim, completamente, esgotada. O aspecto novo que eu tive muito em conta, é que a primeira edição fosse mesmo considerada histórica em relação aos 40 anos de guerra em Angola. Eu quando falava do tema era no sentido de contribuir para que a guerra acabasse. Então eu não quis tocar este texto, para manter o seu valor histórico. Mas como também o livro tem uma força de viragem no tempo, meti uma pequena novidade, que é em relação às eleições. Então o ponto que eu aumentei poderá ajudar a refletir as pessoas, sobretudo os cristãos, no compromisso em relação às eleições de cada vez que haja.

APO: Globalização e conflito no Sul. Estamos no Sul do Equador, cruzado com vários interesses geopolíticos internacionais, mas o caso angolano agora é um caso de paz…

PAL – Sim, o livro teve este nome no contexto de guerra, a argumentação que esta lá é vastíssima e útil também hoje porque o Norte são os ricos, o Sul são os pobres. Então eu: o Sul, não fiquem em guerra porque há um gigante que está a vir para devorá-los todos, procurem entender-se, quem sabe se pelo menos se podem poupar de uma maneira ou de outra! O caso é este. Uma base original do livro foi aquele congresso ‘Pró Pacem’ que houve em 2000. A guerra ainda estava forte, eu fui um dos que foi ao debate. Eu dizia, olha! Basta com a guerra, o povo não pode mais suportar a guerra. Temos que fazer tudo que estiver ao nosso alcance, para se fazer a paz. O livro também está nesta linha. Quer dizer, apesar das contradições, disto e daquilo que pode existir, não devemos deixar de terminar porque ainda temos um inimigo pior que é a globalização. Este vai e pode comer todos.

APO: Qual é o seu próximo livro?

PAL – O próximo livro exatamente é o primeiro volume da Didasco, mas há um já ai no meio como ainda não está apronto, escuso de anunciar. Há muito em certeira, só que já não tenho tempo, nem saúde.

APO: Qual as perspetivas das eleições neste contexto de publicação?

PAL – No livro reeditado, o ponto novo tem aliás este título ”O processo das eleições, implicações e desafios para os Cristãos”. Eu falo assim: os cristãos em princípio não pertencem a um partido concreto, visível. Têm, mas ninguém pode saber. São pessoas que têm que fazer as coisas de consciência. Então, quando há eleições, há a chamada propaganda, cada partido diz o que pensa, isto e aquilo, os cristãos acompanham. E aquele que der maior sucesso daquilo que promete, este fica assegurado, este é que nos vai fazer a melhor coisa na época que se segue. Só que há uma coisa, tem que seguir o que promete, porque se ele não segue o que promete e que é visto como melhor, a vez seguinte pode não ter a mesma sorte. Na vida dos cristãos isto é normal não é partidarismo, não é anti partidarismo, é vida cristã.

Continua

 

Aspecto actual da missão

Aspecto actual da missão

Governo e Arquidiocese do Lubango reabilitam Missão Católica do Jau, no município da Chibia, província da Huíla.

A primeira fase das obras já decorre. O Vigário geral da Arquidiocese do Lubango, padre Domingos Maurício, espera que o empreiteiro cumpra o prazo estabelecido para a conclusão da empreitada.

As obras estão orçadas em mais de 83 milhões de Kuanzas e têm duração estimada de 100 dias.

A Missão do Jau destaca‐se na região Chibia/Gambos. Fundada em 1889, é uma referência na formação das populações locais.

A participação do Governo na sua reabilitação foi recentemente anunciada pelo governador provincial da Huíla, João Marcelino Tyipinge, que considerou urgente a modernização da infraestrutura afecta à Igreja Católica.

CAPÍTULO II (Princípios de actuação)

Art. 4º Em toda a sua programação, a Rádio Ecclesia terá presente a sua especificidade de Emissora Católica. Como tal, em nenhum caso se admite a veiculação de mensagens que ponham em causa a dignidade da pessoa humana, o valor sagrado da vida, o respeito pela liberdade fundamentais dos cidadãos, a dimensão espiritual da pessoa humana.

Art. 5º

Os serviços informativos devem restringir-se á narração precisa e desapaixonada dos factos. Em toda a informação veiculada, ter-se-á presente a necessidade de criar um espírito de tolerância e reconciliação entre os angolanos. As notícias devem ser escolhidas com critério e bom senso, evitando-se os detalhes mórbidos, sensacionalistas ou alarmantes que não sejam essenciais à sua descrição. Os comentários e análises a factos devem ter uma apresentação distinta das respectivas notícias.

Art. 6º

Os programas que relatem, comentem ou analisem aspectos da vida pública ou privada, devem fazê-lo de modo a induzir os ouvintes a um sadio e responsável sentido crítico, pautado por uma consciência moral formada pelos princípios cristãos.

Art. 7º

Na apresentação de notícias ou comentários relacionados com a criminalidade e a ilegalidade, deve ter-se o cuidado de apresentar dados devidamente confirmados, e facilitar aos ouvintes a compreensão dos factos, a análise do papel dos intervenientes e as responsabilidades imputáveis.

Art. 8º

Os relatos e comentários de acontecimentos desportivos devem revestir-se da maior isenção e imparcialidade, tendo em conta que em competições desportivas, igual consideração merecem vencedores e vencidos.

Art. 9º

A Emissora Católica é apartidária. Como tal, as notícias que refiram as actividades político-partidárias terão como critério de emissão a sua relevância para a vida do povo angolano, seja a nível regional ou internacional. Em nenhum caso a Rádio Ecclesia aceitará patrocínio de organizações político – partidárias, ou aceitará programas que provenham de produtoras pertença ou conotadas com essas organizações.

Art. 10º

Os programas que se ocupem especialmente de questões religiosas, políticas, morais ou sociais serão elaboradas exclusivamente pelos serviços da Rádio Ecclesia, ou por ela, supervisionados.

Art. 11º

A produção e locução de programas emitidos em – directo, serão confiados a pessoa da exclusiva escolha da Rádio Ecclesia.

Art. 12º

A Rádio Ecclesia preocupar-se-á em promover e incentivar a cultura angolana. No caso musical, garantirá que no total da emissão a Musica Angola ocupe um espaço significativo, de modo a divulgar, apoiar e incentivar a produção dos artistas nacionais.

Art.13º

Não será permitida a difusão, pela Rádio Ecclesia, de mensagens que contradigam a moral cristã, seja sob a formação musical ou outras.

Tensão na Guiné-Bissau

 

As forças armadas da Guiné-Bissau frustraram na segunda-feira a tentativa de golpe de estado lançada por um grupo de soldados, apontou o exército da nação da África Ocidental.

Os amotinados tentaram a derrocada do governo do presidente Malam Bacai Sanha, mas fracassaram, apontou o exército, acrescentando que já tem o total controle da situação.

Na manhã da segunda-feira, as tropas do chefe do Exército, António Injai, enfrentaram as tropas leais ao chefe da Marinha, José Americo Bubo Na Tchuto.

Bubo foi detido logo depois dos seus próprios homens terem conseguido manter sob captura o chefe do Exército às 5h, horário local. Injai foi liberado pelos soldados que agiram em seu resgate desde Mansoa, 50 quilômetros ao norte da capital do país, Bissau.

O confronto ocorreu quando o presidente de 64 anos está hospitalizado na França. O presidente viajou ao país vizinho Senegal, no final do mês passado para receber tratamento médico, o que causou instabilidade na ex-colônia portuguesa.

Sanha foi eleito em 2009 depois do assassinato do ex-presidente, Nino Vieira e do ex-chefe do Exército, Batista Tagm na Wai em Março do mesmo ano.

O país de 1,7 milhão de habitantes testemunhou uma série de golpes no país desde sua independência de Portugal em setembro de 1973.

O primeiro ministro é referenciado como estando na condição de refugiado na Embaixada de Angola.

A violência acontece numa altura em que ocorrem no país reformas no sector das forças armadas guineenses, dirigidas por especialistas militares angolanos.

Uma parte da classe política guineense e da região opõem-se à presença de Angola no país.

Jornal “Relâmpago” visita “O Apostolado”

 

Uma equipa de três jornalistas do jornal “Relâmpago”, visitou, esta quarta feira, 28/3, o colectivo da redacção do jornal “O Apostolado”, com a finalidade de conhecer a história do mesmo e ganhar experiência de trabalho jornalístico.

A comitiva, chefiada pelo coordenador do “Relâmpago”, Delmiro Rodrigues “Imbi”, foi recebida pelo Editor-Chefe do “O Apostolado”, Siona Casimiro, de quem recebeu informações detalhadas sobre as estruturas e organização dos jornais impresso e online, adstritos ao mesmo projecto, desde da criação do mesmo pela então diocese de Angola e Congo, em 26 de Outubro de 1935 até aos nossos dias.

Em entrevista ao nosso mensário, o grupo gostou do que viu e afirma ter aprendido em pouco tempo com a sua presença entre nós. Neste contexto,     Delmiro Rodrigues acrescentou: “vamos levar a vossa experiência aos demais colegas para refrescá-los com os vossos conhecimentos e experiência, o que nos tornará mais fortes na edição do nosso jornal”.

Todavia, os colegas do “Relâmpago” interessaram-se sobremaneira com o desenho gráfico do  “O Apostolado” impresso, cujos programas que concorrem desde a sua concepção, configuração até chegar à gráfica, impressionou-os.

O jornal “Relâmpago”, criado em 2010, é um projecto dirigido à comunidade académica juvenil do  Instituto Médio Normal de Educação – Maristas “Cristo Rei”, da Congregação dos Irmãos Maristas de Angola.

Cabinda Oyé – Congresso Apostólico

A diocese mais nortenha do país acaba de realizar o seu 1º Congresso Eucarístico. Os trabalhos decorreram de 16 a 24 de Junho em curso, animados por participantes locais e convidados de outras dioceses nacionais.

Respeitando uma tradição, os promotores convidaram as vizinhas dioceses de Boma (RDC) e de Ponta Negra (República do Congo).

Na missa campal de encerramento do evento, realizada no frontispício da Sé Catedral, todo engalanado, a assistência vibrou, entoando, o jovial compasso “Cabinda oyé…”.

O refrão resumia metaforicamente o cenário, onde se entrelaçaram, o gospel ritmado a batuque, moderna tecnologia e o júbilo contagiante.

No fundo, completava o quadro e a introspeção de cada fiél face a Cristo, que o culto ocasionou.

A homilia, pronunciada pelo Núncio Apostólico, Dom Novatus Rogâmbua, balanceou, em breves palavras, o Congresso. Ou, seja, «dias de profunda meditação da Palavra de Deus, de oração intensa, com orar silencioso, de contemplação sincera e adoração do mistério de Deus, de reflexão e estudos de experiência diversificadas, de comunhão na fé e de solidariedade humana, e também de trabalho árduo (…) de renovação cristã e de crescimento nas virtudes de Deus».

Na sequência, o embaixador do Santo Padre ministrou uma copiosa aula teológica, aprofundando o lema “Eucaristia, dom de Deus para a vida da humanidade”. Fixamos, da preleção, esta luz: «Eucaristia é vida, é a vida dos baptizados, é a vida daqueles que acreditam em Cristo e, d’Ele e com Ele, fazem um só corpo. É a vida daqueles que encontram o Salvador, Jesus Cristo».

O Núncio foi o celebrante principal desta eucaristia de acção de graça, embelezada, também pelo Coro diocesano, predominantemente feminino. Teve como concelebrantes os prelados de Benguela, de Cabinda, do Kuito, de Mbanza-Congo, de Malanje, do Menongue e o de Saurimo.

De acordo com o Bispo anfitrião, Dom Filomeno do Nascimento Vieira Dias, as conclusões convencionais dos trabalhos virão a público dentro de dias.

Outra voz sacerdotal, perita observadora dos congressos eucarísticos, alertou-nos sobre o fim habitual deste tipo de jornada, isto é, a sensibilização que proporciona.

A sensibilização do colectivo cristão sobre os seus prementes desafios.

Sem rodeio, estes persistem em manter-se na ordem da unidade e da paz no seio da família católica deste ramo particular da frondosa árvore angolana. «Iluminai mais ainda a minha mente, inflamai o meu coração do vosso amor e fortalecei-me no testemunho e no serviço da vossa Igreja», suplicou, acertadamente, um trecho da oração dedicada ao congresso.

Pelas observações feitas na cerimónia de encerramento, a vivacidade e a intensidade da fé continuam marcantes naquela diocese. Na citada missa, um recheado e infindável ofertório realçou esta impressão.

O toque reforçou-se no festival musical organizado no pavilhão gimno-desportivo, onde se destacou o grupo ‘Coro das 2 mil vozes”.

A juventude, futuro da Nação, dominou a entusiasta plateia.

«Pelo canto vibrante, a elegância das senhoras envoltas em panos de cintilantes matizes tropicais, a mística do calor africano da gente… tudo parecia que estávamos noutra terra». Admiração registada, no voo de regresso para Luanda, de uma religiosa angolana. Ela e pares, que secundaram instantaneamente a mesma impressão, fizeram pela primeira vez a viagem àquela região do país, onde conflituam, ainda, o anseio do sossego e a irracionalidade isolacionista.

 

 

Por sorte, a inculturação litúrgica, outra forte feição de Cabinda, influi em suavizar os espíritos no amor infinito, irradiado pelo exemplo de Cristo.

 

(Uma coprodução de Siona Casimiro e P. Maurício Camuto. Apresentação de Tomás de Melo no programa ‘Visão Jornalística’ da Rádio Ecclesia, na quinta-feira 28 de Junho de 2012)

Portugal acusado de apoiar  Golpe na Guiné-Bissau

Portugal Acusado de apoiar golpe ba Guiné-Bissau

As autoridades de transição da Guiné Bissau acusam Portugal e a CPLP de apoiarem a tentativa de golpe de Estado este domingo, 21/10. O ataque ao quartel de elite de Bissau resultou na morte de sete pessoas e dois assaltantes detidos. “O governo considera Portugal, a CPLP e Carlos Gomes Júnior como os promotores desta tentativa de desestabilização, cujo objectivo e estratégia” era “derrubar o governo”, segundo o comunicado lido pelo ministro da Comunicação, Fernando Vaz, citado pela AFP.

O texto acrescenta que o objectivo era “questionar todo o processo político actual com apenas um objectivo: promover a volta de Carlos Gomes Júnior ao poder e justificar a presença de uma força internacional” de estabilização no país.

Pelo menos sete pessoas, entre elas seis agressores, foram mortas na manhã deste domingo, segundo o balanço da AFP, no ataque ao quartel de uma unidade de elite do exército em Bissau.

O ataque foi liderado pelo capitão Pansau N’Tchama, líder do comando que assassinou em 2009 o Presidente João Bernardo Vieira. AFP

Xenofobia à parte, o uso da língua nacional não equivale a tribalismo. Até é virtude a cultivar da parte dos quadros nacionais, chamados a emancipar os seus concidadãos da alienação cultural colonial e neocolonial.

Um analista desqualificou um político do país por falar umbundo num comício, arremessando-lhe o anátema de “tribalista”. Deu-se durante a recente campanha eleitoral na nossa TPA, onde o analista integrou um painel que se tornou famoso na altura.

 Nenhum outro membro do grupo, vejam só, reagiu com um mínimo de contraditório. O grupo esteve formatado, claro, para outras prioridades, marimbando-se da idiossincrasia da gente. É de promover isto, sem, necessariamente, partilhar o discurso do político estigmatizado? A passividade perante tal deslize não agravaria o drama da nossa juventude, já de si vítima dos vícios da globalização e recorrente mentalidade de calcinhas?

 O umbundo, como é consabido, é a genuína língua nacional de maior expressão, pela proporção dos autóctones que a têm como língua materna. No Centro e Sul de Angola, região predominante de tais populações, inclusive não autóctones mas naturalizados nela, passaram a ter o mesmo idioma como veicular a partir do berço. O traço é tão forte que até, antropologicamente, chega a fazer-se distinção entre o angolano branco do Norte e do Sul. Este último, falando muitas vez só o umbundo, exprime-se mal em português, aprendido não poucas vezes, apenas na idade escolar.

 Cenas desta índole enchem a densa obra literária do Óscar Ribas e exemplificamos com o seu livro ‘Tudo isto aconteceu’’, onde se pode ler esta passagem:

 “E os meninos, como outros tantos mestiços espalhados pelo sertão, nada compreendiam das conversas que o pai (um colono português), de vez em vez, mantinha em casa com algum patrício em trânsito. Por vezes, riam-se mesmo daquela linguagem esquisita”. Fim de citação.

 Sinceramente, um angolano pode merecer o qualificativo de intelectual, ignorando, na cultura geral, um autor como Óscar Ribas e o fundo essencial dos seus escritos? Ponderamos, no entanto, o imenso trabalho ainda por fazer para cultivar a unidade do híbrido tecido nacional, com muita malta formada no exterior.

 De resto, esta tarefa (a formação no exterior), devia começar pelas nossas chancelarias, ora a distinguir-se mais na tesoura consular do que na integração cultural dos nossos emigrados nas realidades do torrão longínquo. É outra assimetria a inverter, no campo da nossa incipiente diplomacia, cujas insuficiências contribuem para a repetida exclusão de patriotas das eleições que decorrem no país. Digno de realce merece, neste ponto, a iniciativa tocoista de implantar um estabelecimento de ensino do kikongo, kimbundu e português na cidade suíça de Lausanne.

 Xenofobia à parte, o uso da língua nacional não equivale a tribalismo. Até é virtude a cultivar da parte dos quadros nacionais, chamados a emancipar os seus concidadãos da alienação cultural colonial e neocolonial.

 Sem dúvidas, parte da deformação tem a ver com o modo, algo desprezível, como a lei magna da república tratou o tema.

 Virtualmente, este texto fundamental ergueu o português como exclusiva língua nacional, ao reduzir as autóctones à noção de «demais línguas de Angola». (Artigo 19º, ponto2). Seria bom que, na primeira oportunidade, se depure esta aberração.

 A inculturação, preconizada pela Igreja Católica ao mais alto nível, valoriza o uso das línguas autóctones de cada povo, no anúncio da Palavra de Deus e nos actos litúrgicos. Basta destacarmos: «São conhecidas as iniciativas da Igreja em prol da avaliação positiva e salvaguarda das culturas africanas. É muito importante continuar este serviço».Trecho do ponto 38 da Carta Apostólica ‘Africae Munus’, que ressalvou, tão-somente, o imperativo de“discernir os elementos culturais e as tradições que são contrários ao Evangelho”.

 Portanto, não se emparceire o uso da língua nacional, uma mais-valia, com o tribalismo, que é um crime! Voltaremos ao assunto.

 (Uma coprodução de Siona Casimiro e P. Maurício Camuto. Apresentação de Tomás de Melo na rubrica ´Visão Jornalística’ na quinta-feira 11 de Outubro de 2012)

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